Memories
21 Bed of roses
Notas iniciais
21º Cama de Rosas
— Desculpe-me não ter estado lá quando você abriu os olhos. — Emma murmurou, aproximando-se das duas irmãs e se ajoelhando ao lado da morena. — Trouxe para você. — Mostra-lhe uma rosa vermelha.
— Você não roubou da roseira da mamãe, roubou? — Questionou Zelena, estreitando os olhos e cruzando os braços, fingindo seriedade.
— Juro que dessa vez não foi daqui... — Swan levanta uma das mãos para o alto, sorrindo. — Foi da vizinha da frente. — Confessa, baixando a cabeça e fingindo vergonha, tentando esconder um sorriso.
— Emma! — A ruiva tapa a boca, rindo. — Você sabe o quanto ela ama aquelas rosas, e o quanto sofreu para que elas crescessem tão bonitas e saudáveis daquele jeito. — Balança a cabeça negativamente. — Coitada... — Murmura, caindo na gargalhada, ao ver a expressão sapeca da loira.
— Eu sei, eu sei... Mas... — Respira fundo e direciona seu olhar para Regina, que estava perdidinha com tanta informação obtida em tão pouco tempo. — Dessa vez foi preciso... — Diz, olhando Mills nos olhos.
— Uh, ok... — Levantou-se, espreguiçando-se. — Eu vou deixar vocês a sós... — Aponta para trás, já se afastando devagar. — Mais tarde terminamos aquela conversa, Regina... — Avisa. Em seguida, apressa os passos, logo sumindo das vistas das duas mulheres.
— Então... — Emma murmura, chamando a atenção da morena para si. — Você está bem? Soube que hoje foi seu primeiro dia com terapia. — Senta-se onde a ruiva estava a pouco, e se encosta, cruzando as pernas, deixando o seu terno em cima.
— Sim... — Responde, ainda perdida com tanta informação. — Hoje a Kristin veio aqui e ficamos por uma hora, estimulando as pernas... — Conta-lhe, recebendo um sorriso em resposta. — Você também...? — Olhou para a rosa, levantando-a, e depois para a loira a sua frente. — Como...?
— Você quer saber sobre a rosa? — A outra assentiu. — Bem... — Troca a perna cruzada, junta as mãos no queixo, e encara bem a morena. — Apesar do tempo, eu não me esqueci de que são as suas preferidas... — O coração de Regina bate acelerado com a afirmação da loira, mas ela tenta disfarçar com um rápido sorriso. Não sabia como era a relação das duas naquela realidade. Então não queria estragar nada, falando ou fazendo besteira. Sabia apenas, que namoraram, e estavam atualmente separadas, por algum motivo que ela não sabia, mas estava louca para perguntar. — Mas então... Quando você vai ter terapia para a sua dicção? — Indaga, mudando de assunto, acordando Mills de seus devaneios.
— Eu estou confusa sobre isso... Minha mãe não me disse nada sobre ter conversado com o Archie. Quem veio aqui hoje de tarde, foi o Dr. Lake. Mas ele também não me disse nada, se ficará comigo, com sessões em casa mesmo, se será em sue consultório, ou se depois eu passarei para o Archie. — Disse, esquecendo-se de que só tinha um médico, e que era o outro que viera lhe ver mesmo, e não Archie Hopper.
— Quem é Archie?
— É... — Não sabia o que responder. Archie, até onde se lembra, foi um médico fonoaudiólogo de uma de suas realidades. Mas ela não podia simplesmente dizer isso, ou inventar que o conhece do hospital. Pois, se em uma conversa casual, Emma perguntar a sua mãe, sobre o tal médico, ela vai saber que é mentira, em algum momento da resposta de sua mãe. — Um fonoaudiólogo. — Disse por fim. Não respondeu a pergunta por completo, porém também não mentiu. Emma balançou a cabeça de forma afirmativa, indicando que aceitou a resposta, e ela, internamente, comemorou por isso.
— Talvez ele continue com você, e as sessões sejam em casa mesmo... — Comentou.
— Sim, talvez ele continue comigo, mesmo... — Repetiu, sentindo a necessidade de reafirmar o que dissera.
E então as duas ficaram em silêncio, encarando-se. Emma observando cada traço do rosto de feições latinas, enquanto Regina criava coragem para perguntar o que tanto queria, e pensava em um jeito de questionar. Ficaram assim até Emma sorrir, desviando o olhar e fechando-o, assim quebrando o contato, quebrando também, o momento silencioso.
— Eu conheço você, Regina... — Diz, ainda sorrindo. — Pode perguntar... — Desencosta-se, aproximando seu corpo da outra. — Eu sei que você quer... — Acrescenta, encarando-a.
— Por que terminamos? — Tomou coragem para perguntar.
Emma desvia seu olhar do da morena, e beija sua bochecha.
— Acho que essa conversa precisa ser em outra noite... — Diz, levantando-se, pegando a outra de surpresa. Regina abre a boca para rebater, mas ao ver que Emma pretendia falar mais, cala-se, esperando o que dirá. — Se amanhã eu largar cedo, passo aqui para te ver novamente. — Finaliza com um beijo n o topo de sua cabeça. Vendo que não conseguiria nada naquela noite, Regina desiste de fazer qualquer questionamento, e assente ao seu aviso de retorno. — Boa noite, Rê. — Murmura perto de seu ouvido, e acaricia seu ombro esquerdo.
— Boa... Noite... — Murmura confusa enquanto observa a outra se afastar.
•§•
— Não vejo a hora de chegar ao nosso apartamento. — Emma murmura no ouvido da noiva, fazendo propositalmente, Mills se arrepiar, por conta da proximidade de seus lábios com sua orelha. Estavam em uma avenida que não faziam ideia de qual, pois nem prestavam atenção no caminho, dentro de um taxi, voltando de um restaurante que há perto do trabalho de Emma. Estavam comemorando mais um ano de relacionamento. Regina tinha voltado da Alemanha no dia anterior e assim que pisou no trabalho na manhã de hoje, pediu o dia de folga para comemorar com Emma, que tinha feito o mesmo. A loira havia preparado uma surpresa na fazenda, por isso quando a morena chegou de viagem não a encontrou em casa, e elas passaram o dia inteiro por lá, voltando só no começo da noite, para irem ao restaurante. No final de semana, voltariam para Miami, para mais uma comemoração, dessa vez, no lugar que se conheceram.
— Você parece bem animadinha... — Comenta entre sorrisos e arrepios causados pelos lábios da outra. — Está bêbada? — Vira-se para ela, vendo seus olhos brilhando sob a luz dos postes da cidade.
— Eu não fico bêbada. — Rebate, franzido o cenho e balançando a cabeça negativamente. Regina arqueia a sobrancelha à sua reposta, e segura sua vontade de gargalhar. Emma não costumava admitir quando estava bêbada, e era sempre engraçado vê-la fazer coisas de bêbados, mas afirmar logo em seguida, que não estava.
— Eu adoro te amar quando você está assim... — Confessa baixinho, ignorando sua negativa. Não queria correr o risco de o motorista ouvir. — O sexo fica ainda melhor do que já é. — Acrescenta. Emma arqueia a sobrancelha e morde o lábio inferior.
— É... Talvez eu esteja um pouco animadinha por conta do álcool mesmo... — Confessa, fingindo seriedade, fazendo as duas rirem logo depois.
•§•
— Emma, me deixa ao menos fechar a porta. — Pede entre risadas, lutando contra os beijos e sussurros da noiva, em seu ouvido. — Não quero correr o risco de algum vizinho nos ver... — Estapeia o braço da loira, quando sente sua mão subindo em direção aos seios. Ainda estavam encostadas na porta, com a mesma aberta. Alguém que passasse por ali veria todo o amasso de camarote.
— Eu só não quero perder tempo. — Morde-lhe o lábio e desce sua boca para o pescoço, ao mesmo tempo em que tenta retirar a blusa sofisticada da noiva.
— Emma! — Regina repreende. Emma se afasta com uma expressão irritada, formando um bico nos lábios, e cruza os braços. — Será que eu posso...
TUM!
Sua fala fora interrompida pelo barulho da porta sendo fechada com força.
— Resolvido o problema? — Aponta para a madeira, devidamente trancada a chaves também.
— É... — E mais uma vez fora atacada pelos lábios da outra, interrompendo sua fala. — Meu Deus, o que foi que você tomou para ficar desse jeito? — Indaga entre risos. — O que tinha em suas taças de vinho?
— Descobri que o vinho tinto aumenta a libido, então tomei mais do que devia. — Sussurrou entre um beijo e outro, no pescoço da mais velha.
— Acho que vou te fazer beber mais vinho do que o necessário, todas as noites. — Emma afasta um pouco a cabeça, olhando-a nos olhos, e lhe sorri. — Eu amo você. — Declarou-se, um pouco mais séria. — Estou feliz por passar mais um ano ao teu lado. — Sussurra, levando sua mão ao rosto da loira, começando a fazer um carinho por sua bochecha e lábios, já vermelhos de tantos beijos trocados. — Nunca pensei que chegaríamos tão longe, quando te beijei a primeira vez. — Encosta sua testa na dela, e fecha seus olhos.
— Eu acho que já te amava antes de te conhecer... — Declara-se, também de olhos fechados. — Por um tempo, eu achei que só existia amor à primeira vista, em filmes clichês, e nos tempos mais antigos, tipo a época dos meus pais. — Esfrega seu nariz pelo rosto da noiva. — Mas aí eu me apaixonei por você antes mesmo de saber o seu nome, então percebi que não era apenas para os mais antigos, ou para filmes... — Finaliza a declaração com um beijo demorado nos lábios também vermelhos, de tantos outros beijos já trocados naquela noite.
— Você está me fazendo chorar, Emma! — Diz sorrindo, enxugando uma lágrima já no meio de sua bochecha.
— Vamos para o nosso quarto... — Sussurra, soltando-se, mas logo a abraçando por trás.
As duas mulheres seguem abraçadas, trocando beijos, carinhos e declarações até chegarem à porta do quarto.
— Eu amo você, Regina... — Sussurra, esticando-se e abrindo a porta, revelando uma pequena surpresa que fizera para a noiva.
A cama estava coberta de pétalas de rosas vermelhas, sob um lençol branco. Era a rosa preferida de Regina. Nos móveis ao redor, velas aromatizantes, todas nas cores vermelhas e brancas, esperavam para serem acesas.
— Eu te amo... — Emma volta a sussurrar no ouvido da mais velha. — E quero consumar esse amor ali... — Aponta para a cama.
— Eu sou a mulher mais sortuda da Flórida, por ter você ao meu lado... — Declara-se, virando-se para a amada, e a puxando para a cama, logo caindo por cima das pétalas de rosas e iniciando um beijo carregado de paixão.
•§•
— Regina... — A morena escuta ao longe, mas nem se move. Havia tido uma longa noite de muito amor e prazer, e estava cansada. Precisava renovar suas energias para a manhã seguinte. — Regina, acorda... — Escuta novamente e fica em alerta. A voz não se parecia com a de Emma. — Precisamos ir para o hospital... — Ao escutar a palavra hospital, abre seus olhos, dando de cara com Zelena, sentada em sua frente, tocando em seu braço. — Regina, o papai sofreu um acidente aqui no quintal... Precisamos ir ao hospital... — Mills olha ao redor com uma expressão confusa. — Eu vou pegar sua cadeira... — Zelena avisa, levantando-se e sumindo de sua vista.
E então Regina se dá conta do que estava acontecendo.
Não havia noivado. Não havia comemoração. Não havia cama coberta com pétalas de rosas.
Mais uma vez, havia sido apenas um sonho.
Um lindo, maravilhoso, gostoso, e muito realista, sonho.
Não um sonho qualquer, mas sim, um daqueles que parecia ser uma continuação da realidade que julgara ser real, quando tudo começou, e acordou a primeira vez no hospital. O sonho que acreditava ser sua realidade, e sua suposta realidade, fosse um sonho.
Ao ter sua conclusão de que não passara de um sonho, Regina chorou. Chorou como se não houvesse amanhã. Chorou como uma criança sem o brinquedo preferido. Chorou até Zelena aparecer novamente, já com sua cadeira, fazendo-a ficar preocupada, por estar aos prantos daquele jeito.
Regina chorou até perder as forças e desmaiar nos braços da irmã, por ter ficado com a pressão baixa e ter que ser levada ao mesmo hospital em que o pai estava, após cair no quintal por fazer um serviço de forma inadequada.
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