Notas iniciais
Olá, senhoritas! Como estão aproveitando o doce mês de Maio? Uma coisinha antes do capítulo, sobre os termos médicos eu pesquisei bastante, me baseei nas pesquisas para escrever, mas como essa é uma história ficticia, não precisamos nos ater a isso ;) Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Espero sinceramente que vocês gostem. Boa leitura

—É muito mais grave do que pensei – Jacob prosseguiu depois de um suspiro pesaroso e um silencio perturbador. Charlie e eu nos encaramos por um momento antes de olharmos para o médico que não tirava os olhos dos papéis – nem sei por onde começar...

—Pelo começo seria bom. – interrompi nervoso e impaciente.

—Claro, claro. Você tem toda a razão, então vamos lá. Assim que recebemos você no hospital, serei muito sincero em dizer que não acreditava de verdade em sua recuperação. Estava disposto a fazer o que fosse possível, é claro, mas realmente não existia muitas chances. Como sabe o acidente provocou um trauma muito grande no cérebro que é o principal responsável não só pelas memórias, mas por toda a coordenação dos movimentos do corpo, da fala, enfim, o cérebro é um dos principais responsáveis pela vida e o seu tinha sido muito prejudicado, significando que a sua vida estava realmente por um tris.

—O que causou esse trauma assim tão grande?

—Como assim “o que”?

—Tudo o que você fez ao abrir minha cabeça foi controlar a hemorragia não é? – perguntei me dando conta deque nunca tinha parado para pensar mais a fundo nisso e continuei meu raciocínio quando o médico concordou – foi mesmo o acidente que causou o trauma?

—Acho que eu posso responder isso – Charlie anunciou diante da visível confusão no rosto do médico – acabei de ler o laudo da perícia e, ao que parece, seu carro capotou várias e várias vezes, tanto que se não estivesse com o cinto não haveria possibilidade de estar vivo agora.

—Isso eu sei, mas foi a pancada do acidente que causou isso ou teve algo a mais?

—O que está querendo dizer?

—Não sei. A essa altura do campeonato não me surpreenderia em saber que além do acidente deve ter havido alguém para... não sei, ter me ferido de algum modo, me envenenado para depois fazer com que o carro batesse ou me ferido e jogado o carro morro abaixo. Não sei.

—Por que pensa assim? – Charlie me olhava tentando me acompanhar.

—Você mesmo disse que eu estava de cinto, não é possível que tenha me machucado tanto assim.

—Na verdade, seu carro perdeu o controle e saiu da pista em direção a uma ribanceira com rochas enormes. Você estava a uma velocidade altíssima e isso fez com que o carro capotasse com uma força gigantesca em direção a essas rochas. A força dessas batidas praticamente arrancaram o capô do carro e então a sua cabeça foi ao encontro certeiro a uma dessas rochas. Foi isso que provocou a lesão e se o cinto não tivesse te segurado, você teria se espatifado inteiro não só a cabeça.

—Tudo isso está na perícia? – perguntei abalado com o relato.

—Sim, se quiser posso te mostrar depois. Tem as fotos do seu carro, de como você foi encontrado, a reconstituição do caminho e o cálculo da força com que tudo aconteceu. Foi mesmo um milagre você estar vivo.

—Foi exatamente o que eu pensei quando chegou ao hospital – Black retomou a palavra – eu pude ver o tamanho do dano provocado por meio dos exames e a solução que encontrei foi sim abrir sua cabeça, para fazer a única coisa que podia por você naquele momento. Felizmente eu consegui controlar a hemorragia e depois, quando o inchaço começou a diminuir, tive mais esperanças de que você pudesse sobreviver, mas...

—Mas eu não acordava – completei ansioso – é isso, não é?

—Sim. Eu me preocupava tanto quanto me espantava por suas funções vitais estavam boas e ver que o seu cérebro funcionava bem apesar de tudo. Estava preocupado em cuidar do trauma, mas não sabia muito o que poderia fazer e de que forma qualquer procedimento poderia te afetar, por isso, tudo o que eu fiz nesse tempo todo foi monitorar para que ele não aumentasse...

—Jacob... eu já sei disso tudo. Vá direto ao ponto. O que quer dizer com essa história toda?

—Que esteve do mesmíssimo jeito desde que seu caso foi considerado estável, quase um mês depois de chegar ao hospital até que saiu de lá. Quando deixou o hospital, como bem se lembra eu quis que realizasse exames constantes para que eu pudesse monitora-lo de alguma forma, mesmo que não pudesse fazer nada.

—Que tipos de exame você realizava? – Charlie perguntou tentando acompanhar e eu respondi.

—Todos os tipos: tomografias, radiografias, eletroencefalograma, exames sanguíneos...

—E eles sempre pareceram o mesmo? – assenti concordando e Charlie se voltou para o médico com os olhos em fenda – todos eles?

—Esse é um dos problemas. Desde o primeiro exame que realizamos depois que voltou para casa, encontramos uma substancia que antes não havia em seu sangue. Imaginei que fosse por causa do que deveria estar ingerindo em sua casa.

—Eu me lembro de você me perguntar sobre a minha alimentação.

—Sim, era exatamente por isso. Essas substancias normalmente são vitaminas essenciais para o corpo.

—O que tinha em meu sangue?

—Desde aquele primeiro exame, seu sangue tem apresentado cada vez mais rastros de fisetina e flavonoide.

—O que é isso, Jacob?

—Essas substancias agem como bloqueadores neuro-protetores que normalmente fazem bem para a memória e que a resguardam, mas no seu caso, acredito eu que devem estar agindo exatamente ao contrário, protegendo as células das regeneração, fazendo com que elas permaneçam do mesmo jeito, impedindo que se curem.

—Deixe-me ver se entendi – Charlie interrompeu enquanto eu processava as informações – você tem encontrado essas substancias presentes no sangue de Edward desde que ele voltou para casa e nunca achou estranho?

—Não achei por que como disse, essas vitaminas são facilmente encontradas em alimentos, em frutas vermelhas, por exemplo. Era uma quantidade significativa ou não apareceria nos exames, mas como eu estava sempre monitorando e não havia mudança alguma em seu quadro, não achei que o estivesse afetando ou... que fosse de propósito.

—E agora você acha? – Jacob assentiu olhando para Charlie cheio de significados e eu percebi que estava perdendo alguma coisa. Antes que eu pudesse entender do que se tratava ou questiona-los um estalo se deu em minha cabeça e eu perguntei – espera... você ainda não disse o que tinha no remédio que eu estava tomando. O que era?

—Não é óbvio? – Meu amigo riu mesmo parecendo não achar graça nenhuma – aposto tudo o que eu tenho que eram essas substancias que tinham na capsula. Acertei doutor?

—Infelizmente. Cada uma das capsulas tinha 500mg da combinação fisetina e flavonoide e levando em conta que você tomou isso durante uma semana inteira...

—O que acha que pode ter acontecido? – eu interrompi ansioso – O trauma piorou? É o que está tentando dizer?

—Na verdade, pelo que eu venho estudado, as substancias que ingeriu tem mantido seu trauma estável e a regeneração pode ser ainda mais difícil, eu temo que talvez seja até irreversível.

—O que está dizendo doutor? – Charlie perguntou se remexendo na cadeira, tão inquieto quanto eu – acha que o trauma dele jamais poderá ser regenerado?

—Na verdade, esse trauma pode sim ser permanente, mas esse não é o maior dos nossos problemas.

—Como assim, Jacob?

—Que não é o trauma responsável pela falta de memória de Edward...

—Por favor, chega de rodeios – pedi tentando me orientar – seja claro e direto.

—Eu estou dizendo que a princípio foi o trauma que provocou a sua perda de memória, mas ele não é a razão para você continuar assim. Cheguei a essa conclusão depois de perceber que todas as suas funções vitais estarem respondendo perfeitamente mesmo com todos os danos que apresenta.

—Mas o dano não foi principalmente na parte que armazena as memórias que perdi?

—Sim, mas é a parte que também faz os comandos para a fala, por exemplo, e você consegue falar muito bem, está retendo informações novas coisa que realmente não aconteceria se o trauma fosse a causa.

—Entendo – Charlie acariciou o bigode pensativo – e você já viu casos assim?

—Muitas vezes. Eu disse a Edward que era uma questão de tempo até a sua memória voltar com base em outros pacientes que passaram pela mesma situação e muitos deles, com traumas como o que teve e as vezes um pouco piores que retomaram a suas rotinas e foram capazes de se lembrar do passado. Foi por isso que achei realmente muito estranho o fato de você não conseguir recuperar a memória, jamais entendi o que poderia ter acontecido e agora temos ao menos uma ideia.

—Então acha que foram essas substancias que o impediram de se lembrar do passado?

—Não posso ter a certeza, mas ao que parece sim. Essas substancias agem silenciosamente e detectar a ação delas é muito difícil, leva até mesmo anos para percebermos suas ações e apenas dias para que elas comecem a fazer efeito, ainda mais em um cérebro tão danificado como o seu.

—E como elas estão bloqueando a memória dele?

—Imagino que seja por meio de suas propriedades de proteger as células, elas estão se protegendo da regeneração e a cura fica cada vez mais longe.

—Não posso acreditar nisso! – foi tudo o que eu consegui dizer, me sentindo assustado não só pelo que estava ouvindo agora e pela possibilidade de nunca ter minha memória de volta, mas por toda a sujeira envolvida nessa história – Isso não pode estar acontecendo.

—Eu sei, não é fácil aguentar tudo isso, ainda mais depois de tudo o que escutou hoje – Charlie colocou a mão em meu ombro em sinal de apoio – mas eu preciso te dizer que isso só ficou pior por que confiou na pessoa errada.

—É verdade – Jacob concordou – Sam Alistair nunca foi de confiança, mas eu sinceramente não entendo por que foi que ele fez isso com você. Por mais que sua reputação já seja suja, ele não cometeria um erro desse tamanho com alguém tão importante e que teve o caso tão repercutido como foi o seu.

—É que isso não foi um erro de amador, Black, muito pelo contrário. Fizeram a cabeça de Edward para se consultar com Alistair que já estava de conluio com os bandidos que queriam mata-lo. Ele apenas caiu em mais uma armadilha dessa corja.

—E só fiz isso para recuperar minha memória – tentei me defender, mas Charlie me olhou de cara feia e continuou a falar.

—Mas tudo o que fez foi piorar a sua situação que já estava ruim desde que foi para casa, uma vez que já estava ingerindo essas substancias, mesmo que em quantidades menores.

—Diz isso por que estavam aparecendo em meu sangue, mas era apenas por causa de minha alimentação, não era?

—Abra seus olhos, meu rapaz – Charlie bufou parecendo impaciente – não vê que você tem tomado essas porcarias desde que saiu do hospital e que isso significa que Tanya te deu esses remédios desde que voltou para casa?

—Não – neguei diante dessa suspeita – eu jamais tomei nada que Tanya me deu, nunca, remédio algum.

—Você pode ter tomado sem que tenha percebido. Ela costumava cozinhar para você? Preparar suas bebidas?

—Não, nenhuma coisa nem outra. Nunca a vi na cozinha ou manipulando qualquer comida ou bebida da casa.

—Sei que ela fazia isso de alguma forma, Edward.

—Não – eu ri nervoso – não isso não pode ser real, ela não pode ter feito isso comigo.

—Mas ela fez, não sei como, mas fez – Charlie respirou fundo antes de prosseguir – e pensando em tudo o que você ouviu essa manhã, não precisa ser um gênio para saber o que Quill quis dizer sobre te manter sem memória.

—Do que estão falando? – Jacob perguntou enquanto eu processava o que Charlie queria dizer.

—Edward ouviu que Quill e Tanya não conseguiriam garantir que ele ficasse sem memória já que não estava morando mais com ela...

—Não mora mais com a sua esposa? – Jacob o interrompeu para perguntar com os olhos em fenda, antes de balançar a cabeça – tem alguns dias a Bella não tem mais aparecido em sua casa e eu imaginei que ela estivesse com você, mas não que estivesse com as garras tão fundas nela desse jeito – ele riu balançando a cabeça –então você está morando com ela?

—Eu não vejo como isso pode ajudar em nosso assunto, Jacob – Charlie respondeu por mim quando eu estava prestes a dizer o que estava em minha garganta – podemos voltar ao nosso assunto?

—É claro – ele riu mais uma vez – eu já tinha dito que não ia mais me meter nessa sujeira, mesmo que tenha pena por Bella... mas fazer o que? Não é da minha conta. Vamos, prossiga delegado, por favor.

—Como eu estava dizendo – Charlie continuou de cara feia enquanto eu me segurava no lugar, me lembrando a todo momento que estávamos aqui por que Jacob estava nos ajudando – o que Tanya e Quill estavam conversando só confirma o fato de que sua ex te medicava sem que você percebesse.

—Mas isso é impossível, onde ela conseguiria algo assim? – o médico desfez sua expressão de deboche voltando a ser profissional – como ela saberia para o que funcionam?

—Alistair, é claro. Ele deve ter fornecido para ela, em quantidades menores para que ele pudesse ser ingerido sem levantar suspeitas nos exames e nem que você percebesse algo.

—Concordo com ele – Jacob refletiu depois de um momento – pelos seus exames você tem tomado esse composto há muito tempo, tem ingerido isso de alguma forma enquanto morava com Tanya. Quero que tire umas amostras de sangue para mim e vamos fazer uma ressonância.

—Acha que algo pode se agravado em meu caso?

—Nas pequenas quantidades que veio ingerindo desde que saiu do hospital o caso não se agravou, mas em contrapartida não melhorou em nada. Só que durante uma semana inteira, você tomou 500mg por dia! É muita coisa pode sim ter te afetado e muito.

—Que merda! – resmunguei me recriminando por ter sido tão burro ajudando com minha própria ruina quando o que eu mais queria era a minha vida de volta – Jacob, você acha que os danos possam ser irreversíveis? Acha que eu posso ficar sem me lembrar de nada para sempre?

—Antes de vocês chegarem eu estava lendo sobre o assunto e os danos do medicamento podem ser sim reversíveis, mediante a ação imediata. A que horas foi sua última refeição?

—Foi o café da manhã, lá pelas sete – ao conferir o relógio que já marcava três da tarde, o médico assentiu.

—Ótimo. Vamos, me acompanhe ao laboratório, vou pedir que façam algumas coletas de sangue enquanto eu preparo a sala de ressonância.

—Eu prefiro esperar aqui – Charlie se manifestou enquanto nos levantávamos – enquanto isso, posso dar alguns telefonemas?

—É claro, fique à vontade. Acompanhe-me, Cullen.

.

.

Fiquei muito tempo sendo furado, colocado em máquinas e fazendo testes enquanto minha cabeça processava tudo aquilo. Até essa manhã, eu não tinha ideia do quanto essas pessoas me odiavam e até onde esse ódio imenso poderia me prejudicar, não que eu tenha alguma noção agora, mas eu conseguia ver que esse ódio é muito maior e muito mais forte do que eu jamais imaginei. Ainda não tinha me acostumado com o fato de que minha ex-esposa tinha planejado me matar quando descubro que ela planeja repetir a dose, isso sem falar na forma como ela tentou me prejudicar com os remédios.

O que foi que eu fiz para merecer algo assim? Como se pode querer a todo custo acabar com a vida de um semelhante, por pior que ele tenha sido? A gente ganha de um inimigo sendo melhor que ele não o matando tirando ele do caminho dessa maneira suja e nojenta.

Eu estava assustado, não por mim, mas por minha mãe e o que aconteceria a ela se ela me visse a beira da morte de novo, não sei se ela suportaria passar por isso mais uma vez, sem falar, é claro em Bella.

Depois de tudo o que ela me disse na noite de meu encontro com Kate eu me preocupava em deixa-la sozinha e me preocupava principalmente em não conseguir dizer a ela o que eu sentia, em não ter tempo o suficiente de vê-la realizar seus sonhos, de vê-la ser feliz de verdade e de partilhar essa felicidade com ela.

O medo que eu sentia era enorme. Medo do que fariam comigo, medo de nunca mais recuperar a minha memória, medo do que isso causaria as pessoas a minha volta.

Meu medo era grande, mas não maior que a minha raiva.

Por mais abalado que essa história toda tenha me deixado, agora, depois de ter digerido tudo o maior sentimento que eu tinha era a raiva. Nada do que fizeram a mim ia ficar barato e todos eles pagariam caro por cada uma das miligramas do remédio que me fizeram tomar, cada segundo que eu passei em coma, que passei longe de Bella, por toda a frustração e contratempo que a falta de memória me causou nesses quase nove meses. Não importa o que eu tenha que fazer para cobrar isso, nada vai ficar barato assim.

Eu juro!

Quando a bateria de exames acabou, voltamos ao consultório e nos encontramos com Charlie que nos esperava ali.

—E então doutor? Já tem alguma resposta dos exames que colheu?

—Os de sangue é muito cedo para dizer, mas a ressonância e os raios-x são bem visíveis. O trauma aparentemente é o mesmo não aumentou nem diminuiu, como eu disse, os efeitos das substancias são muito silenciosos e é necessário algum tempo para perceber seus reais danos.

—Então vai fazer outros tipos de testes no Edward?

—Depois do resultado dos exames sanguíneos, primeiro eu preciso saber os níveis da substancias no sangue dele para também ter uma estratégia até de desintoxicação se necessário.

—Tudo bem, mas tem uma coisa que eu não entendi – Charlie pediu – por que é que você pediu para que eu viesse?

—É que claramente temos um crime e achei que com as informações obtidas aqui você poderia iniciar as investigações ou adiciona-las ao que você tem, mas ao que prece isso já está feito.

—Sim, está tudo encaminhado e com esses resultados em mãos poderemos levar esse caso para julgamento em breve. Só precisamos ter provas mais concretas nas mãos para condena-los.

—Eu espero contar com o seu apoio, Jacob.

—Claro que sim, Edward, terá meu testemunho, os laudos e exames que precisar além de todo o apoio que eu puder lhe dar. Eu estou do seu lado – ele riu balançando a cabeça – da maneira mais profissional que puder, afinal de contas, eu ainda não engoli os detalhes que sei de sua vida pessoal.

—Olha aqui... – eu fiquei em pé disposto a força-lo a ter um pouco de respeito mesmo que tivesse de esquecer tudo o que ele estava fazendo por mim, mas Charlie me segurou pelo braço, me olhando nos olhos.

—Acho melhor a gente ir embora, já acabamos o que viemos fazer aqui – eu sai andando enquanto meu amigo falava com o médico – Por favor, doutor, quando tiver um resultado dos exames nos avise.

—Sem problema, nos vemos em breve. Até mais, Cullen – não respondi aquela provocação morrendo de raiva, tentando a todo o custo me lembrar que ele estava me ajudando. Caminhei a passos duros até o meu carro e entrei esperando pelo Charlie que não demorou a aparecer. Assim que ele estava acomodado eu liguei o carro metendo o pé.

—Pelo visto, se a quadrilha quiser matar você pelos mesmos métodos vão conseguir, tendo em vista a velocidade com que você dirige esse carro mesmo depois de tudo o que acabou de ouvir.

—É porque estou furioso! – rosnei batendo no volante e pisando ainda mais fundo.

—Olha, eu sei que Jacob te provocou, mas não é para tanto.

—Estou com raiva dele, raiva de Tanya, raiva de todo mundo.

—Mas você não precisa se matar e me levar junto. Porra, eu acabei de reencontrar a minha sobrinha e tenho muita coisa para viver. Se você não consegue se controlar para o carro e me deixa dirigir – desacelerei um pouco pensando no que ele disse e respirei fundo antes de responder.

—Não, eu tô bem. Posso dirigir.

—Se você não parar por bem, eu vou te multar e apreender esse seu carro.

—O que? Não pode fazer isso!

—É claro que posso, olha para essa velocidade, sem falar nos três sinais vermelhos que você já ultrapassou. Ou você para a porra desse carro agora ou considere-se sem ele – sem escolha eu fiz o que ele disse e encostei o carro no primeiro lugar que pude. Assim que parei, Charlie desceu dando a volta e bateu na janela. Quando eu não me mexi ele continuou batendo, até que bufando lhe dei lugar.

—Está feliz agora? – perguntei emburrado enquanto ele se acomodava.

—Na verdade eu estou sim, sempre tive vontade de dirigir esse carrão – ele riu deixando o clima um pouco mais leve, mas que não foi capaz de dissipar a minha raiva por completo. Quando já dirigia por algum tempo, Charlie respirou fundo me olhando – Ei, para onde estamos indo?

—Para a casa dos meus pais, eu estou louco para ver a Bella e esquecer pelo menos por um tempo desse dia ruim.

—Tudo bem, vou dirigir até a delegacia para pegar meu carro e espero que esteja mais calmo até lá.

—Eu não sei se vou me acalmar antes de ver a Bella e sei que você tem razão ou não teria deixado você dirigir meu carro.

—O que faremos então? – perguntou rindo e eu dei de ombros.

—Venha comigo. É uma boa oportunidade para conhecer meus pais e irmãos além de passar um tempinho a mais com a Bella.

—E quanto ao carro? – perguntou depois de ponderar por algum tempo – Como eu vou embora?

—Pode ficar com ele, depois você me devolve.

—Não quero ser inconveniente – respondeu parecendo bastante tentado a aceitar – está quase na hora do jantar, vão precisar colocar mais água no feijão e não quero atrapalhar.

—Não se preocupe. Podemos passar em algum restaurante e levar alguma coisa pronta, assim ninguém vai ter trabalho algum.

—Se você diz – deu de ombros com um pequeno sorriso, parecendo bem satisfeito com nosso arranjo. Como combinado, passamos em um restaurante e compramos comida o bastante para o batalhão que havia em casa e depois Charlie foi dirigindo em direção a floresta – Por que você não liga para a Bella? – perguntou quando estávamos nos aproximando.

—Não precisa se preocupar, ainda está cedo, elas não devem estar muito avançadas na preparação do jantar e eu já disse que não vai atrapalhar.

—Não é isso o que estou falando. Acho que deve ligar para ela para não chegar lá com essa cara terrível, vai estragar a festa de todo mundo.

—Está tão ruim assim?

—Um pouco pior que ruim. Vamos, tente melhorar um pouco – respirei bem fundo antes de responder.

—Sabe que é difícil para mim, não tem ideia do que é saber que um grupo de pessoas estão dispostas a fazer o que for necessário para acabar com a sua vida a qualquer custo. Principalmente um grupo de pessoas que são próximos a você, uma pessoa que foi casada com você.

—Se quer saber, isso é mais comum do que pensa. Não é difícil ver uma mulher que quer matar seu ex – querendo me animar, Charlie fez uma piada, mas eu não ri. Percebendo que seu gracejo não surtiu efeito, meu amigo também ficou sério – Tudo bem, você tem razão, sei que deve estar arrasado.

—Na verdade, eu estou mesmo é morrendo de raiva! Não acredito que fui traído dessa maneira, que fui manipulado e cai no jogo dessas pessoas. Eu juro, Charlie, se eu tiver a oportunidade de colocar minhas mãos neles...

—Suas mãos na verdade não, não posso permitir que se suje dessa maneira, mas sei que conseguiremos que você tenha parte na sentença deles.

—Eu não sei se será o suficiente, não sei se conseguirei manter minhas mãos limpas.

—Não fala assim, Edward, não desça ao nível deles. Sei que não tem memória, mas tem que se concentrar em quem é, no homem bom e justo, o juiz implacável, sempre baseado na lei que é.

—Tudo o que eu consigo pensar agora é em vingança.

—Eu sei disso e posso te garantir que nós vamos vingar você e vamos sair limpos disso de qualquer jeito, vamos fazer justiça da maneira mais honesta e justa possível, eu prometo a você.

—Então precisamos agir o quanto antes, não podemos esperar que consigam colocar o plano em pratica e eu... – estremeci com o pensamento.

—Não, eles só vão conseguir. Para ter o seu cadáver, vão ter que passar por cima do meu.

—Obrigado, Charlie – ele assentiu e eu o guiei pelo caminho para chegarmos a casa de meus pais, cada um com seus pensamentos. Eu estava possesso com tudo o que ouvi e descobri acerca de meu acidente, mas eu também estava morrendo de ódio pelos comentários de Jacob, aquele desgraçado! Eu não vou aguentar aqueles desaforos em troca da ajuda dele, muito menos vou aturar que ele fale de minha vida, que fale de minha mulher daquela maneira.

—Eu só sei que uma coisa é certa – Charlie voltou a falar quando estávamos perto. Olhei para ele que parecia me analisar – a sua raiva não é totalmente por causa da sujeira dessa quadrilha.

—Do que está falando?

—Você está com raiva de Jacob, dá para ver isso de longe e eu não recrimino você de forma alguma. Aquele comentário foi completamente desnecessário.

—Filho da puta – resmunguei com vontade de socar algo.

—Agora eu entendo o porquê de você ter se afastado dele, mesmo sem memória não tem sangue de barata e não deve ser fácil ver um cara falar sobre sua mulher daquele jeito. Eu só não entendi o que ele quis dizer com suas escolhas.

—Jacob me recrimina por ter começado com o meu romance quando Bella era menor de idade – dei de ombros – e você tem razão, não é nada fácil ver outro cara desejando a minha mulher e por mais que ele esteja me ajudando, se continuar com essa atitude, não vou responder por mim.

—Sem querer colocar mais lenha nessa fogueira, mas deu para sentir o clima quando ele perguntou se vocês estavam morando juntos. Mas o que você tem que ter em mente é o profissionalismo dele e a disponibilidade que ele tem em ajudar a gente nesse caso – meu amigo parou o carro onde indiquei e me deu um sorriso – se você aguentar firme, eu prometo ajudar você a quebrar a cara dele depois que tudo isso passar.

—Só se você segura-lo, por que eu faço questão de acabar com ele sozinho.

—Pode ser também – ele deu de ombros e eu ri.

—Fechado. Agora vem, vamos entrar – descemos do carro e enquanto caminhávamos até a porta Charlie continuou.

—Agora podemos finalmente poder parar de falar nisso e você pode deixar seu ciúme de lado.

—Não é exatamente um ciúme, só não gosto de ver outra pessoa apaixonada pela minha mulher – abri a porta da casa de Rosalie convidando Charlie para entrar comigo.

Ainda estava cedo, por isso, ao entramos demos de cara com a minha cunhada deitada no sofá acariciando sua enorme barriga e seus filhos espalhados pela pequena sala fazendo o dever. Eu logo vi a minha Bella sentada entre Ella e John ajudando-os, mas assim que ouviu a porta, ela ficou em pé vindo em nossa direção.

-Eu estou tão feliz em ver vocês! – exclamou me presenteando com seu mais belo sorriso e se aproximando do tio para lhe dar um abraço.

-Edward disse que seria uma boa oportunidade de nos vermos de novo.

—Não poderia concordar mais. É muito bom te ver de novo.

—Quem é ele, tia Bella? – Ellie se aproximou e enquanto minha senhorita apresentava seu tio a família, John puxou meu paletó.

—Você veio levar a tia Bella embora?

—Ainda não, vamos jantar aqui hoje.

—Mas depois você vai levar ela embora, não é?

—Sim, eu vou sim.

—E por que?

—Nós precisamos voltar para casa, do mesmo jeito que você também precisa.

—Mas por que você não vai e deixa a tia Bella aqui? – franzi o cenho e me abaixei a sua altura.

—Porque Bella mora comigo. Você precisa ir para casa com seus pais e eu preciso ir com ela.

—Mas a tia Bella pode morar comigo também. Eu quero que ela more comigo para sempre, porque eu amo a tia Bella e não quero que ela fique longe de mim – eu ri sem acreditar no que estava ouvindo. Além de um médico sem noção agora tinha um menino de onze anos apaixonado pela minha mulher. Eu me sentei no chão e chamei meu sobrinho para se sentar ao meu lado.

—Escute, John, eu não posso deixar a tia Bella morar com você, por que eu a amo também.

—Você ama?

—Sim, eu amo muito.

—Mas a tia Bella disse que você não a amava.

—O que? Bella disse isso? – perguntei confuso e ele assentiu com veemência.

—Ela disse a tia Rose que tinha medo de que um dia você se esquecesse dela e assim ela não teria para onde ir, então eu quero que ela fique comigo.

—Olha, isso nunca vai acontecer. Eu quero me casar com a sua tia e viver com ela para o resto da minha vida.

—E eu também quero. Vou trabalhar com o papai e construir uma casa aqui do lado e vou dar uma boa vida para ela – eu ri mais uma vez, mas parei logo ao ver como ele estava sério e seguro do que estava dizendo. Então respirei fundo tocando seu ombro.

—Vai ter a oportunidade de se casar um dia, com uma mulher da sua idade que vai se sentir honrada em morar na casa que vai construir e ser a sua esposa, mas Bella não vai poder viver isso com você por que vai ter tudo isso comigo. Foi a mim que ela escolheu.

—Mas eu queria tanto... – baguncei os cabelos loiros de meu sobrinho e ao erguer os olhos vi meu anjo sorrindo para nós dois, senti meu coração apertado dentro do peito e o medo que eu tive de deixa-la sozinha se fez mais forte outra vez.

—Vamos fazer o seguinte, eu jamais vou deixar a tia Bella longe de você, vai vê-la sempre que você quiser. Ela vai estar sempre por aqui ou você pode ir para nossa casa sempre que quiser e se, algum dia acontecer algo ruim comigo...

—Igual o acidente que você teve? – eu assenti ainda olhando para o rosto sério de meu sobrinho.

—Se eu não puder mais cuidar dela, eu quero que você cuide muito bem de Bella para mim. Você conseguiria fazer isso?

—É claro que sim, sou um homem agora.

—É verdade, você é e eu confio em você.

—Obrigado, tio Edward – ele me abraçou rapidamente e depois se levantou indo com os outros em volta da comida que estava sendo desembalada e eu permaneci naquele chão por mais algum tempo perdido em pensamentos a respeito de tudo o que eu ouvi hoje e de tudo o que poderia acontecer se eu não tomasse cuidado, se eu não lutasse pela minha vida.

Nessa hora, meus pais, irmãos e Alice chegaram em casa e eu me dei conta de que teria muito muito a perder se ficasse de braços cruzados. Eu não poderia me deixar vencer outra vez, não poderia deixar que tirassem de mim o momento maravilhoso que eu tenho vivido.

—O que você está fazendo ai? – Bella perguntou sentando ao meu lado e eu sorri para ela estreitando meus olhos.

—Estou aqui completamente abandonado. Você nem me disse oi.

—Sinto muito, Edward. Eu fiquei empolgada quando vi meu tio e... depois de passar o dia todo longe de você, eu acho que um simples oi não bastaria – sem que eu pudesse esperar, Bella veio para cima de mim, seu beijo me tirando o folego e ao mesmo tempo que tranquilizava meu coração, ia me dando forças para lutar ainda mais por ela, por nós.

—Senti sua falta – sussurrei com nossos lábios unidos antes de puxa-la ainda mais para meus braços, me perdendo em seu cheiro reconfortante, em seu toque acolhedor.

—Eu também, muita.

—Tive um dia péssimo e tudo o que eu precisava era ter você assim, bem perto.

—Não vou me afastar nem por um minuto mais essa noite e não vejo a hora de voltar para casa com você.

—Eu também não – eu a beijei mais uma vez apertando seu corpo contra o meu – você sempre me faz sentir melhor.

—Sou louca por você, Edward, faço qualquer coisa por você – eu a abracei com mais força, sentindo meu coração bater mais forte e com vontade de abrir meu coração e finalmente poder dizer como eu me sinto. Segurei o queixo de Bella fazendo com que nossos olhos se encontrassem.

Não precisei pensar muito sobre se diria ou não, depois de tudo o que ouvi hoje me fizeram encarar a vida com outra perspectiva, eu não podia mais guardar nada para mim, uma vez que não sabia o dia de amanhã, não sabia o que poderia me acontecer.

Ainda olhando naqueles lindos olhos cor de chocolate, tentei pensar em uma maneira de colocar em palavras tudo o que vinha sentindo desde que abri meus olhos.

—Bella... eu...

—Ei, vocês dois ai – Emmett me interrompeu antes que eu pudesse dizer qualquer coisa – vão jantar conosco? Se a resposta for não, sugiro que vão para a casa de vocês, tem crianças aqui.

—Cala a boca Emm! – eu ri me levantando – e deixe um pouco de comida para nós.

Nós nos aproximamos dos outros e como me prometeu, minha namorada não ficou longe de mim durante toda a noite, sempre me olhando ou tocando em mim. Apesar de estar interagindo com minha família, eu estava imerso em Bella, em suas conversas animadas com o tio, em seus sorrisos com as crianças, nela toda.

Bella estava simplesmente radiante com a família toda reunida, sua alegria era contagiante, tanto que eu logo pude relaxar também deixando de lado minhas angustias e preocupações para aproveitar o tempo com as pessoas que eu amo. Charlie estava se sentindo em casa em meio a minha família, eu não sabia, mas eles se conheceram quando eu sofri o acidente e agora estavam bem íntimos, como amigos de longa data, era legal vê-lo cheio de assunto com meus pais e irmãos ao mesmo tempo em que conhecia mais de Bella

—Cara, que comida boa! – Emmett bateu na barriga se jogando no sofá – Eu comi como um lorde.

—Adoramos a comida, mas não precisava ter se preocupado.

—Tudo bem, Esme, admita que foi bom a gente ter uma folguinha da cozinha – Rosalie se sentou com dificuldade ao lado de seu marido e Alice riu.

—Como se você cozinhasse alguma coisa, todo mundo sabe que é Bella quem cozinha desde que começou a vir para cá.

—Então é por isso que a comida tem sido muito melhor de uns tempos para cá – Jasper zombou – eu pensei que Rose estivesse tentando se superar, mas tem coisas que não mudam. Não acredito que me deixei enganar desse jeito.

—Bella realmente cozinha que é uma beleza – Charlie concordou fazendo minha namorada enfiar o rosto em meu pescoço envergonhada, me fazendo rir.

—Não precisa ficar com tanta vergonha – cochichei para ela – todo mundo aqui sabe que você é perfeita.

—Eu quero ir para casa – pediu com um sorriso fraco e eu beijei seus lábios com carinho assentindo.

—Tudo o que você quiser – nós nos despedimos de todos e Charlie nos deixou em casa antes de ir levando meu carro. Bella foi em silencio todo o caminho enquanto eu combinava uma reunião com o delegado no dia seguinte.

—Você está bem? – perguntei a ela quando estávamos dentro de casa a abraçando com força.

—Eu estou sim, só um pouco cansada. Meu corpo dói, mas não é nada demais. Tive um dia muito longo, Rosalie passou mal e as crianças estavam muito agitadas. Tudo o que eu mais quero é tomar um banho e me deitar com você, me perder em seus braços e não pensar em mais nada – sorrindo eu a puxei para meus braços e sussurrei em seu ouvido.

—Essa foi a melhor coisa que eu ouvi hoje.

Notas finais
E então, o que acharam? Contem para mim, por favor! Mal posso esperar para saber! Obrigada por estarem aqui, bem vinda novas leitoras! Mil beijos, até breve!