Memories

10 Two Emmas?


Notas iniciais
Cheguei chegando. Espero que estejam recuperados do capítulo passado. Recebi várias ameaças e morri várias vezes nas mentes alheias, mas passo bem, obrigada. Leiam as notas finais.

10° Duas Emmas?

[Regina]

Depois da minha queda da escada, a única coisa que eu lembro é de ver Zelena desesperada passando algo em minha testa. Depois disso tudo ficou escuro e quando eu vim acordar novamente, já estava em um quarto de hospital, que é onde eu me encontro agora.

— Você está sentindo alguma coisa? — Minha irmã pergunta. Seu tom era preocupado.

— Só fome mesmo. — Sussurro de forma séria, mas ao vê-la sorrir, acabo sorrindo também. — Você não contou para mamãe o que aconteceu aqui, não é? — Ela negou rapidamente. — Ainda bem. — Suspirei aliviada e Zel sorriu. — O que aconteceu? — Indaguei mudando de assunto. Zel franziu o cenho. — Depois que eu caí... — Acrescentei para que ela entendesse.

— Bem, quando eu cheguei na casa, a Emma estava desesperada, chamando seu nome, enquanto uma garota procurava de forma desesperada, algo em uma mochila. — Sentou-se na cama.

— Onde você estava?

— Eu... — Arqueei a sobrancelha e estreitei os olhos. — Bem, é que... — Ela sorriu sem graça e balançou a cabeça negativamente. — Eu estava na praia com a Ruby. — Disse por fim.

— Você está ficando com ela? — Indaguei animada. — Então, passou mesmo para o lado colorido da força? — Ela gargalhou.

— Ainda sou virgem nessa área. — Encarei-a desconfiada. — Juro...

— OK! Mas quero saber quando você tiver a sua primeira experiência. — Ela assentiu.

— Sabe quem te trouxe até aqui e... No braço? — Sussurrou a ultima parte. Neguei rapidamente, mas imagino quem seja só por ela ter perguntado. — Essa pessoa mesmo que você está pensando. — Sorriu maliciosa.

— Sobre isso... — Lembrei-me das coisas que havia descoberto e precisava falar com ela, sobre. — Não é a Emma... — Disse desanimada. — A minha Emma... — Sussurrei.

Dois toques na porta impediram de Zelena responder algo. Ela se levantou da cama e foi até a mesma, para abri-la.

— Olá! — Emma saudou, entrando no quarto, fazendo meu coração se acelerar. Eu não sabia que ela estava aqui. — Vim ver como a paciente está. — Deu um sorriso.

— Eu vou deixar vocês a sós. — Avisou Zelena, já se direcionando para a saída. — Regina, depois eu te trago um café, OK? — Assenti rapidamente e logo ela saiu do quarto.

— Então... — Sentou-se na cama, porém mais perto de mim do que Zelena estava. — Tudo bem com a senhorita?

— Agora estou bem. — Eu estava nervosa. Nervosa demais. Talvez ela percebesse. Talvez não. Eu espero que aconteça a segunda opção. — Não estou sentindo dor nenhuma, nem nada. — Acrescentei.

— Esses remédios que o hospital nos dá, é um santo remédio. — Balanço a cabeça afirmativamente, concordando. — Mas, me diga... O que aconteceu? Quando eu acordei e te vi caída ao chão, me desesperei. — Sorriu. — Quase caí também, enquanto descia. — Acrescentou ainda sorrindo.

— É que... — Como eu poderia explicar que caí porque a surpresa foi grande ao ver que seu sobrenome era Nolan e não Swan? — É que... Eu... — Emma encarava-me esperando uma resposta.

— Você...? — Incentivou-me.

— Eu estava chamando por minha irmã e acabei me desequilibrando e caindo. — Nem total verdade, nem total mentira. Meio a meio. Melhor do que ficar gaguejando, não é mesmo? Sim, é.

— Sabe... Eu me desesperei mais ainda quando vi sangue em quase metade do seu rosto. — Levou sua mão até minha cabeça, e só então percebi que ela estava enfaixada. Seus dedos passavam por cima da faixa, de forma leve, e apesar de eu não estar sentindo, eu estava me arrepiando. — Mas ainda bem que nada de ruim te aconteceu. — Parou com as carícias em minha cabeça e pegou em minha mão esquerda, começando a fazer um carinho. Eu estava adorando esse contato todo. — Você pretende ficar quantos dias por aqui?

Quantos dias eu pretendo ficar? Bem, a minha ideia era vir aqui para encontrar Emma Swan. Eu a encontrei, porém acabei de descobrir que não é a mesma que eu procurava. Então, já que eu não encontrei quem eu queria, eu iria embora? Aproveitaria mais uns dias?

— Eu não sei... — Respondi simplesmente.

— Se você estiver por aqui ainda e já tiver sido liberada e estiver bem...

― Eu espero estar... ― Interrompo-a. Junto as duas mãos na altura do peito e ela sorri.

― Esperamos... ― Levanta a mão direita com dois dedos cruzados. ― Bem, amanhã de noite vai ter um show lá perto de onde estávamos...

— Está me convidando para ir? — Não! Só está avisando do evento. Duh! É claro que ela está me chamando para sair.

— Sim, eu estou. — Sorriu.

— OK! Que horas?

— No mesmo horário de ontem e no mesmo lugar. Pode ir lá, que eu vou buscá-las. — Assenti.

O celular de Emma começa a tocar, obrigando-a a parar o carinho gostoso que fazia em minha mão, para atender o aparelho, e a se levantar e se afastar de mim.

— Era a Ruby... — Levanta o celular, indicando do que estava falando, e logo o guarda no bolso. — Lembra-se dela, não é? — Assenti. — Terei que levá-la em casa agora. — Seu tom era triste. Será que é porque ela... — Eu queria conversar um pouco mais com você, mas infelizmente não vai dá... — BINGO! — Mas mais tarde eu passo aqui para levar você e sua irmã até o hotel, tudo bem?

— Não precisa vir. — Na verdade eu adoraria que ela viesse, mas não quero parecer aproveitadora ou qualquer outra coisa que não seja boa. — Não quero atrapalhar você. Zelena chama um táxi.

— Pode ter certeza que vir buscar vocês, não vai me atrapalhar. — Aproxima-se de mim e me da um beijo na bochecha. Por um instante eu paralisei, achando que ela me beijaria em outro lugar.

— Obrigada. — Sussurro, ainda extasiada com o simples beijo que ela me dera. — Não só por vir me buscar, mas por ter me trazido também.

— Não há de quê, moça linda. — Dá uma piscadela, fazendo-me ter uma vontade louca de me levantar, andar, e beijá-la. Pena que eu não posso fazer nenhuma dessas coisas. — Até mais tarde. — Dá um tchauzinho e se vai.

Não dá nem dois minutos que ela saiu, e logo Zelena entra com um grande sorriso, e dois copos da Starbucks nas mãos.

— Já pode me contar tudo, e isso inclui o passeiosinho de ontem. — Entrega-me um copo, e se senta na cama.

— Não tem nada para contar. — Fingi seriedade.

— Claro... E eu sou verde. — Disse irônica.

— Talvez seja mesmo. — Gargalhei, não aguentando mais me segurar.

•§•

— Irmã, ela com certeza está na sua. — Levantou-se da cama e começou a andar de um lado para o outro. — Ela quer o seu corpo nu na cama dela. — Ao ouvir o que minha irmã disse, o sorriso que eu dava, sumiu, pois me lembrei do que vi hoje de manhã no quarto de Emma, e as outras duas coisas. — O que foi? Por que ficou com essa expressão triste de repente? — Aproximou-se da cama, mas não se sentou. — Aliás, acabei de lembrar que você me disse, antes de eu sair, que ela não era a sua Emma... Essa expressão tem alguma coisa a ver com isso? — Afirmei sem encará-la. Só de lembrar, eu já sentia vontade de chorar.

— Quando eu acordei hoje de manhã, eu fui até a escada para te chamar, mas você não aparecia, então resolvi conhecer o lugar, e enquanto eu explorava por ali, acabei vendo uma foto antiga de duas bebês bastante parecidas... — Expliquei. Zelena abriu a boca, porém nada disse. Sua expressão era surpresa. — Para “melhorar”... — Fiz aspas com os dedos, para indicar a ironia em minhas palavras. — A situação... Eu encontrei um cartão que tinha o número dela, e tinha seu sobrenome...

— Deixe-me adivinhar... — Saiu de perto da cama e voltou a andar pelo quarto. — Não era Swan? — Neguei tristemente.

― É Nolan...

― Então o que eu falei... — Ela não completou, mas eu entendi.

— Sim, mas... Sabe o que não me entra na cabeça? — Ela negou. — Como poderia então as duas ter o mesmo nome? E se por um acaso ela tem uma irmã gêmea, onde raios ela está?

— Verdade... — Zel disse de forma pensativa. — Mas Rê... — Olhei em sua direção. — E se... — Seu tom era pensativo. — E se esses dois bebês não eram Emma e alguma irmã dela?

— Você acha que poderia não ser? — Ela balançou a cabeça afirmativamente. — Mas quem poderia ser?

— Algum primo ou prima? — Fez bico e deu de ombros, como se dissesse “quem sabe?”

— Poderia ser... — Disse pensativa. Será que não era ela? Poderia ser algum primo ou prima?

— Ai... Isso está tão confuso... — Balancei a cabeça concordando. — Eu tinha até uma teoria, mas depois dessa... — Balançou a cabeça negativamente.

— Até hoje espero você me dizer essa teoria. — Cruzei os braços e encarei-a.

— Depois de saber disso, é que eu não vou dizer mesmo. — Jogou-se em ma poltrona que tinha ali, na qual eu só havia percebido sua existência agora.

— Zelena! — Bati no colchão de forma irritada. Sim, eu iria apelar para a birra. Às vezes funcionava, tanto dela para mim, como de mim para ela.

— Não... — Levantou a mão esquerda no ar. — Nem vem... — Passou a mão nos cabelos de forma nervosa. — Você já está mal por saber que não é a mesma pessoa. Não vou falar algo que eu imaginei e não é verdade. Só vai piorar a situação. — Abaixei a cabeça triste igual uma criança faz quando não consegue algo. Mas Zelena tinha razão. Era melhor não saber mesmo. — Quer um conselho? — Indagou retoricamente. — Esqueça isso... — Bufei irritada, mas assenti. Era o melhor a se fazer mesmo.

— Então... — Arrumei-me melhor na cama. A posição em que eu estava anteriormente, estava machucando meu bumbum. — O que você acha que eu devo fazer agora?

— Hm... — Levantou-se da poltrona, e voltou a andar pelo quarto. Parecia uma barata tonta. E eu sou exatamente assim. Acho que peguei isso dela. — Você veio aqui atrás de Emma Swan... — Assenti. — Mas encontrou Emma Nolan...

— Mas eu só vim saber depois, que não era Swan. — Interrompi-a.

— Certo, mas mesmo sabendo que não era quem você estava procurando, você percebeu que não estava só interessada por ela por achar que era Swan, mas sim porque gostou realmente dela, apesar de não ser quem...

— Quem disse que eu estou interessada por ela? — Interrompi-a novamente, fazendo com que ela me olhasse irritada. Segurei minha vontade de gargalhar, ao ver sua expressão irritada.

— Está escrito no seu olhar, nas suas reações, no seu jeito de falar sobre ela e com ela... — Arqueou a sobrancelha e deu um sorrisinho. — Entre outras coisas... — Desviei meu olhar do seu. — Bem, continuando... — Pigarreou. — Você se aproximou de Emma, achando que era a sua Emma, mas depois descobriu que não era ela, todavia ainda assim você continuou interessada nela, mesmo sabendo que não era quem você procurava... Ou seja... Mesmo quando você descobriu que não era Swan, continuou interessada nela. Por quê? — Indagou a si mesma. — Porque você realmente gostou dela, mesmo sabendo que não era quem queria...

— Sim, mas...

— Eu não acabei. — Levantou o dedo em minha direção, interrompendo-me. — Ou seja, eu acho que você deveria tentar algo com Emma Nolan, e esquecer Emma Swan. — Sentou-se na cama e pegou em minhas mãos. — Eu vi que você gostou dela, mesmo sabendo que não era a mulher por quem se apaixonou...

— Ok, mas... Você esqueceu que ela tem alguém? — Indaguei desanimada.

— Eu sei, mas...

— E se eu encontrar a outra Emma por aí? — Indaguei, impedindo que ela respondesse.

— Deixei-me responder a primeira pergunta e para de me interromper. — Pediu irritada. Sussurrei um “foi mal”, e ela continuou: — Eu sei que Emma tem uma garota, mas você mesma disse que ela não gosta dela, do jeito que deveria... — Confirmei. — E pelo que você me contou, mais o que eu vi hoje aqui, nos minutos que fiquei no quarto enquanto ela estava conversando com você... — Esticou-se um pouco e pegou meu copo de café, que eu nem lembrava mais que estava ali. Não lembro nem em que momento eu o coloquei ali. — Olha... — Deu um gole e fez uma careta. — Está frio. — Colocou em cima da mesinha ao lado da minha cama. — Eu não quero te dar esperanças, mas... — Fez uma pausa dramática. — Eu tenho certeza que ela está na sua, ou seja, é questão de tempo até ela encerrar o que tem com essa garota, para querer ficar com você. — Concluiu, voltando a apertar minha mão.

— Não sei... — Suspirei pesadamente. Minha cabeça estava um nó só, com essa loucura toda.

— Rê... — Chamou-me e eu virei meu rosto, encarando-a.

— Hum... — Murmurei como resposta.

— Você sabia que existem aproximadamente, oito pessoas no mundo todo, que se parecem? — O que ela queria dizer com isso? Que tem oito Emmas por aí?

— Está querendo me dizer que existem oito Emmas por aí? — Ela deu de ombros.

— Não... — Balançou a cabeça negativamente e fez uma expressão confusa. — Eu só... — Passou as mãos pelo rosto, e eu sabia que era um gesto de nervosismo. — Sei lá... Por que não?

— Zel, não me deixa mais louca. — Empurrei-a de leve e gargalhamos.

— Mas não faria muito sentido, sabia? — Encarei-a, pedindo explicação para o que disse. — Porque mesmo que exista outra mulher idêntica a ela, não quer dizer que uma dessas seja a Emma que procura... — Explicou, gesticulando com as mãos. — Essa pesquisa diz que tem aparência igual... Não falava nada sobre nomes, também. Ou seja... A probabilidade de ter o nome igual deve ser pouquíssima. Teria que ser bastante coincidência... Então, não acho que esse caso se aplicaria em Emma, porque ela tem o mesmo nome... Mas, pensando bem... Por que não, não é?— Balancei a cabeça compreendendo o que minha irmã dizia. — Mas... “Mudando de assunto...” — Fez aspas com os dedos. — Então... Nós vamos ficar mais alguns dias aqui, não é?

— Quer saber se eu vou continuar aproximando-me dela, para tentar algo? — Ela assentiu. — Sim, eu vou.

— Isso aí... — Comemorou, dando uns pulinhos e depois pediu um “high five”. — Desistir não existe no dicionário dos Mills. — Acrescentou com ar superior, fazendo-me rir.

Notas finais
1* Nem tudo que parece é. 2* Já pensaram na possibilidade de Regina estar apenas tendo um pesadelo? Já pensaram na possibilidade de ela estar apenas contando uma história para alguém? Já pensaram na possibilidade dela ter vivido tudo isso, e escreveu um livro com sua história? 3* Lembrem-se que Regina não se lembra de tudo que aconteceu antes do acidente, e nem durante o acidente. Lembre-se que ela nem sabia que tinha realmente conhecido a Emma antes do acidente. Ela achava que isso tinha sido só na vida ilusória dela, então... 4* Mais para frente terá contando como o acidente foi e qual o seu motivo... Palpites? Agora é com vocês.