Memórias de um apocalipse

2 Um péssimo sonho, ou não...


Notas iniciais
Eu sumi um pouco por causa dos feriados, mas vou tentar postar mais regularmente

Acordei no meio da noite, não que isso fosse novidade, já que ninguém dormia direito. Eu continuava na van, só que em cima de uma fileira, a da frente. Levantei e olhei para trás e vi Camila dormindo de costas para mim. Não sabia se ela estava acordada, então sussurrei seu nome. Nada. Resmunguei um ‘’tudo bem’’ e suspirei. Não era assim diferente todas as noites. Camila era mais nova, portanto não se preocupava muito com o que estava acontecendo.

Exatamente, não sabemos quando começou ou se um dia vai terminar. Fomos avisados deles com algumas semanas de antecedência. Mas isso não ajudou muito. Eles vieram, os zumbis, destruindo tudo e todos que encontravam pela frente. Então nós fugimos, para o sul, eu acho, meu senso de direção é uma porcaria. Se você me pedir pra onde é a esquerda, eu não vou saber te dizer. Sendo sincera, eu não faço a menor ideia de onde estamos agora.

Resumindo, eu passei três meses seguindo os meus pais para onde quer que seja, pois nós temos que fugir deles, a única coisa que importa é sobreviver.

Ando pé ante pé pelo piso frio, para abrir a porta da van onde os adultos ficavam para vigia silenciosamente. No que eu sempre falhei, pois a minha delicadeza é a de um elefante em uma loja de porcelana. Mas, antes de abrir a porta, ouvi vozes:

– Não podemos mantê-las aqui por muito tempo- alguém disse, era Bóris, ele estava sentado em um pedaço de tronco, segurando um machado, e disse aquilo como se tudo já estivesse ensaiado por uma semana.

Quis então ver o que estava acontecendo. Fui até uma das janelas e abri uma fresta. Minha mãe e Luiza choravam intensamente, até que minha mãe se manifestou:

–Seu monstro sem coração. Como você ousa?- nunca vi minha mãe assim, tão desesperada e gritando com Bóris, quem costumava ser nosso vizinho.

–Se quer simplesmente enxota-las nós vamos junto!- emendou Luiza, indignada.

–Vocês não vão a lugar algum- completou Bóris e levantou-se do tronco andando de um lado para o outro e parou em frente à minha mãe e Luiza, abriu um sorriso que eu julgaria como sádico, e disse, suavemente como se fosse um segredo:

–Saiba, meu doce-Meu doce? Como assim meu doce? Minha mãe não é seu ‘’doce’’-que é assim ou meu amiguinho aqui- ele apontou o machado na direção da van- vai encontrar a cabeça de inocentes.

Eu não entendi no momento, mas bastou para que elas baixassem a cabeça e assentirem para cair em prantos.

Eu não sabia sobre o que era. Mas de repente as coisas ficaram claras, era só um pesadelo, ou alucinação, eu já tive desses! Então voltei para a ‘’cama’’ e tentei dormir, pois eu acredito que se deitamos para dormir num sonho, acordamos no mundo real.

Notas finais
Parte 3 em breve...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.