- Que caderno é esse? — Gevanni perguntou curioso, apontando para o diário no colo de Near.
- Ahh, não é nada, são somente anotações — Near disse rapidamente, recolhendo o caderno e o colocando dentro de uma pasta.
- Ahh sim, vou esperar lá fora.
- Obrigado.
\"Eu tenho que ser mais atento, ou vão acabar encontrando os diários de L\"
- Muito bem, o que está pensando em fazer, depois do... incidente.
Near bufou, a cara fechada, sem dizer uma palavra.
- Ahh sim, como quiser, vamos tomar um café pra conversarmos melhor — Gevanni debochou.
Entraram no carro de Gevanni, e foram em direção a uma cafeteria.
Near escolheu a mesa mais ao fundo e se sentou, da sua maneira.
- Pronto, pode falar agora?
Near suspirou.
- Sim, posso.
- Em que está pensando agora?
- Tivemos uma prova mais que comprovada que, Killer, é quase tão manipulador quanto o Kira, que nós conhecemos, e sabendo da maneira como age, que é quase como o outro agia, ele em breve encontrará, outra pessoa apta a matar os criminosos por ele, isso significa que, teremos mais um suspeito em breve.
- Você confiscou as páginas encontradas com Harper? Quer dizer, ele era mesmo?
- Sim, os nomes escritos batiam.
Gevanni suspirou e afundou-se na cadeira.
- E você tem um plano?
- Sim — Near suspira pesado — E pra que ele se torne real, preciso que você seja meu braço direito, mais fiel do que você já foi por todos esses anos.
Gevanni faz que sim com a cabeça, e Near começa a detalhar seu plano.
- Isso... É loucura!

Near bufa e dá um longo gole na xícara de café.
Gevanni coloca os braços em cima da mesa, coçando as têmporas.
- Você tem idéia de como isso é perigoso?
Near sorri, escondendo uma certa insegurança.
- Sim, mas enfim, é um risco que eu faço questão de correr.
Gevanni se impulsiona pra trás, com as costas no encosto da cadeira, olhando Near, ainda incrédulo.
- Por favor, você entendeu tudo o que deve fazer, caso o plano dê errado?
- Sim, mas, Near, se seu plano der errado você vai...
- Não interessa o que vai acontecer! Por favor, me prometa que vai fazer tudo o que combinamos!
Gevanni suspira, o diafrágma parecendo inchado, impedindo que o ar entrasse ou saísse.
- Está certo, eu concordo, e farei o combinado, mas saiba que não me agrada em nada a forma como você está se arriscando.
- Da minha vida cuido eu, está certo? Preocupe-se na sua parte do plano.
Gevanni revira os olhos.
- Quando vai parar de ser teimoso?
- Quando eu resolver esse caso e quando você e Halle pararem de me tratar como criança.

\"Por um lado Gevanni tem razão, eu estou me arriscando...\"
Near estava paralisado, na posição em que sempre se sentava na cadeira, olhando o notebook, mas se prestar atenção no que havia na tela, seus pensamentos estavam absortos em outro lugar.
Um abajur então cai, provocando um barulho estrondoso.
\"Ahh que maravilha, mais um prejuízo!\"
Near se vira em direção ao abajur que caíra, e consequentemente algo lhe chama atenção.
Em meio a escuridão sombria do quarto, a janela que somente era iluminada pela luz da Lua, destacou um vulto, um vulto de uma pessoa que estava empoleirada no beiral, se equilibrando habilmente.
Near caminha em direção a janela, que é coberta pela cortina esvoaçante, e então o vulto desaparece, diante de seus olhos.
- Seu maldito! Eu sei que é você! Você voltou! Apareça!
Ele abre a janela, sem encontrar absolutamente nada, olhando pra todos os lados, era impossível algum humano ter subido vinte andares pelas paredes e ficar pendurado na janela.
Near fecha a janela novamente, torcendo o nariz, ainda confuso.
Ao virar-se de volta, uma pequena fresta de luz, ilumina um rosto familiar, mas que parecia mais deformado, um dos olhos marcados por uma horrenda cicatriz, ainda maior que antigamente.
A imagem o pressiona na parede pelo colarinho, olhando enfurecidamente dentro dos olhos de Near.
\"Finalmente eu consigo fazer com que me veja!\" a imagem sussurra, numa voz ecoada, grave e mortal.
Near ainda tenta lutar contra a voz presa na garganta, tenta a libertar entre gaguejos.
- Me-Me-Me-llo? É -vo-vo-vo-cê?...