Memórias Póstumas
4 Informações
- Eu soube dessa foto — ele murmurou pra si mesmo a avaliando com cautela — O kira controlava os criminosos antes de matá-los, e ele os fez escrever essas mensagens diretamente para L.
- Ele então recolocou a foto no mesmo lugar, aprendendo com um clip, e começou a ler a página em que abrira.
Quinta-feira, 17 de Julho de 2006.
Raito Yagami: principal suspeito desde então, Estudante, 1,79 cm, 54 Kg, data de nascimento: 28 de fevereiro de 1986.
Aparentemente ele só é um estudante qualquer, pelo menos diante do olhar de leigos, pra mim, ele tem o perfil perfeito de um psicopata.
De certa forma eu tinha que esconder esse tipo de pensamento do pai dele, que estava trabalhando na investigação comigo; Soichiro Yagami, um policial de respeito, responsável, extremamente dedicado, um exímio profissional, não seria justo que ele soubesse o que eu realmente penso sobre filho dele, já foi difícil o bastante pra ele quando instalei câmeras em sua casa, eu não tinha a necessidade de envolvê-lo ainda mais.
- Mas agora era lei, eu precisava me envolver mais, eu não acredito que seria capaz disso, anteriormente eu não tinha a intenção de me envolver fisicamente com o caso, mas eu já mostrei meu rosto para os policiais, não fazia sentido eu me esconder agora, eu iria acompanhá-lo mais de perto, eu iria me matricular na universidade To-oh
isso já estava garantido.
- Universidade To-oh, eu achava que ele não tinha feito isso mesmo, mas ele o fez — Near se segurou pra não gargalhar — Eu preciso de mais fonte na universidade To-oh.
Near guarda novamente os cadernos e liga para Halle, pedindo pra que ela procure por Hideki Riuga na lista de inscritos.
Ela gargalhou.
- O ator Hideki Riuga? — ela disse entre gargalhadas.
- Eu posso procurar sozinho.
- Não! — ela se conteve — Tudo bem, eu vou procurar, eu já retorno a ligação.
- Tudo bem — Near murmurou desligando o telefone na cara dela.
\"Eu preciso checar a data da inscrição de L na universidade e a data inscrita nesse caderno, se baterem, eu posso concluir que realmente estes cadernos são de L.
Logo Halle retornou a ligação.
- N?
- Sim?
- A inscrição foi feita em 20 de Julho de 2006, era só isso?
Near sorriu e agradeceu.
- Era só isso.
A data escrita no caderno é antecedente a da inscrição, mas mesmo assim são muito próximas, o que indicava que o caderno podia mesmo ser real.
\"Eu tenho que ser mais cuidadoso, Halle está muito curiosa, querendo saber o que eu ando lendo nesses cadernos.
- Você parece exausto — Gevanni observou, enquanto virava algumas páginas do jornal sem sequer olhá-las, com o olhar preso no rosto abatido do jovem Near.
- É — ele murmurou tombando a cabeça de lado, a apoiando no punho — Talvez eu esteja mesmo.
- Há quanto tempo você não dorme?
Near abaixou a cabeça, olhando para o próprio pé descalço em cima da cadeira.
- Eu não me lembro, mas acho que alguns dias.
- Ele não dorme mais desde que recebeu aquele presente estranho — Halle resmungou.
- Shh, quieta — Near murmurou entediado — Eu não durmo porque não tenho sono, dormir é para os fracos.
Gevanni pousou o jornal numa mesa a sua frente, olhando Near especulativamente.
- O que tem demais naqueles cadernos?
Near não respondeu, ele somente estreitou os olhos, pousando a cabeça o joelho e esticando os dedos do pé e depois os contraindo.
- Não há nada demais naqueles cadernos, infelizmente, eu procurei pesquisar, e somente cheguei a conclusão que todos eles são falsos.
- Falsos? — Halle perguntou, parecendo interessada.
- Sim, falsos, não há absolutamente nada escrito neles, aquilo só não passa de uma brincadeira de mau gosto, eu já tratei de dar um fim neles.
Gevanni se sentou na cadeira, agora mais relaxado, Halle ainda parecia confusa mas pareceu acreditar.
- Sabe, eu estava pensando — Gevanni começou, agora folheando atento as páginas do jornal que estava novamente em suas mãos — Depois de darmos voz de prisão ao atual criminoso, você bem que podia nos liberar uma folguinha não é chefinho?
Near torceu as sobrancelhas, fazendo pequenos círculos com a ponta dos dedos no próprio joelho.
- Folga? quer dizer, vocês, vão... pra casa?
- Sim — ele respondeu sorrindo, a atenção presa ao jornal.
- WoooW, eu vou poder fazer uma surpresinha pra minha esposa — Anthony disse num tom brincalhão.
- Sabe, até que a ideia não me soa nada mau — Near murmurou com um meio sorriso.
- Sério?
- Claro que sim, a ideia é tão inspiradora que eu estou pensando em dar folga a todos vocês já.
Todos arfaram surpresos.
- O que? Mas e o criminoso?
- Eu posso cuidar disso sozinho.
- Vai envolver a polícia nisso? — Gevanni perguntou com desdém.
- Quanto a isso não se preocupem, dêem atenção total as suas folgas, eu já disse que eu posso cuidar disso sozinho.
- Podemos sair já? — Halle perguntou ainda confusa.
- Eu disse agora — Near pressionou.
- Poxa chefinho, parece que você está querendo se livrar da gente.
Near sorriu, se levantando da cadeira, e se esticando de pé, a altura já modificada e aumentada com o tempo e com a idade.
- Digamos que eu também precise de férias urgentíssimas.
Todos riram, e então Near entrou em seu escritório, ouvindo o estardalhaço dos agentes enquanto arrumavam as coisas.
Near somente sentou na poltrona, olhando para o chão, enrolando uma mecha de cabelo e pensativo.
- Near? — Halle abriu a porta sutilmente colocando a cabeça pra dentro da sala.
- Eu já disse que eu não gosto que abram minha porta sem bater, mas já que está aqui, o que quer?
Ela suspirou e deu uma risada abafada.
- Nós já estamos indo, pegaremos o primeiro vôo para os EUA, qualquer problema você tem meu número.
- Quantas vezes eu vou ter que repetir que eu vou cuidar disso sozinho? Vão! e divirtam-se.
Ele murmurou sem sequer olhar para a porta onde estava Halle, ela somente suspirou e saiu, aos poucos ele foi escutando os ruídos e vozes diminuírem, até sumirem por completo.
- É, sozinho...
Ele arrastou as pantufas de tecido até a parede falsa de livros, a abrindo e retirando o embrulhe com os diários, retirando o último deles novamente.
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