Ando pelas ruas que se demonstram emolduradas num tom cinzento, meus olhos estão vermelhos, minha expressão de abatido transparece como minhas mudanças de humor se instauraram com tanta firmeza. Mentiria se dissesse que não gosto, nos fascínios deste mundo a maioria escolhe pelo o que quer ser domada. Muitas vezes não somos como o carneiro que não tem o poder de escolha entre foice e facão.

Sinceramente, estou com uma vontade imensa de parar de escrever, não por ressentimento relacionado ao reconhecimento, apenas desânimo e tudo que quis um dia torna-se sujeita, restos mortais de um homem ou criança com uma arma na mão.

Ei Lobão, chorando pelos campos, chorando pelos cantos. Trafego silencioso ouvindo Os Engenheiros, meu sangue se mistura ao asfalto, e o meu império orgulhoso resume-se em um adeus. Odeio injustiça e talvez isso que me faça ir embora, demasiadas vezes, onde a lei não se aplica, o xerife perde posse, morre na mão de uma escopeta, e ainda não é carnaval...

Veja, altas probabilidades de um certo alguém ler estes sinceros parágrafos como a minha primeira obra ou outrem, ler como se fosse a última, o prefácio se misturou ao desfecho. “Dei-me café, eu quero escrever”. Não aprendi a aceitar a esfera terrestre como ela é, houve uma vez, que conheci uma escritora, que mesmo assim não se intitulava, não se rotulava como eu, disse-me numa certa instância que exato logradouro era pouco para mim, falava para um ajudante no campo que seu lugar era no céu, enfurnado num foguete, acreditei, peguei minhas tralhas e deixei as lembranças, histórias e sagas interminadas. Você encontrará.

O sentimento que tenho agora se iguala a um que há muito tempo não tinha, uma angústia tão forte como um balote de calibre 12. Procure, o estrago é grande, ou continue na sua conformidade, acredite, o planeta é diferente além das fronteiras.

A distância sempre me venceu, ficou grafada nas minhas recordações. Deixo a TV ligada, quem sabe todos aqueles que nunca foram voltem para saber se estou bem.

A menina que não podia sorrir encontra o menino que desaprendeu a rir. O encontro foi explosivo. Digno de aplausos.

Deixo minhas obras ininterruptas para os caminhantes da morada, minha bateria antiga para aquela trabalhadora de buffet, e o meu último riso dourado para todas as dunas que decifraram o misterioso luar de fronteira.

Adeus, agora com ponto.

Fim
15/01/15

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.