Memoirs
7 Capítulo VII
Notas iniciais
After the silence, after the last words.
Caught in the silence. Caught in between.
After the madness. After the slow shock.
Before the wave hits, the flood comes rushing in.
Dizem que o momento mais fácil da vida, é a morte. Ela vem assim, sorrateira, muitas vezes esperada, outras uma surpresa. Ela é a única certeza que temos, e vivemos sempre a sombra dela. No momento em que nascemos, já sabemos que, um dia, iremos partir; para onde, ninguém pode dizer com certeza.
O fato é que, apesar de sabermos isso por toda a nossa vida, a maldita ainda consegue nos pegar desprevenidos. Não importa se você se acha preparado para isso, pois você não está. Acredite quando eu digo que, na teoria, tudo é mais fácil.
Digo isso por experiência própria. Quatro anos se passaram desde que minha esposa, Sakura, descobriu o câncer no cérebro. Quatro anos vendo o amor de minha vida, minha melhor amiga, definhando em uma maca de hospital. Quatro anos travando uma grande batalha, apenas para, no fim, perdemos.
Sakura morreu dois dias depois do dia em que lhe contei toda a nossa história juntos. Morreu, de madrugada, tendo o câncer já tomado todo o seu corpo. Ela simplesmente parou de respirar.
Eu estava em casa quando recebi a temida ligação de hospital. O que eu senti, naquele momento? Ainda não consigo dizer. Medo, desespero, falta de ar. Sinceramente, eu fui o caminho inteiro rezando para não ser nada. Poderiam ter ligado para a pessoa errada. Mas não.
Como eu disse, não estamos preparados para isso. Quando cheguei ao quarto de hospital, e a vi de olhos fechados, cai de joelhos no chão. Eu perdi as forças, ali, naquele instante. Percebi, então, que apesar de saber, eu ainda esperava por um milagre. No entanto, milagres não são para todos.
This is the bad before the worse.
This is the storm before the storm
I haven't even hit the bottom of this ocean floor.
This is the bend before the break.
This is the mercy not the grace.
This is the proof and not the faith i try to find.
There shouldn't be a good in goodbye.
Agora, estou aqui, nesse cemitério bonito e cheio de vida, apesar de ser um local para mortos. Meus familiares me cercavam, todos vestidos de negro, com os rostos sérios e tristonhos. Ao meu lado, minha filha, Sarada, chorava, agarrada ao meu braço; já eu, apenas encarava o caixão branco descendo pelo buraco. Ali, dentro daquele pedaço de madeira, o corpo de minha esposa jazia. Ela seria enterrada para sempre, e eu nunca mais poderia ver o rosto dela, ou ouvir sua risada e voz. Nunca mais poderia ver os olhos esverdeados brilharem ao me ver, nunca mais poderia sentir o seu toque sobre a minha pele. Nunca mais.
O caixão desceu, o buraco se fechou e eu fiquei ali, parado, olhando.
– Pai. – Sarada me chamou, e eu a encarei, vendo seus olhos vermelhos e inchados. – Temos que ir.
Ir para onde?
Eu também não sabia, mas Sarada pegou em minha mão e me carregou até o carro. O rádio ligou sozinho, tocando uma música qualquer, a qual eu não ouvia. Sarada, de vez em quando, fungava.
If I never loved you, if I never felt your kiss.
If I never had you. I know that I...I still would have mourned you.
I would have missed your smile.
If it wasn't so worth it, this wouldn't be...
Oh this wouldn't be the bad before the worse and the storm before the storm.
Não percebi quando chegamos em casa, eu apenas sai automaticamente do carro, vendo a casa de dois andares branca, onde eu morava. Destranquei a porta, sentindo o cheiro tão familiar invadir minhas narinas. Fui caminhando em direção a sala, passando pelo corredor repleto de fotos de nossa família, mas não os olhei.
Enchi um copo de uísque, me sentei em minha cadeira, e fiquei ali, olhando para o nada. Afinal, era assim que eu me sentia. Um nada.
– Pai, eu vou subir para o meu quarto. – Sarada apareceu na sala, mas eu não a olhei, apenas assenti. – Por que não vai tomar um banho?
Fiquei em silencio, sorvendo outro gole da bebida em minha mão.
– Você quer um chá? Eu posso fazer... – ela continuou, sendo gentil como sempre; no entanto, no momento, eu gostaria de ficar sozinho.
Por isso, neguei com a cabeça e esperei ela sair. Contudo, ela não o fez. Ficou lá, parada, sem dizer nada. Depois de alguns minutos, ela veio em minha direção, e se abaixou a minha frente.
– Eu sei que o senhor quer ficar sozinho. Já vou sair. Mas antes, preciso lhe entregar algo.
A olhei, esperando enquanto ela tirava algo da bolsa. Era um caderno, com a capa preta e surrada.
– Antes da mamãe...bom, antes da mamãe partir, eu fui visita-la. Fiquei o dia inteiro com ela, conversando, rindo. – ela parou, dando um sorriso que não alcançava seus olhos. – Quando eu estava indo embora, ela pediu para eu lhe dar isso. É o diário dela.
Percebi então que ela segurava um caderno. Tinha uma capa preta e dura, cheia de adesivos de corações – uma coisa infantil para uma mulher com quase quarenta anos. Eu não sabia que Sakura tinha um diário, tampouco que ela me daria ele. Contudo, mais uma vez Sakura me surpreendia, mesmo não estando ali. Sarada apertou minha mão, levantando e me dando um beijo na testa.
– Ela sempre estará conosco. – disse, antes de se retirar. Já eu fiquei ali, encarando o diário.
I haven't even hit the bottom of this ocean floor
This is the bend before the break
This is the mercy not the grace
This is the proof and not the faith I try to find
There shouldn't be a good in goodbye
Não sei porque, mas meu coração bateu acelerado ao pensar no que poderia ter ali. Com cuidado, coloquei o copo no chão e abri a primeira página. Fiquei surpreso ao ver uma foto minha e de Sakura, quando ainda éramos crianças. Era uma foto velha, e eu não me recordava dela.
Sasuke, lembra-se quando nos conhecemos?
Era o que estava escrito abaixo da foto. Passei a página, vendo um texto, com uma margem cheia de corações.
Eu tinha acabado de mudar de casa, estava um pouco brava com meus pais, por terem se mudado para um lugar novo. Eu tinha deixado meus amigos em Miami, e estava com medo de não conseguir fazer novos aqui. Contudo, assim que chegamos, sua mãe veio nos visitar e disse que tinha um filho da minha idade. Nem preciso dizer que logo quis te conhecer não é? Fiquei dias espiando sua casa, tentando vê-lo. Até que, uma hora, você apareceu. Vestindo uma bermuda e uma blusa do Batman, junto com Itachi. Seu irmão me chamou para jogar e, mal eu sabia que, ao aceitar, estaria mudando minha vida para sempre.
Depois daquele dia, nos víamos todos os dias e, apesar de você sempre me olhar emburrado, eu sabia que você gostava de mim. Logo nos tornamos amigos. Conforme fomos crescendo, mais eu o admirava e gostava de você. O estopim foi quando meus pais começaram a brigar cada vez mais, e eu podia fugir para te encontrar. E você me consolaria e me daria chocolates. Aquilo me fez perceber o quão bom para mim você era.
I know this is gonna get better ohh
I know this is gonna get better ohh
I know
Na outra pagina, havia uma outra foto, mas nessa nós já estávamos grandes. Eu estava com os braços cruzados, e Sakura com a mão no meu ombro, sorrindo. Devíamos ter doze anos, já que Sakura ainda era maior que eu naquela época. Novamente, embaixo da foto, tinha um texto.
Você sempre estava comigo, não importava o momento. Lembra-se que uma vez eu fiquei te esperando no seu quarto, enquanto você fazia o número dois, para então poder chorar nos seus ombros? E você nem mesmo reclamava. Eu nunca te contei, mas foi nessa época que eu me apaixonei por você. Imagino que esteja surpreso, mas é a verdade. Eu sonhava com você, que um dia nós nos casaríamos no Hawaii e teríamos vários filhos. Eu seria uma atriz de Hollywood e você surfista. O par perfeito. Quem diria que mudaríamos tanto, não é?
Bem, uma vez eu pensei em me declarar, mas você parecia tão alheio aos meus sentimentos que resolvi deixar para lá. Se fosse para ser, aconteceria naturalmente, assim eu pensava. Foi assim até eu te ver com Karin. Você não faz ideia do quão triste eu fiquei, principalmente quando você começou a andar de mãos dadas com ela na escola. Eu chorava em casa, enquanto comia chocolate e via filmes ridículos de romance. Clichê, não é? Mas eu achava que isso aplacaria a dor que eu estava sentindo.
O pior de tudo foi virar amiga de Karin e descobrir que ela era boa com você, e que vocês se gostavam. Resolvi então parar de imaginar nós dois juntos, e parti para a outra. Então apareceu Sasori. Nem preciso relembrar o que aconteceu, não é? Essa foi a época mais estranha no nosso relacionamento. Eu queria muito te dizer que gostava de você, mas você namorava com Karin e eu gostava dela. Já você agia estranho, tinha ciúmes de Sasori, algo que eu não entendia.
O tempo passou, eu terminei com Sasori e, para minha surpresa, você terminou com Karin. Eu sei que é ridículo, mas fiquei feliz. Novamente, a paixão que eu sentia por você reacendeu, e, mais do que nunca, pensei que teria uma chance.
E não é que aconteceu? Naquele baile... ah, eu finalmente consegui me declarar, e você me correspondeu. Sasuke, você não tem noção do quão feliz eu fiquei. E assim, com aquele beijo sob o céu estrelado, nossa história de amor começou.
Na página seguinte, outra foto nossa. Eu vestido de James Dean e ela de Marylin. Outra foto que eu nem me lembrava. Abaixo dela a legenda: “Strangers in the night”.
Eu não preciso te recontar a história, pois você já sabe. Eu só queria escrever para te mostrar o quanto eu te amei, durante nossa vida juntos. Você não sabe, mas eu pensei muito antes de aceitar ir para Stanford. Eu nunca tinha ficado sem você, pelo menos eu não me lembrava como era viver sem você, então eu fiquei realmente com medo.
This is the bitter not the sweet
This is the take and not the keep
And I haven't even reached the bottom of this ocean floor
Você sempre foi o meu porto-seguro. Eu me agarrava a você, pois você me sustentava e me dava forças. Sempre que eu precisava, você estava lá, por mim. O que seria de mim, sem você? Eu pensava. Terrível.
Aquele ano na universidade, mal podendo te ver e pagando caro na conta de telefone, foi terrível. Eu sentia sua falta todos os dias, pensava em você e como você estava. No entanto, quando você me ligava, eu dizia que estava tudo bem, pois não queria te preocupar. E eu sabia que você fazia a mesma coisa comigo.
Era tanta saudade que acabou se materializando em forma de Sarada. Acho que era o destino nos colocando juntos novamente. Você acredita que quando descobri que estava gravida dela, nem mesmo com medo eu fiquei? Sabe por que? Porque eu tinha você. Todo o resto não importava. Nove meses depois, nosso amor criou vida, e nós tivemos uma linda filha.
This is the bend before the break
This is the mercy not the grace
This is the proof and? not the faith I try to find
There shouldn't be a good in goodbye
Yeah. There shouldn't be good in goodbye
Mais uma página, e outra foto. Sakura e eu, com Sarada no colo. Essa eu lembrava.
Eu acho que nunca te agradeci o suficiente por tudo o que você fez por mim. Todas as noites em que chorei junto a você, ou quando eu me machucava no treino, e a única pessoa que podia me pegar era você. É tanta coisa para agradecer, que mal posso me lembrar. Mas, ainda assim, obrigada por tudo.
Sinto muito por ter que te deixar, sem poder te retribuir o suficiente. Eu sei que prometi ficar com você para sempre, e me desculpe por não cumprir. Você não sabe o quão difícil é saber que não vou poder te ver todos os dias, ouvir sua voz e segurar sua mão. Nesse momento, estou sentindo uma dor que vai além da dor física. A mesma dor que senti quando te deixei para ir para Stanford; aquela sensação terrível de perda, que abre um buraco no meu coração e me consome.
Eu queria poder ficar ao seu lado, te ver dormindo, ouvir você respirando. Mas nem isso posso fazer. Eu sei que vou morrer, mais rápido do que imaginei. Eu gostaria de poder viver, ver nossa filha se casando, ou não, e se tornando uma adulta por completo; envelhecer ao seu lado, enquanto sentamos no banquinho de madeira em frente a nossa casa, dando de comida para passarinhos. No entanto, eu não posso. A única coisa que posso fazer no momento, é amar vocês.
Sabe, Sasuke, você foi minha vida inteira, mas eu fui apenas um capítulo da sua. Portanto, como um último pedido, peço que não morra junto comigo. Continue sua vida, respire como nunca antes, cuide de nossa filha, e nunca, nunca se deixe cair.
E, novamente, obrigada por tudo. Te espero do outro lado.
Com amor,
Sakura.
P.S.: Utilize o resto das páginas para contar suas próprias histórias.
P.S.1: Te amo.
E na última página usada, uma foto do nosso casamento. Sakura vestindo um vestido simples, rosa claro, e eu com calça jeans e terno. Nós dois sorriamos, mostrando as alianças.
O resto das páginas estava em branco.
There shouldn't be a good in goodbye
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