Memórias: uma não tão longa jornada acadêmica
4 É nóis que voa, bruxão!
Olá querido leitor! Olha eu aqui de novo, a Morgana. Estou me perguntando o porquê de você estar lendo isso aqui. Sério, a vida acadêmica é chata. Mas já que está aqui, vamos falar do meu novo amigo Lui! Ele era muito, mas muito alto mesmo. Bem bonito também e os olhos verdes dele eram encantadores. Eu tenho alguma coisa com os olhos. Não especificamente os olhos, mas o olhar da pessoa me atrai. Vai ver isso tem alguma coisa a ver com aquele ditado que diz que os olhos de uma pessoa são janelas para a alma. E devo dizer que a alma dele era encantadora, doce e suave ao mesmo tempo.
Lui tinha fotossensibilidade e a pele alva dele não ajudava muito, por isso era comum mesmo com o sol escaldante de Natal o ver por aí de casaco escuro. Ele e a noiva, Sabrina, eram wiccanos. Eu só jogava RPG online ao estilo fanfic ded Harry Potter e de Avatar: a lenda de Aang. Foi através dele que descobri o RPG ao estilo Dungeons and Dragons, me apresentou os livros e explicou o básico do jogo. Acho que o Lui era masoquista. Digo isso porque a tal noiva dele era extremamente ciumenta e era enfermeira. Okay, ter uma namorada enfermeira não é razão nenhuma pra dizer que o cara era masoquista, mas o fato de dizer que sente tesão quando ela tirava sangue dele ou quando batia nele, com certeza, é. Lui não disse “tesão”, mas era exatamente o que queria dizer. Os meninos achavam engraçado o fato das meninas (eu inclusa) ficarem envergonhadas com o tema sexo. Principalmente a Lídia e eu.
Não demorou muito pro Igor e a Lídia começarem a ficar. Eu botava mó fé na relação deles dois. Mas eu confesso que tinha uma ligeira quedinha por ele. Mas o meu love platônico era mesmo o Lui. Era só bobeira mesmo de adolescente. Eu me sentia à vontade com ele e nem um pouco pirralha. Acho que ele tinha uns 19 ou 20 anos na época. Sem falar na noiva altamente ciumenta que por sinal era mais velha que ele, então eu não estava nem um pouco a fim de comprar essa briga. Nunca vi os dois juntos e ele parecia daqueles caras mega apaixonados que se tornavam cachorrinhos das namoradas. Mas, não sei e nunca saberei se a recíproca era verdadeira.
Enfim, acho que estou falando demais do Lui.
Lembro com clareza dos pés grandes dele. Sei disso porque numa aula do professor Bertrand, de História do Teatro 1, eu estive a aula inteirinha massageando os pés dele. Não lembro bem o que ele me disse ao final da aula, mas penso que ele percebeu que eu gostava dele para além de um amigo. Só lembro que arregalei os olhos e tentei disfarçar. E como discreto que ele era, apenas sorriu e disse “Tudo bem, ninguém fica sabendo disso”.
Okay, realmente estive falando muito dele o capítulo inteiro, então vamos falar da rainha da sala toda. Ela que também era menor de idade na época (quase metade da turma era mesmo) era exemplo de superação e de melhor caligrafia da sala, Maria Rayane, a rainha da sala toda. Nossa rainha não tinha mãos ou antebraços e mesmo assim tinha a melhor e mais perfeita escrita da sala, era nadadora paraolímpica e estava decidida a descobrir quem era meu amor platônico. Hoje em dia ela é atleta pelo Vasco. Nem sei se chegou a trocar de curso porquê na época ela tava interessada em ir para o curso de Educação Física. Ou será que era a Lídia? Não tenho certeza deste detalhe, mas sei que Maria Rayane tá como nadadora paraolímpica do Vasco da Gama porquê eu acompanho ela no instagram.
Estávamos as duas no circular da UFRN quando:
—Vai Capitu… Me falar quem é seu amor? É o Igor?
—Não, claro que não!
Acho que a Cláudia estava conosco nesse dia, mas ela é assunto pra outro capítulo.
—Então é o Pietro?
—Por favor… Eu vejo ele como o irmão mais velho que eu nunca tive.
—Então só pode ser o Lui. Porquê o curso de teatro praticamente não tem hétero!
E não é que a danada estava certa? Eita cursinho pra ter défict de macho hétero! Obviamente eu desconversei, né? Com a clássica…
—Olha a parada de ônibus da gente chegando Lady Rayane… Bora parar com a conversa?
Isso foi o suficiente pra ela querer bancar a detetive por um bom tempo.
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