Memórias Póstumas
42 Pedido
- Ande Soichiro, é só escrever! — o shinigami insistia, mesmo pressionado por Matsuda à parar.Soichiro tremia, riscando um \"N\" no papel, com o carvão, olhando para Near, que agora estreitara os olhos, já ciente do que se passava em sua volta, mas ainda sim arrancava a frustração evidente de Halle, Anthony, Geremy, e principalmente de Gevanni.- Faça o que ele diz, Sochiro, acabe logo com isso — ele esticou os braços — Me mate! É isso que ele quer não é? É isso que VOCÊ quer, então o faça!Soichiro estreitou os olhos, encarando Near, forçando o carvão contra o papel, os olhos tremendo e soltando lágrimas de ódio ou raiva.- Não! — ele disse amassando o papel, e o jogando fora.
-IDIOTA! O QUE VOCÊ FEZ?. Matsuda soltou o shinigami que estava possesso, fazendo um sinal com a cabeça para Soichiro, um gesto orgulhoso.- Eu não vou fazer isso, porque eu não sou um assassino, mesmo você tentando me provar o contrário.- Não é isso, você não...- Tudo bem — Soichiro sussurrou, baixando a cabeça — Eu vou cumprir o tempo determinado na clínica — ele sussurrava, rouco e ainda cabisbaixo — Mas não significa que você é o certo — ele se virou, encarando Near — E muito menos que você é a justiça, não acredite nisso, eu sei muito mais sobre você que seus próprios agentes, e se eu fosse eles não confiaria em algum que mente sobre quem é — ele sorriu com escárnio, se dirigindo pra fora do galpão.- Acabou? — Gevanni murmurou.- Sim — Near sussurrou, relaxando os ombros e respirando aliviado — Vamos pra casa.Halle, Anthony e Gevanni assentiram com a cabeça, sorrindo aliviados.Susan se aproximou suavemente, ainda segurando o revolver, com as mãos abaixadas num ato que parecia inibido.- Oi — Near sussurrou, indeciso, contraindo involuntariamente um músculo da bochecha, formando um sorriso sem graça.Ela soltou a arma no chão, dando um soco contra o peito de Near, e depois abraçando sua cintura e escondendo seu rosto no peito dele. - Eu te odeio! — ela gritou, abafando a voz no peito de Near. Ele olhou para baixo, olhando seus cabelos, a envolvendo num abraço hesitante.- Eu achei que tivesse te perdido — ela sussurrou, logo depois mordendo a própria língua por ter dito uma asneira, pelo menos pra ela.- Me...Perdido? — Near sussurrou, num tom brevemente orgulhoso.Susan mordeu o lábio, disparando as faces num rubor febril, fechando um dos olhos, como uma criança quando apronta uma traquinagem e espera uma repreensão.- Err... Eu não quis dizer isso, é que, eu...Achei que... — ela foi se afastando.Near a segura pelos ombros.- Você, não...Me perdeu, e nem nunca iria perder.Ela sorriu, tentando disfarçar as faces rosadas e quentes, enquanto ele coçava a nuca timidamente.Halle, Anthony e Gevann se entreolharam, confusos e com um leve sorriso perverso e instintivo no rosto, e aos poucos foram se retirando do galpão, se direcionando aos carros e viaturas de reforço.- Eu conheci uma pessoa, hoje eu posso afirmar verdadeiramente que ele foi como um mestre pra mim, talvez tenha sido até hoje em partes, e ele me disse uma vez, indiretamente, e que hoje eu pude entender o que ele queria dizer, talvez ele fosse um homem completo, um homem maior do que ele já foi, um homem mais feliz, e hoje eu sei porque e como ele poderia ter sido, esse homem...- Near? Onde você quer chegar? — Susan perguntou confusa, enquanto Near começava a andar de um lado pro outro, devagar.- ...Ele seria um homem completo, com uma família, e se não tivessem tirado talvez um de seus bens mais preciosos, ou se ele não tivesse deixado esse bem escapar por seus dedos, eu acho que ele fez a coisa errada, mesmo admirando em muito sua sabedoria.- E o que você acha que ele deveria ter feito? — Susan perguntou docemente.- Eu acho que ele deveria ter se aproximado desse bem, a olhado bem em seus olhos, sendo o mais sincero possível, mais sincero do que ele seria capaz de ser pra si próprio em frente ao espelho... - Err...Near? — Susan coçou o braço, confusa.- Eu acho que ele deveria ter se aproximado ainda mais — disse Near se aproximando de Susan, olhando fundo em seus olhos — Sentindo a doce brisa da respiração dela, eu acho que ele deveria ter pegado a sua mão com todo o amor que ele pudesse e fosse capaz de oferecer — ele pega suavemente nas mãos de Susan — E dito tudo o que sentia, talvez isso impedisse de que ele a perdesse — Near se ajoelha, espiando Susan por uma tela de cílos escuros e uma franja branca.- Ahh meu Deus — ela sussurrou, paralisada, abaixando o olhar devagar, tentando captar os olhos de Near.- Errr... — ele pega uma mecha de cabelo com a outra mão livre, piscando nervoso — Susan, você, err...Aceita, se... err....Se, casar comigo?Ela arregala os olhos, escancarando a boca descontrolada.- Você não vai dizer nada? — ele perguntou indeciso, coçando a nuca, ainda de joelhos.- Eu... — ela piscou como se voltasse ao próprio corpo — Eu...Aceito! AHHHHHHH EU ACEITO!! — gritou se jogando em cima de Near.
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