Memories

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Oi, eu sei, capitulo chato e intediante. Esse melhora um poquinho, amanha posto o capitulo 3. Boa leitura!

Enquanto caminhávamos em direção a minha casa — a aproximadamente cinco quarteirões de distância —, minha prima tagarelava sobre alguma coisa que nem se quer me dei ao trabalho de me interessar. Estava ocupada demais.

Pensei em como Kelsey tem sorte na vida, apesar de ser órfã e morar com pais e irmãos adotivos. Pelo menos o destino dela é premeditado e escolhido. Isso é o que mais gosto em livros. Sempre existe uma pessoa que só existe para — às vezes complicar os sentimentos da pessoa — fazê-la feliz. Como também existe aquela pessoa que existe somente para acabar com a vida da personagem principal, a deixando com raiva e confusa. Tentei me imaginar como em um livro.

Em como seria se eu fosse a personagem principal de uma história confusa e sem sentido, mais ai, como mágica aparece aquele cara e faz tudo ter sentido e cores. E a paz reinaria em minha vida. Mais é claro que isso nunca aconteceria; teria de ter sofrimento e lágrimas, sorrisos e risadas até aquele final de fazer todos se emocionarem. Acho que se eu fosse o personagem principal, o meu “par ideal” nem se quer nasceu. Ou se matou por algum motivo fútil. Talvez seus pais ainda estejam chorando a morte do filho e se lamentando por ele nem sequer ter pensado antes de se matar. Até eu me mataria se fosse pra ficar comigo. Uma pessoa sem graça, com o senso de moda de um homem das cavernas, um cabelo sem graça. A única coisa bonitinha em mim são meus olhos; mais eles exalam muito tédio. Então nem isso pode ser considerado bonito em mim. Ah e claro, meu sorriso. Isso nem se fala.

Mas deixando a minha avaliação intuitiva de mim mesma de lado, e voltando ao assunto inicial, Kelsey realmente tem muita sorte. Pelo menos ela é bonita — pensei. E claro, não vamos esquecer-nos de Ren. Apesar de ter mais de 300 anos, e ser um tigre na maioria do tempo — se ele não fosse pela maldição, eu diria que ele é um vampiro ala Stephenie Meyer — ele é muito bonito. Mais isso é subjetivo; vai da sua imaginação e pela descrição feita no livro eu o imagino como alguma coisa parecia com Taylor Lautner. E Taylor tem realmente a aparência mais próxima de um indiano de cabelos lisos, pretos; corpo definido e uma aparência que tira totalmente o ar da personagem. Talvez se fizessem o filme desse livro, Taylor possa interpretá-lo. Seria realmente uma boa idéia. E então tem seu irmão, Kishan.

Novamente pela descrição do livro, Kishan é mais bonito que seu irmão. Não imagino como, mais é. Acho que realmente que quando leio o livro o único personagem que não me vem à mente alguma forma imaginaria de seu rosto é este. Apesar de ele ser descrito como mais charmoso, alto e mais intrigante, realmente não consigo imaginá-lo. Talvez porque Ren é mais interessante; faz você querer estudá-lo a fundo sua vida até então.

— Você ouviu o que eu falei; Kim? — A olhei e sorri timidamente negando com a cabeça. — Pensando de novo? Em que dessa vez?

Encarei nosso caminho a frente e soube que faltava menos de dois quarteirões pra chegarmos a minha casa.

— Não... apenas no livro que estou lendo e em como seria minha vida se eu fosse uma das personagens principais de uma história. — Ela resmungou um ah e sorriu maliciosamente.

— Eu não leria o livro se você fosse a principal. Seria entediante demais. Ah e claro, muito melodramático. Definitivamente eu não iria ler. — A encarei séria e logo caímos na risada. — O.k. Falando sério agora... — ela olhou a frente com a expressão franzida e voltou a olhar-me — Você tem um vizinho novo, quem será? — Enquanto ela pronunciava as palavras com um tom de ironia, vi que ela tinha razão. Novo vizinho, bem em frente a minha casa.

— Pelo menos compraram a casa, estava à venda há quase um ano. Mais tarde com certeza minha mãe vai dar uma passada lá pra se apresentar e me arrastará junto. Ela podia pelo menos se oferecer pra ajudar a arrumar as coisas, todo mundo sabe o quanto é chato e demora ficar arrumando caixas com a mudança. — A vi assentir sorrindo maliciosamente olhando para alguma coisa, preferi não olhar. Mais tarde provavelmente eu já saberia da vida inteira dos novos vizinhos por conta de Grace. Minha mãe nunca muda.

Seguimos o resto do caminho em silencio. Eu sabia que amanhã Giovanna iria me importunar com perguntas sobre os novos vizinhos. Talvez eu não devesse ir amanhã a escola. A idéia me fez sorrir marota.

Quando paramos a poucos metros de minha casa, ela me deu um breve abraço e disse que mais tarde voltaria para o jantar e que mandasse um beijo para minha mãe. Sorri para ela enquanto a via caminhar rapidamente para sua casa. Olhei para o lado e vi um garoto que aparentava ter a minha idade me olhando. Quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu e acenou brevemente. Mais antes de se virar para uma voz feminina que vinha da casa, percebi que mesmo a distancia seus olhos eram azuis. Na mesma cor da palheta de meu violão, um tom de azul claro forte que chama a atenção sem esforços. Virei-me assim que o vi correr até a casa. Provavelmente ele seja um dos meus novos vizinhos.

— Kimberlly? — Ouvi uma voz feminina me chamar assim que fechei a porta de casa e coloquei minha mochila em cima do sofá.

Minha mãe apareceu brevemente pra mim e sorriu. Estava com seus cabelos loiros presos em um coque que deixava apenas sua franja solta.

Caminhei até a cozinha ao seu encontro.

— Oi mãe; oi Lauren é um prazer te ver. — Como eu já sabia, a mãe de Zachary estaria ali. Dei um breve abraço em minha mãe enquanto caminhava e me sentava ao lado da amiga de minha mãe. — Er... Lauren, você sabe por que Zachary vai vir aqui mais tarde? Ele falou alguma coisa com você? — Pronunciei o final apreensiva, eu não sabia o que estava por vir, mais minha intuição dizia que coisa boa não era.

— Não, ele não comentou nada comigo. Mais talvez seja sobre Luke e minha irmã. Seus novos vizinhos da frente. — Ela disse sorrindo enquanto colocava uma mecha de seu cabelo ruivo atrás da orelha.

Luke?

— É, acho que você não o conheceu ainda. Ele é um ótimo garoto. Minha irmã e ele se mudaram pra cá por causa da escola; ouve alguns problemas na sua antiga escola e um dia estava comentando com Molly sobre a casa que estava vendendo a algum tempo e ela se interessou. Deve ser por isso que Zachary vem falar com você. Provavelmente por que amanhã ele terá uma consulta no médico e não poderá acompanhar o primo até a escola.

O.k., agora tudo fez sentido. Mais ainda havia algumas duvidas me perseguindo.

— Ainda não me apresentaram a ele, mais ele me flagrou me despedindo da Giovanna, antes de entrar aqui. Bom, se for sobre isso tudo bem. Não me importo em mostrar a escola ao Luke. Ah, mãe acho que a Giovanna vem pro jantar; afinal hoje é quarta.

— Kimberlly? — Ouvi Lauren me chamar quando estava me dirigindo a escada, para tomar meu banho. Voltei em passos largos e encostei meu rosto no batente da porta olhando-a.

— Sim.

— Se importa se eu chamar Luke e minha irmã para o jantar? Sua mãe convidou-me e a Zachary e achei prudente te perguntar primeiro antes de convidá-lo.

— Não, na verdade eu ia te falar se quisesse chamá-lo. Tudo bem; pode chamar sim. — A vi sorrir. Retribui. — Mãe, eu irei tomar banho. Quando o jantar estiver pronto me chama no meu quarto? — Observei-a assentir enquanto se esticava para pegar algo na geladeira.

Enquanto ia em direção a escada, peguei minha mochila e subi as escadas rapidamente pensando no garoto chamado Luke.

Ouviu-se o som da campainha ao longe. Não corri para atendê-la, eu sabia quem era e sabia que minha mãe atenderia.

Levantei vagarosamente ignorado a pontada da cabeça e colocando meu violão de lado, junto com meu caderno de musicas. Havia passado as últimas duas horas — depois de tomar meu banho — tentando, inutilmente, escrever uma musica. Sem sucesso, é claro. Andei até o banheiro e arrumei meu cabelo num rabo de cavalo frouxo. Sem deixar de notar que meus fios estavam secos e precisando de um corte. Arrumei minha franja bagunçando-a e lavei as mãos duas vezes antes de borrifar um pouco de água em meu rosto. Observei minha roupa: uma camiseta dos Ramones e calça jeans. Peguei uma regata branca numa gaveta do guardarroupa e coloquei-a rapidamente. Fui pelo corredor até as escadas descalça. Um detalhe sobre mim: eu odeio sapato pra ficar em casa. Fazem meus pés suarem e ficar escorregadios; pra mim a coisa mais calmante é o contato do chão frio com meus dedos.

Cheguei ao inicio da escada e observei lá em baixo.

Havia algumas pessoas, todas que eu já sabia que estariam ali. Reconheci Luke no meio delas, conversando com um garoto. Zachary.

— Kimberlly! Oi! Ei, esse é o...

Não o deixei continuar

— Luke, eu sei já Zachary. — Olhei para meu novo amigo que deu um risinho quando se surpreendeu em eu já saber seu nome. Mais uma ruguinha de confusão estava em sua testa, uma vontade estranha de tocá-lo me invadiu. Tentei ignorar sorrindo para ele. — Sua tia já me falou de você, é um prazer te conhecer. Vai estudar na mesma escola que a gente em — Ri fraco enquanto observava seus olhos profundamente azuis.

— O prazer é meu Kimberlly. Também já ouvi falar de você, minha tia enche meus ouvidos todo dia sobre você. Acho que se existisse um teste sobre “Quem Sabe Mais Sobre Kimberlly Victoria O’Connor” eu, particularmente tiraria nota máxima. — Fiquei atônica ao ouvir o som da sua voz, mais logo a surpresa por ele saber meu nome inteiro se sobrepôs.

— Então fique esperto, farei perguntas sobre mim durante a noite. Esteja preparado.

Zachary sorria triunfante; era irreal não era natural, parecia feliz demais. Mas logo seu sorriso murchou como uma flor há tempos sem um vestígio de água. Olhei para a porta e vi o porquê.

Giovanna vinha em nossa direção olhando diretamente para ele. Ri um pouco e olhei para meu novo amigo, ele parecia confuso. Tratei de explicar quando ela se aproximou o bastante.

— Luke, essa é Giovanna. Minha prima e o pior pesadelo do seu primo.

— É um prazer Luke. Oi Kim e... idiota. — Ela pronunciou a ultima parte com desprezo e um sorriso um tanto zombeteiro no rosto.

— Eu tenho nome, sabia? — Zachary parecia furioso, entretanto, aquilo já vinha de tempos. Aquela briga não tinha fim; apesar de eu sempre dizer que eles acabariam juntos um dia. E eu seria a madrinha de casamento.

— Olha aqui, seu...

Interrompi antes que ela ofendesse a tia de Luke.

— Então, Luke, você já pegou o horário das suas aulas?

— Na verdade já sim, se importa de me acompanhar amanhã para a escola?

— Não, claro que não.

Er... Kim, eu não vou poder ficar pro jantar, minha mãe queria que eu fosse com ela na casa da irmã dela. A gente se vê amanhã na escola?

— Claro, claro. — Apenas observei enquanto via-a dar um abraço em mim e logo depois um beijo na bochecha de Luke e deixar o levemente corado.

— Infelizmente, também tenho que ir. Minha mãe está me esperando em nossa casa. Vemos-nos depois de amanhã pessoal. — Zachary desapareceu, saindo pela porta e foi só ai que notei que Lauren não estava presente.

— O.k., isso foi realmente muito estranho. Não acha? —Luke se colocou onde minha prima estava, há minha frente e perguntou olhando em meus olhos. Por milésimos de segundos me perdi na imensidão azul dos seus. Ele fitava-me de um jeito despreocupado; parecia-me familiar. O cabelo loiro levemente bagunçado era bonito, com algumas mechas em castanho claro ou loiro escuro; não soube distinguir. Mais ganhava contraste com a blusa gola em forma de V vermelha. Por um momento me permiti imaginá-lo sem camisa, mesmo por cima da blusa ele me parecia ter alguns músculos aparentes e... — Kim? Você está bem? Kim!

— Ãn? Ah, estou sim. Só me perdi em pensamentos, nada de mais. Hey; senta aqui no sofá; para a gente... hm... co-conversar, é conversar! Conversar é legal. — Ele riu do meu jeito desajeitado com as palavras e me seguiu até o sofá.

— Então, o que foi aquilo dos nossos primos, em? Sempre foi assim? — Ele realmente estava curioso, apesar deu não nunca ter contado essa história a ninguém, resolvi me abrir. Afinal, ele seria nosso amigo e teria de conviver com as brigas tanto quanto eu se Zachary for ficar mais próximo de nós, principalmente por causa de seu primo.

— Não, não, isso começou por que ela quebrou a bicicleta dele que na época nós tínhamos 6 anos de idade. Apenas por três eles conviveram civilizadamente. Às vezes eu penso que isso só irá parar se ela comprar outra bicicleta pra ele, mais isso é muito infantilidade dos dois.

Ele parecia realmente interessado no que eu tinha pra falar, então me lancei nas histórias hilárias de quando eu era pequena e aprontávamos com todos; como se não houvesse amanhã.

Notas finais
Mereço reviews? não? tábom então, até o proximo capitulo.