Memórias de Uma Lembrança Esquecida
1 Capítulo 1: May
Notas iniciais
Acho que não tenho nada a dizer.
Mal posso acreditar, quando fiquei sabendo, senti meu coração bater tão forte, e ao mesmo tempo tão devagar, como se eu pudesse a qualquer instante cair morta a qualquer segundo. Charlie sofrera um acidente de carro, e ainda por cima, o carro explodiu. Isso não deveria ter acontecido, não a ele. Corri para o hospital em que ele estava, e quando cheguei, a moça da recepção me avisou que ele estava em cirurgia. Charlie é um cara bom, bom demais para morrer.
Lembrei do dia em que o conheci, quando eu tinha me mudado de casa, para um ao lado da dele.Era um dia nublado, minhas coisas haviam sido empacotadas com antecedência, esperava apenas o antigo morador me ligar falando que já acabara de desocupar a casa. Ela não era grande, mas também não mínima, em sua entrada havia uma velha cerca de madeira, antigamente pintada de branco, mas agora desgastada com a ação do tempo. Havia também um gramado verde, bem cuidado, e pedras formando o caminho da cerca ate a porta como no filme “O Magico De Oz”, no qual eu seria Dorothy, toda vez que quisesse entrar ou sair de casa. Isso não era algo bom, mas também não tinha nada contra, costumava a gostar bastante deste filme em minha infância. O antigo morador me ligou, avisando que eu já poderia levar minhas coisas. Não era muito, mas era o que eu tinha.Cuidadosamente, levei as meia dúzias de caixas e empilhei-as no carro. Chagando lá, estacionei na calçada, pois não havia garagem, e não gostaria de estacionar na grama que foi tão bem cuidada. Respirei fundo, sai do carro, e fui levando as caixas. Quando cheguei na penúltima, reparei que algo me observava. Lentamente virei minha cabeça e vi um cara parado, aparentemente meu novo vizinho, me encarando. Esperei um “Bom Dia”, “Seja bem-vinda” ou até mesmo um “Não faça barulho, tenho de acordar cedo todos os dias”. “E ai, princesa?” – Foi o que ele disse, superando minhas expectativas do limite de criatividade dele. Olhei para ele, e disse com um ar sarcástico “Olá princeso”. Ele riu. Ria como se fosse uma criança que pela primeira vez viu um objeto chacoalhando e fazendo barulho. Ele me ajudou com a caixa que sobrou, e também a desempacotar todas as outras. Agradeci, e ele insistiu em me levar em um café, a qual ele considerava a melhor da região. Ele resolveu dirigir. Não deveria ter deixado. Ele dirigia como se quisesse atropelar a todos os pedestres e bater o carro tragicamente. Por sorte, o café era bem perto. Acho que se eu tivesse de ficar mais um tempo lá dentro, para eu não me machucar no acidente que teria, seria menos doloroso ter me jogado de carro a 110 km/h direto no asfalto.Quando entrei, logo me senti confortável e acolhida. O doce aroma de café sendo preparado, pessoas falando de suas vidas e seus problemas. Sentamos em uma mesinha e esperamos a garçonete nos atender. Pedimos dois cappuccinos, um com canela, e o outro sem. Ela anotou o pedido e foi embora com seu avental que cheirava a pó de café e nata. Após alguns minutos, eu disse “Acho que não nos apresentamos ainda” ele olhou em meus olhos, deu um sorriso, estendeu sua mão e disse “Certamente. Prazer, meu nome é Charlie, também conhecido por princeso em minhas horas vagas”O médico chegou. O clima estava tenso naquela pequena sala de espera, como se tudo o que eu sentia estivesse pairando pelo ar.
Notas finais
O próximo capítulo provavelmente sai semana que vem, se quiserem que eu continue a escrever.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor