Memórias De Uma Semideusa
1 Capítulo 1
Minha respiração estava ofegante. Como não estar? Lutar contra monstros não é fácil, principalmente se você é poderoso igual a mim.
Há alguns dias minha melhor amiga me levou para um lugar isolado dizendo que lá eu teria paz, pois havia contado a ela que eu via monstros, desde que meus pais foram embora quando eu tinha seis anos.
Flashback on
Meus pais sempre foram ricos, sempre foram atenciosos comigo, até que um dia um homem apareceu em casa. Quando eu completei seis anos eles me deixaram aqui no Brasil e foram morar em um lugar muito distante, nunca descobri onde era. Deixaram-me com uma babá, não me abandonaram totalmente. Muitas vezes quando eu acordava a noite com pesadelos, eu via a babá falando com uma pessoa que perguntava sobre mim. Eles me deixaram morando em uma casa muito grande, e me deram tudo o que eu precisava menos o que eu queria, ficar com minha família.
Nunca entendi o porquê de me deixarem ali aos cuidados de uma babá, depois de um tempo nem ao menos lembrava deles.
Para chamar a atenção das pessoas eu comecei a me tornar mais rebelde.
Com dez anos fui emancipada, meus pais achavam que eu já era capaz de cuidar de mim sozinha. A babá passou a ser a empregada. E eu passei a comprar as minhas próprias coisas, mas meus pais bancavam, pois eles pensavam que os bens materiais ocupariam o espaço deles em minha vida.
Eu comprei carros, fazendas e tudo o que eu queria. Com 13 anos, eu estava ainda mais rebelde, fazendo rachas, capotando carros, sendo expulsa de escolas.
Quando entrei na 7ª serie, conheci uma menina chamada Laura, ela e eu ficamos muito amigas. Ela tinha os mesmos problemas que eu, passei a me sentir um pouco mais feliz, diferente de outras pessoas ela me entendia e não me julgava por eu ser daquele jeito.
Nos verões o pai de Laura, que era meu professor de História, a levava para um acampamento, Lara, como eu a chamava, não entrava em detalhes, dizia que eu iria conhecê-lo, mas que eu precisaria de paciência.
Eu achava estranho o “acampamento” onde ela passava às ferias, ela voltava toda machucada, roxa, uma vez até quebrou o braço.
Nos verões, eu ia até a fazenda que comprara, onde ajudava os peões a plantar, cuidar dos animais, e fazer coisas que eu gostava como arcos, espadas, nadar. Nunca ninguém me ensinou a fazer esse tipo de coisas, era como eu tivesse nascido sabendo.
Já perdi a conta de quantas vezes Lara salvou minha vida de pessoas que se transformavam em monstros, quanto mais o tempo passava eu ficava mais sem entender minha própria vida.
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