Memórias
7 Encontrando-me
Notas iniciais
Abri a porta e fiquei congelado no lugar.
Desde que acordei eu me senti estranho, intruso em todos os lugares que estive e com todas as pessoas com que conversei, como se elas fossem de um mundo e eu de outro.
Agora eu vejo que existe um por que.
Quando abri aquela porta, era como se eu tivesse sido transportado para outro mundo, o qual Bella disse que só pertencia a nós.
O espaço estava parcamente iluminado deixando uma penumbra sensual, mas eu pude ver que aquele lugar remetia a idade média, pelo menos era o que parecia pelos moveis antigos, entalhados em madeira maciça: A cama de dossel, a única cadeira em frente a cama — grande com braços para apoio e estofado vermelho e toda rebuscada, parecendo um trono -, a mesa do outro lado, bem no meio do quarto e uma cômoda bem grande com várias gavetas. O século quinze estava presente também pela seleção de objetos de tortura dali: Chicotes, açoites, cintos e varas de todos os tipos e tamanhos, sem falar nas diversas algemas, correntes, coleiras e cordas espalhados pelo lugar, expostos como em um museu.
Eu ainda estava olhando enquanto tentava organizar meus pensamentos, procurando em minha cabeça desmemoriada alguma lembrança que dissesse respeito a essas sensações de reconhecimento que me tomaram desde que abri a porta, mas sou distraído quando sinto mais do que vejo um movimento abaixo de mim. Quando olho, vejo Bella ajoelhada, completamente nua a minha frente beijando demoradamente um dos meus pés e depois o outro.
Ao terminar, ela se sentou ereta sobre os próprios pés, com as mãos sobre as coxas e ficou olhando para baixo completamente imóvel, tanto que nem parecia respirar.
Aquilo era muito, muito quente, por que Isabella era verdadeiramente uma bela visão.
Seus longos cabelos, tão castanhos quanto seus olhos, faziam contraste com sua bela pele de alabastro se estendendo até a cintura. Eu fiquei hipnotizado olhando para seus lindos seios empinados, de mamilos rosados e eretos pedindo pelo meu toque. Sua pele parecia tão macia, como seda e fizeram minhas mãos formigarem de vontade de toca-la, de tê-la inteiramente para mim. Suas pernas estavam separadas me dando a visão da sua bela boceta, fazendo meu pau se contorcer dentro da calça assim como meus pensamentos.
—Bella? — eu a chamei com a voz rouca, mas ela não olhou para mim.
—Sim, meu senhor.
—O que está acontecendo? O que você está fazendo ai, assim?
—Estava apenas te cumprimentando, meu senhor, e aqui estou a seu inteiro dispor — ela disse isso abrindo um pouco mais as pernas como se para mostrar tudo o que tinha para oferecer.
E eu respirei fundo tentando me controlar, mas era difícil por que eu queria aquilo. Queria muito.
Aquela visão estava me deixando atordoado, aquela mulher perfeita ali, tão exposta, se oferecendo para mim não me deixava pensar em mais nada a não ser toma-la, como queria que eu fizesse.
—Bella... Eu não estou entendendo... Onde estamos?
—É um quarto de jogos, senhor, o seu quarto de jogos.
—De jogos? — perguntei olhando em volta — com o que posso jogar aqui?
—Com tudo, senhor, comigo — eu engoli tentando recuperar o ar em meu pulmão.
De algum modo, eu me lembrava daqui, da sensação de estar nesse quarto, mas não sabia exatamente o que aconteceu ou o que acontecia entre essas paredes e isso me deixava ainda mais atordoado, mais confuso, mais excitado.
—Que tipo de jogos podemos fazer aqui? — perguntei tentando organizar meus pensamentos.
—Dos que nos dão muito prazer...
—Prazer? Com sexo?
—Sim, senhor — ela respondeu com um suspiro, como se fosse tudo o que desejava.
Merda! Era tão fácil ler suas reações, ler como seu corpo ali, ajoelhado diante do meu, completamente a minha mercê, claramente desejando que eu a tomasse. Seu jeito, sua postura pediam, imploravam por isso.
Respirei fundo.
Eu queria muito dar o que ela estava me pedindo, mas precisava entender melhor o que estava acontecendo antes de mais nada.
—Eu não posso... Não posso imaginar como... — eu vi um pequeno sorriso nos lábios de Bela quando não consegui dizer mais nada.
—Posso falar livremente, senhor?
—Por favor!
—Sei que pode ser difícil de assimilar, foi assim comigo também quando o senhor conversou comigo, quando me apresentou a tudo isso, mas isso é parte de quem somos...
—Eu não estou entendendo nada, não vou conseguir com você assim, tomando toda a minha atenção. Levante-se e vista alguma coisa para que eu possa me concentrar.
—Sim, senhor — sem hesitar, Bella levantou-se e vestiu um roupão de seda que estava atrás da porta.
Ainda desconcertado com a visão de seu corpo nu, eu caminhei até a grande cadeira de frente para a cama e me sentei ali, tentando me concentrar em entender o que está acontecendo. Bella veio até mim depois de vestida e se ajoelhou a minha frente, da mesma forma como estava a porta quando entrei, me esperando, aguardando minhas ordens, com o olhar baixo, respeitosamente.
Eu fiquei um bom tempo olhando para ela, admirando sua beleza e isso me acalmou, me deixando pensar com mais clareza.
—Certo, Bella, agora me conte.
—Eu sou sua submissa, meu senhor — ela disse simplesmente me fazendo franzir o cenho.
—E o que isso quer dizer?
—Quer dizer que estou inteiramente ao seu dispor, meu corpo é seu, meu senhor, minha mente é sua. Estou pronta para te obedecer e te satisfazer em tudo é só me dizer em que.
—Então você é como uma escrava para mim? — conclui depois de pensar no assunto por alguns minutos.
—Não senhor, não como uma escrava. Os escravos não tem querer, fazem o que são ordenados e pronto. Eu quero tudo o que fazemos, estou aqui de livre e espontânea vontade, senhor, em busca de seu prazer.
—Prazer? — repeti me atendo ao fato de que não era a primeira vez que Bella falava sobre isso e por que, ao olhar em volta, eu não via nada que pudesse nos proporcionar prazer. Era confuso — Como encontramos prazer em tudo isso? O que tem aqui, são instrumentos que causam dor...
—Existe uma linha tênue entre o prazer e a dor e aqui, nós a exploramos.
—Como isso funciona?
—Fazemos algumas cenas durante o fim de semana em que eu me entrego ao senhor, me submeto para que possa explorar meus limites em busca do seu prazer.
—Então, tudo se resume a este quarto e o que fazemos nele?
—Há muito mais, senhor.
—O que mais?
—Há disciplina. Nós temos regras, regras que o senhor mesmo estabeleceu para que eu me comporte da maneira que mais lhe agrada e assim, se eu as sigo, sou recompensada, se as desobedeço sou castigada.
—Castigada como?
—Há castigos muito variados, senhor, depende da infração cometida.
—Quais os mais recorrentes?
—Não sei ao certo, o senhor sempre faz o que acha necessário, mas os físicos....
—Castigos físicos? — eu a interrompi olhando em volta para todos aqueles cintos e varas — Eu bato em você? É isso que está querendo dizer?
—Apenas quando eu mereço, senhor.
—Por que você deixa? — perguntei ofegante pelas imagens que surgiram em minha mente e querendo saber o que se passava na dela.
—Tudo o que eu quero é agrada-lo, senhor. Eu não tinha mais motivos para viver e o senhor me deu um, vivo para dar prazer ao senhor.
—E o que ganha com isso?
—Ganho a sua atenção, seus cuidados — ela sorriu — e é claro, eu ganho muito prazer também.
Ela estava sorrindo como se estivesse se lembrando de algo muito bom. E foi com certa satisfação que percebi que ela gostava disso.
—E você... gosta — afirmei por fim e a vi assentir.
—Não poderia ser mais feliz, meu senhor.
Eu não sabia o que pensar diante de tudo, em primeiro lugar por que eu me sentia diferente desde o momento em que abri aquela porta. Ali eu me sentia o dono do mundo ao meu redor, mas ao mesmo tempo eu me sentia um nada.
Havia muita culpa em mim por estar morrendo de tesão ao ver aquela linda senhorita, uma menina jovem demais para estar aqui, desse jeito a minha frente e esse era o segundo motivo para eu não conseguir colocar meus pensamentos em ordem. Tudo o que Jasper disse sobre mim hoje e as conclusões que tirei sobre meu próprio caráter depois disso, estavam fazendo sentido, me deixando atordoado quando em contraste com as ideias que eu estava tendo com ela ali, por saber que estava nua debaixo daquele robe, sozinha comigo naquele lugar tão sensual.
—Você é jovem demais...- soltei o que minha cabeça gritava, passando as mãos pelos meus cabelos — Você é minha protegida, protegida como uma filha...
—Não, senhor, não sou tão jovem assim. Temos pouco mais de dez anos de diferença. Não é tanto, não para uma relação de pai e filha.
—Desde quando eu faço isso com você?
—Tem um tempo já — respondeu evasivamente como sempre e eu respirei fundo tentado me controlar e então receber minhas respostas completas.
—Quantos anos você tinha?
—Dezesseis, senhor.
—Meu Deus! — fiquei ainda mais atormentado — E eu já cheguei batendo em você?
—Não senhor, não é assim, sei que o senhor sabe, lá no fundo. Eu lhe disse que tudo o que temos é muito bonito e é a mais pura verdade.
—Bonito como?
—Por que foi assim, bem aqui que o senhor me salvou.
—O que? Como eu posso ter te salvado? Você era pouco mais que uma criança e deve ter passado por maus bocados na vida. Achou que tinha se salvado ao me encontrar, mas não foi bem assim. Eu só te deflorei e bati em você...
—O senhor não me deflorou, senhor Cullen. Quem dera que fosse o meu primeiro — ela disse com os olhos baixos, assim como sua voz — Como eu lhe disse esta manhã, minha mãe é usuária de drogas e eu acabei indo morar com ela quando minha avó morreu. Ninguém sabia ou sabe até hoje quem é o meu pai e por isso eu fui entregue a ela. Eu tinha doze anos. Nos primeiros meses eu conseguia me virar por que ela e seu marido Phil não se importavam muito comigo e na medida do possível eu estava bem, até que... Até que um dos traficantes que forneciam drogas para eles veio cobrar uma dívida de minha mãe e ela não tinha dinheiro para pagar. Foi então que ela me ofereceu para ele — Bella respirou fundo.
—Durante os anos que fiquei lá, eu era a moeda de troca deles, era oferecida para quem desse mais drogas ou para quem me quisesse e pagasse por isso. Por mais que eu chorasse, por mais que implorasse ou rezasse isso não passava. Eu tentei fugir, várias e várias vezes, mas eles sempre me encontravam. Eu não sabia mais o que fazer, não aguentava mais até que finalmente minhas preces foram ouvidas e eu consegui me ver livre de lá. As vizinhas os denunciaram e senhor, meu salvador, tirou minha guarda deles...
—Eu só fiz o meu trabalho — dei de ombros não sentindo merecedor do tom de adoração que ela usava ao se referir a mim.
—O senhor fez mais do que isso. Eu iria para uma casa de custódia qualquer, como qualquer adolescente que não tinha mais ninguém por si e eu estava muito, muito grata pelo meu pesadelo ter acabado — ela deu um leve sorriso, ainda ajoelhada sem olhar para mim — quando a audiência terminou, o senhor veio ao meu encontro e pessoalmente me levou dali e eu o acompanhei sem hesitar, grata demais para pensar qualquer outra coisa, ate que chegamos aqui. Foi quando o senhor me disse que eu não iria para um abrigo, que ficaria ali, em seu apartamento. Eu não sabia o que esperar e serei muito sincera ao dizer que tive medo. O senhor, pelo pouco tempo em que pude observar em seu meio de trabalho, era muito temido e todo mundo abaixava a cabeça para o senhor, todos aqueles homens importantes de terno se encolhiam quando o senhor estava por perto e eu, que não era mais que uma poeira, ficaria perdida com sua grandeza — ela abaixou a cabeça como se confessasse algo muito vergonhoso — eu cheguei a pensar que meu pesadelo recomeçaria e que só me queria aqui para ter o que aqueles homens tinham de mim...
—E foi o que eu fiz...- sussurrei e ela sorriu.
—Não foi, senhor. Eu nunca fui mais bem tratada em minha vida. O senhor foi um bom amigo, no começo. Procurava conversar comigo e se certificar que eu estava bem, física e mentalmente bem. O senhor e levou a médicos que fizeram milhares de exames para ter certeza que eu não havia contraído doença nenhuma e a psicólogos, a psiquiatras que me atendiam regularmente. Contratou uma mulher muito boa para cuidar de mim, uma professora que vinha me dar aulas, por que eu não conseguia sair de casa para ir á escola. O senhor construiu uma vida nova para mim completamente diferente do que eu tinha, me cercando de todos os cuidados possíveis, mas... eu não estava melhorando. Quase dois anos já tinham se passado que eu estava aqui longe de tudo que me era ruim, mas eu continuava tendo crises de pânico chorando e sempre muito assustada por conta de tudo o que vivi naquele inferno. Os psicólogos, os psiquiatras, os remédios que eu tomava não estavam adiantando nada e foi então que o senhor me ajudou.
—O que foi que eu fiz?
—Nós tivemos uma longa conversa, em primeiro lugar. O senhor disse que tudo o que eu precisava era esquecer o que tinha acontecido que eu precisava ter controle sobre os meus pensamentos. Eu argumentei que não tinha conseguido isso em dois anos, que não seria fácil conseguir de uma hora outra e então o senhor se ofereceu para fazer isso. Eu deveria deixar que o senhor cuidasse de tudo e que eu ficaria bem se eu te obedecesse, fazendo apenas o que me ordenasse. Foi então que as regras surgiram.
—No início as regras diziam respeito apenas as minhas tarefas. O senhor me dava tarefas diárias como dar uma volta na rua sozinha, fazendo com que eu enfrentasse esse meu medo, que eu resolvesse todos os problemas de cálculo que a professora deixava, por que eu sempre odiei matemática e que tomasse todos os meus remédios na hora certa. Eu tinha também que encontrar algo para me distrair e não pensar no que me fazia mal e assim, me concentrar para estar bem quando o senhor chegasse por que queria me ver sorrindo, queria me ver bem. E funcionou. Poucos meses depois eu estava bem melhor do que já estive ao chegar aqui e passei a confiar ainda mais no senhor diante das melhoras que tive.
—É claro que o cumprimento dessas ordens me traziam prêmios como alguns presentes que eram muito preciosos para mim, por mais simples que fosse ou quando o senhor passava um dia inteirinho comigo com passeios e momentos felizes. Mas também o senhor me castigava se eu não as cumprisse, ficava dias sem me ver, mal falava comigo e era muito ruim, por isso eu as cumpria, para não ver o senhor decepcionado comigo. Isso funcionou muito bem até que...
—O que? — perguntei quando ela hesitou.
—Até que o senhor me beijou — prendi a respiração com medo do que viria a seguir, mas relaxei ao perceber o leve sorriso dela — foi como hoje, o senhor se empolgou com alguma coisa que eu disse e veio para cima de mim. Eu fiquei assustada é claro, tive medo do que viria até por que toda a experiência que eu tive desse gênero era terrível e tinham me machucado, me assustado muito. O senhor viu que tinha me assustado e então me tranquilizou dizendo que jamais me machucaria que cuidaria de mim da melhor forma possível que bastava apenas que eu confiasse no senhor.
—E o que você fez?
—Eu confiei, é claro que confiei. O senhor foi a única pessoa que foi boa comigo em toda a minha vida, eu sabia que poderia confiar. Naquele mesmo dia, o senhor disse que eu era linda e que gostava de mim, que queria que eu fosse sua de todas as formas possíveis, mais do que já era.
—O que eu fiz então?
—O senhor me levou para a sua cama, mas... mas não deu certo, por que eu ainda me lembrava muito bem do que tinha vivido e tinha medo. Eu confiava no senhor e disse o que estava sentindo, contei minhas inseguranças e mesmo estando quase no ato em si, o senhor parou, meu ouviu e disse que estava tudo bem, que tudo o que queria era cuidar de mim, me dar prazer. Quando eu estava mais calma, o senhor pediu que eu me vestisse por que iríamos sair.
—Mesmo depois de ter me tratado tão bem e com tanto carinho, tudo o que eu pensei era que com aquele gesto o senhor queria me jogar em algum lugar qualquer por que não servia para o que o mais queria, mas não foi assim.
—Para onde eu levei você?
—Aquela foi a primeira vez que o senhor me levou ao quarto de jogos.
—Você estava com medo e eu te trouxe para cá?
—O senhor me levou para o quarto de jogos que temos em nosso lugar, onde passamos nossos fins de semana juntos.
—É como esse que temos aqui?
—Ele é maior, mais completo. O senhor montou esse para quando vem me ver nos dias de semana e para as sextas feiras...
—Conte sobre isso depois. Quero que continue com o que estava dizendo.
—Quando chegamos lá, o senhor se sentou comigo e me explicou que queria duas coisas: a primeira delas era que eu esquecesse tudo de ruim que o sexo poderia trazer. Disse que o sexo é muito bom, era muito melhor do que a pequena amostra que tinha me dado no apartamento e que tudo o que é feito em uma cama deve ser consensual e trazer prazer para as duas pessoas que fazem parte dela. O senhor me deixou muito claro que só faria o que eu quisesse, que não seria obrigada a nada, as coisas seguiriam de modo normal se eu não quisesse, mas se eu aceitasse o senhor seria muito feliz.
—E a segunda coisa?
—O senhor disse que estava louco para me comer — ela deu um leve sorriso — o senhor disse que morria de tesão por mim e que queria muito que eu fosse sua. Só então me explicou por que eu estava lá e o que seriamos juntos. O senhor disse que se eu aceitasse, seria meu dominador e dominaria meu corpo e minha mente enquanto estivéssemos juntos, só teriam coisas boas em nossas vidas, se eu aceitasse.
—Você obviamente aceitou, mas eu não consigo entender como eu convenci você a fazer isso...
—Foi desse jeito, senhor — eu a vi ficar vermelha, seu rosto ficou muito corado e ela falou com a voz baixa — o senhor é um homem bom, muito bonito, qualquer mulher em sã consciência gostaria de lhe agradar de alguma forma. Eu gostaria de pertencer ao senhor.
—E quanto ao resto?
—O senhor me explicou tudo antes de nossa primeira cena. Tudo o que queria era conhecer meus limites e para isso era necessária minhas palavras de segurança que guiavam o senhor em tudo. Assim fomos nos encaixando e agora o senhor sabe o que é bom para mim, eu lhe disse que me conhece melhor que a mim mesma.
—Fazemos isso todo o final de semana desde então?
—Sim, senhor.
—E não se arrependeu disso, nunca?
—Não senhor. Eu lhe disse que sou muito feliz — Bella deu mais um pequeno sorriso. Os sorrisos que ela dava aqui eram quase que imperceptíveis como que não devesse sorrir, mas como não podia evitar, fazia da forma mais sutil possível e me faziam sorrir da mesma forma. Era adorável.
Bella não parecia estar mentindo, seu sorriso discreto e a forma como seu corpo estava, mesmo completamente imóvel, parecia ansiosa para que estivéssemos juntos, pedindo, implorando por isso e porra, eu queria aquilo, queria ter tudo o que ela estava me oferecendo, mas eu ainda tinha algumas coisas para esclarecer.
—Olhe para mim — pedi e ela me obedeceu imediatamente, cravando seus lindos olhos nos meus — Eu já bati em você?
—O senhor bate em mim o tempo todo — ela me respondeu com o sorriso discreto brincando em seus lábios e eu suspirei.
—Quero saber se eu já te machuquei de verdade, Isabella.
—Não vou negar que já passei por castigos muito dolorosos aqui, mas nada que eu não suportasse. O senhor me conhece muito bem e nunca faria nada que eu não pudesse suportar. Conhece meus limites.
Nós ficamos nos olhando por um longo tempo.
Alguma coisa dentro de mim reconhecia cada palavra que ela dizia sobre nós e esse lugar, a mesma força que me fez reconhecer esse lugar como parte de mim e tudo o que eu queria era leva-la para aquela cama enorme e fazer nós dois muito felizes, mas eu queria saber um pouco mais antes de qualquer coisa.
Eu não sabia mais o que perguntar apesar de ter muito o que quero saber e parecendo perceber isso, Bella disse ainda sem desviar os olhos dos meus:
—Eu não sei se consegui passar para o senhor como passou para mim quando me apresentou a esse mundo, e imagino que em sua cabeça deve estar passando o mesmo que na minha quando escutei tudo isso pela primeira vez, mas não podemos tirar conclusões pelo que sabemos, ou pelo que ouvimos a respeito. Tudo aqui é questão de sentir, nossos sentimentos devem falar mais alto.
—Fazendo sexo selvagem?
—É muito mais que isso, nossa ligação é muito forte, meu senhor, somos ligados por um estilo de vida e pela confiança que eu tenho pelo senhor, pelo cuidado que o senhor tem por mim. Eu espero que possa recuperar sua memória, para que possamos retomar de onde paramos...
—Mas e se isso nunca acontecer? — respirei fundo olhando nos olhos dela — Bella, você sabe que eu não me lembro de nada, não fazia ideia desse lugar, de você... De nós. Eu não sei o que... Eu posso...
—Senhor, isso é algo que está dentro de nós, nós somos assim. Não pense em mais nada, apenas deixe que seus instintos o guiem de volta para nós, para mim.
Eu estava prestes a fazer como ela disse, mas me lembrei de algo muito importante e continuei olhando para ela, para desvendar suas respostas ocultas.
—Você sabe que eu sou casado?
—Sim senhor — ela olhou para baixo por um instante antes de encontrar meus olhos novamente — o senhor me disse assim que nos conhecemos.
—E ela sabe sobre você?
—Provavelmente sim. Muita gente sabe que o senhor me mantem aqui, que sou sua protegida.
—Quero saber se ela sabe sobre nós dois nesse quarto.
—Disso eu não sei senhor, nunca me falou sobre isso.
—Então ela não vem aqui?
—Não senhor, somos sempre só nós dois — eu assenti e respirei fundo ainda olhando para ela, por um longo minuto até que ela corou e disse — Permita que eu lhe faça um pedido, meu senhor?
—O que quiser — consenti sem pensar duas vezes.
—Faça uma cena comigo?
—O que?
—Eu estou com tanta saudade, meu senhor. Por favor, deixe-me mostrar o quanto senti sua falta — antes que eu pudesse responder, ou pensar em algo para dizer a ela, Bella ficou de pé e tirou o roupão revelando sua nudez exuberante, me fazendo ficar sem ar.
Assim que se viu livre de sua vestimenta, Bella voltou a se ajoelhar e engatinhou em minha direção, lentamente. Ao chegar bem próxima a mim ela tocou minha perna e foi subindo devagar por meus joelhos, minhas coxas até que suas mãos pequenas tocaram em meu pau que já estava quente em expectativa desde que eu tinha olhado para ela.
—Deixe-me lembra-lo que sou uma boa menina, meu senhor, por favor, deixe-me lhe dar prazer — eu gemi enquanto ela alcançava meu cinto se preparando para abri-lo me deixando momentaneamente sem reação, apenas observando enquanto ela sorria para mim — eu posso, senhor?
Assenti por que estava louco por isso tanto quanto Bella que se apressou em retirar meu cinto e abrir minha calça, tentando parecer tranquila fazendo tudo com calma, mas eu podia sentir sua ansiedade em cada movimento, em cada respiração.
Ela não esperou que eu a ajudasse a tirar minha calça, por que tão logo minha braguilha estava aberta, sua boca estava em meu pau o chupando com voracidade.
Gemi maravilhado e agarrei seus cabelos os tirando da frente de seu rosto para que eu a pudesse observar enquanto me devorava com a sua boca ávida e quente me fazendo perder a cabeça.
—Porra! — eu gemi a incentivando e ela não parou, chupando com força, verdadeiramente me devorando, me enlouquecendo e me fazendo gozar loucamente.
Bella só se afastou quando percebeu que já não poderia tirar mais nenhuma gota de mim, quando tinha sugado tudo o que podia e engolindo cada gota.
Meu peito doía tentando encontrar o ar que tinha desaparecido enquanto eu tentava me recuperar desse prazer intenso que aquela senhorita me deu. Foi uma delícia ver como ela gostava disso e o quanto estava empenhada em me agradar, em me fazer gozar.
Eu não conseguia pensar em mais nada, apenas que eu queria isso, que eu queria muito estar com ela e esquecer que o mundo lá fora existe. Queria que fosse como ela disse, apenas ela e eu em nosso próprio mundo.
Eu ainda não sabia o que fazer com tudo o que ela jogou em cima de mim, mas também não estava em condições de pensar nisso agora, principalmente por que eu estava em êxtase diante de todo o prazer que ela tinha me proporcionado que ainda fazia meu corpo tremer e quando eu abri meus olhos vendo Bella novamente ajoelhada a minha frente com os olhos baixos, esperando, eu só conseguia pensar em uma coisa que eu queria agora.
—Parece que você sentiu mesmo a minha falta, não foi, Bella? — perguntei baixinho, bem próximo ao seu ouvido, vendo-a tremer.
—Sim, senhor — respondeu prontamente ainda respirando com dificuldade o rosto vermelho sem levantar seus olhos para mim. Ela passou a língua rapidamente pelo lábio inferior antes de morde-lo levemente por um instante antes de continuar — eu senti muita a sua falta, senhor, muita.
Aquela resposta foi direto para o meu pau e tudo o que eu queria era mais, mais dela, mais de nós dois. Então, eu me levantei comecei a tirar minha roupa lentamente, vendo a respiração de Bella acelerar a medida que minhas roupas caiam no chão, e assim que estava nu, segurei Bella pelo braço e a fiz ficar em pé.
Agarrei sua cintura puxando nossos corpos e foi inevitável não gemer estando assim tão perto desse corpo tão macio, essa pele deliciosa em contato com a minha. O corpo dela tremia junto ao meu e eu tive que segura-la já que suas pernas pareciam não conseguir fazer isso.
Eu não conseguia tirar meus olhos dela que arfava, ansiosa, desejosa, entregue, me deixando da mesma maneira.
Eu então a beijei, levando-a para cama, louco para saborear a minha Bella e entrar de vez em nosso mundo.
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