Memórias de uma vida

28 Aniversário de Pietra


— Oi Ed. – eu a encarava.

— Oi Susan. – ela sorriu e se afastou revelando mais duas pessoas atrás dela, eram os Flanagan, Susan era a irmã adotiva de Liz.

— Podemos entrar Ed?

— Sim, claro. – liberei passagem para os três. – Sentem-se. – apontei para o sofá e assim que eles passaram eu fechei a porta e fui me juntar a eles.

— Como você esta Ed? – falou Susan.

— Agora um pouco melhor, mas estou vivendo e vocês como estão Senhor e Senhora Flanagan?

— Estamos bem, apenas vivendo. – repetiu Roger pai de Susan.

— Pai. – Susan olhou para ele. – Ed desculpa o jeito do meu Pai, ele ainda não esta bem.

— Eu sei, desculpa perguntar Senhor Flanagan.

— Cadê a Pietra? – perguntou Marta Flanagan.

— Ela foi à vizinha mostrar um violino que ela ganhou.

— Ótimo, então vamos ao que realmente interessa. – Roger falou, e eu o olhei. – Queremos lhe entregar isso. – ele me passou um caderno, ou melhor, uma agenda.

— O que é isso?

— É algo para você ler Ed. – disse Susan.

Eu abri a agenda, e a primeira coisa que vi foi à letra que reconheci ser da Liz, e todas as páginas haviam datas escrita a caneta, então constatei ser um diário.

“Hoje acordei decidida a melhorar por minha filha, mesmo que ela não saiba o quanto eu tento ser a melhor Mãe do mundo, preciso fazer isso por ela.”

Fui passando as páginas, e lendo aleatoriamente.

“Hoje senti falta do meu casamento, a forma como Ed e eu vivíamos era mágico, as noites em frente a televisão e as tardes que ele tocava violão para mim, era como renovar nosso amor a cada dia...”

E nas últimas folhas eu li.

“Sinto uma sensação estranha, sinto que não irei ao aniversário de 7 anos de Pietra, nas últimas semanas senti que estava sendo perseguida, eu não sei por quem, só que todas as vezes que viro para procurar quem é, não vejo ninguém. Se caso eu algo aconteceu comigo e alguém encontrou esse diário, por favor entregue a minha família e deem a Pietra a carta que esta na última folha, é para o seu aniversário de 15 anos.”

Eu não sabia o que dizer depois de ler, então passei as páginas e fui até a última onde encontrei a carta, a tentação em abrir era enorme, mas não fiz apenas a peguei e devolvi o diário para dona Marta.

— Ed, desculpe por nós nos comportarmos assim, é difícil perder uma filha e creio que você pode entender já que se algo acontecesse com Pietra você irei se parecer conosco agora.

— Eu entendo Senhor, mas não quero que ache que joguei a Liz em um canto e...

— Não Ed, nós não pensamos nisso, até porque o diário deixou claro tudo o que aconteceu e graças a ele nós, tanto eu quanto Roger entendeu o que você fez e gostamos mais de você agora. – ela sorriu.

Antes que eu pudesse falar algo, Pietra entrou e quando viu seus avós correu de encontro a eles, os abraçando forte.

— Vovô, Vovó que bom que vieram para o meu aniversário.

— E eu aqui? – falou Susan.

— Tia Susan. – ela correu e abraçou a tia.

— Vocês vão ficar para a festa?

— Eu vou. – disse Susan.

— Nós dois temos que ir cedo. – disse Roger.

— Ok então. – sorri.

— Oba, tia Susan vem ver meu quarto. – ela puxou Susan equilibrando o Violino enquanto segurava a barra da blusa dela.

Os Flanagan ficaram mais alguns minutos comigo na sala e depois foram ao quarto de Pietra entregar presentes e se despedirem, e assim foram embora ficando apenas Susan.

— Susan vai querer algo?- perguntei da porta de Pietra.

— Não Ed, estou muito satisfeita com a comida do restaurante.

— Restaurante?

— É Papai, o meu restaurante. – as duas estavam sentadas no chão brincando.

— Ah Ok, estarei na sala então.

Quando a noite caiu, os convidados já estavam em minha casa, só faltava meus pais, meu irmão e Sophia. Pietra brincava com Susan, a vizinha e Nick no quarto, enquanto eu conversava com Stu e Sarah.

— Então quer dizer que eles vieram aqui? – perguntou Stu.

— Sim, e eu achei que iam exigir algo do tipo a guarda da Pietra.

— Ainda bem que não né Ed, não imagino você sem ela.

— Isso é Sarah.

— Olha quem chegou. – apontou Stu.

— São meus pais.

— Oi querido. – disse minha mãe me abraçando.

— Oi Filho. – falou meu pai.

— Oi, cadê o Matt?

— Esta me procurando ruivão! – disse ele logo atrás do meu Pai.

— Oi, sim só queria confirmar se você veio comer.

— Pode apostar. – sorriu ele.

— Ei Ed, a Pietra quer saber se já pode se arrumar. – perguntou Susan.

— Pode sim.

— Susan? – meu irmão foi para perto dela.

— Oi Matthew.

— Como você esta?

— Bem e você? – perguntou ela.

— Ei. – sussurrei para Stu, Sarah e meus pais me olharem e assim fiz um sinal para se afastar e foi o que fizemos.

O resto da noite foi muito legal, rever amigos, parentes e ver que minha filha estava contente com tanta gente, seus amigos estavam ali e brincavam e volte e meio minha mãe falava.

— Não corre criançada. – minha mãe sendo minha mãe.

Matthew e Susan não paravam de conversar, não sei se havia um passado entre os dois, mas estava começando achar que haveria um futuro muito próximo. E quando eu menos esperava chegou Sophia, ela trazia uma pequena caixa, e olhava para os lados e assim que me viu veio em minha direção.

— Oi.

— Oi Sophia.

— Trouxe um presente para a aniversariante.

— A claro. – me virei para o outro lado. – Pietra, vem aqui.

— Sim Papai. – ela veio correndo. – Sophia!

— Oi linda, parabéns. – entregou o presente e abraçou a pequena.

— Obrigada. – ela abriu o pacote revelando um mini violino em cima de uma caixa de música. – Que lindo.

— Espero que tenha gostado querida.

— Sim, amei Sophia. – ela abraçou novamente. – Eu vou guardar. – e saiu para o quarto.

— Que bom que você veio, achei que esqueceu da gente.

— Esquecer? É difícil, sua mãe me ligou direto até eu confirmar que viria sim.

— Ah, minha mãe. – sorri.

— Senti saudade. – ela me abraçou.

— Nem me fale em saudade. – dei um selinho nela e ela riu.

Minutos depois cantamos parabéns para Pietra, e cortamos o bolo e incrivelmente a minha filha deu o primeiro pedaço para Sophia, deixando todos impressionados. Eu olhava Sophia e então percebi que deveria avançar alguns passos com ela.