Memórias

35 Controlando


Notas iniciais
Olá, minhas doces senhoritas! Animadas para o capítulo? Eu espero que sim. Quero dedicar de todo o meu coração esse capitulo à roseli oliveira e dnunes que recomendaram a história! Nem sei como agradecer tanto carinho, nem por suas palavras, obrigada de verdade, não poderiam me deixar mais feliz. Eu espero que gostem bastante do capítulo. Boa leitura!

Olhei para a senhorita adormecida ao meu lado e sorri. Enquanto a olhava, era difícil imaginar algum momento de minha vida que eu não a olhasse com a adoração que eu fazia nesse momento. Talvez seja por saber que era correspondido ou só a certeza de que meu amor por aquela linda menina só aumentaria a cada dia.

Agora que me lembro de minha vida, posso dizer com toda a certeza de que meu maior e pior medo era a enormidade do que sentia por Bella e o que fazer com tudo isso – eu ri chegando mais perto – sei que para um homem como eu, que sempre fui tão seguro e confiante parecia até ridículo que algo assim pudesse me amedrontar, mas passei anos da minha vida acreditando que a única relação que teria era a troca de prazer no quarto de jogos e quando conheci Bella, foi impossível não me apavorar com o que tinha nas mãos.

Quanto mais tempo passávamos juntos, mais assustado eu ficava com tudo aquilo que me fez perder o rumo e mesmo quando não tinha memória, ainda que fosse de uma maneira diferente, o medo persistia e crescia, só que não mais que meu amor por ela.

O fato de eu não me lembrar de todas as minhas reservas me permitiu começar de novo, foi como conhecer Bella pela primeira vez e pude me apaixonar por ela novamente. Tive a chance de quebrar as barreiras que faltavam para que ficássemos juntos de verdade e agora que todas elas estão longe, nossos corações estão finalmente limpos do medo e do receio podemos seguir daqui, com novos aprendizados e novos sentimentos para termos nosso filho e criarmos nossa família juntos.

E ali, naquela cama de hospital enquanto via aquela linda senhorita dormir ao meu lado, eu via que era realmente um cara de sorte, não só por ter sobrevivido a dois ataques, mas por finalmente ter recebido uma chance de consertar a minha vida. Busquei tanto por respostas quando estava sem memória e não fazia ideia de que tudo já estava encaminhado e a única coisa que eu tinha que fazer era me lembrar disso.

Realmente a minha vida estava planejada e eu estava a caminho de realizar os meus maiores desejos, mas fui impedido. Isso era terrível e eu mal podia esperar para fazer os responsáveis pagarem, por outro lado, eu estava grato pelo tempo em que passei com Bella, por nos reencontramos e de uma maneira torta, acabei conseguindo o meu maior objetivo: mostrar a Bella o que eu sentia por ela, sem reservas, sem medo. Só amor.

Fui trazido a realidade quando o amor da minha vida se movimentou acordando lentamente. Seus olhos se abriram e ela olhou para mim por um instante antes de suspirar e fechar os olhos novamente, me fazendo rir.

—Eu realmente adoro sonhar com você, Edward.

—E o que sonhou? – perguntei sem ter certeza de que ela estava acordada.

—Sonhei que íamos ficar juntos para sempre, ter uma família e sermos felizes todos os dias.

—Então sonhou com o nosso futuro, por que é isso o que vai acontecer – ela abriu os olhos sorrindo para mim e sem resistir eu lhe beijei os lábios fazendo com que ela realmente acordasse.

—Eu amo você – sussurrei para Bella assim que vi seus olhos abertos – amo demais acordar ao seu lado.

—E eu amo te ver acordado – ela suspirou chegando mais perto – obrigada por estar aqui, vivo, com a gente – o sorriso se espalhou pelo rosto quando colocou a mão sobre o ventre me fazendo imitá-la e quando voltei a olhá-la, sussurrou – eu amo você.

Aquelas palavras ainda faziam com que meu coração batesse como um louco e desesperado pelo amor que sentia por ela, eu tomei seus lábios junto aos meus mais uma vez.

Nossa – pensei comigo mesmo quando gemi puxando ela para mais perto de mim – eu amo demais essa mulher.

Antes que o desejo ficasse ainda mais irresistível, meu quarto foi invadido por enfermeiras que vieram fazer o seu trabalho. Minha namorada, tímida demais com a forma com que fomos pegos, levantou-se e foi para um canto do quarto enquanto elas me ajudavam a sentar na cama e começar os procedimentos.

Depois de medir a pressão e me dar alguns remédios, conversei com a responsável sobre os meus ferimentos e a previsão de quando ficariam bons outra vez. Recebi uma resposta otimista e mesmo depois de olhar para aquela ferida enorme, fiquei mais esperançoso de sair dali o mais rápido possível. Assim que terminaram, uma delas vendo Bella ainda ali lhe falou com rispidez.

—Nós não permitimos que os acompanhantes durmam na mesma cama que os pacientes. Se desejar, podemos trazer uma cama e colocar ao lado dele, mas na mesma não, então, por gentileza, não faça mais isso.

—Bom – interrompi o pedido de desculpas que Bella estava prestes a dar – a cama é minha e acho que quem decide isso também sou eu.

—Senhor Cullen... – ela gaguejou sem jeito sem esperar que eu fosse me meter – não sou eu quem está dizendo, este é o regulamento.

—Não quero saber, ela vai dormir comigo sim e ninguém vai impedir.

—Isso pode me trazer problemas, senhor.

—Se trouxer, traga-os que eu resolvo. Quero ver quem vai se meter comigo – ela assentiu e murmurando uma desculpa saiu do quarto rapidamente, não tão rápido quanto Bella veio para perto de mim com um sorriso escondido – o que foi? – pedi quando ela não disse nada.

—É que... eu... eu adoro quando você fala assim, senhor— Bella sussurrou a última parte me fazendo estreitar os olhos.

—Você está com tesão, senhorita Swan?

—Estou com saudade, meu amor – ela suspirou sentando ao meu lado – com muita, muita saudade.

—Mas a gente só ficou longe por uma semana – abaixei o tom de voz olhando em seus olhos – onde está a minha senhorita forte que passou quase dois anos sem mim e sobreviveu?

—Ela não se lembra como foi que conseguiu isso e nem quer tentar novamente...

—Tenha paciência, você ouviu a moça eu logo vou conseguir sair daqui e tudo vai se resolver – eu me aproximei para lhe dar um beijo de leve, mas ela me segurou querendo aprofunda-lo e eu me afastei.

—Pelo amor de Deus – gemeu frustrada chegando mais perto – não é possível que você não está sentindo isso! Você disse que estava tarado por mim, que não conseguiria se afastar nem que quisesse, como pode não estar pegando fogo como eu estou?

—Meu amor, você está grávida e isso deve estar mexendo com você – eu ri – e se já era tarada antes disso, agora ninguém mais te segura.

—Eu só quero você – Bella sussurrou – tive tanto medo de te perder...

—Estou aqui agora...

—Sei disso, mas preciso te sentir por inteiro, comigo e em mim para que meu coração fique mais tranquilo, para ter a certeza que está aqui.

—Não consigo fazer tanto esforço, senhorita Swan, mas sei de um jeito de acalmar seu corpo por enquanto – cheguei mais perto puxando suas pernas para cima da cama e segurando sua bunda com firmeza tomei seus lábios com fome.

—Ei, Brow – escuto um vozeirão interromper nosso beijo e olho para a porta vendo meu irmão sorridente.

—O que foi? – perguntei segurando Bella ao meu lado, uma vez que parecia querer fugir o mais depressa possível.

—É que o pai mandou te avisar que a mãe acordou. Para com a safadeza nesse quarto de hospital e vem comigo – eu ri ainda abraçado ao meu amor e sussurrei.

—Só que para a gente fazer isso, eu acho que a gente vai precisar encontrar uma chave para o quarto – ela riu também se levantando.

—Paciência...

—É isso ai, aguenta firme enquanto convalesce e vem logo – enquanto falava Emmett parecendo bastante ansioso, levou a cadeira de rodas para perto da minha cama e depois me ajudou a sentar, assim que me acomodei deixamos o quarto junto com Bella.

—Por que ela só acordou agora? – pedi quando estávamos a caminho – Está tudo bem?

—Na verdade ela acordou a noite, mas você estava dormindo e agora os dois estão acordados e então... – deu de ombros e assenti.

—Como ela está?

—Um pouco fraca ainda, mas melhorando. Os médicos daqui são muito bons e sei que ela vai ficar bem.

—Que bom! E... a mãe perguntou de mim?

—E a dona Esme lá sabe falar de alguma outra coisa? – meu irmão riu – o pai tá tentando enrolar ela por isso temos que correr se não daqui a pouco ela vai pensar que estamos evitando falar de sua morte – rolei os olhos.

—Se eu tivesse mesmo morto de algum jeito ela saberia. A mãe sempre sabe.

—Não dá para discutir quanto a isso, mas não precisamos deixá-la preocupada a toa. Só vamos logo – franzi o cenho pensando na reação dele e o porquê parecia tão sério então seguimos em silencio até a porta do quarto.

—Vamos lá – Emm suspirou antes de abrir a porta e eu segurei seu braço.

—Tem certeza que tudo bem? Não tinham que falar com ela antes? E se ela passar mal de novo? Não quero...

—Para ser sincero era nisso que eu estava pensando também, mas acho que o que ela está precisando é de um pouco de alegria e nesse momento é só você que conseguirá isso – assenti.

—Então vamos – ao abrirmos a porta vejo minha mãe atrás de uma bandeja enorme de café da manhã como costumávamos dividir quando acordei do coma.

Por mais fraca que ela parecia estar, minha mãe sorria e eu sabia que estava satisfeita pela atenção que Jasper estava lhe dando, afinal, nada fazia a dona Esme mais feliz do que ter seus filhos ao redor. Passei pela porta e quando ela levantou os olhos, olhando para mim, tive vontade de correr para seus braços ao vê-los estendidos em minha direção.

—Meu filho, finalmente! – com meu braço bom eu tentei ajudar Emmett com a cadeira para chegar mais depressa até ela e ganhar seu abraço, um pouco estranho pela pouca mobilidade de ambos, mas nem por isso deixou de ser o suficiente para ao menos amenizar a saudade que sentíamos.

—Você demorou tanto para aparecer! Está se sentindo bem?

—Estou legal, mãe, não se preocupe... ei, demorei para aparecer? Sabia que eu tinha acordado?

—Alguma coisa me dizia que você estava bem, mas não tinha certeza se era tanto que viria até mim.

—Como se alguém pudesse me impedir de ver você. Fiquei tão preocupado, mãe.

—Não se preocupe comigo, meu menino, você tem que se recuperar ficar bom logo para cuidar de sua família – ela piscou para a Bella com um sorriso – tem tanta coisa pela frente, não seria justo se sua vida fosse interrompida assim.

—De jeito nenhum eu deixaria vocês, jamais. E você também não – falei segurando firme a mão de minha mãe – prometeu que não morreria até eu ter 150 anos, não me esqueci dessa promessa – ela riu.

—É... eu prometi e vou tentar cumprir. Eu só fiquei assustada quando te vi daquele jeito, foi demais para mim...

—Eu sei, mãe, mas não precisa pensar mais nisso agora – olhei em volta para os meus irmãos, meu pai e Bella, sorrindo para eles – estamos todos juntos e tudo vai ficar bem.

—Claro que vai, filho. Agora que eu vi você posso ir mais tranquila para o outro hospital já que agora sei que está tudo bem...

—Não vai para hospital nenhum, mãe. Você vai ficar aqui comigo e vamos nos recuperar juntos – ela olhou para o meu pai, suspirou e depois olhou para mim novamente.

—Filho...

—Nem adianta discutir, já falei com o pai e você fica. Não se preocupe com nada que eu cuido do que for preciso...

—Mas...

—Eu trabalhei tanto para ter tudo o que sonhava, mãe, e eu consegui como eu sempre te disse, tenho uma casa bonita e carros legais, mas o maior sonho que eu vou realizar é o de, de alguma maneira retribuir a vocês tudo o que me deram – olhei para aquele rosto bondoso e confuso antes de continuar – tenho tanta coisa para me desculpar, mãe, tanto para te explicar...

—Não precisa fazer isso, Edward – meu pai pediu.

—Tenho sim. Devo explicações a todos vocês – olhei para a minha família, me preparando para abrir meu coração e finalmente contar tudo – quando eu fui para a faculdade, sei que deixei vocês em maus lençóis por conta do dinheiro que investiram em mim e eu tentava de todo o jeito retribuir isso, mas não estava funcionando, eu estava perdendo o foco dos meus estudos e meus esforços não rendiam grandes coisas, então eu decidi que ficaria longe por um tempo, não só por que eu sentia vergonha, mas também para me focar, me formar e conseguir mais rápido algum jeito de ajudar vocês. Se antes eu já me dedicava com unhas e dentes, a partir daquele momento eu fazia mil vezes mais...

—E como conheceu aquela mulher? – Jasper perguntou me interrompendo.

—Ela ficava no meu pé na faculdade, eu sabia que ela tinha dinheiro e que o pai dela era um dos sócios fundadores do fórum e de verdade não entendia por que ela estar sempre atrás de mim – balancei minha cabeça me lembrando – eu tentava me afastar só que Tanya não parava de dizer que faria qualquer coisa por mim, até que vi naquele oferecimento um meio de ajudar vocês. Não queria fazer isso, mas eu me sentia tão culpado...

—Mas não foi o que pareceu quando foi visitar a gente com ela.

—Sei que não...

—Você estava tão frio e distante e depois disse todas aquelas coisas.

—É que quando eu vi como as coisas estavam com Jaz esperando o bebê e o Emm de casamento marcado, todo mundo morando naquela casa pequena, com o dinheiro curto eu pensei no meu sonho.

—Do que você está falando? – meu pai perguntou e eu respirei fundo pensando na minha angustia de outrora.

—Tinha acabado de me formar, não tinha emprego e nem nada em vista, mas tudo o que eu queria era ajudar vocês, tirar a mãe do trabalho duro e facilitar as coisas, dar uma festa grande para Emm, comprar presentes para o meu sobrinho e ainda não podia. Fiquei pensando nisso o tempo todo durante aquela visita, estava com vocês, mas minha cabeça estava em tudo isso, tanto que eu realmente não percebi o que Tanya estava fazendo ou como estava se comportando, não antes de vocês intervirem e me fizerem acordar.

—Mas você disse que concordava com ela – Jasper me interrompeu – você disse estar do lado dela... você desapareceu daqui.

—Eu sei. Nunca me senti tão mal na vida quanto naquele dia. Quando eu cheguei em casa e me dei conta do que tinha acontecido eu me odiei, mas odiei Tanya muito mais. Jurei que nunca mais iria olhar para ela e que só ia voltar para a casa quando tivesse a solução para todos os problemas e assim sermos felizes para sempre, mas não foi o que aconteceu...

—Não mesmo – meu pai balançou a cabeça – você voltou para dizer que ia se casar com ela!

—Pois é... eu... pai, eu fiquei louco quando soube que a mãe tinha ficado doente – respirei com dificuldade me lembrando daquela época – eu estava desesperado atrás de um emprego e ainda não tinha solução, vocês estavam ainda mais com a corda no pescoço e Tanya não parava de me rondar. Não tive opção a não ser aceitar o que ela me propunha. Eu não poderia deixar vocês na mão.

—Filho – mamãe acariciou meu rosto – não era sua responsabilidade cuidar de tudo.

—Mas era o meu sonho, era meu dever cuidar de vocês depois de tudo o que fizeram e eu aceitaria qualquer coisa.

—O que foi que ela te ofereceu afinal? – Jasper pareceu interessado – o que fez você ter aceitado tudo isso?

—Tanya me ofereceu dinheiro suficiente para pagar a divida que eu sabia que não era pouco e ajudar que pudessem erguer a casa de vocês, além é claro de uma oportunidade de trabalhar no fórum enquanto eu estudava para me tornar juiz e em troca teríamos uma vida de casados. Tive que bancar o maridão com, jantares, viagens, festas, fotos e tudo mais durante a semana – olhei para Bella e vi um pequeno sorriso no rosto corado, provavelmente lembrando-se do que fazíamos nos meus fins de semana livre – e isso duraria o tempo que eu levasse para pagar o empréstimo. Como estava desesperado, no momento eu não achei que o casamento fosse algo tão terrível, mesmo com a clausula de me afastar de vocês.

—Por que ela quis isso?

—Não sei, Emm, até hoje não entendo o motivo, mas tenho uma teoria. Tanya viu meu sacrifício para vê-los bem e imaginou que em algum momento, enquanto estivéssemos longe eu poderia me esquecer de tudo e ficar com ela, mas eu não esqueci do que eu estava fazendo nenhum segundo sequer.

—Então se era só pagar a divida, por que passou tanto tempo casado com aquela mulher? Quero dizer, pelo que víamos nos jornais, nas noticias você cresceu muito rápido, fez dinheiro depressa e se esse era o único motivo poderia ter saído dessa há muito tempo.

—Na verdade o dinheiro que Tanya me emprestou era todo o dinheiro que os pais dela deixaram quando morreram. Ela estava endividada depois daquilo e eu tive que trabalhar muito para repor o dinheiro enquanto sustentava a casa enorme, o estilo de vida dela como o marido que deveria ser, sem falar no dinheiro que eu estava guardando para o futuro, o dinheiro que investi. Ganhei muita coisa com o meu trabalho, mas investi muito em imóveis, em empresas, em carros e construi muita coisa, garanti meu futuro e o nosso. E então, quando estava prestes a dar o passo que me afastaria definitivamente de tudo, quando larguei minha carreira na vara de família para cuidar dos casos criminais e assim deixar finalmente aquela vida, eu conheci Bella e isso me deixou sem chão – olhei para a minha senhorita com um sorriso afetado enquanto continuava.

—Meu foco mudou, meus planos mudaram e eu não sabia o que fazer ou como continuar até que decidi permanecer na mesma enquanto não chegasse a uma conclusão.

—E por que isso? Conhecer a Bella não era mais um motivo para se livrar de tudo rapidamente?

—Porque eu nunca tinha me apaixonado antes – respondi ao meu irmão com os olhos fixos no meu amor da minha vida – além disso, era uma situação complicada, Bella era jovem demais, com coisa demais na cabeça e eu não queria me precipitar. Enquanto isso, continuei com meu trabalho duro, mas não me sentia mais na obrigação do casamento, uma vez que já tinha pago a minha divida, por isso voltei a falar com a mãe e queria ter voltado para casa e mostrado a vocês tudo o que eu tinha conseguido, mas isso poderia trazer complicações a mim pelo contrato e então mantinha segredo até que conseguisse o meu divorcio. Quando estava tudo certo, quando finalmente poderia realizar tudo o que planejei eu... sofri aquele maldito acidente.

—E do que está falando quando diz “tudo o que conquistou?”

—Eu mandei construir uma casa maravilhosa para a mãe e o pai, uma para o Emm e a família dele e uma para você, Jaz, sem falar que comprei carros tão legais quanto o que eu tenho. Não quero que a mãe vá mais para o trabalho e comprei ações da madeireira para que o pai, se ainda quiser trabalhar, não precisa pegar no pesado e ganhar tão pouco. Tenho oferta de ótimos empregos para vocês e escolas maravilhosas para meus sobrinhos. Quero que partilhem comigo tudo de bom que tenho conseguido, que sejam tão felizes quanto eu quero ser.

—Jamais poderia imaginar tudo isso – meu pai estava visivelmente surpreso e caminhou para mais perto da cama sentando ao lado de minha mãe. Emm e Jaz se olhavam incrédulos e Bella sorria para mim.

—Como eu disse, meu sonho sempre foi trabalhar bastante e dar uma vida boa para vocês. Eu consegui isso, consegui ganhar muito dinheiro e quero dar conforto a vocês, me ajudem a realizar meu sonho, por favor.

—Não sei se devemos aceitar, filho.

—É cara, a gente agradece, mas...

—Eu aguentei um casamento infernal para isso vocês não podem recusar. Fizeram tanto por mim e é a minha vez de retribuir.

—Não sei...

—Olha, não precisa me dar a resposta agora, deixe-me recuperar e sair desse hospital ai a gente vai conhecer a casa, a escola que eu encontrei para as crianças e depois vocês me dizem o que acham – meus irmãos se encararam por um tempo e depois concordaram e eu respirei aliviado torcendo intimamente para que eles aceitassem.

Logo a conversa voltou a fluir por ali e passamos um bom momento juntos enquanto éramos atualizados com as últimas peripécias das crianças e quando meu corpo já estava bem cansando daquela cadeira de rodas eu precisei voltar para o meu quarto.

—Eu acompanho você – Jasper se prontificou e eu agradeci.

—Volto logo para ver você de novo, mãe – me despedi recebendo um beijo –fique boa logo, por favor.

—Não se preocupe com isso, você precisa descansar tanto quanto eu. Só de olhar para você, saber que não corre mais perigo já é um alento para o meu coração, principalmente agora que sei que meu menino de coração de ouro sempre esteve presente – sorri para ela.

—Eu te amo, mãe – eu me despedi e logo estava em minha cama, pronto para dormir um pouco, mas antes que eu pudesse apagar, Jasper disse:

—No fundo, eu sempre soube que meu irmão não tinha mudado, não era possível que uma pessoa tão boa tivesse desaparecido.

—Obrigado por confiar em mim, Jaz.

—Obrigado por voltar para nós, Edward.

.

.

A recente transfusão de sangue ou a pancada que levei na cabeça ainda me deixavam bastante fraco e os remédios me faziam dormir mais do que eu gostaria. Quando acordei, não vi Bella ao meu lado, mas antes que eu pudesse entrar em pânico eu a vi saindo do banheiro parecendo mal.

—Ei, meu amor, você está bem? – pedi erguendo o edredom e a convidando para se deitar ao meu lado o que ela fez sem resistir.

—Eu estou. Foi só um enjôo, vou ficar bem rapidinho.

—Você tem tido muito deles?

—Não tantos, mas eu sei que as coisas não vão ficar mais fáceis ao longo dos dias – Bella suspirou e por um minuto tive medo por ela não estar feliz com a gravidez e estar apenas tentando me agradar, mas antes que eu pudesse lhe perguntar algo, Bella sorri para mim – mas é por uma boa causa.

—Está feliz? Quero dizer, você disse que nunca tinha pensado em ser mãe e me pareceu tão assustada quando toquei no assunto.

—Ainda estou assustada. Na verdade, nem tanto quanto enquanto estava desacordado, mas eu estou feliz a felicidade é maior do que qualquer coisa.

—Eu também – sorrimos um para o outro enquanto minha mão acariciava seu ventre plano – como foi que isso aconteceu? Pensei que você tomasse pílula...

—E tomo... tomava – respondeu baixinho – mas eu fiquei doente e os remédios que tomei fazem que o efeito ser suspenso e não me dei conta disso, não até que me perguntou sobre minha menstruação. Estava tão assustada quando me dei conta disso, eu não tinha ideia do que ia pensar ou fazer comigo.

—O que mais eu poderia fazer Bella? Por um acaso tenho alternativa senão dar a você todo o amor que eu sinto?

—Eu te amo tanto, Edward – ela sussurrou me fazendo puxá-la para os meus braços e beijar sua boca ainda sem acreditar quando ouvia aquelas palavras, mais feliz impossível – eu te amo tanto, tanto – Bella sussurrava entre uma pausa e outra de nosso beijo fazendo meu coração disparar em altos níveis até que fomos interrompidos por uma batinha na porta e Charlie entrou.

—Soube que você tinha acordado, mas eu só pude vir agora – minha namorada me ajudava a sentar na cama com uma careta enquanto meu amigo entrava – você está bem?

—Tirando algumas tonturas e a dor no meu braço quando o efeito dos remédios passa, eu estou legal.

—Como é bom ver seus olhos abertos – ele riu e Bella se afastou para cumprimentar o tio com um beijo – e quanto a você, minha querida, é finalmente maravilhoso ver seus olhos secos.

—Agora estamos todos bem, tio, graças a Deus.

—E graças a você também – disse ao meu amigo – Não sei o que teria acontecido se não tivesse chegado para me ajudar.

—Se tudo tivesse realmente corrido bem, você não teria levado esse tiro.

—Charlie, eu poderia estar morto agora.

—Mas poderia estar você mesmo interrogando e colhendo informações, no olho do furacão onde é o seu lugar.

—Se eu não te conhecesse, diria que você está se sentindo culpado, o que seria um absurdo já que não tinha como você saber de nada – o delegado desviou o olhar realmente parecendo culpado e eu estranhei – não tinha, não é?

—Na verdade eu suspeitava do que estava para acontecer e... tentei chegar antes... eu tentei te avisar – Charlie me olhou com os olhos estreitos – o que foi que eu te disse sobre não ficar longe de seu celular?

—Eu estava trabalhando e mesmo que estivesse com meu celular, não poderia atender.

—Isso não vai mudar nada, mas eu espero que tenha ao menos ensinado uma lição.

—Tudo bem, não vamos nos ater a isso – pedi quando ele começou a dispersar – quero que me conte o que foi que aconteceu depois que eu fiquei desacordado, aliás, de onde veio a pancada que recebi? – perguntei sem ter certeza do que aconteceu.

—Eu me distrai com a doida armada tentando fazer com que ela não atirasse novamente e quando dei por mim, Quill tinha atingido você com uma cadeira e foi ai que começou a confusão. Atirei nele para imobiliza-lo enquanto Tanya, ainda mais doida e desesperada, atirava em si mesma. Consegui prender Aro e Quill, mas ela...

—O que? Não vai me dizer que ela morreu, vai? – perguntei chocado com a notícia e ao mesmo tempo com raiva. Ela não poderia se safar assim.

—Ela chegou ao hospital desenganada, me disseram que não tinha chances de sobreviver e que tinha poucas horas de vida, mas dei uma passada por lá antes de vir aqui e ao que parece, Tanya está reagindo aos poucos, tudo indica que apresentou melhora e está surpreendendo os médicos.

—Isso é bom. Ela não pode morrer antes de pagar pelo que fez comigo.

—Acho que primeiro ela deve cobrar o que fizeram com ela.

—O que isso quer dizer?

—Ao que parece, Tanya foi tão vitima disse tudo quanto você – meu amigo balançou a cabeça – o drama é muito maior do que pensei que fosse, Cullen, tem certeza que está forte o suficiente para isso?

—É claro que estou. Levei um tiro no braço e uma pancada na cabeça não é como se eu estivesse sofrendo do coração – o delegado assentiu e puxou uma cadeira antes de começar a falar.

—A coisa toda começou assim que se casou com Tanya e conseguiu trabalhar no fórum.

—Há tanto tempo?

—Pois é. Quill conhecia sua ex também dos tempos de faculdade, sempre foi apaixonado por ela e Tanya sempre foi apaixonada por você. Por mais que ela tentasse esconder, muita gente sabia que o casamento de vocês era de fachada, por conta do escândalo na festa do casamento – assenti me lembrando do quanto as pessoas falaram depois que eu a deixei sozinha na cerimônia por ela ter destratado minha mãe – e Atera vivia pedindo uma chance não só por causa dos sentimentos que tinha pela moça, mas principalmente pelo poder que ela tinha no fórum como sócia herdeira.

—Por que ele precisaria disso? Quill é o filho do Aro e tem tanto direito quanto ela.

—Quill é um filho bastardo, Aro nunca o assumiria e ele jamais teria parte naquilo, por mais que o pai lhe protegesse e mantivesse seu emprego não era suficiente para ele e por isso ia apostar suas fichas em Tanya e em como ela se sentia infeliz no casamento.

—Está me dizendo que ela me traia?

—Ainda não estou certo se rolava esse tipo de coisa, mas eles estavam sempre juntos e a moça tinha em Atera alguém para conversar, desabafar e confiar. Confiou demais eu diria.

—O que quer dizer com isso?

—Depois de um tempo, Quill tinha em mãos todas as fraquezas e inseguranças da moça ele começou a colocar na cabeça dela que ficaria melhor sem você... até começarem a arquitetar sua morte – olhei para Bella que ofegou surpresa diante das palavras do tio, parecendo um pouco pálida e apertei sua mão gelada entre a minha, me lembrando que ela não estava bem.

—Amor, por que não vai ficar um pouco com a minha mãe? Acho que vai ser melhor para você.

—Mas... – tentou falar e eu olhei bem para dentro de seus olhos para que visse a minha ordem implícita.

—Estou apenas tentando cuidar de você, por favor, faça como eu digo. Confie em mim.

—Tudo bem – levantou-se rapidamente depois de se despedir com um beijo – vai ser melhor mesmo.

—Mas não demore, por favor. Sabe que eu sinto a sua falta – ela sorriu assentindo perto da porta, acenou para o tio e logo foi embora.

—É bom ver vocês bem – Charlie sorria tanto quanto eu quando ela saiu – isso me faz muito feliz.

—Nós nos amamos, não tinha como ser diferente – ele assentiu e respirei fundo – mas, por favor, continue com o que estava dizendo. Tanya aceitou assim tão depressa fazer parte dos planos contra a minha morte?

—Não, ela não queria aceitar e ficou muito nervosa, teve ataques de histeria tanto que teve de se consultar com um neurologista.

—Alistair?

—Pois é e o doutor lhe receitou alguns calmantes que a ajudaram a tomar a decisão.

—Quer dizer que Tanya estava sob efeito de remédios – observei o delegado assentir ajeitando o bigode – que tipo de remédios?

—Isso eu ainda não tenho certeza. Encontrei algumas amostras e mandei para o Black analisar, mas ao que parece ela estava bem vulnerável. É quase como se tivesse perdido a capacidade de pensar por si própria e então se aproveitaram disso.

—Quill fez tudo isso sozinho?

—Não, na verdade nem tudo. Aro confessou em um dos interrogatórios desde quando o conheceu e o viu atuando no tribunal viu e você um grande potencial para tomar seu lugar e continuar seu trabalho, mas tinha um problema, você era sério e honesto demais ele queria te corromper, mas ao que parece estava difícil então ele quis usar Tanya para isso e ela estava procurando um jeito de persuadi-la, de torna-la uma aliada para que o casamento fosse duradouro e que se ela o ajudasse poderiam ficar juntos por mais tempo e em troca Tanya o ajudava a convencê-lo das mudanças que ele propunha.

—Isso nunca deu certo.

—E foi por isso que eles perderam o controle. Quando decidiu processar Aro e força-lo a parar de trabalhar por insanidade, ele tentou convencer sua esposa que o melhor a fazer tirar você do caminho definitivamente.

—E então eles planejaram o acidente.

—E todo o resto, uma vez que não morreu eles podiam lidar com a sua perda de memória contanto que o controlassem e quando já não tinham o controle quiseram mata-lo novamente.

—Você disse que poderia ter impedido se chegasse antes. Isso quer dizer que sabia o que eles planejaram?

—Nas semanas anteriores ao atentado, estivemos um pouco distantes porque estava mergulhado nessas investigações. Descobri boa parte do que te contei e estou conseguindo com os interrogatórios que tenho feito com Aro desde que foi detido. O restante descobri graças a uma escuta que coloquei na sala de Atera...

—Colocou escutas? E não me contou nada?

—Era sigiloso, não poderia falar enquanto não tivesse nada concreto. Eu tinha escutas, mas precisei me ausentar da cidade naquela semana por conta de um crime no condado vizinho, o delegado foi morto e eu precisava dar uma mão nas investigações e meu tempo para monitorar as gravações foi ficando cada vez mais escasso, tanto que eu só consegui me atualizar na manhã do atentado.

—Eles planejaram o crime todo na sala do fórum?

—Os detalhes sim. Demorou um pouco para que eles se decidissem sobre o que fazer e, para ser sincero, nunca ouvi tanta crueldade junta. Eles não queriam deixar margem para erro dessa vez, queriam morto de todas as maneiras.

—Quais eram os planos? – perguntei com a garganta seca, suando frio só de pensar.

—Era um mais maluco do que o outro, Edward, nem vale a pena tocar nesse assunto. O que eu preciso mesmo dizer é que todos eles levavam a sua morte pelas mãos de Tanya.

—E ela concordava com isso?

—Acredito que os remédios a faziam agir assim, ela estava completamente fora do controle, não que isso a livre de suas acusações, mas precisamos analisar essa situação com cautela.

—Faremos isso, mas agora quero mais detalhes. Acha que o outro crime foi um meio de te afastar daqui?

—Exatamente, eu já tenho certeza disso, uma vez que pegamos um suspeito que teve uma reação bem suspeita quando encontrou Aro. Ainda não conseguimos arrancar isso dele, um jovem encrenqueiro que faria qualquer coisa por dinheiro, temos mesmo é que nos preocupar com o mandante.

—E o que fará com eles?

—Preciso dos resultados dos testes nos remédios de Tanya, uma autorização para começar o interrogatório dos irmãos Alistair e que Atera finalmente saia do hospital para que possamos interroga-los e leva-los a julgamento.

—Quanta merda tem por trás dessa história toda – falei passando a mão pelo meu cabelo – isso me deixa enojado.

—Sei disso, a mim também, mas isso está acabando. Já estamos com as mãos neles e pode ter certeza de que vão pagar pelo que te fizeram sofrer e pelo que Bella sofreu também – olhei para meu amigo de olhos baixos.

—Ela ficou muito mal?

—Demais. Eu tive medo de que ficasse como a sua mãe e tivesse de ser internada e para ser sincero, ela só aguentou firme para não ser tirada do seu lado. Fico feliz que tenha se recuperado, não só por você, mas por ela.

—Eu também. Agora sinto que posso retomar o controle, tenho minha memória de volta, a justiça ao meu lado e a sede de vingança por tudo o que me fizeram.

—Sabe que estarei ao seu lado para o que precisar, não sabe?

—Tenho certeza que sim e estou contando com isso.

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—Ainda nem acredito que finalmente você vai para casa hoje – Bella estava especialmente animada essa manhã, cinco dias depois de eu ter acordado do atentado. As tonturas já tinham passado quase que por completo e eu mal tinha dores no ferimento muito bem tratado do meu braço, ainda precisaria de curativos e cuidados, mas teria uma enfermeira particular que cuidaria de mim em casa e que faria qualquer coisa por mim, inclusive me vestir e despir.

—Eu também não, mal posso esperar para finalmente estar com você atrás de uma porta trancada – Bella suspirou me ajudando a abotoar a camisa, os olhos grudados em meu peito e eu ri – foram longos dias para você, não foram? – Bella assentiu mordendo o lábio.

—Muito longos. Estou feliz que tenha acabado e estou ainda mais feliz de ter você de volta.

—Não mais do que eu – puxei minha Bella para mais perto de mim e lhe dar um beijo. Nos dias que se passaram, cada vez que eu a tocava, Bella quase entrava em combustão, não sei se de saudade, de alivio ou simplesmente de desejo, a única coisa que eu tinha certeza é que ela estava tão necessitada do contato quanto eu.

Minhas mãos já desciam por suas costas quando ouvimos a porta sendo aberta e quando levantei meus olhos, vi Jacob se aproximando com um sorrisinho. Nossa convivência tinha melhorado um pouco, afinal ele apenas vinha, fazia seu trabalho e ia embora sem mais gracinhas e inconveniências.

—Bom dia. Vocês parecem bem animados essa manhã – Bella se afastou com o rosto vermelho, mas segurei sua mão para que não fosse longe.

—E estamos. Não víamos a hora de finalmente voltar para a casa.

—Então chegou o dia. Vai retomar a sua vida como se nada tivesse acontecido.

—Acha mesmo que depois dos traumas que tive não ficará nenhuma sequela ou algo que eu deva me preocupar?

—Todos os seus sinais vitais estão funcionando muito bem, os comandos e até a memória, o campo mais atingido do cérebro está muito bem ao que parece. É claro que continuaremos monitorando para situações futuras, mas se sentir alguma coisa anormal, uma dor de cabeça persistente, visão escura ou enjôos muito fortes, me procure imediatamente.

—Isso é maravilhoso! – Bella exclamou radiante – obrigada por tudo, Jacob. Devolvendo a vida dele, você me devolveu a vida e jamais conseguiria agradecer o suficiente.

—Esse é o meu trabalho e eu fico muito feliz por ter ajudado – o médico deu um sorriso cheio de dentes para a minha mulher e eu estreitei os olhos.

—Amor, por que não vai ver se minha mãe está pronta para ir para a casa? Não quero ficar aqui mais tempo do que o necessário aqui.

—Tudo bem, eu já volto – ganhei um beijo antes que ela se afastasse e me deixasse com o médico que assinava o prontuário.

—Aqui está uma receita de remédios para dor, para os curativos que precisará fazer no braço e em baixo a data para a próxima consulta, quero repetir os exames até ter a certeza de que realmente está fora de perigo.

—Sem problemas.

—Então é isso. Vejo você em algumas semanas.

—Espere, doutor – pedi enquanto ele se afastava – antes de ir tem uma pergunta que eu gostaria de fazer.

—O que quiser – respondeu distraído com meu prontuário e eu sorri.

—Bom, já tem um tempo que eu estou longe da minha mulher e gostaria de saber se não tem restrição nenhuma quanto ao sexo – ele me olha atônito e eu sorri repetindo as mesmas palavras que ele disse ao me dar alta depois do acidente quando se referia a Tanya – sabe como é: tenho uma linda mulher esperando por mim que está subindo pelas paredes. Ainda bem que estou descansado depois de tantos dias aqui, assim posso dar conta de toda a... saudade que ela sente.

—Não – ele respondeu olhando para mim sem expressão alguma – não tem restrição. Só tomem cuidado com os curativos do braço e vai ficar tudo bem.

—Isso é ótimo, porque ela já me perguntou muitas vezes e eu tenho certeza de que por alguns dias eu não terei paz.

—O que quer com isso, Cullen? – pediu largando os papéis que tinha em mãos e cruzando os braços – fala de uma vez o que quer dizer.

—Só quero lembrar que aquela mulher para quem você estava cheio de gracinhas agora há pouco está comigo. É a minha mulher e eu não quero você nem perto dela, nunca mais.

—Eu já tinha entendido isso, não precisava dessa ceninha toda – Jacob guardou a caneta no bolso e respirou fundo – olha, eu sei que realmente passei dos limites me metendo em sua vida, mas me preocupo com Bella de verdade. Qualquer um se preocuparia se a visse como vi quando você estava em coma – sai da defensiva ao ouvir essas palavras.

—Sei que ela sofreu um bocado...

—Não, você sofreu um bocado por causa daquele acidente. Não tenho palavras para lhe explicar o que Bella passou – o medico parecia bastante perturbado ao relatar – tenho alguns anos nesse trabalho, já vi muita coisa, mas nada se compara ao que vi quando essa moça esperava você acordar do coma.

—Foi tão ruim assim?

—A agonia nos olhos dela... – balançou a cabeça como se estivesse diante dela – sempre fora de foco enquanto estava ao seu lado ou mesmo quando estava longe de você. Era o rosto de alguém queimando em uma fogueira, Bella estava em chamas, queimando lentamente. Ela parecia tão frágil, triste e preocupada que era como se qualquer coisa tivesse o poder de quebra-la em milhares de pedaços que não poderiam ser restaurados – o médico respirou fundo e me olhou – não pode me culpar por me sentir responsável por ela.

—Sei que não. Na verdade eu preciso agradecer por mantê-la alimentada e cuidar dela.

—Não fiz isso por você. De longe se via e vê... o quanto ela te ama e apesar do trauma gigante em sua cabeça, você era um cara de sorte, isso até que descobri o que faz com ela.

—Jacob... – ele me interrompeu erguendo as mãos.

—Eu sei que isso não é da minha conta, mas naquele momento era, eu me sentia responsável por ela e dada as circunstancias, eu não poderia deixar que lhe fizesse mal, não depois de tudo o que passou por sua causa.

—Eu entendo, mas o que não percebeu é que eu a amo e respeito muito, Jacob. Jamais faria mal a ela, nunca poderia.

—Agora eu sei que não. Quando voltou para cá, tive a oportunidade de falar com ela e entender que... de um jeito ou de outro, você fez bem a ela e... me parece que são felizes juntos, do jeito que for.

—Desde que a conheci, tudo o que fiz foi lutar pelo bem-estar e felicidade dela, eu a amo mais do que qualquer coisa.

—Não importa o que você diga, nunca vou te achar digno daquela menina tão maravilhosa, mas... eu não posso ignorar o quanto ela fica feliz ao seu lado e quanto a isso não posso ir contra. Só cuida dela, tá legal? Ela merece tudo de bom.

—Sei disso, não se preocupe.

—Olha... eu sinto muito pelo que disse antes, mas eu tinha que tentar, não é? – ele suspirou – no fundo eu sempre soube que não teria chance, até por que nada do que eu disse ou fiz me deixaram perto de conseguir alguma coisa, nem ao menos que ela gostasse um pouco de mim.

—Acho que eu teria feito o mesmo. Obrigado por se importar tanto com ela, por tomar conta quando eu não pude e por tudo o que fez por mim.

—Sem problemas e peço perdão pelo meu pré-julgamento.

—Fico feliz que tudo ficou bem – sorri estendendo a mão para ele que a apertou sem hesitar.

—Eu também, até por que nos veremos muito tempo mais – eu ri assentindo quando minha Bella finalmente voltou e nos despedimos.

Seguimos abraçados até a porta do hospital e eu respirei fundo, aliviado enquanto a chuva gelada caia em meu rosto. Era ótimo poder voltar para casa e mesmo sabendo que ainda restava muitas pendências para serem resolvidas, eu tinha novamente o controle de tudo, o passado e o presente em minhas mãos eu conseguiria controlar o meu futuro.

Notas finais
E então? O que acharam? Contem para mim, por favor! Mais uma vez, agradeço de coração pela recomendação roseli oliveira e dnunes, muito obrigada! E obrigada também as novas leitoras que encontram a história e a devoram com entusiasmo e me deixam saber o quanto estão gostando para mim, tudo isso é... uau! agradeço de verdade e sejam bem vindas! Então, é isso! Eu volto logo, logo, logo! Mil beeeeijos! Té mais!