Notas iniciais
Sinto muito pela demora, mas eu FINALMENTE decidi o enredo da história! o/

“Sua morte é um fato que acontece para todo mundo.”

— Sherlock

Todas as quintas os pacientes eram divididos em grupos de dez pessoas para participar do grupo de apoio. Eles se espalhavam pelo hospital e conversavam, tentando refletir sobre si e sua doença e sobre o que sentiam no momento.

Adam sempre conversava no grupo de apoio, a psicóloga gostava de vê-lo participar e encorajar os amigos a comentarem e se abrirem, mas não passava despercebido por sua análise que ele nunca se aprofundava.

Mas hoje era o dia da morte.

Hoje era o dia que todos colocavam seus pensamentos para fora e a psicóloga tinha acesso a seus mais obscuros pensamentos, pois hoje eles encaravam a dura realidade de encarar a morte cara a cara.

— Quem quer ser o primeiro? – a profissional cruzou as pernas e apoiou seu caderninho nelas, seus olhos castanhos claros rodaram os rostos ao seu redor. Todos cabisbaixos.

Adam normalmente sempre era o primeiro a se oferecer para começar nos grupos de apoio, mas ele simplesmente não estava pronto para encarar aquele fato. Sua melhor amiga havia quase morrido. Ele não conseguia acreditar.

O moreno tossiu apesar das grossas blusas de lã que ele usava em plena primavera, seria questão de óbito se ele pegasse outro resfriado, por isso estavam abrigados dentro da sala de cinema do hospital. Uma sala completamente escura e repleta de cadeiras que se encontrava em um formato circular, uma pequena luz vinha do teto para que eles pudessem se enxergar.

— Eu acho que ela teve sorte. – A voz baixa de Hope, porém ampliada pela sala chamou a atenção. – Desta vez.

Adam a encarou. Onyx realmente teve sorte em ter todos aqueles médicos de plantão em plena madrugada para atendê-la nesse estado de emergência. Era impossível prever aquele aneurisma e com o avanço de sua doença, eles deviam esperar mais disso acontecer.

— Talvez ela não tenha tanta sorte da próxima. – Outra paciente completou.

— Ela nem se recuperou da cirurgia ainda. – Um menino olhou rapidamente para Duke. – Talvez não haja próxima.

— Você acha que ela está condenada, Arthur? – A psicóloga questionou.

— A morte está contando os dias para pega-la.

Adam conseguiu imaginar uma caveira em seu manto segurando uma foice aos pés da maca de Onyx, esperando para levá-la. Ele estremeceu com o pensamento, ele odiaria que isso fosse com ele, imaginou que Onyx gritaria de ódio se pudesse agora.

— O pior é pensar que ela vai morrer aqui dentro. – Hope leu o pensamento dele.

Todos os outros concordaram, ninguém queria morrer dentro de um hospital. Onyx podia chamar o seu conhecimento do dia de sua morte de privilégio, pois pelo menos poderia escolher onde morreria, mas conforme os dias se aproximavam, todos começavam a achar que ela morreria dentro daquele hospital.

— Eu teria ido até uma clínica. – Um deles verbalizou. – Pelo menos teria uma vista tranquila e morreria sem dor.

— A praia. – A mesma menina de antes declarou. – Cortaria os pulsos, deveria ser fácil de morrer.

— Morrer farreando, com certeza. – Hope declarou.

— Não importa como, eu só ia querer estar com a minha família.

— Eu não, eles iam sofrer demais assistindo tudo isso. – um dos dez pacientes discordou.

— E você, Duke? – A psicóloga quis saber.

Ele levantou o olhar e analisou todos os olhares fixos em seu rosto esperando uma resposta, ele sentia seu coração bater como uma bomba em seu peito, prestes a explodir de raiva.

— Vocês estão todos errados. – Ele vociferou. – Nenhum de vocês teria feito nada.

Ele se levantou de onde estava sentando, cansando se ouvir aquelas pessoas falando sobre alguém que nem mesmo conheciam. Ele havia passado praticamente cinco anos de sua vida com Onyx, ele sim podia opinar em sua vida.

— Se vocês fossem metade da pessoa maravilhosa que a Onyx é, nenhum de vocês teria se matado. – Ele apontou um dedo na direção deles. – Vocês teriam aguentado toda a dor e toda a maldita doença porque mesmo com os dias contados um casal incrível teria adotado vocês e dado tanto amor e tanto apoio a vocês, que qualquer cirurgia e sofrimento que vocês passassem valeria a pena para trazer felicidade para eles!

Os outros nove pacientes se mantinham calados escutando as palavras de Adam, todos conheciam os pais de Onyx, mas nunca tinham encarado a realidade dela dessa forma. Eles a haviam adotado mesmo sabendo de suas condições especiais, haviam a amado acima de tudo e estavam lutando para achar uma cura em meio ao impossível, pois queriam que ela tivesse uma brilhante vida pela frente. Eles lutavam por ela e ela fazia de tudo por eles.

— Então, “Tirar a própria vida”. Uma expressão interessante, mas tirar de quem? – Adam olhou diretamente para Hope naquele instante, ele se lembrava dela mesma ter dito aquilo. – Quando acaba não é você que sente falta... Sua morte é um fato que acontece para todo mundo.

— Sua vida não é apenas sua. – Hope completou. – Tire as mãos dela.

O silêncio reinou por alguns instantes, todos digeriam as palavras de Adam. Por vezes pensamos que a morte é a resposta, mas é somente a nossa resposta. Que abre questões profundas em outras pessoas, as mesmas questões que te levaram a buscar essa resposta.

Pois a sua dor acaba, mas inicia a profunda dor de tantos outros e isso se torna um ciclo vicioso. Até que alguém tenha coragem de quebra-la.

— Eu sou Adam Kaluuya Duke III, meus pulmões estão ferrados, minha melhor amiga quase morreu ontem, mas eu não estou pronto para desistir. Não ainda.

E desse modo ele saiu da sala.

O moreno queria desesperadamente visitar Onyx, mas ela ainda estava em observação, pensou em talvez pedir para Anthony ou Stephen para que deixassem que ele a visitasse por 5 minutos, mas sabia que nem mesmo Peter, que era o irmão mais novo da menina tinha esse direito.

Sua visão mal havia se acostumado com a luz clara do hospital quando ouviu seu nome ser chamado. Era Hope em seus trajes pretos acompanhado de seu colar de pentagrama, ela tentava não parecer cansada.

— Sinto muito pelo o que houve lá atrás. – ela pediu em um grande suspirou.

— Não se preocupe, sei que não foi por mal. – Ele se desviou de alguns médicos e a encostou na parede.

— Valeu. – Ela agradeceu, não podia ficar muito tempo de pé. – Eu nunca tinha visto a Onyx daquele modo.

— Ela não deixa ninguém imaginar ela desse jeito. – Ele revelou. – Ela tenta ser durona, mesmo doente.

— Porque? – Hope quis saber.

— A única vez que alguém viu esse lado dela, não deu sorte. – Adam explicou.

— Uau. – Hope suspirou. – Nunca imaginei.

— Só quem viveu consegue. – Ele concordou. – Você já teve algo assim?

— Nada muito sério. – Ela se sentiu estranha de repente. – não é como se fizessem fila pra ficar comigo.

— Comigo nunca fizeram fila, mas já teve um que abalou meu coração. – Adam revelou.

— Um? – Hope franziu o cenho e indicou cadeiras para se sentarem.

— Íkaro. – Duke suspirou arrependido. – Ele era grego, um pedaço de mau caminho, se posso dizer.

— O que aconteceu com ele?

— Além de desgraçar meu coração? – Duke olhou para ela teatralmente. – Nada, ele se curou e vazou daqui.

— Simplesmente cortou relações? – Ela pareceu assustada.

— Usou e abusou enquanto podia, para depois jogar fora sem nem ao menos dizer tchau. – Adam sentia o coração apertar ao se lembrar do antigo amor.

Íkaro havia ido embora quatro meses antes de Hope entrar no Memorial, sendo impossível que ela conhecesse a iguaria que aquele rapaz poderia ser. Talvez ela tivesse tido sorte, pois Íkaro era sinônimo de encrenca. As enfermeiras estavam cansadas de se livrarem dele e do Adam aos beijos de todas as salas que podiam imaginar.

— Nunca teria imaginando. – Hope finalizou enquanto encarava o teto.

— Passamos por muita coisa antes de você chegar. – Adam tossiu outra vez, nervoso.

Era bom conversar com Hope, ele pelo menos se distraia da vontade de visitar Onyx. Mas Onyx não saia da cabeça de Hope, ela não conseguia esquecer a imagem completamente nova que havia formado da menina em sua cabeça. Alguém que podia ser mais do que uma ladra de roupas e baderneira, alguém que também lutava todos os dias para viver por sua família.

Pelo jeito elas tinham mais em comum do que podia imaginar.

Mas ela não queria ter o mesmo fim.

— Não podemos fazer nada para ajudar ela? – Hope questionou.

— Em que sentido?

— Eu sei que dizem para pensarmos positivo, mas se for pra ela morrer, que tenha vivido algo antes. – Hope declarou. – Eu sei que posso não ser o maior exemplo, mas se eu morrer, pelo menos vou ter ido a muitas festas.

— É, a Onyx nunca foi em nenhuma.

— Podemos fazer uma para ela. – Hope propôs.

— Aqui? – Adam olhou para as paredes brancas.

— Tem alguma ideia melhor?

Ele pensou por alguns instantes, o que seria melhor do que dar uma festa dentro do hospital? E como um estalar de dedos ele se lembrou do que seria perfeito.

— Você já ouviu falar no Pedido?

Adam balançou as sobrancelhas animado, isso seria épico.

Notas finais
O enredo vai ser meio parecido com o de a culpa é das estrelas, mas vou tentar ser o mais original possível. Espero que gostem.