Memórias e Lembranças
4 Capítulo 4
“Malu, não quis te ligar, por que sei que não me atenderia. Então aqui você verá a mensagem do mesmo modo. Eu preciso muito conversar com você. Beijo, Lucas”
Não irei recebê-lo. Não sei o que ele quer e nem quero saber. Tudo que vem dele é merda.
Depois dessa, a internet ficou chata. Faz muito tempo que eu não entrava nas minhas redes sociais e ficava altas horas, como antes. Eu ainda não me sinto feliz e completa, mesmo com a ajuda da minha avó Tereza e meus amigos, ainda não estou muito bem. O Thiago chegaria nesse instaante, então vou descer pra esperá-lo.
Quando ele chegou, deu-me o seu caderno com as atividades e nós fomos conversar na varanda.
– Vamos marcar na semana de provas para estudarmos juntos. Não quero que se dê mal nas provas. — Thiago disse, sorrindo, como um anjo.
– Ok! Combinadíssimo! Mas, eu estudo, poxa... – fiz bico e ele o apertou.
– Eu sei boba! – rimos.
– É... Sinto que ele não passará na prova. – dei uma risada maquiavélica, o que fez o Thiago ficar assustado.
– Seu primo? Coitado.
– Preciso de um plano, ele tem que ir embora daqui... Sabe uma pessoa insuportável? É ele, multiplicado ao cubo! — Thiago riu.
– Você não pode ser assim com ele. Isso é ridículo da sua parte. O Gustavo pode ser um cara legal. Eu falei com ele agora e não vi nada de ruim nele...
– Você é inocente demais.
– Um dia quem vai quebrar a cara é você e não ele. To indo pra casa, amanhã leve meu caderno pro colégio. – me deu um beijo na testa e se foi.
A tarde passou voando e eu aproveitei a minha noite para ficar no meu quarto copiando as atividades. E aproveitei para copiar as que eu não fiz ainda. Esperta, sim ou claro?
Fui dormir, por que amanhã tinha aula e eu não posso faltar. Quero foco nos estudos para ver se eu consigo ir embora daqui. Com a minha avó, por que eu ainda sou menor de idade e não sou louca de sair sozinha. Não tenho casa.
Acordei com a minha avó me gritando da porta, saco. Quando levantei, o Gustavo estava dormindo ainda, não creio que todos os dias vão ser assim, ele dormindo tarde todos os dias. E eu não.
– Levanta querida!
– Já vai! – berrei.
– Se arruma que o café ta na mesa.
Tomei meu banho, me arrumei e desci.
– O príncipe Gustavo não vai acordar pro café não?
– Olha as provocações, Malu! Ele vai dormir, não estuda. Então não tem obrigação de acordar cedo como você. Vai, come.
– Afe, isso é injusto sabia?!
– Não, não é. Fica quietinha ai e come! – a vovó tentava ser séria comigo, mas não conseguia. Depois ela vinha e me dava um beijo na testa.
Eu sabia que isso ia acontecer. Ele fica lá na mordomia, dormindo com minha avó, acordando tarde, comendo o que quiser. Mas é por pouco tempo. Ou ele ou eu aqui.
Peguei uma maçã e fui para o colégio.
Chegando lá o Thiago estava com seus amigos. Eu falei com todos, entreguei o caderno dele e fui pra sala. Óbvio que ele veio atrás de mim e me puxou pelo braço.
– Está doido menino?! – gritei. Sim, eu gritei.
– Você está estressada?
– Não. To super bem, olha. – dei um sorriso sínico e saí, mas ele veio atrás.
– Para... Diz o que você tem.
– Nada. Poxa, já disse!
– Beleza então. – ele soltou os meus braços e saiu.
Será que todos estão contra mim? Não entendo. O que eu fiz?
O Thiago entrou na sala com seus amigos e sentou-se em sua cadeira, sem falar comigo. Tive que me atrever a falar se não íamos ficar sem assim por não sei quanto tempo. Ele é orgulhoso e eu, sou mais.
– Está tudo bem com você? – custei dar um sorriso, mas ele não.
– Comigo está, mas já com você...
– O que eu tenho? Estou bem, ótima. O que tem de errado comigo?!
– É o que eu estava querendo saber. Você chegou ali, falou toda fria com todos, jogou o caderno nos meus braços, saiu e não falou nada. Como você quer que eu ache que você esteja bem? E ainda quando vou falar com você, me trata mal.
– Desculpa. Mas o meu jeito é esse.
– Não sabia que você era tão ignorante.
– Mas não sou!
– Foi o que pareceu. Dá pra parar de ser a dona da razão e dizer pelo menos o porquê dessa cara emburrada?! – gritou. Ele gritou comigo!
– Mas...
– Ok. Quando estiver melhor, você fala comigo.
Ele voltou a prestar atenção no que a professora colocava no quadro. Eu nem sei o que era e também não queria saber. Aula vai, aula vem e eu fui para casa. Nem falei com o Thiago.
Chegando em casa, o príncipe já estava almoçando, todo lindinho na mesa com a vovó.
– Oi querida, como foi à aula? – vovó como sempre, sorridente. Uma fofa.
– Péssima! Estou sem fome, depois eu como, certo? Guarda minha comida. Vou subir.
Subi sem ouvir o que minha avó falava com o Gustavo. Provavelmente é sobre mim.
Deitei na cama e peguei no sono total. Acordei às três da tarde, tomei meu banho, almocei e fui fazer meus deveres. Estavam batendo na porta do meu quarto. Eu abri com total ignorância pensando que era o Gustavo. Mas, era o Thiago. Eu disse que o meu orgulho é maior!
Ele veio aqui conversar comigo...
– Oi.
– Posso entrar?
– Ah, entra.
– Você está bem? Pode conversar? Não vai me bater não, né? – rimos.
– Estou sim. Desculpe o modo que abri a porta para você agora. Pensei que fosse o Gustavo — falei sem graça e ele riu.
– Ah, então é isso.
– Isso o que?
– É esse seu primo, o problema. Não vi nada demais nele. Gente boa.
– Claro que ele vai ser gente boa com você né. Mas, ele me provoca muito! Odeio isso!
– Ok! Emburradinha... – apertou minhas bochechas, rindo.
– Para de rir! – tentei ser séria, mas com ele perto de mim, era impossível!
– Não vejo motivo algum pra ficar assim com ele. Acho que deveria conversar com o Gustavo.
– Não, não e não! Deixa assim. Se caso eu te tratar mal ou sei lá o que, é só você ignorar. – ri.
– Vamos dar uma voltinha?
– Tá bom, me deixa guardar essas coisas aqui.
Descemos, falei com minha avó e saí com o Thiago.
Adivinhem com quem eu me bati?
Sim, com ele, o Lucas. Tinha esquecido total que ele vinha me ver.
– Malu?! Já ta assim?
– Não entendi.
– Já está andando por ai com outro? Mal terminamos.
– É seu ex? — Thiago perguntou.
– É. – fiz uma cara nada agradável para ele. Não era pra isso estar acontecendo agora.
– E você o deixa falar assim com você? – perguntou sério.
– Quem é você? Pai da Malu? Opa… Esqueci! — Lucas riu.
– Lucas, quem é VOCÊ pra falar alguma coisa de mim?! Estou solteira e fico com quem quiser. Você e a Mariana podem né?
– Mas eu venho aqui falar com você e já me aparece assim? Um pouco de respeito por mim. Não preciso ver isso...
– Você não tem que questionar nada. Thiago, desculpa vou indo pra casa. Depois conversamos. – já estava chorando por dentro, precisava tirar isso de mim. O Lucas não tem o direito de fazer isso comigo.
– Olha Malu, não sabia que você era assim.
– Não estou entendendo. – homens, sempre acreditam um no outro, não importa quem seja.
– Agora deu pra entender que você só quer ficar comigo... Está esperando o momento.
– Não acredito nisso. Você está misturando tudo! Não cai na lábia desse idiota, Thiago!
– Ela é assim, Thiago. Não consegue ficar sozinha.
–Você vai acreditar nele?! Pelo amor de Deus! – não agüentei segurar o choro, aquilo estava sendo constrangedor.
– Agora ligo os fatos... Você só está assim comigo pra querer ficar e depois me largar, certo?!
– É isso mano, deixa de ser otário, desencana logo.
– Você é um idiota, Lucas. Não é assim que se pede para voltar ou conquistar alguém. Tenho nojo de você! Arrependo amargamente do dia em que fui sua amiga e que namorei você! Seu... MERDA! – chorava muito e não agüentava toda aquela cena no meio da praça. Corri e fui para casa.
Entrei em casa e corri pro meu quarto. Ouvi minha avó e o Gustavo “preocupados” comigo. Mas entrei e tranquei logo a porta.
Como se não bastasse segundos, batem na porta. Não me deixam em paz!
– Não vou abrir! – gritei.
– Deixa de bestagem Malu, abre ai! – era o Gustavo.
– O que você quer?! Deixa-me em paz garoto!
– Para de me ignorar o tempo todo Malu, me diz o que você tem.
– Que saco! – levantei da cama e abri a porta pra ele. Como um simples plano dos dois, a minha avó entrou junto. Sabia que tinha dedo dela.
– O que foi querida?
– Nada não. É que bateu saudade dos meus amigos que me entendiam.
– Aposto pra você que não é isso, vó.
– Não te intromete garoto! É sim. To com saudades da Isa, do Gabe...
– O Thiago, não é seu amigo? Ele não te entende?
– Não. Não fala sobre ele!
A campainha tocou.
Fale com o autor