Memories

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Aloha, babiesssssssss!
Espero que gostem da fanfic!
Fiquem bem!

twitter: @kwnobies

Beatrice Prior — Point Of View

Cansei. Viro de um lado para o outro na cama, em busca do tão esperado sono. Nunca tive problemas em relação a uma boa noite de descanso, mas tudo tem a sua primeira vez e a minha também tem uma razão.

Tiro a minha coberta, ligo o abajur e me levanto, indo em direção a minha mesa de estudos, onde o motivo da minha falta de sono se encontra. O álbum de fotografias da minha infância e até parte da minha adolescência.

Puxo a cadeira e me sento de forma confortável, abrindo o álbum. Olho as primeiras fotos e tantas memórias vêm à tona. Na primeira foto, vejo Caleb, mamãe, papai e eu em frente da escola. O meu primeiro dia de aula. Esse dia foi mágico. O dia em que eu conheci o meu melhor amigo, e, consequentemente, a minha paixão platônica. Lembro esse dia perfeitamente.

***

— Bea? Querida, acorde. — escuto uma voz doce e a reconheço imediatamente. Mamãe. Abro os olhos — Hoje é o seu primeiro dia de aula, Bea. Não pode chegar atrasada. — ela diz acariciando os meus cabelos e me dando vários beijinhos no rosto.

Levanto com a ajuda de mamãe e esfrego os meus olhos. Ponho os meus pés nas minhas pantufas de ursinho e vou com mamãe até o banheiro. Com a ajuda dela, tomo banho, escovo os dentes, penteio o cabelo e vou em direção ao guarda-roupa.

— Mamãe, me deixa escolher a roupa de hoje, por favor! — digo, fazendo um beicinho. Ela me olha com uma cara feia e eu capricho mais ainda o meu beicinho.

— Tudo bem! — ela desiste e dou pulinhos de felicidade — Mas só porque hoje é o seu primeiro dia de aula e você já está ficando grandinha! — pulo nos braços dela e a abraço.

...

Desço com a mamãe e vamos em direção à cozinha. Chegando lá, vejo o meu irmão Caleb na mesa, já comendo o seu cereal. Sento na cadeira e mamãe me vem com uma tigela do mesmo cereal com leite.

Mamãe liga a televisão da cozinha e coloca no canal que está passando o nosso filme favorito. O Rei Leão. Ficamos assistindo e mamãe sobe.

— Bea? — Caleb diz com uma colher na boca e eu olho pra ele. — E-eu tô com medo — ele gagueja e parando de comer.

— Medo de quê, Leb? — pergunto a ele, que está olhando pra baixo.

— Essa é a primeira vez que vamos ficar longe do papai e da mamãe. E se algo acontecer conosco? — Leb diz de uma vez só, me surpreendendo. Ele nunca se mostrou com medo.

— Leb, nada vai acontecer, tá? É só o começo. Não fica com medo. — eu me levanto, já com a tigela vazia e me aproximo dele. O abraço. — Vai ser legal! Pensa nos amiguinhos que vamos fazer, nos livros que terão lá — logo um sorriso se abre no rosto do meu irmão. Ele amava ler. — Pensa na Susan...— digo um pouco mais baixo e o vejo ficar vermelho, com o sorriso sumindo de seu rosto aos poucos.

— Cala a boca, Bea. — ele diz ainda envergonhado e eu rio.

Susan é a nossa vizinha. Ela tem um irmão chamado Robert, mas ele já é grandão e não brinca mais de bicicleta. Ele joga videogames e tem uma namorada. Os pais deles são amigos de papai e mamãe.

— Estão prontos? — Papai diz se encostando porta da cozinha, segurando a mão de mamãe.

— Sim! — eu e Caleb falamos juntos. Mamãe nos ensinou qual era a palavra que dizia quando duas pessoas falam a mesma coisa na mesma hora, mas eu não lembro. Era algo engraçado e parecido com unicórnios. Dá pra acreditar?

Papai pega as tigelas que estão em cima da mesa e coloca na pia, enquanto mamãe desliga a televisão. Pegamos nossas mochilas e vamos para o carro.

...

Mamãe e papai nos tiram das cadeirinhas, pegam nossas mochilas e vamos até à porta da escola.

— Estamos orgulhosos de vocês. — diz mamãe e sorri — Estão quase rapazinho e mocinha. Lindos! — ela tem brilho nos olhos.

Nos abraçamos e então eles nos deixam na sala de aula.

...

A professora disse que era para desenharmos o que quiséssemos. Termino de desenhar pássaros e começo a pintar. Um garoto se aproxima.

—Oi! Meu nome é Tobias! Você me empresta o giz azul? — o garoto diz e aponta para o giz que está do meu lado. Ele tem uma pele morena clara, olhos azuis escuros, cabelo castanho claro e é um pouco mais alto que eu.

— Oi! Empresto sim — me viro para pegar o giz e dou a ele — Ah! O meu nome é Beatrice, mas você pode me chamar de Bea! — digo e então sorrio para ele. Ele assente e sorri para mim de volta.

Conversamos, lanchamos, brincamos e eu até chamei o Caleb para se juntar a nós dois, mas ele estava lendo um livro de histórias com Susan.

...

O primeiro dia de aula acaba e ficamos esperando os nossos pais no corredor. Mamãe e Papai vêm nos buscar, enquanto uma menina de cabelos escuros, pele bronzeada e uma mulher da idade de mamãe vão buscar Tobias.

— Bea! Espere! — escuto Tobias de longe e quando me viro pra ele, o vejo vir correndo — Mas e o meu abraço? — ele abre os braços e eu o abraço forte. Dou um beijinho na bochecha dele e quando o olho, ele está bem vermelho. Rio e me despeço dele.

***

Tobias era uma criança muito fofa. Hoje ele ainda é fofo, mas não tanto. É mais fácil que ele seja lindo do que fofo. Algumas atitudes o deixam fofo.

Passo outras fotos e no momento que os meus olhos verdes batem na foto da piscina, eu rio de imediato.

***

Toby e a Chris, sua irmã, me convidaram para uma festa na piscina. Ela disse que era uma festa de adultos, mas eu sou a melhor amiga do Toby, então seria mais que bem-vinda.

Tenho 7 anos e o Toby tem 9. Somos quase adultos.

Depois de um tempo tirando fotos na piscina e até mesmo brincando, o Toby me chama e me leva para longe.

— O que foi, Toby? — eu pergunto e ele me olha — O que aconteceu?

— Bea, tem alguma coisa de errado comigo. — ele diz de uma vez só e eu fico assustada. O que há com ele? Ele se machucou?

— O que tem de errado, T? Você está bem? — eu digo e ele olha pra baixo. Abaixa a sunga e eu tomo um susto. O Toby tem uma cobra na sunga!

— Eu tomava banho com a mamãe ou com a Chris e nunca vi isso nelas! Perguntei a mamãe o porquê de eu ser diferente e ela disse que é porque eu sou menino. Mamãe me disse que é um pênis — ele sussurra a última frase — E se elas estiverem erradas? E se tiver algo de errado comigo, Bea?

—Eu não sei, Toby. Não tenho isso. — falo e nego com a cabeça.

— Você tem a mesma coisinha que elas, Bea? — ele me pergunta com um olhar confuso e me deixa confusa também.

— Não sei, mas eu tenho a mesma coisinha que mamãe! Só muda que a dela é diferente e estranha! Às vezes parece à barba do Papai Noel e outras não tem nada! — e se eu for diferente? A minha coisinha não parece com a barba do Papai Noel! Abaixo a frente do meu biquíni e o Toby olha com normalidade.

—Não é igual a da mamãe, mas é igual a da Chris. Não tem nada de errado contigo, Bea. — ele diz e logo escutamos risadas muito próximas. Olho para a esquerda e vejo a Chris rindo muito. O que é tão engraçado? Esses adultos são estranhos. Pego na mão de Toby e saímos correndo de volta pra piscina.

***

Esse dia foi o melhor, sem dúvidas. Limpo as lágrimas que insistem em sair e respiro fundo, evitando rir mais alto e acordar os vizinhos.

Acho a foto que foi tirada nos 15 anos do Tobias, onde eu estou sentada no colo dele e ele beija a minha bochecha.

Foi exatamente nessa festa que ele beijou a Nita e eu descobri os meus sentimentos por ele.

***

A festa do Toby estava incrível!

A música fazia o meu corpo mexer e rebolar de um jeito que eu nem sabia que poderia fazer. Depois de muito dançar e ficar quase cansada, entro no banheiro e me olho no espelho. Pela primeira vez eu me sentia bonita. A Chris me ajudou na roupa e na maquiagem. O meu cabelo é liso demais, então não me preocupo muito em “arrumá-lo”. A minha sorte era que qualquer penteado ficava bom.

Saio do banheiro e escuto trechos de conversas. São garotas conversando.

“Ele tá muito gato!” “Eu sei! Não aguento mais esperar para ver se ele tem pegada. É claro que ele já é bonito, mas do que adianta ser sendo que não sabe surpreender, não é mesmo?” Escuto risos.

Afasto-me. Escutar a conversa dos outros é falta de educação.

Mas... De quem aquelas garotas estavam falando?

Meus pensamentos são interrompidos quando sinto dois braços fortes segurando a minha cintura e me levantando num abraço desajeitado.

— Hey, gatinha! Você estava maravilhosa na pista de dança! Por que não me disse que dançava daquele jeito? — Reconheço de imediato essa voz e olho para o dono. Tobias.

— Nem eu sabia que podia dançar daquele jeito — digo e ele arqueia a sobrancelhas. Ele é lindo. Rimos.

— Hm... Então tá! — ele assente — Vou pegar uma coca, você quer?

— Quero sim, gatinho. Obrigada — ele pisca para mim e se afasta, indo até um dos garçons que estavam servindo na festa.

Toby some no meio da multidão e eu espero pacientemente por ele.

...

Já se passaram quase 15 minutos e o Toby ainda não veio com o refrigerante! Poxa, a minha garganta está seca e eu não aguento mais esperar por ele. Onde ele foi se meter? Se perdeu pela própria festa?

Saio do salão de festas e vou até a parte do gramado, que está um pouco cheio.

Dou a volta pelo local e depois de alguns minutos é como se todo o meu corpo ficasse congelado e a minha garganta travasse. O Tobias. A Nita. Eles estão se beijando. A minha única reação é correr e chorar. Correr e chorar. Me bato com algo forte e quando olho para cima, as minhas batidas vão voltando ao normal. Caleb. Graças a Deus.

— Bea? O que aconteceu? — ele se abaixa e me olha assustado, acariciando os meus cabelos.

— Casa. Caleb. Casa. — eu falo tremendo.

— Tudo bem. — ele me levanta com cuidado e vamos caminhando até uma parte afastada de lá. Caleb liga para papai e ele vem nos buscar.

...

Olho fixamente para o teto do meu quarto. Escuto a porta abrir e olho para baixo. Caleb. Ele se aproxima, sentando na cama e depois de alguns minutos em um silêncio perturbador, ele tenta conversar comigo.

— Bea, fala comigo. — Leb diz e me aconchega no peito dele. Caleb é mais velho que eu, mas só em alguns meses. Se ele não fosse o meu irmão, eu diria que ele tinha, no mínimo, 16 anos. Ele é alto e um pouco forte, não tanto quanto o Tobias, mas era forte. Tobias. Pare de pensar nele, sua idiota.

Não sei o que falar.

— Tobias. — é a única coisa que eu consigo dizer naquele momento — o Tobias aconteceu, Leb.

Ele me abraça e dá um beijo no topo da minha cabeça. De repente, tudo escurece.

***

Prefiro não me lembrar desse dia, pois foi um dos piores da minha vida.

Tá que o começo dele foi legal, mas o resto não foi. Não mesmo.

Depois de passar algumas páginas, vejo a foto que foi tirada no meu aniversário de 18 anos. Foi tudo perfeito.

***

Tobias estava lindo. Estávamos junto com nossos amigos numa boate. Eu não conseguia tirar os meus olhos dele. Estamos dançando faz horas. Ele olha para mim e chega próximo ao meu ouvido.

— Princesa, você vem comigo? — Tobias diz com uma voz rouca e maravilhosa, me arrepiando da cabeça aos pés.

— Claro. — ele coloca sua mão na minha cintura e vamos em direção até a parte mais reservada da boate. Ele se vira para mim e sorri. — O que foi? — pergunto com uma expressão confusa.

— Eu estou com o seu presente, gatinha. Feche os olhos. — ele diz e eu assinto, fechando os olhos. Tobias me vira de costas para ele — Levante o cabelo — e eu o obedeço. Sinto sua respiração quente no meu pescoço e ele coloca uma corrente no lugar. Dá um beijo entre a minha clavícula e o meu pescoço e eu tremo. — Abra os olhos.

Abro os meus olhos e olho para a corrente que ele me deu. É simplesmente linda.

— É tão linda... Obrigada, T. Não precisava, mas tudo bem. — sorrio e o abraço, dando um beijo na sua bochecha.

— Eu te amo tanto, T. Esse é o mínimo que eu posso fazer por você. Acredite quando eu digo que você é a pessoa mais especial na minha vida. — e me abraça, tirando os meus pés do chão.

Ele não tem ideia de como essas palavras são especiais para mim.

— Eu também te amo, Toby.

Ele também não tem ideia de como eu falo sério em cada palavra.

***

Eu preciso dizer como eu me sinto em relação a ele, ou pode ser muito tarde.

Apenas o pensamento de vê-lo com qualquer outra garota que não seja eu, faz o meu estômago revirar.

Pego o meu celular e olho o horário. 2h46. O Tobias dorme mais tarde do que isso, então não preciso me preocupar em acordá-lo.

Ele atende. Passamos um tempo em silêncio, só escutando a respiração um do outro.

— Tris? Você está bem? — ele diz e o imagino com uma expressão confusa e assustada ao mesmo tempo.

— Oi, Toby. Está sim. O que está fazendo?

— Eu estava assistindo um filme aleatório, mas escutar a sua voz é mais importante do que qualquer filme. — Tobias afirma e o meu coração derrete. — O que houve?

Falar que você ama alguém pelo telefone não é a melhor escolha.

— Você pode vir aqui? Preciso te contar algo. — digo e bato a unha na mesa de estudos, tentando controlar o nervosismo.

— Chego aí em alguns minutos. — e desliga a ligação.

...

Escuto batidas na porta e sei quem é, portanto já vou abrindo. Vejo um Tobias preocupado na porta.

— Entra. — digo, liberando a passagem para ele.

Ele entra e me ajuda a fechar a porta. Pego em sua mão e caminho com ele até o sofá. Ele se senta e eu fico em pé, pensando de como eu vou falar para ele.

— Princesa? — ele pergunta e tira o casaco, me fazendo olhar para a blusa que marcava perfeitamente os seus músculos. Desvio o olhar.

— Toby, eu não sei como te dizer isso, mas... — sou interrompida

— Só vá até o ponto. — e então cruza os braços. Aqueles malditos braços.

Tobiaseuteamo. Pronto, falei. — e ele me olha com uma expressão confusa e talvez engraçada, se o assunto não fosse tão sério.

— O que? — e arqueia as sobrancelhas.

— Eu. Te. Amo. — fecho os olhos e sinto as lágrimas vindo — Acho que te amo desde a primeira vez que te vi, só não sabia. Você provavelmente não está entendendo nada, eu sei, nem eu estou me entendendo, mas você tem que saber disso. Eu não queria te falar quando fosse tarde demais. O pensamento de te ver com qualquer outra garota acaba comigo. Na boate, quando comemoramos o meu aniversário de 18 e você disse que me amava, eu nunca senti nada como aquilo na minha vida. E você nunca teve ideia de como as suas palavras me marcaram, acredite. Eu passei anos imaginando ter uma família com você. Um pequeno Tobias, uma mini Tris, ou talvez ambos, correndo pela casa e fazendo bagunça, mas também nos fazendo feliz. Toby, eu te amo. Eu sou sua. Somente sua. Não me deixa.

Abro os olhos e ele se levanta, se aproximando de mim. Sinto suas mãos na minha cintura e ele me puxa para mais próximo de si. Quando menos espero, nossas bocas estão coladas e nossas línguas travam uma batalha, na qual não existe vencedor ou perdedor. Aos poucos o beijo vai ficando mais calmo e ele coloca a sua testa na minha.

— Finalmente, princesa.

Notas finais
Heeeeeeeeey!
E aí? Gostaram?!
Espero que sim!
Comentem bastante, inspiram muito na hora de escrever.
Estou até pensando em escrever alguns capítulos bônus, mas só depende de vocês, então comentem!
É isso aí.
Beijos!

Luna.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.