Memórias

4 Desconhecendo


Notas iniciais
Senhoritas, como estão? Trazendo mais um capítulo para vocês e eu espero que gostem bastante :) Boa leitura

–Finalmente em casa, meu amor — Tanya disse enquanto passávamos por portões muito imponentes e elegantes.

–É aqui que nós moramos? — ela assentiu sorrindo e parou o carro na garagem ao lado de outros dois muito mais bonitos do que o volvo prata em que estávamos.

–Eu estou muito feliz em finalmente ter você aqui, de novo para mim — ela me beijou rapidamente antes de descer do carro e correr para abrir a porta para mim — vem, vamos entrar.

Segurei a mão que me era estendia e a segui para o jardim enorme e muito bonito. A casa era incrível, dessas que não se imagina que alguém possa morar nela, bonita e elegante, era realmente uma propriedade muito impressionante. Tanya e eu caminhamos por ela e ela foi me mostrando cada parte contando lembranças que tinha de nós dois em cada lugar.

–Você disse que eu ganhava bem, mas eu não imaginei que fosse tanto assim — eu disse quando nos sentamos na sala depois de um tour pela casa. Tanya se aconchegou em meus braços com a cabeça em meu peito — isso tudo é fruto do nosso trabalho?

–Nós trabalhamos muito para termos tudo isso sim, Edward, trabalho muito, muito duro.

–E começamos do zero? Eu pude perceber que minha família é muito simples e não pode ter nos ajudado.

–Eles não nos ajudariam nem se tivessem condições para isso — ela me olhou revirando os olhos antes de sorrir — mas no começo tivemos a ajuda de uma herança que recebi de meus pais. Foi quando você pôde investir nos seus estudos e conseguir ser um juiz de sucesso.

–E a partir dai construímos tudo isso? — disse ainda admirado com a grandeza do lugar.

–Eu ajudei, mas o mérito é seu. Você sempre foi uma máquina de trabalho, sempre procurando estudar mais, trabalhar mais para chegar cada vez mais longe, e merece tudo isso.

–Eu acho que nós merecemos, não? — ela assentiu beijando minha bochecha antes de suspirar.

–E agora merecemos descanso também.

–Por que diz isso?

–É que... já que estamos falando sobre esse assunto, é melhor que saiba que seu trabalho trouxe tudo que temos, mas também traz coisas que nem sempre são tão boas.

–O que quer dizer?

–Alguns dias antes de seu acidente, você condenou a prisão perpétua um homem muito poderoso que carregava milhares de morte nas costas. Ele estava recorrendo da primeira sentença e por azar foi você quem o condenou da outra vez e não mudou de ideia, sem se importar com os recursos que ele utilizou para tentar provar a sua inocência, mas não te convenceu, você é implacável.

–Não entendi onde você quer chegar.

–É que há pouco descobriram que seu acidente foi criminal, haviam cortado os freios de seu carro e que essa foi a causa do acidente. A polícia suspeita de que foi um dos homens daquele bandido que planejaram isso com o objetivo de matar você — Tanya fungou me abraçando — ainda bem que não conseguiram.

–Tentaram me matar? — perguntei atordoado — A polícia já confirmou?

–Todos os testes em seu carro apontaram para isso. Eu estou com os laudos, pode ver se quiser.

–E já confirmaram que foram eles?

–Ainda não. Não havia provas de nada, digital nenhuma, pista nenhuma de quem possa ter atentado contra a sua vida. A polícia apenas suspeita por conhecer a fama do bandido que você mandou prender, mas pode ter sido tantos outros, amor, e em toda a sua carreira você já acumulou muitos inimigos.

–Meu Deus, como podemos viver assim? Com isso tudo pairando sobre nossas cabeças?

–A policia está investigando, temos que confiar neles, mas não se preocupe eles estarão de olho em tudo e vão pegar o responsável, você verá. Não precisa ter medo.

–Não é por mim que temo, mas minha mãe não suportaria que algo me acontecesse outra vez...

–Eu também não suportaria, meu amor. Jamais — ela me abraçou com mais força — É por isso que eu sempre digo que por mais que esse trabalho sempre foi seu sonho...

–Eu sempre sonhei com isso? — ela me olhou sorrindo.

–Sim, achava que ser juiz criminalista era a coisa mais emocionante que poderia fazer na vida, por que sempre gostou desse tipo de coisa e achava entediante trabalhar na vara de família, mas é tão mais seguro e isso te manteria perto de mim para sempre.

–Sabe que eu não me lembro de nada, não me lembro do que sonhei.

–Então comece de novo, amor. Não volte para esse trabalho tão perigoso que quase tirou você de mim — não respondi nada ainda aturdido demais em saber disso. Ter sofrido um acidente já era terrível o bastante, mas ter sido algo feito para me matar era pior ainda.

–E eu estava trabalhando quando sofri o acidente? — perguntei ainda remoendo.

–Na verdade não. Você foi passar o fim de semana fora, para descansar e relaxar um pouco — olhei para ela com o cenho franzido.

–Não estava no carro comigo, estava?

–Não, você sempre ia sozinho.

–Eu passava o fim de semana sem você?

–É que havia uma rotina, todos os dias tínhamos nosso tempo juntos depois do trabalho, mas aos fins de semana você tirava para si, todos eles.

–E você aceita isso?

–Eu amo você, Edward, e faria qualquer coisa para estar sempre ao seu lado. Não me importo com sua fixação pelo trabalho ou com o seu momento sozinho, por que as horas que passamos juntos são incríveis. Você é o amor da minha vida — ela disse olhando em meus olhos e acariciando meu rosto.

Ao observá-la percebi que, para ela, era vital que eu acreditasse no que estava dizendo. Talvez seja por estar querendo que eu me lembre de tudo, mas isso realmente me soou paranoico, quase como se tudo o que ela precisasse era que eu acreditasse nela e fizesse de tudo, como estava fazendo, para recomeçarmos de onde tínhamos parado.

Foi sobre isso que falamos o dia todo, praticamente. Tanya me contando de nossa vida de casado e mostrando fotos de nosso tempo de namoro, do casamento, nossas viagens e momentos felizes, falando sempre de como nós nos amamos, de nossa felicidade e do casamento sólido cheio de confiança que construirmos ao longo do tempo.

E em cada palavra, eu sentia que era ensaiado, como se fosse tudo uma fantasia e que ela quisesse me persuadir, convencer de que essa era a verdade.

Depois do jantar, eu estava me sentindo muito cansado e resolvi tomar um banho para dormir. Subi sozinho tentando me lembrar do caminho para o quarto ainda impressionado com o tamanho da casa. Tomei meu banho naquele banheiro enorme e depois procurei algo para vestir em meu closet.

Olhando para tudo ali dentro, eu buscava me reconhecer, mas era o contrário. Aquelas roupas eram pomposas demais — ternos caríssimos, camisas de linho, gravatas importadas, abotoaduras de ouro e sapatos italianos — coisas que não combinavam com o menino que Esme disse que eu era, que amava correr descalço e sem camisa.

Escolhi uma camiseta e uma calça de moletom, ignorando os pijamas de seda que tinham ali, e voltei para o quarto me deitando na cama enorme tentando me desligar e descansar um pouco, dormir.

Era preocupante que eu me sentia mais estranho estando em minha própria casa do que quando estava no hospital e já estava me cansando dessa sensação de estar perdido no tempo e espaço sem conseguir me reconhecer em nada ou em lugar nenhum.

Eu estava relaxando quando escuto alguém se aproximar, não em movi acreditando ser Tanya que também tinha vindo para cama,apenas esperei que ela se acomodasse e dormisse também, mas não foi o que aconteceu.

–Edward? — eu a escutei me chamar com a voz baixa — amor, você está acordado? — abri meus olhos e me deparei com Tanya usando apenas um lingerie vermelho sangue, me deixando completamente atordoado com tanta beleza.

–Tanya... — suspirei tentando encontrar algo para dizer, mas ela não me deu tempo para isso, aproximou-se sem me tocar, exibindo seu belo corpo.

–Não precisa falar nada, meu amor, só venha me amar.

–Eu não sei se isso é certo — disse sem conseguir desviar meus olhos daquele decote incrível.

–É claro que é amor, somos marido e mulher, pertencemos um ao outro

–Mas eu ainda não me lembro de você... — ela riu segurando meu rosto e deixando um beijo em meus lábios antes de dizer:

–Mas me deseja, posso sentir em seu olhar.

–Você é para mim uma linda mulher — dei de ombros — é claro que eu te desejo, mas isso não é certo, venha cá — eu a puxei fazendo com que ela se sentasse ao meu lado lado e segurei suas mãos a olhando nos olhos — eu quero te dizer a verdade, por que acho que nada funciona se não formos muito sinceros um com o outro — ela sorriu sentando em meu colo sem nenhuma cerimonia.

–Você está voltando para mim, eu posso sentir isso pela forma com que você está falando — ela riu — não sabe quantas vezes você me disse isso.

–É que realmente acredito nisso. Olha, Tanya, eu não me lembro de você, seu toque, seus beijos não me dizem nada... Não será justo se eu tomar seu corpo sem sentir nada por você, é como te usar para satisfazer um desejo e eu não quero isso.

–Eu não me importo com nada disso, amor, eu só quero você. O Dr. Black disse que se voltar para a sua vida normal com as coisas que estava acostumado a fazer pode ajudar com a sua memória e quer saber? — ela sussurrou em meu ouvido — A gente fazia muito, todo o dia.

–Tanya... Eu não me sentiria confortável.

–Eu posso te ajudar com isso — disse entre um beijo e outro em meu pescoço — você vai ficar confortável rapidinho.

–É melhor não...

–Por favor — seus olhos me olhavam implorando — Eu estou esperando por isso há tanto tempo. Passei mais tempo do que eu poderia suportar sem um beijo seu, sem um toque, sem te sentir como eu preciso, como eu gosto. Edward eu estou morrendo de saudade. Não negue isso para mim, amor, não negue isso para nós dois.

Tanya sussurrava com a mão por debaixo de minha camiseta tocando em mim. Seu corpo quase nu em meu colo ia se mexendo devagar me deixando em estado de alerta.

Aproveitando minha hesitação, Tanya me beijou passando as pernas em volta de minha cintura. Eu ainda estava atordoado com o beijo, quando ela se afastou e por isso, não pude impedir quando ela tirou o sutiã e o jogou para longe.

–Tem certeza disso? — perguntei com os olhos em seus belos seios quando ela me fez agarrá-los.

–Mais do que tudo em minha vida — ela gemeu rebolando sobre mim, eu estava quase me rendendo quando em lembrei de algo importante.

–Tanya, espera. Você disse que parou de tomar pilula...

–Você se lembra disso? — perguntou concentrada em tirar minha camiseta eu ajudei antes de segurar seu queixo.

–Só não me lembro do que aconteceu antes do acidente, o resto eu me lembro muito bem. Eu vou fazer sexo com você, mas precisamos nos proteger.

–Você não quer mais ter filhos comigo?

–Acha mesmo que é uma boa hora? Eu nem sei quem sou, como posso criar um filho assim?

–Tudo bem, você tem razão — ela disse logo sem discutir — eu tenho algumas camisinhas guardadas aqui em algum lugar — ela se afastou depressa e eu passei a mão pelo meu cabelo pensando no que eu estava prestes a fazer. Bem eu tentei impedi-la, fui sincero com ela, mas se ela queria, por que não?

–Aqui está — ela voltou para a cama, não sem antes tirar a calcinha. Ela montou em mim depois de tirar minha calça rebolando em meu colo, com os seios em meu rosto, oferecendo-os para mim, até que os aceitei. Ela passou a me tocar me preparando para o ato e quando eu estava a ponto de bala, nos virei na cama praticamente jogando Tanya no colchão.

Segurei seus braços acima da cabeça e ela me olhou por um instante enquanto eu pairava em cima dela pronto para penetrá-la. Sei que naquele instante ela pode ver todo o desejo que percorria meu corpo. Eu queria devorá-la, tomar para mim cada pedacinho de seu corpo antes de possui-la completamente, mas assim que ela olhou em meus olhos, Tanya fechou os seus com força como se estivesse assustada pelo que viria.

Eu não entendi aquela reação, mas ela me fez refrear por que tive medo de passar dos limites com ela, de alguma maneira. E então, deixando de lado tudo o que eu tinha em mente, eu vesti o preservativo e meti dentro dela com cuidado.

E foi bom, oh sim, muito bom. Nós dois juntos perseguimos o prazer dessa maneira e o encontramos desta e das outras duas vezes nessa noite antes de Tanya praticamente desmaiar em meus braços dormindo a sono solto com um sorriso saciado e feliz enquanto eu mantinha meus olhos bem abertos sem conseguir pregar o olho.

E ali, com ela em meus braços foi que eu me senti mais estranho.

Não nego que foi muito bom o que Tanya e eu fizemos, mas eu me sentia mal por isso, era como se eu estivesse vivendo a vida de outra pessoa, a casa de outra pessoa, com a mulher de outro homem. Era como se eu estivesse traindo alguém, e ao mesmo tempo, como se de algum modo eu estivesse me traindo também, por que no fundo não era nada daquilo que eu queria.

Eu me sentia ainda mais culpado por que sabia que tudo o que estava sentindo estava diretamente ligado a senhorita de olhos castanhos que eu vi no dia em que acordei, afinal meus pensamentos sempre voltavam para ela e o grande enigma que deixou em minha vida: quem diabos era ela?

O que mais me perturbava é que não havia pistas de que tudo o que conversamos não passasse de um sonho e nem que eu a veria de novo algum dia. Pensar nisso me dava medo, por que eu sentia que necessitava dela em minha vida, como se fizesse parte de mim. Eu não poderia me sentir assim, agarrado a algo que poderia ser apenas um sonho e deixar de viver a realidade.

Eu deveria me conformar com o que eu tinha e até que eu pudesse descobrir alguma coisa sobre ela, sobre mim ou mesmo recuperar minha memória, seguiria com minha vida, ou melhor, começaria de novo, como meu pai disse que eu deveria fazer, antes que eu enlouquecesse.
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Eu não poderia negar que depois do sexo a convivência com Tanya ficou um pouco melhor.

Depois de tudo o que fizemos e a decisão que tomei em me concentrar nela deixando a outra mulher de lado me fizeram ganhar foco em meu relacionamento e aos poucos eu fui percebendo que não era tão mal assim.

Eu já não me sentia tão mal em beija-la ou sentia que ela implorava pelo meu amor, ela tinha relaxado em sua tentativa de me fazer acreditar que tudo era perfeito antes do acidente e eu parei de lutar contra isso.

Eu tinha decidido que precisaria voltar para a minha rotina normal e Tanya passou a sentar comigo, todos os dias para estudarmos um pouco sobre direito, ela ia me ensinando as coias mais básicas que incrivelmente pareciam fáceis para mim e eu fui entendendo, sentindo uma certa familiaridade e fui percebendo que realmente nasci para isso.

Meus dias se baseavam nisso, meus passeios com Tanya em que ela me colocava de novo em nossa roda de amigos — todos completamente estranhos para mim -, nossas horas de estudo e nossas noites juntos na cama.

Por mais que eu esteja tentando isso não era o bastante para mim, eu ainda sentia um grande vazio como se uma parte de mim não estivesse presente e eu precisasse encontrá-la. Foi por isso que eu pedi a Tanya que me levasse para a casa de meus pais, por que eu achava que poderia encontrar comigo mesmo ali.

–Tem certeza que é aqui? — perguntei quando Tanya parou o carro de frente a três pequenos casebres todos muito perto um do outro, praticamente no meio da floresta.

–É aqui sim — respondeu me fazendo uma careta — Hmm... você tem certeza de que quer ficar, querido?

–Eu quero sim — disse tentando convencer a mim mesmo — estou com saudade deles — nós ficamos algum tempo ainda sentados no carro olhando para aquele lugar e quanto mais o tempo passava, mais receoso eu ficava de encontrá-los novamente.

–Venho buscá-lo quando estiver pronto para ir — Tanya disse alguns minutos depois — é só você me ligar... Isso se você ficar aqui.

–É claro que vou ficar — falei me irritando um pouco com a maneira com que ela estava me pressionando e desci do carro sem nem me despedir dela.
Rumei decidido para uma das casas sem saber ao certo para qual, mas antes mesmo que eu pudesse bater, Emmett saiu de uma delas.

–Edward? Ei... é você mesmo?

–Sim — eu sorri feliz de ver meu irmão — eu senti saudade e quis vir ver vocês... Espero que tudo bem.

–Isso é maravilhoso — ele veio em minha direção me abraçando com força — Eu estou tão feliz em ver você aqui de novo irmãozinho. Juro que achei que isso não fosse acontecer nunca mais.

–Pois é, mas estou aqui — ri da animação dele e olhei em volta — Eu não sabia em qual casa vocês moravam... moram todos aqui?

–Não. Eu moro aqui com Rose e meus meninos, nossa mãe mora na casa ao lado e na da frente moram Jasper e a família dele.

–E estão todos em casa?

–Não, estão todos trabalhando, hoje é um dia comum de trabalho, precisamos garantir o nosso pão.

–E por que você não está lá com eles?

–É que Rose está gravida mais uma vez! Isso não é incrível?

–É incrível sim, Emm! Meus parabéns!

–Obrigado. Eu não poderia estar mais feliz — meu irmão parecia orgulhoso e contente como se fosse seu primeiro filho. Ri contagiado com sua alegria antes de perguntar:

–Mas você já não tem quatro filhos?

–Sim, vamos para o quinto ou sexto, quem sabe não temos sorte e virão gêmeos outra vez?

–Pois é — eu ri — quem sabe. Mas se sua esposa está gravida por que você está em casa e não ela?

–Ela também está aqui. Hoje pela manhã ela estava passando muito mal, não queria deixá-la sozinha e se eu não fizesse alguma coisa para impedir, ela teria ido comigo e os outros...

–Espera, a sua esposa também trabalha no corte?

–Sim, tanto ela quanto Alice, a esposa de Jasper, e nossa mãe trabalham lá. Mas pela experiencia que a mãe teve quando estava me esperando a gente não deixa que elas façam trabalho pesado nessa época. Mas o meu doce é um pouco teimosa e então eu tive que ficar para estar de olho nela.

–Então acho que é melhor eu ir, não quero atrapalhar vocês...

–Não, de jeito nenhum, você fica. Os enjoos matinais são normais no comecinho da gravidez e eles passam depressa. Rosalie está bem melhor agora, tanto que estávamos aproveitando enquanto as crianças ainda dormem, se é que você me entende.

–Emmett, ela não deveria ficar descansando se estava passando mal?

–Não se preocupe, eu é quem estava fazendo todo o trabalho — ele piscou para mim gargalhando bem alto e eu ri com ele.

–Você não vale nada.

–Ora, se eu não valesse não teria uma família tão bonita assim. Agora vem, vem conhecer o meu doce e a minha prole — ele foi na frente e eu o segui para dentro — fica a vontade, vou ver se a minha senhora está decente.

Assenti enquanto ele sumia para uma das portas ali em volta e aproveitei que estava sozinho para dar uma boa olhada no lugar. Tudo ali era bem simples, os móveis todos de madeira muito bem esculpidos e arrumados dando um ar aconchegante e acolhedor aquela casa minuscula.

–Ei Edward — Emmett voltou sorrindo antes que eu pudesse me aproximar para ver as fotos espalhadas por ali e estava acompanhado por uma linda mulher que arrumava os cabelos depois de alisar o vestido — essa é minha esposa, Rosalie.

–Finalmente eu o conheço — ela me estendeu a mão — achei que fosse só uma lenda da família Cullen.

–Nós nunca nos vimos antes? — perguntei franzindo o cenho e apertando a mão dela.

–Quando eu conheci o Emm você já não morava mais por aqui e nunca houve oportunidade de te ver... Bem, até agora. É muito bom que esteja aqui, meu Emm gosta muito de você.

–E eu dele — sorri para meu irmão — E ele me contou sobre o novo bebê, meus parabéns.

–É sim vem mais um por ai — ela sorriu tocando o ventre ainda plano — e por falar em crianças eu vou ver as que estão no quarto. Eu duvido que ainda estão dormindo e estão quietos demais — ela deu uma olhadela para o marido que riu.

–Concordo com você.

–Eu já volto — Rosalie saiu e Emmett me levou para a sala me fazendo sentar no pequeno sofá de dois lugares.

–Como está a sua saúde, irmão?

–Por fora eu me sinto forte como um touro, capaz de fazer qualquer coisa, mas por dentro eu me sinto inútil.

–Ainda não se lembra de nada? — balancei a cabeça.

–Nada. Em lugar nenhum eu tive reconhecimento não importa o que eu faça, não importa com quem eu converse. Não consigo me lembrar de ninguém. Não sabe como é terrível não saber quem é e quanto mais as pessoas falam sobre você, menos se reconhece. Até as minhas roupas no guarda roupa não se parecem comigo, meus objetos pessoais, nada. Eu não sei quem sou.

–Eu sei quem você é. Está bem diferente do que era na última vez em que nos falamos, mas ainda é você.

–Diferente como?

–Você não estaria aqui se ainda fosse o mesmo homem. As últimas palavras que disse antes de se mudar é que nunca mais pisaria aqui enquanto vivesse e olha só, você está aqui.

–Por que eu diria uma coisa dessas?

–É uma coisa complicada... — Emmett hesitou e antes que eu pudesse insistir a sala foi invadida por crianças alinhadinhas que fizeram meu irmão sorrir orgulhoso — aqui está a minha prole. Crianças, esse é o tio de vocês...

–Papai, esse não é o tio Jaz. Está dormindo ainda? — a garotinha de cabelos escuros perguntou enquanto a loira disfarçava o riso, ambas debochando do pai.

–Não, sua bobinha, vocês tem outro tio. Esse é Edward, meu irmão mais novo e Edward, esses são Júnior, meu primogênito — o maior acenou para mim. Ele se parecia muito com meu irmão, alto para a sua idade, os cabelos bem escuros e covinhas nas bochechas — As minhas menininhas Ellie e Ella...

–São gêmeas? — Perguntei por que me lembrava de minha mãe e ele ter dito algo a respeito, mas era difícil chegar a essa conclusão sozinho olhando para as duas. Elas eram completamente diferente uma da outra. Enquanto uma tinha cabelos lisos, loiros e compridos com olhos bem azuis e o rosto fino e delicado, a outra tinha os cabelos curtos, cacheados e negros como a noite, os olhos verdes e o rosto redondo, como o do irmão mais velho, como o pai. Eram como o sol e a lua, uma muito parecida com o pai e a outra com a mãe.

–São sim, mas não se deixe enganar, elas são mais parecidas do que você pensa — as meninas riram quando Emmett as cutucou na cintura — e esse é o meu caçula Ethan — apontou para o menino loiro coçando os olhos com sono.

–Eles são maravilhosos, Emm.

–Eu sei — ele disse orgulhoso enquanto as crianças se dispersaram indo para a cozinha ao chamado da mãe — você já tomou café da manha? Quer se juntar a nós?

–É claro — eu fui com eles para a cozinha onde Rosalie tinha colocado na frente de cada criança uma caneca de leite e um pedaço de pão. Ela fez o mesmo para mim e Emmett e só comemos depois que Emmett terminou a oração.

Durante a refeição, as meninas conversaram comigo o tempo todo me enchendo de perguntas das quais eu não pude responder de todo por não me lembrar de minha vida, mas eu pude me divertir muito com ela e seus irmãos que eram tão comunicativos como o pai.

Passei o dia todo com eles e eu não me sentia assim tão bem há muito tempo, acho que desde que sai do hospital. Não era como se houvesse algum reconhecimento ali, mas... eu não sei... Eu apenas me sentia bem, feliz.

–Rosalie? — eu escutei Esme chamar quando a noite já ia alta. Ela abriu a porta e foi entrando — querida, você está se sentindo bem? — ela perguntou antes mesmo de estar completamente dentro da casa.

Minha mãe usava um grande chapéu e trazia um machado preso a enorme mochila que trazia consigo. Ela estava suja e quando olhou para mim, pude ver como ela parecia cansada depois de um dia inteiro de trabalho.

Ela parou no meio da sala e quando me viu deu um passo para trás.

–Edward?

–Mãe! Oi. — eu fiquei em pé para saudá-la devidamente, mas ela se afastava ao passo que eu me aproximava.

–Filho... É mesmo você? aqui?

–Eu disse que vinha. Eu senti saudade — eu estiquei os braços para abraçá-la e ela me afastou — o que foi? Não sentiu minha falta?

–Estou toda suja, querido, eu acabei de sair do trabalho.

–E quem se importa? — eu finalmente envolvi meus braços ao redor dela e a apertei com força. Eu estava com mais saudade do que tinha me dado conta e pelo visto ela sentia o mesmo pela maneira com que ela me abraçou de volta.

–Ah querido, que bom que está aqui — ela se afastou o suficiente para beijar meu rosto e olhar para mim — você está bem, recuperou-se de todo?

–Estou ótimo, saudável como um cavalo.

–Ele veio passar o dia conosco, mãe — Emmett quis chamar a tenção para si — ele chegou aqui logo que foram para o trabalho.

–Verdade? Por que não pediu irem me chamar? Eu queria ter ficado com ele.

–Não é como se eu nunca mais fosse voltar. É apenas a minha primeira visita.

–Então vamos lá para casa, eu faço o jantar para você e posso matar a saudade.

–Deve estar cansada de trabalhar o dia todo e eu não quero dar trabalho.

–Não é trabalho nenhum, para mim não há alegria maior de ter você em casa novamente. Por favor, vamos.

–Eu acabei de ligar para Tanya vir me pegar aqui, estava até com medo de não encontrar você.

–Não pode dizer a ela para voltar depois?

–Já importunei demais aqui por hoje e não seria justo te privar de seu descanso merecido, então que tal se eu voltar no fim de semana? Assim eu não te atrapalharei com o trabalho e nem te causarei transtornos. Está bem assim? — ela me abraçou com força e depois perguntou sobre minha saúde e sobre minha vida, mas não conversamos por muito tempo.

–Não posso mesmo te convencer a ficar? — ela me perguntou quando ouvimos a buzina do lado de fora.

–Eu juro que volto, mãe, não se preocupe — ela assentiu resignada e só me deixou ir depois de me fazer jurar muitas vezes que voltaria.

A partir dai, virou rotina passar praticamente todo o meu fim de semana na casa de minha família, seja na de meus pais ou na de Emmett. Jasper, sua esposa Alice e seu filho John eram muito reservados, como se não estivessem confortáveis com a minha presença, ao contrário de Emm e sua família e de minha mãe, que sempre me esperava com festa.

Em uma tarde de domingo, fui com Emmett levar as crianças para nadar na represa, apesar de não ser uma boa ideia devido ao frio daquela região, mas eles estavam entediados no meio das férias de verão.

–Isso aqui é tão lindo. Dá vontade de não ir embora nunca mais — desabafei por que eu realmente me sentia muito melhor aqui do que em casa com minha esposa.

–Você mudou de verdade — meu irmão parecia surpreso — antes você odiava esse lugar com todas as suas forças.

–Eu já nem sei que eu era antes. Eu não me reconheço e vejo que as pessoas também não, não imagina quantas vezes por dia eu pego alguém olhando para mim como se eu fosse um alien. Do mesmo jeito que você está fazendo agora — ele riu.

–Foi mal, Edward, mas você realmente mudou demais e quer saber? Eu prefiro assim, Dona Esme também prefere, não imagina o quanto ela fica feliz quando você vem até aqui. Acho que esse maldito acidente serviu para alguma coisa no fim das contas.

–Só serviu para deixar minha vida mais confusa. Eu só sou feliz quando estou aqui com vocês. Nada mais vai bem.

–Nem seu casamento? Por que apesar de tudo, Tanya é uma linda mulher.

–Disso nada adianta, não me lembro dela e o motivo de estarmos juntos. É como viver com uma desconhecida e... — hesitei um pouco sem jeito e ele me olhou com o cenho franzido.

–E o que? Conta.

–É que eu não estou muito satisfeito com a minha vida sexual — Emmett deu um longo suspiro e bateu em meu ombro como se me consolasse.

–Eu ouvi dizer que o cérebro realmente comanda tudo então, deve ser algo dentro de você que não te deixa cumprir o serviço, mas não se preocupe, sei que a medicina anda avançada e já exite solução para o seu problema.

–Não é nada disso. Eu consigo fazer sexo, temos nossas relações, eu gozo, ela goza, mas falta alguma coisa. Parece que não está completo, que pode ser melhor, sabe?

–Entendo. Por que não experimenta algumas brincadeiras?

–Não é esse tipo de coisa que está faltando. Eu tenho tesão, muito. É só que tudo parece tão mecânico, tão frio. Falta algo mais. Só que eu não tenho ideia do que pode ser...

–Isso é difícil. Talvez você ainda esteja travado por não se lembrar dela, mas, cara, relaxa. Seja você mesmo e deixe que seus instintos falem mais alto e siga-os. Obedeça cada um deles, não se segure. Talvez seja isso que falte para os dois. Converse com ela pergunte do que sua esposa gosta e descubram-se juntos.

–Essa é uma boa ideia.

–É claro que é. E se tudo falhar, meu filho, sempre tem o Kama Sutra. Nada fica sem garça com um daqueles. Eu posso te dar uma cópia de natal — eu ri dos absurdos dele.

–Agora vamos parar de papo e juntar essas crianças por que já está quase na hora do almoço e Rose vai brigar com você de novo.

–Isso é inevitável e o que eu posso fazer? — ele deu de ombros — São os hormônios da gravidez — ele suspirou recolhendo os brinquedos espalhados para irmos embora.
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Cheguei em casa naquela noite e tudo o que Emm e eu conversamos não saia de minha mente e percebi que sim, meu irmão tinha mesmo razão em dizer que eu ainda estava retraído por não me lembrar de Tanya, por não me soltar e pensar nela como minha esposa mesmo que meu cérebro não se lembrasse disso.

Então eu estava decidido a mudar isso, me entregar a meus instintos e dar a nós dois uma noite de sexo decente e gostosa, como estávamos precisando.

Sai do banheiro usando apenas uma boxer e a encontrei em seu lado da cama com um livro de direito nas mãos e usando uma de suas lindas camisolas transparentes. Fui até ela decidido a colocar meu plano em prática e arranquei o livro de suas mãos.

–Edward, o que você... — não deixei que ela terminasse de falar e tirei da cama puxando seu corpo contra o meu tomando sua boca com ardor — Edward... — Ela gemeu quando deixei seus lábios e passei a beijar e morder seu pescoço enquanto apertava seus seios com vontade tirando a roupa dela o mais depressa possível. Ela sorriu apreciando.

–Parece que meu marido voltou — ela sussurrou me beijando novamente rebolando contra meu corpo. Meu pau se retorceu pedindo por atenção e eu rapidamente me livrei da cueca e sorri para minha esposa enquanto a jogava na cama.

Tanya tirou a calcinha e abriu as pernas para mim, esperando que eu a penetrasse como era de costume, já que eramos de partir para os finalmentes, sem preliminares, mas essa noite não. Hoje eu queria mais que isso.

Então eu subi caminhando na cama e parei em frente a ela com meu membro a meia bomba, esperando que ela continuasse o serviço.

–Vem me chupar, querida — ela arregalou os olhos parecendo chocada.

–O que?

–Eu estou louco para sentir a sua boquinha em mim.

–Mas...

–Vem, não me negue isso. Você não me deu esse presente desde que acordei, já está mais do que na hora — passei meu membro pelo seu rosto e sorri — eu posso te recompensar muito bem depois, deve saber disso — ela olhava do meu pau para o meu rosto sem saber o que fazer e então eu o encostei em sua boca — vamos querida, seja boazinha.

Sem muita escolha, Tanya começou timidamente abocanhando apenas a cabeça, chupando devagar, mas dentro de mim corria um fogo que aquela altura era impossível de conter que pedia por mais.

–Vamos eu sei que pode fazer melhor — bati com meu pau em seu rosto e agarrei seus cabelos fazendo com que ela me engolisse de verdade e tentando ser o mais delicado possível enquanto eu fodia a boca dela, até não poder mais de vontade de estar dentro dela. E foi o que eu fiz, duro e forte.

Meus olhos mal podiam se manter abertos e eu não conseguia me conter apenas pensando em satisfazer esse desejo animal que me dominava por completo. Estava tudo muito delicioso e os gemidos da mulher embaixo de mim só me deixaram ainda mais animado, eu não queria que isso acabasse então, me afastei por um instante e a virei sobre a cama deixando aquele lindo traseiro a minha disposição sem me conter eu dei um grande tapa antes de voltar a meter nela.

Assim que gozei me joguei na cama satisfeito.

Isso, agora sim. Era disso que eu precisava. Quando minha respiração voltou ao normal, olhei pra o lado desejando ver a mesma satisfação que eu sentia nos olhos de minha esposa, ver seu deleite depois de um sexo tão maravilhoso, mas não foi isso que eu vi.

Tanya estava encostada à cabeceira segurando os lençóis contra o seu corpo me olhando seriamente. Eu não entendi nada, por que ela não tinha um sorriso tão besta quanto o meu?

–Ei... — perguntei a ela ainda sorrindo estasiado demais com tanto prazer — Por que você está assim tão longe de mim? Não te fiz gozar? — eu me aproximei esperando sua resposta já disposto a começar tudo de novo mesmo se ela fosse negativa. Antes que eu pudesse tocá-la, ela se afastou encolhendo e eu franzi o cenho — O que foi?

–Edward eu sei que você não se lembra de nada, então eu preciso te dizer. Eu não sou desse tipo... eu... não gosto dessa violência toda.

–Violência? — eu ri — Eu mal toquei em você.

–Não? — ela perguntou deixando cair o lençol e ficou em pé. Seu pescoço e seios estavam muito vermelhos mostrando que em breve iriam ficar roxos. Sua cintura tinha a marca de minhas mãos, meus dedos marcados em sua pele alva como se fossem tatuagem. Ela virou e pude ver a mesma situação em sua bunda com mordidas e chupões. Ela ficaria roxa no dia seguinte sem dúvidas.

–Eu...

–Querido, eu sei que você se empolga as vezes, sei que não pode se controlar, mas pode tentar, por mim?

–Mas foi você quem disse estar feliz por ter seu marido de volta e agora vem dizer que não gostou?

–Eu pensei que seu entusiasmo estava de volta. É disso que sinto falta, não do que você fez comigo. Odeio quando me bate e me trata como se eu fosse sua boneca inflável.

–Eu faço muito isso? — perguntei surpreso com o modo com que ela estava falando comigo.

–Não depois que conversamos.

–Você sabe que eu não me lembrava dessa conversa, não é? — ela assentiu desviando o olhar — deveria ter me dito antes.

–Eu sei, mas achei que tivesse se esquecido disso também.

–Tudo o que eu sou, ainda está comigo, eu só não me lembro a forma de colocar isso em pratica e voltar a ser o homem que sempre fui. É sua função, como minha esposa me ajudar nisso, principalmente em coisas que também dizem respeito a você — ela suspirou e se sentou na cama, ainda sem olhar para mim.

–Eu sei disso — ficamos em silencio e eu ainda podia sentir os últimos vestígios do orgasmo deixando meu corpo e não conseguia entender o por que ela não estava feliz se foi tão gostoso. Então perguntei a ela:

–Mas você não gostou? Estava gemendo tanto, parecia estar feliz.

–Eu não estava.

–Machuquei você? Isso está doendo?

–Não é nada que eu não possa suportar, mas eu não gostaria que isso voltasse a acontecer, por favor.

–Desculpe-me — disse por fim a ela resolvendo deixar tudo pra lá — eu só queria dar a você mais do que sempre temos.

–O que temos é o que eu gosto. Você todo carinhoso me olhando nos olhos... por que eu gosto do seu entusiasmo, do seu tesão, mas de maneira controlada. Isso me faz gozar, faz você gozar e é isso que importa, não é? — eu franzi o cenho e assenti, mas por dentro não concordava com aquilo.

O que nós dois fazíamos era sem graça, não tínhamos nem sequer preliminares, nós mal nos tocávamos na cama e não era nada bom.

Tanya se levantou e foi para o banheiro me deixando ali por alguns minutos, depois voltou, de banho tomado e vestida com uma camisola bem diferente que ela tinha no começo da noite e se deitou em seu lado da cama.

Suspirei fechando os olhos.

Por um instante eu achei que tivesse me encontrado em alguma coisa. Naquele ato eu vi um pouco de mim mesmo, me senti no lugar certo e depois de um segundo voltei a estaca zero.

Eu me sentia mais perdido do que nunca, afinal, se minha esposa, a mulher que compartilhava a cama, a vida comigo não estava na mesma sintonia que eu, quem mais no mundo estaria?

Notas finais
E então, senhoritas, o que acharam? Contem, contem para mim, por favor. Quero agradecer de todo o meu coração a todas que comentam, mesmo que eu infelizmente não responda, mas que estão empolgadas com a história, imaginando o que pode acontecer e que mal podem esperar pelos acontecimentos. Isso é por vocês. Obrigada. Então, é isso. Vejo vocês em breve, breve, breve. Mil Beijos!