Memories
33 The story of the frame
Notas iniciais
33º A história do quadro
Enquanto Zelena e Ruby trocavam carinhos e beijos apaixonados, sentadas em uma rede amarrada em duas macieiras do jardim, um pouco mais afastadas, sentadas na grama verde e um pouco molhada por causa de uma brisa que passara há pouco, Emma e Regina conversavam.
― Eu estava pensando sobre o quadro que você disse que me deu. ― Emma diz, mudando de assunto. Antes, conversavam sobre as pedrinhas que ela tinha dado a morena. ― Eu fiquei realmente curiosa.
― Se você quiser, nós podemos ir até o meu quarto para você vê-lo. ― Sugere, já se remexendo no lugar. ― Só assim deixamos as pombinhas em paz. ― E aponta a irmã e a morena de mexas ruivas, que no exato momento, trocavam um beijo apaixonado.
― Está me chamando indiretamente para conhecer o seu quarto, Srta. Mills? ― Emma pergunta, brincalhona, arqueando a sobrancelha e fazendo uma expressão de malícia.
Regina arregala os olhos, sentindo suas bochechas esquentarem de vergonha, mas gargalha. Emma a acompanha.
― Você continua a mesma. ― Comenta, empurrando-a pelo ombro e Emma franze o cenho, confusa o que ouviu. Vendo a merda que fez, Mills se endireita, recompondo-se e pigarreia. ― Eu quis dizer que... É que eu me lembro de algumas coisas de quando nos conhecemos... ― Não era mentira, mas a verdade ia muito além dessa resposta.
― Ah sim! ― Solta e Regina suspira aliviada. ― Bem, vamos ao seu quarto, então? ― Chama-a, já se levantando, e Regina assente.
Não querendo chamar muita atenção e não querendo interromper, o casal se afasta do outro casal em silêncio. Emma quase andando na ponta dos pés, empurrando Regina bem devagar para não fazer muito barulho.
Quando chegam ao quarto, enquanto Emma se admirava com o tamanho e a beleza do cômodo, Regina não perde tempo em abrir o seu guarda-roupa e pegar a caixa onde o quadro estava guardado.
Ao tirar a tampa e colocar o livro enrolado na echarpe para fora, Emma se aproxima, curiosa.
― Eu conheço esse livro... ― Senta-se ao lado da morena e com o olhar pede permissão para pegá-lo. Regina assente rapidamente e ela o faz, desenrolando-o da echarpe preta. ― Assim como conheço bem essa echarpe... ― Levanta-a no ar, observando-a atentamente e se lembrando com um sorriso, do dia que a viu enrolada no pescoço da outra.
― Você conhece? ― Mills pergunta surpresa, sentindo o coração bater mais forte.
Então as lembranças que tive, aparentemente, foram reais? Pergunta-se, olhando para a loira e se segurando para não demonstrar tanta animação por isso. Emma não entenderia se isso acontecesse e ela teria que explicar muitas coisas para poder fazê-la entender. Muitas coisas que não está preparada para contar ainda.
― Claro! Eu o dei para você, que havia me dito que nunca tinha lido por medo, apesar de ser curiosa para saber o que tanto tinha. ― Dá um sorrisinho e Regina a acompanha. As imagens da lembrança do momento vindo em sua mente. ― Você já leu? Matou sua curiosidade? ― Indaga divertida.
― Na verdade, eu não sei, eu não me lembro. ― Faz uma careta. ― Talvez eu tenha feito antes do acidente, não sei... ― Acrescenta em um tom triste. ― Mas se você quiser de volta...
― Não! ― Apressa-se em responder. ― Eu dei para você e é seu. Não tem motivos e nem faz sentindo eu pegar de volta. ― Franze o cenho. Regina sorri agradecida e volta a mexer na caixa, retirando mais algumas coisas de dentro para poder pegar o quadro, que estava no fundo, e Emma volta a mexer no livro, passando folha por folha, até que encontra uma foto e para. ― Essa foto... ― Murmura, observando-a com atenção. Era a famosa foto que Regina vira no consultório da Emma psicóloga. ― Eu me lembro dela também. ― Levanta-a no ar, mostrando para Regina, que franze o cenho e sente o seu sangue gelar nas veias. ― Eu tenho uma cópia dela no meu computador. Encontrei um dia desses quando estava fazendo uma limpeza.
― Como...? ― Mills solta baixinho, tentando entender tudo. Se ela fosse um desenho animado, era certo que nesse exato momento estaria mostrando as suas engrenagens soltando várias fumacinhas e parando de funcionar, ainda com o alerta de explosão, porque era isso que estava para acontecer, uma explosão em sua cabeça. A morena não sabia se ficava feliz por saber que a loira tinha uma foto das duas, ou gritava e chorava de raiva pela confusão ficar ainda pior em vez de diminuir.
Como raios era possível essa foto existir em mais de uma realidade e a Emma também lembrar dela e até dizer que tem uma? Perguntava-se, querendo entender em qual momento tinha perdido alguma informação crucial que pudesse explicar o mistério.
― Regina? ― Emma a chama, trazendo-a de volta para a realidade. ― Você está bem? ― Pergunta preocupada. Mills pisca repetidas vezes, voltando a si, e sorri sem graça.
― Eu estava pensando em umas coisas. Desculpa! ― Diz um pouco envergonhada. Em seguida, volta a mexer na caixa, até que no quadro e o retira. ― Esse é o quadro. ― Entrega para a loira, que ao ver, não esconde sua expressão de surpresa.
― Eu lembro desse quadro. ― Murmura em um tom pensativo, passando os dedos pela tela. ― Sim! Eu me lembro dele. ― Fala com animação. ― De todos que eu pintei, foi o meu preferido. ― Acrescenta com um sorriso nos lábios, olhando-o com admiração. Em sua opinião, tinha sido o quadro mais bonito que tinha pintado. ― Como você tem ele?
― Você não me deu? ― Questiona confusa, pegando-o da sua mão e o observando atentamente, desejando poder entender de arte para elogiar da melhor forma possível. O quadro merecia e a pintora também merecia. ― Ele é muito bonito... ― Murmura, encantada. Era a primeira vez que o analisava com tanta atenção. Lembrava-se de em uma das realidades, Zelena ter lhe dado para poder ver de perto, mas não o tinha olhado com tanta cautela como estava fazendo agora, e percebido o quanto ele era lindo e muito bem pintado.
― Não! ― Emma responde à sua pergunta, despertando-a do seu pequeno momento de adoração. ― Eu até tentei... ― Dá um sorrisinho. ― Na verdade, ele foi vendido, mas não para você. ― Explica, arrastando-se para mais perto. ― Já faz muito tempo, mas eu me lembro bem. Foi para um rapaz. Ele até pagou acima do valor. ― Conclui com animação.
Regina passa os dedos pela pintura até que para com eles em cima da assinatura. Emma Swan.
Swan.
Sua cabeça volta a se encher de interrogações. Ela tinha certeza que aquela se chamava Nolan, mas ela acabara de lhe confirmar que também tinha Swan no nome. Então seu nome completo ou quase completo, seria Emma Nolan Swan? Emma Swan Nolan? Eram a mesma pessoa? Como ela perguntaria sobre o sobrenome Swan e Nolan, sem precisar dizer que viu o cartão e sem parecer uma idiota? E a foto dos bebês idênticos que chegou a ver na casa dela, antes de cair da escada? Seria uma irmã gêmea? Seria, na verdade, uma Nolan e outra Swan e as duas se juntaram para brincar com ela? Será que Ruby também estava no meio? Será que foi enganada esse tempo todo? Por que raios as duas tinham alguns hábitos e gostos diferentes, embora a maioria fosse parecido? Como era possível essa Emma se lembrar de coisas que aconteceram com a Emma na vida que acreditou ser a real assim que acordou do coma, mas lhe juraram ser falsa? De acordo com os outros ao seu redor, se era falsa, como diabos era possível, então?
Várias loucuras e perguntas passavam na cabeça da morena, mas nenhuma lhe apresentava uma explicação óbvia cada vez que ela tentava encaixar as informações.
Olhando atentamente para a mulher a sua frente, que observava o quadro novamente, deixou as ideias loucas de lado e teve a ideia de usar o que Martin lhe ensinou, para tentar desvendar esse mistério.
― Emma? ― Chama-a, querendo sua atenção, e a loira lhe olha imediatamente.
― Sim? ― A loira direciona seus verdes atentos para ela.
― Você quer me ajudar a entender como esse quadro veio parar em minhas mãos, já que nem eu lembro e nem você sabe de nada? ― Pergunta em tom animado. Parecia que estava oferecendo uma ida ao parque de diversão para uma criança, mas na verdade, só estava orgulhosa de si pela ideia que teve, e agradecida por agora existir essa opção que estava começando a lhe ajudar.
― Quero! ― Respondeu rapidamente, igualmente animada. ― Mas como faremos isso? ― Questiona, a curiosidade estampada em seu rosto.
― Faz alguns dias que eu fui visitar um hipnoterapeuta, com algumas técnicas ele está tentando me ajudar a lembrar das coisas que eu esqueci com o acidente. ― Explica para ela, que lhe ouve atentamente.
― E está fazendo efeito? ― Regina assente. ― Isso é ótimo! ― Exclama, verdadeiramente feliz com a resposta.
― Ok! ― Ela guarda o quadro, o livro e a echarpe na caixa novamente, e devolve ao lugar no guarda-roupa, fecha a porta e se volta para Emma. ― Antes de começarmos, eu preciso que você me diga alguns detalhes daquele dia.
― Como...?
― Como... ― A morena pensa por alguns segundos, semicerrando os olhos direcionados para o alto. ― Você se lembra da roupa que usava no dia? ― Emma nega, fazendo uma careta engraçada. ― Ok! Foi um pouco demais, admito. ― Levanta as mãos para o alto e as duas riem. ― Bem, você disse que um rapaz comprou esse quadro, certo? ― A loira assente. ― Então você estava vendendo seus quadros? ― Perguntou e no segundo seguinte se sentiu idiota por fazer uma pergunta tão óbvia, mesmo tendo, mesmo que pequena, a possibilidade de ela só ter vendido aquele, já que o declarou o mais bonito de todos, e os outros não.
― Sim! Na época, alguns amigos me incentivaram a colocar para vender. ― Mills assente, já com a próxima pergunta na mente.
― Onde você expos para as vendas? ― Volta a perguntar, tendo a sensação de estar em um jogo divertido de perguntas e respostas. Riu do próprio pensamento besta.
― Em um salão perto da praia.
― Perto da praia... ― Repete num tom pensativo, tendo ideia da próxima pergunta. ― Eu estava lá? ― Era a pergunta mais importante de todas. Se a resposta fosse não, seria mais difícil conseguir lembrar de algo.
― Durou apenas três dias. Os quadros, exceto esse, venderam muito rápido. Você apareceu no primeiro e no último dia. ― Ao escutar a resposta, Regina fecha os olhos por alguns segundos, tentando se lembrar de algo, mas nada vem a sua mente.
― Esse quadro não vendeu rápido como os outros?
― Isso... ― Confirma com um tom de voz triste. ― Em minha opinião, ele era o mais bonito de todos. As cores, os detalhes... ― Regina assente, concordando com ela, mesmo não tendo visto os outros, ou no caso, não se lembrando de ter visto. ― Eu não entendia por que ninguém queria leva-lo. Os outros foram vendidos muito rápido. Eu mal podia acreditar.
― E o rapaz que o levou, como ele era?
― Bem, pelo que me lembro, ele era alto, magro, tinha um cavanhaque, o cabelo bem preto e curto, e era negro. ― Descreve-o com os olhos fechados, visualizando-o com bastante detalhe em sua mente.
― Você não o conhecia? ― Emma nega. ― Certo! E no lugar tocava alguma música? ― Era essencial ter essa informação. Escutar um som ou uma música que tocava no lugar durante o momento, era um ponto crucial para lhe ajudar a mergulhar nas memórias e conseguir um resultado. Martin também lhe disse que sentir cheiros era muito bom, mas eles não estavam usando essa parte da técnica.
― Sim! Meus pais me fizeram colocar umas músicas tipo jazz... ― Revira os olhos e Mills sorri do seu jeito, contendo a sua vontade de comentar o quanto achou fofo.
― Você se lembra quais foram colocadas para tocar?
― Uma playlist qualquer do youtube. ― Dá de ombros.
― Acho que todas essas informações já são suficientes. ― Fala para si. ― Bem, você poderia me ajudar a deitar na cama? ― Aponta para o móvel e Emma rapidamente assente, já se levantando e a pegando nos braços. ― Eu vou precisar da sua ajuda no que vou fazer agora. Meu hipnoterapeuta me disse que estar no lugar onde as coisas aconteceram, ajuda as lembranças a virem até a mente, assim como escutar sons que tinham no lugar. ― Explica e a outra lhe escuta atentamente, entendendo também, o motivo de algumas perguntas, como a de música por exemplo. ― A primeira opção eu não posso fazer no momento, mas a segunda eu posso, e é nela que eu quero a sua ajuda. Enquanto eu me deito, relaxo e me concentro como Martin me ensinou, você poderia colocar um som de mar e depois uma playlist de jazz para tocar?
― Claro! ― Responde, sem nem pensar duas vezes.
Então Regina se deita, remexe-se procurando a posição mais confortável e fecha os olhos. Inspira e expira algumas vezes, escuta atentamente o barulho de mar que Emma colocou para tocar, e mais uma vez deixa a sua mente lhe levar.
Segundos depois, ela se vê parada em frente a uma porta de vidro, conversando com um rapaz que coincidia exatamente com a descrição dada por Emma. Ela parecia não o conhecer, mas estava lhe dando uma quantidade de dinheiro e falando alguma coisa para ele, enquanto apontava para o lugar por trás da porta de vidro. Quando o rapaz entra, ela dá alguns passos para o lado, ficando encoberta pela parede, para quem estava dentro, como se não quisesse ser vista. No mundo externo, Emma troca o som do mar por uma playlist qualquer de jazz, e automaticamente ela começa a ouvir uma música suave vinda de dentro do lugar. Minutos depois, o rapaz sai do lugar com um embrulho em mãos e lhe entrega.
Regina abre os olhos de repente, assustando Emma que viajava na música que tocava, e se senta na cama.
― E aí? ― Emma quis saber, colocando a música no pause.
― Eu lembrei de algumas coisas. ― Conta. Emma se vira mais para ela, atenta. ― Eu me vi em frente a um lugar, conversando com um rapaz que condizia com a sua descrição. Eu dava dinheiro para ele, falava algumas coisas e depois ele entrava, voltando depois com um embrulho nas mãos. Um embrulho que poderia ser facilmente um quadro.
― Será que você o pagou para comprar o quadro? ― Opina, tentando ajudá-la a entender.
― Acredito que sim. ― Replica em um tom pensativo. ― E pela forma que eu agia, acho que você não podia saber que eu quem estava fazendo a compra, por isso devo ter pedido ao rapaz e depois me escondi um pouco. ― Deduz, acreditando que era uma boa explicação para sua atitude.
― Talvez você tenha feito isso por saber o quanto eu gostava do quadro e estava triste por ele não ter saído. ― Rebate e Regina assente, achando a explicação coerente.
A conversa é interrompida por batidas na porta e Zelena e Ruby entrando em seguida.
― Loira, já está ficando tarde, vamos embora? ― A morena de mechas ruivas se pronuncia, enquanto Zel apenas olha sugestiva para a irmã que balança a cabeça negativamente, entendendo bem o que significava aquele olhar claro de malícia e curiosidade.
― Tudo bem! Pode me dar mais um minutinho? ― Pede, juntando as mãos na frente do peito, e a amiga assente.
― Vou ficar te esperando lá embaixo. ― Avisa e sai do quarto com a outra, deixando as duas sozinhas novamente.
As duas se olham por alguns segundos até Regina ficar envergonhada e desviar o olhar. Emma se aproxima mais dela e pega em sua mão.
― Gostei da tarde/noite que tivemos hoje. ― Emma começa, falando baixinho. Seus dedos brincando com os de Mills, que sentia seu coração aquecer com o carinho e o seu pequeno grupo de borboletas se manifestando. ― Não só do nosso passeio, mas de também ter ajudado com as suas lembranças. ― Acrescenta, sincera. ― Aliás, se você quiser a minha ajuda novamente, eu vou adorar poder ajudar.
― Obrigada por me auxiliar nisso. ― Diz, voltando a lhe olhar e lhe oferecendo um sorriso grato e gentil.
Ficam em silêncio, uma olhando para outra e Emma quem toma a iniciativa, exatamente como da outra vez, de se aproximar lentamente e tomar os seus lábios com cautela e suavidade, iniciando um beijo calmo e doce, como se fosse o primeiro e estivessem conhecendo uma o gosto da outra ainda. Mas para ambas, que estavam com muita saudade uma da outra, era como se já tivesse passado uma eternidade desde a última vez e no fim, realmente fosse a primeira vez.
Emma aprofunda um pouco mais o contato, unindo mais os seus lábios ao da outra e ousa com a língua, pedindo passagem, que logo é aceita. O contato dos órgãos é tímido, mas excitante. Regina segura o seu rosto com as duas mãos e a trás para mais perto, fazendo com que Emma quase se deite por cima de si, apoiando-se nas mãos, cada uma ao lado do corpo da morena, meio que a prendendo no lugar.
Não aguentando a posição que estava, Mills deixa o corpo cair na cama e puxa Emma para junto, que a cobre com seus compridos cabelos, rapidamente tomando seus lábios de novo, dessa vez com um pouco mais de voracidade e menos delicadeza. Pequenos e tímidos gemidos são ouvidos das duas partes, quando mordidas nos lábios começam a fazer parte do ato e as línguas exploram com mais vontade.
Então o ar se faz necessário e elas são obrigadas a parar com o contato.
― É melhor eu ir embora antes que Ruby venha me buscar debaixo de porrada. ― Solta bem-humorada, com a respiração muito ofegante. Regina sorri com dificuldade por estar do mesmo jeito. ― Adorei rever você. Eu realmente estava com saudades... ― Confessa, olhando fundo nos castanhos.
― Eu também... ― Sussurra, puxando seu rosto para perto e beijando seus lábios mais uma vez. ― Você gostaria de me acompanhar na fisioterapia amanhã? ― Pergunta hesitante, com medo de causar má impressão, parecendo grudenta ou algo do tipo.
― Só me diga a hora e eu estarei aqui. ― Responde-lhe, sem pensar duas vezes. A morena sorri e agora é a vez de Emma unir seus lábios ao dela em um beijo mais demorado. Sentir seus lábios colados da morena já estava sendo um vício. Os lábios se separam segundos depois e elas sorriem bobamente. ― Tchau! ― Sussurra, com as bocas quase colocadas novamente. Emma sela seus lábios uma última vez e se levanta da cama em um pulo.
― Não se esqueça de me avisar que chegou bem. ― Regina pede, já vendo a outra abrindo a porta.
― Pode deixar! ― Então Emma sai do quarto, deixando uma Regina toda boba para trás.
•§•
― Regina? ― Zel chamou pela irmã, já entrando no quarto dela, logo depois de levar Ruby e Emma até a porta. ― Estou entrando! ― Avisou, mas já dentro do cômodo. A ruiva viu a mais nova deitada na cama, com um olhar perdido no teto e se jogou ao lado dela. ― Quero me conte tudo! ― Empurrou-a com os ombros, toda animada.
― Eu estou cansada, Zel, estou morrendo de sono. ― Mente na cara dura, ainda olhando para o teto. Apesar de estar mesmo cansada e com sono, o motivo real pela dispensa da companhia da irmã tinha um nome, Emma. Regina estava louca para ficar sozinha e colocar seus pensamentos em ordem sobre a noite no geral, tudo que descobriu, o convite aceito para o dia seguinte e principalmente sobre o beijo muito quente no final. ― Mas eu prometo te contar tudo amanhã.
― Ah, não! ― Faz um bico e cruza os braços. ― Inventa outra desculpa se quiser que eu vá embora. ― Pede, virando-se de lado e observando o seu perfil. Zelena a conhecia bem demais para não perceber que ela estava mentindo. Ou no caso, contando meia verdade.
― Você sabe o real motivo. ― Olha finalmente para ela. ― É o mesmo motivo pelo qual você está louca para ir para o seu quarto também e ficar sozinha. Só não fez isso ainda porque a curiosidade é maior. ― E mostra a língua para ela, que revira os olhos e balança a cabeça negativamente. A ruiva sabia bem que a irmã tinha acertado em cheio.
― Tudo bem! ― Levanta as mãos para o alto, em desistência. Uma falsa desistência, na verdade. ― Eu descobri uma coisa na internet e ia te contar, mas já que você está cansada demais, eu conto amanhã. ― Solta, fingindo ingenuidade intencionalmente, e se levanta bem devagar.
― O que você leu na internet? ― Pergunta muito interessada, segurando o seu braço e impedindo-a de se afastar. Zelena deu um sorrisinho.
― Você não está cansada e...
― Zelena Mills! ― Repreende, interrompendo-a.
― Era besteira. ― Dá de ombros. ― Eu estava lendo um pouco sobre essa coisa toda de acessar memórias esquecidas e achei duas coisas interessantes.
― Que foram...?
― Olha, eu não sei se é verdade mesmo, um dos fatos que eu li, tá bom? ― A morena assente, muito atenta, curiosa para saber o que era. ― Bem, eu li que quando não vemos o rosto de alguém em um sonho, é porque provavelmente a pessoa já morreu. ― Conta, hesitante. ― Eu sei que não foi em sonho, mas sim em um acesso de memórias, que você não conseguiu ver o rosto da pessoa antes de bater, mas eu só me lembrei disso na hora.
― Você acha que eu posso ter batido nessa pessoa e ela morreu? Será que era alguém conhecido? ― Indaga nervosa com as possiblidades. Zelena dá de ombros, realmente sem ter ao menos uma ideia de resposta. ― Quando eu for ver o Martin, vou falar sobre isso com ele. ― Murmura para si, mas a irmã concorda. ― E qual a outra coisa?
― Existe uma coisa chamada falsas memórias, que é basicamente quando a nossa mente cria lembranças falsas, algo que achamos que vivemos, mas não vivemos, ou que faz lembrarmos de algo que aconteceu, mas de uma forma diferente. ― Explica, deixando a outra muito curiosa sobre o assunto. ― Amanhã quando tivermos com as mentes descansadas, eu te explico melhor sobre isso. ― Apressa-se em dizer, antes que ela pense em fazer perguntas e Regina assente sem nem protestar. ― Agora eu vou para o meu quarto e vou te deixar só para fazer o que você tanto quer, assim como eu. ― Pisca um olho, divertida, e as duas sorriem. ― Boa noite, mana! ― Beija sua testa carinhosamente.
Zelena sai do quarto e Regina volta a fixar seu olhar no teto, agora, com mais assuntos para pensar.
•§•
Na manhã seguinte, assim que Regina acordou, procurou logo a sua irmã para conversarem sobre a noite anterior, estava animada para contar tudo e saber mais sobre o que a ruiva lhe falara sobre falsas memórias, porém ela tinha saído logo cedo com Ruby e a Mills mais nova teve que segurar sua ansiedade até que ela chegasse.
Quando a ruiva veio chegar, horas depois, já passava da hora do almoço e Kristin e Lilith chegariam em pouco tempo para mais uma sessão com a morena. A conversa teria que ficar para depois mais uma vez. Ainda conversaram rapidamente sobre o passeio que a mais velha teve com a morena de mexas ruivas e logo Dra. Page e a filha chegaram.
Como ficou marcado desde a primeira vez, as três mulheres, Regina com a ajuda de Zelena, foram para o jardim e minutos depois, iniciaram a sessão.
Em nenhum momento desde que as mulheres chegaram, elas tocaram no assunto “eu me lembro de você”. Assim como da outra vez, nem Regina quis perguntar algo e nem elas falaram sobre. Foram o tempo todo profissionais e conversaram com a ela apenas coisas pertinentes a fisioterapia, como por exemplo, para saber como estava a sensibilidade, se sentia alguma diferença desde que começaram, se aguentava mais um pouco ou se estava cansada.
Os minutos foram passando e Regina já tinha perdido as esperanças de que Emma viria, quando ela apareceu de repente, ao lado de Zel, no jardim. Ao verem a aproximação da loira, Kristin e a filha param com as massagens que faziam nas pernas da outra.
― Desculpa a demora. Eu tive uns pequenos imprevistos. ― Mostra as mãos ainda sujas de graxa e faz uma careta. Ela sorri para Regina, que rapidamente devolve o ato e então seu olhar se direciona para as duas mulheres que prestavam atenção à interação. ― As duas são suas fisioterapeutas? ― Pergunta com um leve choque em seu tom de voz. Zelena observa tudo atenta e curiosamente.
― Você as conhece? ― Regina pergunta para a loira, surpresa com a nova informação.
― Você não se lembra delas? ― Seu tom continha raiva. Emma direcionava um olhar raivo às duas mulheres.
― Parece que a nossa paciente vai ter um incentivo hoje. ― A mais nova comenta, olhando para a mãe.
Regina volta a olhar para Kristin e Lilith e então uma antiga memória surge em sua mente.
Flashback on
Emma e Regina trocavam carícias, sentadas em uma mesa de um barzinho qualquer de Miami, que escolheram de última hora enquanto caminhavam sem rumo, quando duas mulheres se aproximam e sem serem convidadas, juntaram-se a elas.
― Kristin! ― A mais velha se apresenta ao casal. Estende a mão para elas, que mesmo confusas aceitam o cumprimento. ― Essa é Lilith. ― Apresenta a mais nova, que lhe imita, estendendo a mão para elas.
As outras duas se apresentaram e rapidamente engataram em uma conversa animada. No meio da madrugada, Kristin e Lilith, que eram mãe e filha, chamaram Emma e Regina para dá uma volta e elas aceitaram, animadas. Compram uma garrafa de vodca e saem a pé, pelas ruas, que apesar do horário, não estava nada deserta. Entre conversas e bebidas, as mulheres chegaram à oferece-las algumas drogas, mas Emma negou a oferta pelas duas e elas não insistiram mais.
Horas mais tardes, Regina e Emma, sem saberem ou lembrarem como chegaram até ali, estavam em um quarto de hotel, completamente nuas e com os pertences roubados.
Flashback off
Regina volta a si após relembrar como conheceu as duas e se pergunta se realmente aquela era a história real, porque era a única que ela se lembrava. Ao menos estava confirmado que se conhecerem, era realmente verdade.
Mills olha para as duas mulheres, sentindo a raiva tomar conta de si e pensa em confronta-las sobre a tal noite, mas como não tem certeza do que aconteceu e até precisa questionar Emma depois, e como também não era o momento certo, ela respira fundo, procurando se acalmar.
― Será que nós podemos continuar com a sessão? ― Pede, bastante séria, seu tom denotando a raiva que ainda estava sentindo, e as duas mulheres assentem. ― O tempo está passando. ― Acrescenta. Emma se afasta e volta para perto de Zelena, que havia percebido que a irmã se lembrara de algo e estava mais curiosa do que antes, para saber de tudo.
Kristin e Lilith espalham um tipo de óleo que Regina achou muito cheiroso, nas mãos, e a sessão de massagens em sua perna recomeça.
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