Notas iniciais
Olá gente!! A história remete a alguns personagens de uma série de TV que assisto, mas a história não vai ter nada a ver com ela, apenas a fisionomia dos personagens e seus respectivos nomes. Espero que quem esteja acompanhando esteja gostando!!

Adentrei a grande porta de madeira do castelo em que se instalava a IBS, meu novo colégio. A grande, e antiga, porta de madeira, fez com que eu adentrasse o saguão de recepção mais belo que eu já tinha visto. Como eu recordo apenas do saguão do hospital e da área vip do aeroporto, não precisaria muito para me encantar. Todavia, esse saguão era realmente incrível – Branco e marrom com pilastras de mármore, muito altas. O local estava cheio de adolescentes e pais, o que fez eu me sentir sozinha. Logo afastei a tristeza da cabeça e tratei de me preocupar comigo, de me acomodar. Avistei a recepção e logo me dirigi até lá.

— Oi – Pigarrei tímida pra moça da recepção – Eu gostaria de saber sobre o meu alojamento.

— Olá – ela deu um sorriso enorme, muito simpático – eu preciso que você preencha esses papéis com o seu nome para eu dar continuidade no sistema. – A simpática moça ruiva me entregou uma prancheta com uma folha e uma caneta. – Meu nome é Clarice, qualquer coisa estarei aqui. – Terminou, me mostrando uma cadeira a sua frente, e foi nessa cadeira que me sentei.

NOME: Lorena Eliss

DATA DE NASCIMENTO:

IDADE: 17

GRAU DE ENSINO: último ano

CARTEIRA DE IDENTIFICAÇÃO:

ASSINATURA DO ESTUDANTE:

ASSINATURA DO PAI OU RESPONSÁVEL:

Foram os únicos campos que fui capaz de responder. Aquela circular me deu vontade de vomitar. Como que eu teria assinatura de um responsável? Eu sabia que aquele lugar não era pra mim. Me levantei, entreguei o papel para a Clarice e sai bufando, quase chorando, daquela escola, até as escadarias do lado de fora. Foi quando encontrei Joe estacionando o carro e descendo, vindo em minha direção. Meu deus, será que descobriram mais alguma coisa sobre o meu acidente e era algo urgente? ? ?! Me pus em pé, secando as lágrimas.

— Ei pequena – Joe disse me abraçando – Desculpa, esqueci que eu tinha uns papéis para assinar. – Nunca me senti tão aliviada em ver Joe.

— Realmente, você esqueceu. Já estava desistindo em me formar no ensino médio. – Dei de língua e fomos voltando para recepção, onde eu havia largado minhas malas e a circular que eu deveria preencher. Clarice me avistou, e novamente, abriu o sorriso.

— Lorena, já estava me perguntando de você. A senhorita não terminou de preencher seu formulário – Meio envergonhada eu peguei o papel da mão da moça e a agradeci.

— Aqui, Joe. Obrigada por me salvar – Dei um grande abraço naquele angolano.

Joe preencheu todos os papéis, entregou-os para Clarice, que como retribuição, lhe deu uma chave e um novo papel, mas dessa vez todo preenchido por comunicados. Joe se aproximou de mim, me puxou pro lado e me olhou com um olhar de ‘’pai’’

— Lorena, não se assuste em seu primeiro obstáculo. Você vai estar segura aqui. – ele falava isso me segurando pelos ombros – e já sabe, qualquer coisa é só me ligar.

— Obrigada Joe – naquele momento senti um pouco menos sozinha.

— Te vejo daqui a duas semanas, Lor. – olhei estranha pra ele – Reunião de pais e responsáveis – Joe deu uma gargalhada, se despediu de mim e foi embora, mais uma vez.

******

Joe me deixou com a chave a circular que Clarice havia lhe dado. Analisei a chave. Normal, lisa e sem informações. Analisei a circular, muitos anúncios, mas no fim havia o número do meu quarto: 240. Bateu uma tontura muito forte, quase como se fosse uma dor de cabeça... senti tudo ficando mais quente, mais escuro, e do nada sentia meu corpo no chão... eu apaguei.

Eu acordei numa maca. Pelo amor de deus, hospital de novo não, não, não. Ainda estava de olhos fechados mas eu ouvia algumas vozes, desconhecidas.

— O que ela tem? Ela vai ficar bem? – Parecia ser a voz de um garoto

— Vai sim, ela só precisa descansar. Ela não bateu a cabeça, então logo deve acordar. – Essa era a voz de uma mulher, provavelmente uma enfermeira.

— Pelo menos isso. Vou esperar ela acordar. -houve uma pausa- Tem algum problema Sra.Giordina? – Com certeza era um garoto, e um garoto com uma voz deliciosa.

— Nenhum, senhor Boutmore. Mas espere ai, sentadinho. – A moça parecia que tinha saído do ambiente, pois ouvi alguns passos. Assim, eu abri meus olhos com a intensão de procurar o ‘’ Senhor Boutmore’’. Não precisei de muito esforço, ele estava sentado numa poltrona a minha frente, com os olhos vidrados no chão.

— Senhor Boutmore? – Minha voz estava muito rouca, mas ele escutou e subiu seu olhar.

— Pode me chamar de Dylan. – Ele disse, se levantando e se pondo ao meu lado, de pé. Ele era alto, moreno, olhos castanhos e dono de uma pele pálida, mas linda.

— Ok.. Dylan – Dei um sorriso ao garoto extremamente lindo na minha frente.

Ele se levantou de onde estava sentado e se aproximou da maca. Ele usava uma calça jeans escura, uma camiseta branca e por cima uma camisa xadrez. Ele me observou bem.

— Como você está se sentindo, Lorena Eliss? – Ele me encarava com um olhar sério, segurando as minhas mãos.

— Com dor de cabeça, mas bem. – Dei uma suspirada e continuei – Não precisa ser formal, pode me chamar apenas por Lor.

— Lor? – ele reprimiu um sorrisinho

— Pode ser Lorena se preferir então – senti minhas bochechas corarem e então olhei pra baixo.

— Lor está ótimo. – Ele me olhava ainda com uma cara de preocupado, mas demonstrava um pouco de alívio. Ouvimos passos e a enfermeira, que pelo o que eu tinha escutado antes se chamava Giordina, adentrou o ambiente.

— Oh, senhorita Ellis, que bom que acordou. Como está se sentindo querida? – Ela se aproximou de mim com uma caixinha de remédios. Ela era baixinha e gordinha. Aparentava a idade de 50 e alguma coisa.

— Estou melhor. Agora alguém poderia me dizer o motivo de eu ter desmaiado, por favor? – Olhava pra enfermeira, em súplicas.

— Bom querida, eu sai por que vi em sua ficha que até semana passada a senhorita estava em coma? – Giordina me olhava um pouco assustada, já Dylan mantinha o olhar de curioso-preocupado.

— Bom.. sim – comecei a gaguejar, não me agradava aquele assunto. – me disseram que fiquei em coma por alguns meses.. Estou voltando ao mundo aos poucos – Sorri para os dois seres a minha frente.

— Dylan, o senhor pode se retirar por um momento? Preciso conversar com a Lorena e receio que seja muito particular. – A enfermeira olhou para Dylan e depois retornou para mim.

— Claro. Lorena, vou te esperar ali fora, faço questão de te acompanhar até o dormitório. – Ele soltou as nossas mãos, que até agora eu não tinha percebido que elas estavam entrelaçadas desde o início. – Assenti com a cabeça. Assim, Dylan se foi e fechou a porta.

— Lorena, vou ser sincera com você. Eu estranhei seu histórico. Não havia muitas informações suas no sistema, não sei se é por você ser nova ou não, mas havia seu laudo médico. Aqui está dizendo claramente que você está sem memória nenhuma de antes do acidente. É verdade? – Giordana parecia muito preocupada.

— Sim, eu não tenho lembrança nenhuma. – Eu queria chorar, na verdade eu estava chorando.

— Querida, calma. Isso me preocupa pois toda vez que a sua cabecinha tentar se lembrar de algo, ela vai doer. Dessa vez você deve ter visto algo que foi muito forte pra você, que você quer lembrar, mas você não consegue. – A doce enfermeira pegou a minha mão. — Ou pode ter sido só pela falta de comida. — Ela apertou forte a minha mão quando disse isso.

— Foi isso que causou meu desmaio? – Já havia parado de chorar, já havia me sentado.

— Não. – Seca e curta a resposta. – A dor de cabeça foi intensa por conta da memória, ou pela falta de comida, por isso vou te dar esses comprimidos. Sempre que sentir tome-os, imediatamente. Já o desmaio deve ser por conta da sua falta de alimentação adequada, misturada com sua baixa pressão do momento.

— Então estou bem?

— Claro que sim senhorita. Agora ande, vá para o dormitório se ajeitar. Você desmaiou por um bom período de tempo. – Olhei para o relógio e já marcavam 18 horas. Já estava escurecendo.

Dylan me acompanhou até o quarto. Foi uma boa caminhada até o meu dormitório. Conseguimos nos conhecer, relativamente bem, e descobrir que os nossos dormitórios eram realmente perto. Quatro portas de distância.

— Aqui não tem separação por sexo? – Perguntei quando chegamos a porta do meu quarto, me virando para ele.

— Não, eles acreditam que somos muito responsáveis já. Só não podemos ficar no quarto do sexo oposto com porta fechada ou depois das 21 horas. – Ele disse se encostando no batente da porta. – Ah, se apronte para o jantar. Eles servem as 19. Toque de recolher 21. Hora de festejar 21 em diante. – A última frase ele disse mexendo as sobrancelhas, pra cima e pra baixo. Isso me fez rir espontaneamente pela primeira vez, desde que eu sai do coma.

— Ok. Brigada pela ajuda Dylan. – Me virei pra porta, destranquei-a e senti ele segurando minha mão..

— Ei Lor, pode me chamar de Stiles. – Ele me deu um beijo na bochecha e saiu.

Depois de quase ter morrido, porque eu descobri que eu amo o perfume dele e a voz, eu entrei no quarto e o analisei. Ele era muuuito grande e todo branco e azul. Nele haviam três camas, sendo que duas tinham já malas em cima. A minha cama ficava encostada na janela e do lado de todas as camas havia uma mesinha de estudos de vidro. Deixei todas as minhas malas, e aquela bolsa linda-diva-maravilhosa, no chão. Dei uma andada pelo quarto e avistei um armário que tinha no mínimo umas 27 portas. Do lado dele havia uma porta normal branca. Abri. Descobri um banheiro liiiiiiiiiiiiiiindo, gigante e com banheira. CA-RA-LHO , TINHA UMA JACUZZI NO MEU BANHEIRO, UMA JACUZZI!!!!!!!!!

— Oii, você deve ser a Lorena. – Uma menina maravilhosa saiu de biquíni da jacuzzi. Era alta, pálida, morena e seus cabelos eram longos, ondulados e também morenos. – Meu nome é Alisson Argent. Ela me abraçou molhada e eu nem liguei, estava me sentindo bem vinda.

— Oi, eu sou a Lydia Monroe – Uma menina da mesma altura que a primeira se dirigiu a mim, mas está era ruiva e tinha cabelos lisos. Perceptivelmente mais tímida do que a primeira, mas com certeza simpática igual.

— Oi gente, eu sou a Lorena Ellis. – EU IA SER A DUFF DO QUARTO, COM CERTEZA!!!

Conversamos um pouco, mas foi o suficiente para já termos algum tipo de intimidade. Descobri que as duas também eram americanas e também estavam no último ano, mas nem todas as nossas aulas eram juntas. Descobri que as duas amam Coldplay, so do I, e OneDirection. Elas eram melhores amigas desde o primeiro ano do ensino médio mas as duas precisaram vir para a Europa por algum problema que eles tiveram na cidade em que moravam nos EUA, Bacon Hills. Parece que dois amigos super próximos também vieram, mas não citaram nomes, só falaram que mais tarde seriamos apresentados. Nesse meio tempo de conversa as duas tiraram as roupas de banho, no vestuário né gente, e se ajeitaram para o jantar. Ambas com vestidos.

Ouvimos uma música clássica tocar do lado de fora do quarto.

— É o sinal para irmos para o saguão para jantarmos – Lydia explicava pra mim enquanto todas nós andávamos para fora do banheiro. – Vamos, estou morrendo de fome. – Lydia não me parecia mais tímida. Já havíamos conversando bastante em uma hora e agora ela tomava uma atitude de rainha, mas uma rainha que todos gostavam.

— Gente, eu acho que vou ficar por aqui. Não estou com fome e eu também quero ajeitar a roupa. – Apontei para as vááárias malas que estavam do lado da minha cama.

— Tem certeza? É só uma hora de janta, depois podemos te ajudar. – Alisson já pegava minha mão para me guiar ao saguão.

— Além do mais, você disse que ficou na enfermaria um tempão e não come nada desde o aeroporto. Você deve sim comer algo. – Lydia parecia até uma irmã mais velha falando, achei graça.

— Podem ir, eu realmente não to afim de ir até lá e essas coisas. – Dei um sorriso. As duas concordaram e se dirigiram para o saguão.

Olhei para as malas, as malas me olharam. É hora de desempacotar. Guardei todas as roupas. Na minha mesa instalei meu macbook e deixei meu celular do lado, carregando. Peguei minha carteira e a abri. Pela primeira vez vi minha identidade. Eu deveria ter uns 12 anos na foto. Sempre fui morena e olhos escuros, mas na foto eu estava tentando reprimir um riso. Esses tempos devem ter sido bons.. queria poder me lembrar deles. E foi nesse pensamento que adormeci em minha cama...

Notas finais
Heeey, comentem o que acharam, opinioes para os proximos capítulos e afins... xx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.