- Ela parece insana.

- Como assim, Susan?

- Bem, ela parece mais amedrontada, mais distraída na maioria das vezes, e até talvez...

- Talvez? — Gevanni estimulou.

- Talvez até, arrependida por tantas mortes...

- Mas isso é um absurdo — Gevanni murmurou.

- Talvez não — Halle interrompeu com uma voz ríspida.

Anthony usava fones de ouvido com censores, totalmente inerte no que fazia, alheio à conversa na sala.

- Ela foi escolhida certamente por algum motivo, talvez por sua frieza, Killer provavelmente queria alguém que não tivesse remorso em matar pessoas em tantas quantidades assim.

- Mas as pessoas mudam — Susan sussurrou, olhando para o chão com os olhos vazios.

- Hei, olhem isso! — Anthony exalou quase como um grito, arrancando arfares de todos presentes.

- O que foi, Lester? — Gevanni se levantou, ficando atrás da cadeira de Anthony.

- Ela acabou de desligar o celular, está saindo de casa e indo à um depósito de materiais parcialmente abandonado.

- Geremy! — Gevanni chamou.

- Sim?

- Pegue seu carro, você e Susan vão antes, nós vamos logo depois, nos dêem cobertura.

Geremy estreitou os olhos desconfiado, e depois assentiu, sendo puxado pelo cotovelo por Susan.

- Ok, agora chegou a nossa hora — Gevanni sussurrou, e Anthony sorriu, sutilmente. - Está tudo pronto?

- Sim — Halle suspirou profundamente.

Gevanni pisou fundo no acelerador, tentando pegar uma dianteira e não ficar tão longe de Geremy e Susan.

- Alô, Susan? Ela já chegou?

- Acaba de chegar, trazendo uma bolsa a mais com ela.

- Perfeito.

- Parece que ela realmente está com algum remorso, ela falava sobre devolver o caderno — Anthony explicava a Gevanni enquanto ele dirigia.

- Então Susan estava certa afinal.

Já começa à entardecer aos poucos, o crepúsculo tingia o céu, o escurecendo, obrigando aos faróis a iluminarem mais a estrada.

- Estamos perto — Gevanni sussurrou, enquanto virava numa estrada levemente esburacada, dando solavancos no carro.

- Estaremos esperando numa porta ao fundo

- Ok, até logo.

Gevanni soltou um suspiro pesado, desligando o carro e tirando a chave da ignição, a única coisa que iluminava o velho barracão era o farol aceso do carro.

- Estão prontos? — ele falou num tom baixo.

- Como sempre estivemos — Anthony e Halle concordaram. O barulho de corações batendo rapidamente, sonorizavam o ambiente.

- Por aqui — Susan sussurrou, abrindo uma portinhola — Ela está quase chegando.

- E ele? Ainda não chegou? — Gevanni perguntou, hesitando em entrar.

Susan fez que não com a cabeça, mordendo o lábio.

- Então vamos rápido, entre! — Halle sussurrou, empurrando Gevanni o forçando à entrar pela portinhola, sendo engolido pra dentro do enorme galpão de madeira rústica.

Geremy já estava lá dentro, escondido atrás de ferragens entulhadas próximas a uma divisa de madeira que parecia ser um depósito menor, apenas observando.

O cheiro de bolôr era agressor as narinas, ainda mais sendo obrigados à se espremer em um recinto tão estreito, diferente do espaço que havia mais ao centro do galpão.

E \"tlec-tlec\" de salto alto batendo contra o chão de madeira pesada, ecoava pelas paredes altas e largas, avisado a chegada da ilustre convidada.

- Err...Tem alguém aí? — ela murmurou, numa mistura de hesitação e desconforto.

A voz dela ecoada, batia por todos os lados do imenso salão do galpão, voltando e respondendo ela mesma.

Os passos dela se arrastavam por toda a extensão do galpão, com hesitação, medo.

- Por favor, eu não tenho muito tempo — ela sussurrou para as paredes.

A porta de repente rangeu de uma forma à produzir um barulho infernal, trazendo mais arrepio ainda, e uma sensação horrível na boca do estômago de Sarah, totalmente diferente da sensação de alívio que ela esperava ter.

Ela arfou tão alto à ponto de ecoar pelo galpão.

- Me mostre sua bolsa — uma voz abafada por algo murmurou, somente formada por um vulto no meio da escuridão.

- Como eu posso saber se você é mesmo quem eu estou esperando?

- Aconselho que liga para o seu diretor de Marketing neste exato momento — ele pausou, esperando que ela terminasse de digitar todos os números — Eu soube que ele anda tirando fotos indevidas de menores — risos.

Ela aproxima o celular da orelha, logo depois arregalando os olhos e arfando.

- Est-est-está, ocupado... Um sorriso de repente ecoou pelas paredes.

- Então?

- Por que você não me mostra seu rosto? Eu posso ver sua expectativa de vida, assim posso confiar melhor em você e...

- Não! Ainda não — ele respondeu ríspido.

- Esqueça! Eu vou desistir, eu abdico, faço o que quiser, mas não quero mais matar pessoas, eu faço questão de fazer o que for preciso — ela parecia suplicante, a voz estava trêmula.

- Mesmo tendo sacrificado metade da vida pra estar aqui?

Ela soluçou e depois fungou, engolindo as lágrimas.

- Mesmo assim.

A pessoa que se escondia bufou, parecendo entediado.

- Está bem então, me entregue o caderno.

- Ahh — Geremy ofegou — Isso é demais pra mim!

- Não, não, Geremy! — Susan tentou o segurar, mas era tarde, ele já havia se levantado e se direcionado ao centro do galpão.

- Parados vocês dois! — disse Geremy sacando uma pistola de alto calibre, apontando para Sarah, e a \"sombra\" que a acompanhava.

- Geremy idiota! — Susan exalou furiosa entredentes.

Gevanni revirou os olhos.

- Merda, ele já acabou com tudo, vamos também.

Os outros também se levantaram, apontando armas igualmente.

- Vocês estão cercados! — Geremy disse.

Sarah tremia, os olhos arregalados, sem ação alguma.

- Rápido ele está tentando fugir! — Halle disse, Anthony correu o impedindo.

- Vamos, mostre seu rosto, e inútil fugir agora, temos reforços lá fora e em todas as portas do galpão — Gevanni informou, segurando o revólver — Mostre-nos quem você é, Killer!

O vulto permanecia parado no meio da escuridão, dava pra se ver um esboço de que ele usava capuz.

Sarah levantou as mãos, soltando a bolsa no chão, se rendendo.

- Ande! Mostre seu rosto! — Susan gritou enfurecida.

O vulto estava parado, de costas pra eles, sussurrando uma risada.

Halle acenou com a cabeça para Anthony, que estava mais próximo do vulto, pra que ele enfim tirasse seu capuz.