Memorias na neve

1 Capítulo 1 Estação


Era uma manhã bastante fria, assim como todas as manhãs daquela estação, fazia dezessete graus e o frio era tamanho que quase não sentia meus próprios dedos. Eu andava à caminho do trem que iria pegar para ir ao meu primeiro dia no ensino médio, caminhava contemplando a perfeição daquela belíssima estação que era o inverno, mas em compensação o frio extremo me fazia esquecer de toda essa beleza.

Vejo ao longe a estação de trem, e seu longo telhado estava coberto de neve, parecia até que ia desabar a qualquer momento, vou me aproximando, então chego ao meu destino, lá tínhamos paredes de madeira de carvalho que davam lugar a vários posteres, bancos onde sentavam algumas pessoas e um longo trilho de trem que cortava o local, além de uma bilheteria. Caminho até lá e olho para a bilheteira que pacientemente esperava novos clientes.

— Olha só quem chegou atrasado no primeiro dia de aula, não é mesmo Ollie? Se você tivesse chegado um pouco antes tinha pegado o primeiro trem. – Fala ela com um tom de intimidade pois era uma grade amiga minha.

—Desculpe, eu dormi demais. Acho que não devia ficar vendo tv até tarde todo dia. – Falo enquanto a entrego o dinheiro do bilhete.

—Toma, agora vá se sentar.

Dirijo-me até o único banco vazio que consigo encontrar, coloco minha mochila no meu colo e começo a esperar o trem. Fico olhando em volta e, de repente, uma garota que eu nunca vira antes se aproximava de mim, era linda de cabelos negros como o céu noturno que se juntavam em uma trança a qual se posicionava em cima do seu ombro e olhos azuis, que quando se olhava neles era como ver a imensidão do mar dentro de duas órbitas redondas, e como eu, ela também usava óculos.

—É... Então posso me sentar aqui? – Fala ela vermelha como um tomate.

—Opa! Claro! – Respondo-o ao abrir espaço para ela se sentar.

Depois disso ela fica em silêncio lendo um livro que trazia em sua mão.

Tempo se passa e hora ou outra nós trocávamos olhares, sempre rápidos e frustrantes, de algum jeito eu estava louco para saber quem seria aquela misteriosa garota mesmo que algo me dissesse que eu já a tinha visto em algum lugar, e sendo sincero sinto que já esqueci várias coisas. Que sensação horrível!

—Então... Você está no ensino médio?

—Sim. – Ela responde

—Que ano você está?

—Primeiro. — Responde.

Eu estava frustrado com as respostas dadas por ela, frias e fechadas. ”Poxa será que falei alguma coisa errada” pensava.

Então, de repente, ela dá um forte suspiro enquanto coloca o livro no colo.

—Desculpe... Eu não sou muito boa em fazer amigos. – Fala ela olhando para mim bastante envergonhada.

—Se quiser que eu te ensine.

—Faria isso por mim? – Pergunta-me com um sorriso.

—Claro. Por que não faria?

—Certo. O primeiro passo é conhecer melhor o seu alvo. Tente comigo.

—Oi, como é seu nome? O meu é Mary. – Fala ela.

—Muito bem Mary, o meu é Oliver.

—Prazer em te conhecer, Oliver, espero solenemente que sejamos amigos. – Fala ela rindo um pouco.

Enquanto nós ríamos, ouvia-se ao longe o barulho que certamente seria do trem, que rapidamente chega à estação, era relativamente grande, mas não chegava a impressionar, e sua estrutura de ferro também não era lá essas coisas, mas mesmo assim eu adorava aquele trem e não o trocaria por nada. Então eu e ela nos dirigimos até ele e sentamos em uma das suas cabines.

Notas finais
Capitulo seguinte já postado.