“Malu, não quis te ligar, por que sei que não me atenderia. Então aqui você verá a mensagem do mesmo modo. Eu preciso muito conversar com você. Beijo, Lucas”

Não irei recebê-lo. Não sei o que ele quer e nem quero saber. Tudo que vem dele é merda.

Depois dessa, a internet ficou chata. Faz muito tempo que eu não entrava nas minhas redes sociais e ficava altas horas, como antes. Eu ainda não me sinto feliz e completa, mesmo com a ajuda da minha avó Tereza e meus amigos, ainda não estou muito bem. O Thiago chegaria nesse instaante, então vou descer pra esperá-lo.

Quando ele chegou, deu-me o seu caderno com as atividades e nós fomos conversar na varanda.

– Vamos marcar na semana de provas para estudarmos juntos. Não quero que se dê mal nas provas. — Thiago disse, sorrindo, como um anjo.

– Ok! Combinadíssimo! Mas, eu estudo, poxa... – fiz bico e ele o apertou.

– Eu sei boba! – rimos.

– É... Sinto que ele não passará na prova. – dei uma risada maquiavélica, o que fez o Thiago ficar assustado.

– Seu primo? Coitado.

– Preciso de um plano, ele tem que ir embora daqui... Sabe uma pessoa insuportável? É ele, multiplicado ao cubo! — Thiago riu.

– Você não pode ser assim com ele. Isso é ridículo da sua parte. O Gustavo pode ser um cara legal. Eu falei com ele agora e não vi nada de ruim nele...

– Você é inocente demais.

– Um dia quem vai quebrar a cara é você e não ele. To indo pra casa, amanhã leve meu caderno pro colégio. – me deu um beijo na testa e se foi.

A tarde passou voando e eu aproveitei a minha noite para ficar no meu quarto copiando as atividades. E aproveitei para copiar as que eu não fiz ainda. Esperta, sim ou claro?

Fui dormir, por que amanhã tinha aula e eu não posso faltar. Quero foco nos estudos para ver se eu consigo ir embora daqui. Com a minha avó, por que eu ainda sou menor de idade e não sou louca de sair sozinha. Não tenho casa.

Acordei com a minha avó me gritando da porta, saco. Quando levantei, o Gustavo estava dormindo ainda, não creio que todos os dias vão ser assim, ele dormindo tarde todos os dias. E eu não.

– Levanta querida!

– Já vai! – berrei.

– Se arruma que o café ta na mesa.

Tomei meu banho, me arrumei e desci.

– O príncipe Gustavo não vai acordar pro café não?

– Olha as provocações, Malu! Ele vai dormir, não estuda. Então não tem obrigação de acordar cedo como você. Vai, come.

– Afe, isso é injusto sabia?!

– Não, não é. Fica quietinha ai e come! – a vovó tentava ser séria comigo, mas não conseguia. Depois ela vinha e me dava um beijo na testa.

Eu sabia que isso ia acontecer. Ele fica lá na mordomia, dormindo com minha avó, acordando tarde, comendo o que quiser. Mas é por pouco tempo. Ou ele ou eu aqui.

Peguei uma maçã e fui para o colégio.

Chegando lá o Thiago estava com seus amigos. Eu falei com todos, entreguei o caderno dele e fui pra sala. Óbvio que ele veio atrás de mim e me puxou pelo braço.

– Está doido menino?! – gritei. Sim, eu gritei.

– Você está estressada?

– Não. To super bem, olha. – dei um sorriso sínico e saí, mas ele veio atrás.

– Para... Diz o que você tem.

– Nada. Poxa, já disse!

– Beleza então. – ele soltou os meus braços e saiu.

Será que todos estão contra mim? Não entendo. O que eu fiz?

O Thiago entrou na sala com seus amigos e sentou-se em sua cadeira, sem falar comigo. Tive que me atrever a falar se não íamos ficar sem assim por não sei quanto tempo. Ele é orgulhoso e eu, sou mais.

– Está tudo bem com você? – custei dar um sorriso, mas ele não.

– Comigo está, mas já com você...

– O que eu tenho? Estou bem, ótima. O que tem de errado comigo?!

– É o que eu estava querendo saber. Você chegou ali, falou toda fria com todos, jogou o caderno nos meus braços, saiu e não falou nada. Como você quer que eu ache que você esteja bem? E ainda quando vou falar com você, me trata mal.

– Desculpa. Mas o meu jeito é esse.

– Não sabia que você era tão ignorante.

– Mas não sou!

– Foi o que pareceu. Dá pra parar de ser a dona da razão e dizer pelo menos o porquê dessa cara emburrada?! – gritou. Ele gritou comigo!

– Mas...

– Ok. Quando estiver melhor, você fala comigo.

Ele voltou a prestar atenção no que a professora colocava no quadro. Eu nem sei o que era e também não queria saber. Aula vai, aula vem e eu fui para casa. Nem falei com o Thiago.

Chegando em casa, o príncipe já estava almoçando, todo lindinho na mesa com a vovó.

– Oi querida, como foi à aula? – vovó como sempre, sorridente. Uma fofa.

– Péssima! Estou sem fome, depois eu como, certo? Guarda minha comida. Vou subir.

Subi sem ouvir o que minha avó falava com o Gustavo. Provavelmente é sobre mim.

Deitei na cama e peguei no sono total. Acordei às três da tarde, tomei meu banho, almocei e fui fazer meus deveres. Estavam batendo na porta do meu quarto. Eu abri com total ignorância pensando que era o Gustavo. Mas, era o Thiago. Eu disse que o meu orgulho é maior!

Ele veio aqui conversar comigo...

– Oi.

– Posso entrar?

– Ah, entra.

– Você está bem? Pode conversar? Não vai me bater não, né? – rimos.

– Estou sim. Desculpe o modo que abri a porta para você agora. Pensei que fosse o Gustavo — falei sem graça e ele riu.

– Ah, então é isso.

– Isso o que?

– É esse seu primo, o problema. Não vi nada demais nele. Gente boa.

– Claro que ele vai ser gente boa com você né. Mas, ele me provoca muito! Odeio isso!

– Ok! Emburradinha... – apertou minhas bochechas, rindo.

– Para de rir! – tentei ser séria, mas com ele perto de mim, era impossível!

– Não vejo motivo algum pra ficar assim com ele. Acho que deveria conversar com o Gustavo.

– Não, não e não! Deixa assim. Se caso eu te tratar mal ou sei lá o que, é só você ignorar. – ri.

– Vamos dar uma voltinha?

– Tá bom, me deixa guardar essas coisas aqui.

Descemos, falei com minha avó e saí com o Thiago.

Adivinhem com quem eu me bati?

Sim, com ele, o Lucas. Tinha esquecido total que ele vinha me ver.

– Malu?! Já ta assim?

– Não entendi.

– Já está andando por ai com outro? Mal terminamos.

– É seu ex? — Thiago perguntou.

– É. – fiz uma cara nada agradável para ele. Não era pra isso estar acontecendo agora.

– E você o deixa falar assim com você? – perguntou sério.

– Quem é você? Pai da Malu? Opa… Esqueci! — Lucas riu.

– Lucas, quem é VOCÊ pra falar alguma coisa de mim?! Estou solteira e fico com quem quiser. Você e a Mariana podem né?

– Mas eu venho aqui falar com você e já me aparece assim? Um pouco de respeito por mim. Não preciso ver isso...

– Você não tem que questionar nada. Thiago, desculpa vou indo pra casa. Depois conversamos. – já estava chorando por dentro, precisava tirar isso de mim. O Lucas não tem o direito de fazer isso comigo.

– Olha Malu, não sabia que você era assim.

– Não estou entendendo. – homens, sempre acreditam um no outro, não importa quem seja.

– Agora deu pra entender que você só quer ficar comigo... Está esperando o momento.

– Não acredito nisso. Você está misturando tudo! Não cai na lábia desse idiota, Thiago!

– Ela é assim, Thiago. Não consegue ficar sozinha.

–Você vai acreditar nele?! Pelo amor de Deus! – não agüentei segurar o choro, aquilo estava sendo constrangedor.

– Agora ligo os fatos... Você só está assim comigo pra querer ficar e depois me largar, certo?!

– É isso mano, deixa de ser otário, desencana logo.

– Você é um idiota, Lucas. Não é assim que se pede para voltar ou conquistar alguém. Tenho nojo de você! Arrependo amargamente do dia em que fui sua amiga e que namorei você! Seu... MERDA! – chorava muito e não agüentava toda aquela cena no meio da praça. Corri e fui para casa.

Entrei em casa e corri pro meu quarto. Ouvi minha avó e o Gustavo “preocupados” comigo. Mas entrei e tranquei logo a porta.

Como se não bastasse segundos, batem na porta. Não me deixam em paz!

– Não vou abrir! – gritei.

– Deixa de bestagem Malu, abre ai! – era o Gustavo.

– O que você quer?! Deixa-me em paz garoto!

– Para de me ignorar o tempo todo Malu, me diz o que você tem.

– Que saco! – levantei da cama e abri a porta pra ele. Como um simples plano dos dois, a minha avó entrou junto. Sabia que tinha dedo dela.

– O que foi querida?

– Nada não. É que bateu saudade dos meus amigos que me entendiam.

– Aposto pra você que não é isso, vó.

– Não te intromete garoto! É sim. To com saudades da Isa, do Gabe...

– O Thiago, não é seu amigo? Ele não te entende?

– Não. Não fala sobre ele!

A campainha tocou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.