– Quem é esse primo? Posso ficar sim, vou pedir pra o Thiago anotar o que teve e depois me passar.

– É o Gustavo. Tem 17 anos e veio de São Paulo. Vai passar uns dias aqui. — vovó disse, sorrindo. Apesar de não querer que ele viesse, por não ter mais espaço aqui, queria conhecer esse meu primo.

– Ah... 17? E eu preciso ficar aqui?

– Precisa. Ele não sabe como chegar aqui ainda. Então você vai buscá-lo no aeroporto. Darei o dinheiro do táxi pra ir e voltar.

– A senhora não pode ir? — Já estava estressante isso. Ele, com 17 anos, não podia se virar.

– Como eu disse, vou sair. Preciso resolver uns assuntos no banco. Coisa sua. Se quer tanto ir ao colégio, por causa do Thiago, eu arrumo um outro jeito, então. Obrigada pela ajuda.

– Não, vó. Calma! É claro que eu vou. Sem problemas... – sorri sem graça.

– Obrigada — vovó sorriu — o café está na mesa.

Tomei meu café vendo a novela e depois subi pro meu quarto pra estudar um pouco. Era umas sete horas da noite, e minha vó ia para igreja com a dona Dalva. Como era a primeira vez que ela saia e me deixava sozinha, à noite, começou a preocupação.

– Vamos, você vai ficar na casa do Thiago.

– O que?! Eu fico sozinha aqui vó, qual foi.

– Qual foi que eu me preocupo com você. Vamos! O Thiago vai estar lá pra te fazer companhia — vovó sorriu.

– Ohhh, ótima companhia. — era ótima mesmo, mas eu queria ficar sozinha. Amo ficar só.

– Sem chiar! Sei que você quer. Vamos, estou atrasada.

O Thiago que abriu a porta, e por sinal, vou lhe contar... Ele estava lindo.

A vovó explicou para ele o motivo de me deixar lá, o que fez todos rirem. Já falei pra vocês o quanto minha avó é esperta? Sim, ela é esperta demais. E eu sei o que ela trama às vezes. Dessa vez acho que sei também o que ela ta tramando. Danada.

– A senhora também vai dona Dalva?

– Sim.

– Poxa, fico sozinha direto quando morava no Green! — estava quase dando um ataque.

– Agora você está sob minha responsabilidade. Vai ficar aqui com ele! Pode ser, querido?

– Vó...

– Hein, Thiago? — Vovó dizia, rindo. Ela sabe provocar.

– Pode sim. Claro. — Thiago disse, sorrindo.

– O.k. Tchau crianças, daqui a pouco estamos chegando. — vovó disse.

– Vó, para né?!

– Tchau dona Tereza... Vai com Deus. — Ai... O Thiago é muito fofo.

Depois de nos despedimos das nossas avós, entramos em sua casa. Eu estava muito desconfortável, então me sentei no sofá e esperei ele falar comigo.

– Sua vó é engraçada. – sentou ao meu lado e ligou a TV.

– Ela é esperta. Isso sim.

– Como fala assim da sua avó? – riu.

– Eu conheço a peça.

– Entendo. Achava isso da minha avó também, mas sei que ela quer meu bem. Quer fazer brigadeiro? Eu não sei fazer.. Mas, tenho certeza que você sabe! — riu — eu coloco um filme e nós assistimos. Enquanto elas não chegam.

– Legal! Posso fazer?

– Pode sim. Fique a vontade na cozinha. – sorriu — enquanto isso, irei escolher um filme.

– Beleza. Mas, por favor, que não seja de terror.

– Poxa, vai ter que ser de terror mesmo. São os únicos que assisto. — riu.

– Eu tenho medo! — gritei, já da cozinha.

– Não precisa ter medo. Posso te abraçar nas partes em que você não quiser assistir. — Me derreti toda e dei um largo sorriso. Ainda bem que estava na cozinha e ele não pôde ver. Seria um micasso.

Sentei ao seu lado no sofá e vi que ele tinha colocado um filme de terror mesmo, como tinha dito.

– Não acredito... É de terror mesmo?!

– Eu não tenho outro. Sério. Só assisto filmes de ação, terror... Tem até uns aqui do Harry Potter, mas...

– Eu odeio! — rimos.

Qualquer parte que me assustava, eu o abraçava. Era por impulso mesmo, mas acabava ficando com vergonha. Como tinha muito terror no filme, fiquei o tempo todo abraçada nele e acabei cochilando em seu peitoral.

– Acorda bela adormecida...

– Desculpa, Thiago. Sério. – sorri sem graça. Que mico!

– Tudo bem. Mas se não se importa, eu comi o brigadeiro todinho. — ele riu e eu poderia brigar com ele por isso, mas não consegui. Tive que rir também.

– Tudo bem, não queria mesmo.

Minha avó tinha chegado. Eu já tinha conversado um monte com o Thiago e já sabia muito sobre ele. E ele sobre mim.

– E ai Malu, vamos? — vovó sorriu, percebendo que eu estava muito feliz por ter gostado de estar com Thiago

– E ai, cuidou bem da minha menina?

– Cuidei sim, dona Tereza.

– Isso mesmo! Agora posso deixar ela aqui sempre. — minha avó já estava começando a exagerar. Eu queria ter um tempo sozinha em casa.

– Vou adorar! — sorriu e olhou pra mim. Fiquei com vergonha e até descartei qualquer possibilidade de ficar sozinha em casa.

Assim que cheguei em casa, dormi logo. Acordei e lembrei que hoje eu não tinha aula, pois ia buscar meu primo. O Gustavo. Eu estava louca para conhecer ele e saber como era. Será que é bonito? Feio? Magro? Gordo? Forte? A vovó está fazendo tanto mistério, que fui logo falar com ela.

– Que bom que acordou. Vai se arrumar. — vovó estava fazendo o café.

– Agora?

– Sim. Ele já ligou. Saiu faz tempo de lá. Então vai logo, por que não demora muito de avião.

– Eu só sei o nome dele, aonde ele veio e a idade. Como eu vou achar ele? – perguntei numa curiosidade imensa.

– Vai se arrumar, depois te falo.

Pra quê tanto mistério pra contar? Tomei banho, me arrumei, desci e tomei o café. Já eram 7 horas. E minha avó disse que ele chegava mais ou menos esse horário.

– Vamos Malu, irei te levar ao táxi. Já está na porta.

– Mas vó... Eu nem sei como é o meu primo! — imagina eu chegar no aeroporto sem saber quem é o garoto?

– Ah, esqueci de falar do principal. – rimos — Então, ele me disse que está com uma camisa regata branca e uma bermuda. Ele é loiro e um pouco só mais alto que você. — Já vi que é gatão — E ele me enviou essa fotografia dele, se você não conseguir reconhecer... Podem ter outras pessoas com a mesma roupa — Meu Deus! É mais gato do que eu pensava... É gostoso.

Assim que cheguei ao aeroporto, liguei para a vovó.

– Vó! E ai, ele já chegou?! — estava muito ansiosa para conhecê-lo.
– Já sim. Ele está na parte de desembarque. Qualquer coisa me liga, eu já disse a ele como você está. — Beleza.

Corri para o desembarque e percebi que estava vazio. Ia ser mais fácil para achar o gos... O meu primo. Perguntei para o segurança se o ônibus para São Paulo tinha chegado e ele me mostrou o caminho. Assim que cheguei, vi um garoto com a roupa igual ao que a vovó me contou, agachado, pegando suas malas.

– Ei, você! — cutuquei ele.

– Oi. Você é a Malu, certo? — sorriu.

– Sim. Pelo visto você é o Gustavo, meu primo. — rimos e nos cumprimentamos. Ele é bem cheiroso.

O ajudei com as malas e fomos até o táxi. Confesso que tinham muitas malas para quem vai fazer só uma prova. Assim que chegamos em casa, ele colocou suas malas no quarto da vovó e desceu, dizendo que estava com fome. Estava super desconfortável com ele por perto. Não sei se é por que não o conheço, ou pela sua beleza.

– Então... Não precisa ficar com vergonha não, linda. – sorriu. Não sabia que tinha um gato desses escondido na minha família.

– Sou um pouco tímida, desculpa. – sorri de canto, mas é mentira. Não sou nem um pouco — então... Você disse que está com fome, certo? — ele assentiu com a cabeça — a vovó disse que queria que almoço fosse com nós três juntos... Sabe como é — rimos — e já que não quer esperar, pois não sei que horas ela volta do banco, tem aqui no armário e na geladeira, coisas que a gente come aqui. Pode se servir.

– Legal! Posso dizer que sou da casa, né?

– Ué. Claro que pode! – ri.

– Talvez eu more aqui. Mas, só se eu passar na prova. Vim só pra fazer mesmo. Ai se eu passar, venho pra cá. – sorriu.

– Legal! – sorri.

Então ele pegou um salgadinho com suco, sentou no sofá, ligou a TV e botou no canal de futebol. Já vi que se ele morar aqui vai ser assim o dia todo. Não quero mais que ele passe nessa prova. Desculpa. Pelo visto, minha avó vai dar dengo a ele e eu vou ser deixada de lado.

Sentei ao seu lado e fiquei sem jeito. Ele tava com os pés no sofá. Minha avó odeia isso, mas não sabia como reclamar com ele. Parecia estar tão a vontade...

– Então, Gustavo. Eu vou na casa de um amigo, pode ficar a vontade, tá?

– Mas minha avó disse pra você ficar comigo, aqui. – fez bico. Chato...

– Acho que você é grandinho demais pra precisar de alguém pra ficar com você. – Estava irritada com ele. De verdade, se ele continuar assim, vou pegar ar.

– E se minha avó chegar e te ver fora de casa, hein?

– Não vai ter nada. Ela sabe onde eu estou.

– Mas poxa, sou visita. Não me deixe só!

– Ai garoto, para! Lembrei que não vou mais. Ele está no colégio agora. Mas, eu vou pro meu quarto.

– Só uma pergunta... — não aguentava mais ouvir sua voz. Pensei que ele fosse legal. Mas é o que dizem... Beleza não se põe a mesa.

– Hum. Diz.

– Onde eu vou dormir?

– Isso você só com a minha avó. Fica à-vontade. Se quiser pode comer mais.

Essa casa só tem dois quartos. Onde minha avó vai colocar esse menino?

Liguei o computador e fui pro MSN. O Lucas estava online e no sub-nick dele tinha assim: “Mariana, te amo demais minha linda S2.”.

Tenho que tratar de esquecer ele logo. Não sei por que, mas o Thiago estava online. Resolvi falar com ele. Pensei que ele fosse pro colégio.

Malu. diz: Ei, não foi pro colégio hoje?
Thiago diz: Estou no colégio. Mas, está em aula vaga ai eu estou no celular. Por que não veio?
Malu. diz: Ah sim. Pensei que tinha faltado aula. Logo você o nerd HAHAHAHAHAHA brincadeira. Então, fui buscar meu primo no aeroporto, pois minha avó foi resolver umas coisas. Falei mesmo com você pra saber o que teve hoje.
Thiago diz: Nada de interessante. Nem dá pra falar muito aqui. De tarde eu posso passar ai?
Malu. diz: Pode. Afe, estou cansada desse meu primo aqui, ele é um gato sabe, mas o que tem de lindo por fora por dentro é um crianção.
Thiago diz: Hahaha. Conheço desses. Bom, vou sair. Te vejo depois. Beijos.
Que estranho.

Quando fui até a sala, o Gustavo tava dormindo no sofá. Tadinho... Devia estar muito cansado.

Liguei para vovó para saber onde ela estava. Preciso dizer como ele está se comportando. Ela precisa conversar sobre os modos dele. — Ta, como se fosse adiantar e também, ele não estava se comportando mal. Eu que estava sendo idiota.

– Oi vó. Vem que horas? Estamos com fome.
– Oi querida, estou perto já. E ai como está com o seu primo? Gostando? Lindo ele não é?
– Tudo péssimo, ele é ridículo. — mentira.
– Já começou os ciuminhos? – riu — conversamos quando chegar.
– Acalme-se, minha querida.
– Minha querida, minha querida... E ele, você vai chamar de que? Em vó?
– Cheguei. Abra pra mim. — riu.
Ela já chegou rindo e o Gustavo estava a dormir ainda. Então a vovó veio de mansinho e chamou o Gustavo de meu neném. Depois olhou pra minha cara e viu que eu não estava gostando de nada disso. O Gustavo acordou com um sorriso de bebê. Trágico.

Levantou-se e abraçou minha vó num pulo.

– Saudades vovó! Quanto tempo não é?! — sorriu. Parece que faz muito tempo mesmo que não se vêem.

– Sim, meu neném – riu — a Malu morre de ciúmes de você. Acho que vai ter briga entre vocês. – riram.

– Relaxa, minha linda! Não quero competir com você. Mas ela também é minha avó. — sorriu e levantou-se me dando um abraço por trás. Confesso que me arrepiei com seu... Abraço -

– Que fofo são esses meus netos que amo. – veio e nos abraçou. Até gostei desse momento "família".

– Chega, chega de melação!

Rimos diante daquilo tudo. Mas, eu ainda continuo com ciúmes e achando ele um chato. Fomos para a cozinha almoçar. Minha vó colocou os nossos pratos e comemos rindo muito das histórias que o Gustavo contava. Estava tentando ser simpática com ele na frente da minha avó. Se não perderia pontos com ela.

– Ô vó...

– Diz, querida.

– Hoje o Thiago vem pra cá. Ele vai me entregar atividade que teve hoje. Já que eu não fui por que tive que ficar com o meu primo. — dei aquela olhada básica para o Gustavo.

– Visitas? Adoro! — ele sorriu. Chato.

– É, mas são pra mim. – sorri.

– Malu... — a vovó já estava começando a defender o Gustavo. Ódio!

– O que é? Ele fica se intrometendo onde não foi chamado.

– Terminei aqui. Vó, estou um pouco cansado da viagem. Eu queria descansar um pouco. Onde posso dormir?

– Para que a Malu não faça um inferno aqui, você dorme comigo, certo? Coloque suas malas no meu quarto. Depois nós arrumaremos.

– Se você quiser Gustavo, pode ficar no meu quarto.

– Obrigada pela bondade, Malu. Mas, eu sei que você quer dormir com a vovó.

– Não é isso. Mas pelo fato de eu ser mulher acho que seria melhor eu dormindo com minha avó. Você pode ficar no meu quarto.

– Não, obrigada. – sorriu — Ei vó, vou descansar um pouco. À noite conversamos. – beijou o rosto da minha avó. Eu estava só esperando um beijo dele. No rosto — Tchau Malu, acho bom você dormir também, para ver se acorda mais legalzinha. – deu um tapinha no meu ombro. Idiota -

Garoto imbecil. Minha vó só ficava rindo, cansei dessa humilhação. Ela estava achando isso lindo. Subi para o meu quarto e fui para o computador. Quando abri o MSN já tinha uma mensagem do Lucas.

O que ele quer? Pensei que estivesse me esquecido.