Memórias
36 Conquistando
Notas iniciais
—Para onde vamos? – Abri meus olhos quando ouvi a voz de Charlie. Ainda estava extasiado pelo alivio de finalmente sair daquele hospital, pela sensação de estar vivo que aquela chuva fria caindo sobre mim representava, mas não tanto quanto estar abraçado à mulher que eu amo e que agora eu sabia que me amava também. Sem saber como ficar mais feliz, sorri para meu amigo.
—Vamos para a minha casa.
—E qual delas, espertinho? – Emmett perguntou fazendo gracinha e eu revirei os olhos rindo.
—A que fica perto da de vocês, é claro, quero todo mundo perto de mim mais um pouco.
—Não querermos atrapalhar, filho, você acabou de sair do hospital e precisa de paz.
—Você também, mãe, e eu não vejo porque não fazermos isso todos juntos – sorri para Esme que também recebia alta naquele momento, tão pronta para ir para casa quanto eu estava – além do mais eu estou com saudade das crianças, de Rose e Alice também, bem como Bella também deve estar, vai ser bom passarmos mais um tempo juntos.
—Você tem razão – ela sorriu parecendo contente por ficar com os filhos mais um pouco. Nós nos arranjamos em dois carros, meus pais foram com Emmett e Jasper em um e Charlie levou Bella e eu no outro.
Queria que minha mãe tivesse um pouco mais de conforto para ir para casa e por isso pedi ao meu irmão que pegasse um dos meus carros para levá-la. De longe se via o quanto ficou animado com isso, tanto quanto Charlie estava, mas disfarçava bem, ou melhor, disfarçava o melhor que podia. Ver a animação dos meus irmãos com os carros, meus pais maravilhados com o conforto, me deu esperanças de que eles aceitassem tudo o que eu tinha a oferecer a eles.
Bella não saía do meu lado, por isso nos sentamos no banco de trás enquanto íamos para casa. Charlie dirigia e minha noiva não tirava os olhos de mim e só com aquele olhar eu sabia tudo o que se passava em sua cabeça. Minha mão a acariciava o tempo todo e eu não deixei de notar o quanto isso mexia com ela por que mexia comigo também. Mesmo querendo passar um tempo tranquilo em meio a família, era difícil não pensar em finalmente estarmos sozinhos.
—Aqui estamos – Charlie anunciou quando parou o carro percebendo que Bella e eu estávamos imersos demais em nós mesmos para perceber – entregue em sua própria casa, Cullen – antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o delegado desceu do carro e segurei Bella pelo braço antes que ela descesse também.
—Amor – sussurrei para ela – antes de qualquer coisa, eu quero que vá até o nosso quarto de jogos e...
—O que? – antes que eu pudesse terminar de falar, Bella ofega e olha para mim com um sorriso esperançoso – mas... mas agora? Com todo mundo chegando? Com meu tio aqui?
—Não é para isso, ainda não – sorri tocando seu rosto vendo o desejo transbordar em seus lindos olhos – Quero que vá até lá apenas para trancar a porta. Não queremos que ninguém, nem minha mãe ou seu tio, por exemplo, errem o caminho do banheiro ou que alguma criança curiosa queira brincar com suas contas anais, não é?
—Não, não queremos – respondeu com os olhos arregalados e eu beijei seus lábios levemente – eu vou trancar.
—Boa menina. Eu saberei recompensá-la mais tarde.
—Sei disso e mal posso esperar – suspirando, ela desce do carro e me ajuda a descer. Permaneci do lado de fora enquanto Bella entra, esperando o resto da minha família chegar e Charlie se aproxima.
—É mesmo muito bom te ver tão bem, meu caro amigo, e acho que em poucos dias terei você ao meu lado nas investigações.
—Concordo, é muito bom estar de volta e por mais que eu esteja bem o suficiente pra voltar em poucos dias, não quero pensar nisso ainda.
—Não vai me dizer que quer ficar de fora disso, não é?
—Só estou dizendo que não estou pronto para gastar minhas energias nisso, não enquanto eu ainda não as recuperei por completo. Quero aproveitar um pouco minha família, matar a saudade que só cresceu durante anos e anos do meu casamento, todo o tempo em que estive sem memória e sem saber direito o que eles significavam para mim e, além é claro que eu quero curtir minha mulher um pouco – inevitavelmente eu sorri ao pensar nela – quero dar lhe um pouco de carinho depois do que sofreu nesse tempo todo e só então posso voltar a me meter naquela sujeira toda.
—Eu te entendo...
—Só que isso não significa que você deve deixar de fazer seu trabalho com a rigidez e a seriedade que eu sei que só você sabe fazer.
—Pode deixar, sabe que eu farei meu melhor – assenti e apertei seu ombro em forma de gratidão, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Bella voltou para fora.
—Vamos entrar? – perguntou evitando olhar para mim ou para o tio, mas pela postura corporal e a respiração irregular sabia muito bem o motivo.
—Queria esperar minha mãe por aqui, mas eu preciso me sentar um pouco – falo olhando para o caminho por onde viemos – onde eles estão?
—Se Emmett for só um pouco como eu, ele deve ter vindo para o caminho mais longo para desfrutar um pouco de um carrão como o que ele está usando, então dê um tempo a ele e vamos para dentro – eu ri diante da hipótese e aceitei sua sugestão entrando em casa me sentindo feliz em estar aqui.
Bella me olhava parecendo emocionada por finalmente estarmos em casa. Eu me aproximei e lhe dei um beijo concordando com seus pensamentos e maravilhado com seu sorriso. Sentamos-nos juntinhos, de frente para Charlie e mal tínhamos nos acomodado quando a porta foi aberta e por ela passou uma verdadeira tropa de crianças.
—Tio Edward! – a maioria delas veio para junto de mim. Os meninos interessados no meu ferimento de bala e as meninas planejando encher meus curativos de adesivos e eu ria, me dando conta de como isso me fazia bem e no fundo imaginando meu filho no meio deles.
—Crianças, eu sei que estão com saudade, mas é importante que deixemos o tio Edward descansar um pouco, ele precisa disso – Emmett pediu entrando em minha casa de braços dados com a nossa mãe e Ellie reclamou.
—Ai papai, que coisa chata! A gente não pode matar a saudade da vovó nem do tio Edward direito e então o que a gente vai fazer?
—Por que não vão brincar do lado de fora um pouco? – Rosalie sugeriu com um sorriso e eles todos correram.
—Acho que a saudade já passou – resmunguei rindo com o resto do pessoal – senti mesmo a falta deles.
—Por mais que não pareça, eles sentiram sua falta também e estamos todos muito felizes por te ver bem.
—Obrigado, obrigado por estarem aqui e trazer as crianças. Senti falta de todos vocês.
—Nós sentimos saudades também e pelo visto não foi só de você – Alice apontou para o filho sentado no colo de Bella me fazendo rir mesmo que, bem no fundo, isso me incomodasse um pouco.
—John, por que não foi lá fora brincar com seus primos? – perguntei me aproximando dos dois. Meu sobrinho olhava para a minha mulher como se estivesse hipnotizado por sua beleza.
—É que eu queria ficar um pouco com a tia Bella – respondeu sem olhar para mim – senti muita saudade dela.
—Estou vendo mesmo – resmunguei fazendo Bella rir e meu sobrinho suspirar.
—Tio Edward, você lembra que eu prometi que cuidaria da tia Bella para você? – ele finalmente olhou para mim parecendo sério e eu assenti.
—Não pensei que fosse mesmo precisar, mas eu fiquei muito tranquilo porque sabia que você estava por perto.
—Eu juro que fiz o meu melhor, vim com a mamãe dar a noticia a ela e segurei sua mão o tempo todo, bom, até que a mamãe me deixou na casa da tia Rose. Eu poderia ter feito muito mais coisas, cuidado melhor dela, mas a tia Bella ficou o tempo inteiro no hospital e eu não podia ir lá.
—É... – murmurei um pouco surpreso com o assunto quando ele esperava que eu dissesse algo – aquele não é um lugar para crianças.
—Foi o que todo mundo me disse. Eu não estava lá, mas o papai estava e ele me ajudou, mandou a tia Bella dormir na hora certa e fez ela comer todos os dias. Então ele cuidou dela por nós dois.
—Você fez um bom trabalho, John e estou muito, muito agradecido.
—Verdade? – perguntou com um sorriso que eu facilmente retribui.
—Bom é só você olhar para ela – meu sobrinho olhou para a tia que sorria tanto quanto nós – a nossa Bella está inteirinha e feliz. Então você com certeza fez um bom trabalho.
—Eu não sei se quero fazer isso de novo, tio Edward – ele suspirou – ainda amo a tia Bella, mas eu acho que não estou pronto para cuidar de ninguém, a não ser que você precise muito, muito mesmo de mim – eu ri e baguncei seu cabelo loiro.
—Eu te agradeço muito, garoto, mas eu espero não precisar nunca mais. Pode ficar tranquilo que eu mesmo cuidarei de Bella de agora em diante e para sempre – John e eu demos um toque elaborado e eu o tirei da frente para que eu pudesse beijar minha noiva.
—É só o que todos nós queremos, filho – minha mãe falou quando me separei de meu amor – você tem muita, muita vida pela frente – olhei para Esme que piscou para mim e naquele momento eu soube que ela sabia. Olhei em volta e vi minha noiva sorrindo para as cunhadas e também as vi dando risinhos contentes.
—É assim que vai ser se depender de mim – Charlie interrompeu sem entender a silenciosa interação familiar – Vou cuidar pessoalmente de todo mundo que lhe fez mal e depois disso, ninguém mais vai se atrever a repetir o feito – sorri agradecido para meu amigo e ele estreitou os olhos para mim – até por que Edward tem responsabilidades com a minha sobrinha que eu espero que cumpra.
—Não se preocupe quanto a isso, Charlie. Por mim eu teria me casado com ela na porta do hospital, ou mesmo em meu leito no momento que ela disse que me ama, mas essa aqui é a mulher da minha vida e ela merece muito, muito mais do que isso.
—Então quer dizer que teremos uma festa em breve? – Alice perguntou com um sorriso enorme, como eu nunca tinha visto antes que contagiou a todos no local, inclusive a mim, diante da felicidade da minha noiva.
—Quero me casar o quanto antes e então se apresse com os preparativos, por favor.
—E por que o motivo de tanta pressa? – Charlie perguntou com o cenho franzido e me dei conta de que ele não sabia sobre nossa novidade.
—Além é claro de eu estar louco para que essa mulher seja minha para o resto de nossas vidas, quero que quando nosso filho chegar, nos encontre casados.
—Filho? – ouvi meu amigo ofegar surpreso e eu assenti sorrindo olhando nos olhos de minha noiva – vocês estão planejando ter um ou...
—Eu estou grávida, tio – Bella interrompeu a pergunta que ele gaguejava – isso não é maravilhoso?
—É claro que sim, meu amor – eles se abraçaram e Charlie me encarava por cima do ombro dela. Quando se separaram o delegado olhou em volta – por que só eu estou surpreso com a notícia?
—Bella suspeitou antes que Edward fosse baleado e nós a ajudamos a ter certeza – Alice falou sorrindo para minha noiva – nós fizemos compras e ela preparou um jantar para dar a grande noticia, mas acabou recebendo uma maior ainda.
—Então todo mundo já sabia?
—Todos nós nos preocupamos com ela quando Edward estava no hospital, que comesse bem, que dormisse bem e que ficasse firme, não só por ela mesma, mas pelo bebê que ela carrega.
—Eu gostaria que tivesse me contado, Bella.
—Desculpe, tio. Não queria esconder nada de você, mas a única coisa que importava para mim, mais do que a mim mesma naquele momento era Edward. Minhas orações, minhas forças, meus pensamentos estavam com ele não tinha mais nada em minha mente, tio, mais nada.
—Não se preocupe com isso mais, minha filha...
—Mas? – ela pediu quando percebeu que ainda tinha algo errado.
—É só que as vezes eu sinto que ainda não faço parte de sua vida, não faço muita coisa por você.
—Mas você faz, tio Charlie, adoro ter você na minha vida e não se preocupe – ela foi até o tio e segurou sua mão a colocou em seu ventre – em breve, vai ter muito o que fazer por mim.
.
—Acho que está ficando tarde – Charlie observou depois do jantar enquanto estávamos conversando na sala.
Passamos todo o dia juntos, felizes por estarmos reunidos e celebrando mais uma oportunidade que eu tinha recebido para viver, a saúde de minha mãe, meu casamento tão próximo e também nossa gravidez. Deixamos todos os problemas de lado e apenas celebramos tudo de bom que vem nos acontecendo com bastante comida, risadas e crianças.
—Você tem toda razão, é melhor levantarmos acampamento, temos muitas crianças para colocar na cama – Emmett concordou olhando para as meninas que começavam a bocejar e minha mãe que assentiu.
—Eu preciso mesmo me deitar um pouco, vamos para a casa.
—Mas você não precisa ir embora, mãe – falei quando ela pediu ajuda ao meu pai para se levantar – por que não passa a noite aqui?
—Edward...
—Nem vem com a ideia de que vai nos atrapalhar, temos quartos o suficiente para todo mundo ficar por aqui, se vocês quiserem.
—Não sei se é uma boa ideia – Alice murmurou parecendo um pouco desconfortável – e outra, a gente mora tão pertinho... não vai dar trabalho nenhum ir embora.
—Mas se vocês ficarem aqui, podemos ir bem cedo para conhecer a casa que mandei construir para vocês, podemos ir todos juntos e acabar com isso de uma vez.
—Casa? – Rosalie perguntou depois de encarar Alice que também parecia não estar entendendo – Do que ele está falando, Emm?
—Não contaram para elas? – meus irmãos deram de ombros e suspirei – eu juntei dinheiro o suficiente para dar uma boa vida para a minha família, era o que eu sempre quis a minha vida inteira, então eu mandei construir uma casa para cada um dos meus irmãos e suas famílias, mas eles não querem aceitar.
—E por que não? – Alice ofegou tão surpresa quanto Rosalie parecia estar.
—Eu não faço ideia. Por isso, quero levá-los até lá, quem sabe depois que virem...
—É melhor mesmo a gente ir para a casa – Rosalie decidiu ficando de pé e antes que eu pudesse perguntar ela me olha com um sorriso – voltaremos amanha pela manhã, Edward, mas eu preciso de um tempo para conversar com o meu marido.
—E eu com o meu – Alice concordou ficando em pé também com os olhos fixos em Jasper – vamos embora – não demorou para que meus irmãos reunissem as crianças para partir e quando estavam se despedindo, vejo minha mãe se aproximar da porta.
—Você vai ficar, não é? Eu ficaria mais tranquilo se ficasse aqui.
—Meu amor, eu estou com saudades da minha casa e não é nada longe daqui, ainda mais que Emmett está com o seu carro, vamos chegar rapidinho.
—Mesmo assim... – ela me interrompeu com um sorriso.
—Eu também volto amanhã de manha, então por que não aproveita a noite com a sua noiva? – perguntou se aproximando e eu instintivamente olhei para Bella que se despedia de seu tio do outro lado da sala – sei que estão loucos para ficarem sozinhos, vocês tem muito o que comemorar.
—Tudo bem – respondo com um suspiro depois de pensar por um momento e concordar com ela – então descanse bastante e volte para cá.
—Voltarei, querido. Não vou mais ficar longe de você, nunca mais!
—É tudo o que eu quero – me despedi de todo mundo e me abracei a Bella enquanto observávamos nossa família partir e depois, ainda abraçados entramos em casa.
Bella passou a minha frente quando me demorei por mais um momento enquanto trancava a porta e depois me aproximei abraçando-a por trás cheio de saudade, feliz por esse momento finalmente ter chegado.
—Todo mundo foi embora – Bella sussurrou para mim e sorri.
—Vamos finalmente ficar sozinhos depois de tanto tempo – sussurrei de volta virando-a para mim. Toquei sei rosto e senti seu corpo tremer junto ao meu antes mesmo de nossos lábios se tocarem e por mais que nosso beijo não tenha passado de um carinho, eu pude sentir o desejo que emanava dela.
—Quero aproveitar cada momento com você – continuou sussurrando de olhos fechados – mas primeiro eu preciso de um banho...
—Eu vou com você – anunciei puxando ela para mais perto e beijando seu pescoço, deixando minhas mãos percorrerem seu corpo quando ela dá um passo atrás.
—É melhor não... não é assim que eu quero você, não esta noite.
—Achei que me quisesse o quanto antes – respondi me aproximando novamente decidido quanto ao que eu queria, mas Bella se manteve em seu pensamento mantendo-se afastada e tocou meu rosto, olhando em meus olhos.
—E eu quero, Edward, sei que pode ver em mim como estou queimando por você...
—Ah... eu com certeza posso ver... – atrevidamente segurei sua bunda a puxando de volta para junto de mim.
—Então me deixe tomar um banho primeiro...
—Vou com você, vai ser uma delicia te esfregar quando estiver toda molhadinha – Bella gemeu em meus braços ao ouvir minha voz rouca em seu ouvido enquanto eu me esfregava nela.
—Amor... eu amo tomar banho com você, mas se for junto não vai ter banho nenhum.
—Não imagino por que isso é um problema.
—É eu quero me preparar para você...
—E eu aposto que já está prontinha para mim – rapidamente minhas mãos já se desfaziam de suas roupas a fim de provar meu ponto, doido para provar dela e ao invés de me corresponder, ela tentava com mais afinco se afastar de mim.
—Ah... meu amor, deixe-me ir. Prometo ser rápida para voltar aqui e te amar sem ter hora para acabar – sua voz estava imersa em desejo, tanto quanto seu olhar que fez meu pau latejar e eu suspirei rendido deixando que ela saísse sem mim em direção ao banheiro ao invés de obrigá-la a se ajoelhar e me dar prazer.
Pensei nisso enquanto caminhava para nosso quarto para tomar um banho também. Não achava que era errado fazer valer meus direitos de dominador e lhe ordenar coisas que nos trariam prazer, como teria achado quando estava sem memória, mas eu tinha lutado tanto para criar essa Bella que tinha voz em nossa relação e estava tão orgulhoso disso que não queria que se perdesse, até porque ela agora era a minha noiva, a mulher com quem eu me casaria em pouco tempo e passaria o resto da minha vida com ela.
Quando terminei meu banho, voltei para o quarto e Bella ainda não estava lá. Não me preocupei em encontrar nada para vestir e decidi ficar esperando por ela na cama, mas antes que eu chegasse a me deitar ela surge no quarto usando seu roupão semi-aberto revelando que aquilo era a única coisa que estava sobre seu corpo. Fiquei paralisado vendo-a entrar devagar e se aproximar de mim.
—Parece que faz séculos que a gente esteve aqui pela última vez – sussurrou se aproximando enquanto eu a observava.
—Não faz tanto tempo assim.
—Eu sinto que foi em outra vida, tudo era tão diferente. É como se anos tivessem passado e mudado tudo a nossa volta, mas tem uma coisa que não mudou e nunca vai mudar.
—O que é? – pergunto ainda sem reação apenas maravilhado com a beleza daquela mulher que me seduzia apenas com o seu respirar irregular, sua pele arrepiada e os mamilos durinhos que eu via despontar sob o roupão.
—O meu amor por você – sua voz já não era mais um sussurro, mas estava tão rouca que pareceu um. Não conseguíamos desviar nossos olhares, não até que ela deixou seu roupão cair no chão e eu fui atraído pela visão de seu belo corpo nu.
—Eu amo você, Bella – consegui dizer depois que meus olhos mataram a saudade de seu corpo exuberante e olharam de volta para seus olhos que diziam o mesmo que eu.
—Eu te amo, Edward e agora eu só consigo pensar em como matar essa vontade de você – muito diferente do que costumava ser, Bella veio para cima de mim, suas mãos pequenas tocando meu peito, apertando, sentindo, descendo até que segurou firmemente minha ereção – finalmente.
—Bella... – Gemi enquanto sua mão descia e subia, fazendo com que meus quadris se movessem na mesma direção e não fui capaz de dizer mais nada quando ela beijou meus lábios, seu corpo se encostando ao meu, se esfregando e implorando pelo meu toque, me fazendo sentir o quanto ela estava excitada e mesmo sem isso eu poderia ver em seus olhos, podia sentir em seu toque.
A forma com que Bella se esfregava em mim, a fome que eu via em seus olhos me deixaram ainda mais faminto. Quase cego pelo desejo eu a segurei pelo braço e joguei em nossa cama, parando um segundo para apreciar a vista. Minha noiva estava exuberante naquela cama. Seus olhos brilhavam, sua respiração saia irregular fazendo seus peitos maravilhosos subirem e descerem, seus dentes mordiam o lábio inferior com força e suas pernas abertas eram um convite que eu jamais recusaria.
Fui para cima dela e beijei seus lábios enquanto enchia minhas mãos com seus peitos deliciosos. Eu os apertava com vontade seguindo a dança que os quadris dela faziam embaixo do meu se esfregando em mim louca por um atrito, louca para finalmente deixar sair todo o prazer que havia dentro dela.
Bella afastou a boca da minha para gemer meu nome o mais alto que conseguiu quando meu pau roçou sua entrada encharcada. Aquela foi a minha deixa para descer beijos pelo seu pescoço até que minha boca tomou o lugar de minhas mãos, ora provocando seu mamilo com minha língua, ora chupando seu peito com gula.
Minha fome dela só aumentava ao ver sua reação e logo eu estava tocando sua bocetinha molhada, metendo meus dedos e gemendo feito um louco ao imaginar meu pau sendo esmagado como meus dedos estavam naquele canal deliciosamente apertado. Aquilo tirou o resto de sanidade que me restava e então decidi ir para cima dela e finalmente estar dentro dela.
Segurando meu pau na base com meu braço ferido, eu impulsionei meu corpo agarrado em um de seus peitos para ficar em cima dela e com aquele único movimento eu estava todo dentro dela.
O som que saiu de nós era alto, cheio de alivio e de prazer que não foi interrompido enquanto nos movíamos. Nossos quadris iam ao encontro um do outro quase por vontade própria, em sintonia, guiados pelo próprio prazer e nada mais, até que o orgasmo nos alcançou apagando todo o resto e não havia mais nada no mundo.
Só nós dois.
Eu estava longe de estar satisfeito e sabia que Bella estava ainda mais do que eu, mas ao invés de começarmos tudo de novo, ficamos ali, um nos braços do outro nossos corpos tão emaranhados que pareciam um só e aquela união, aquele nosso modo de fazer amor, era o que bastava no momento.
—Estou tão feliz em estar aqui com você – olho para ela ao ouvir suas palavras sussurradas e suspiro, me sentindo tão feliz quanto ela.
—Agora que me lembro bem de minha vida, posso dizer com toda a certeza que eu nunca me senti tão feliz – ficamos nos olhando por incontáveis minutos até que ela deu um leve sorriso.
—Eu realmente amo você, Edward. Amo muito.
—Sei disso, agora eu sei – era inevitável não sorrir diante dessas palavras, palavras que eu tanto quis ouvir e que tive tanto medo de nunca poder. Meu sorriso provocou o dela que suspirou antes de falar outra vez.
—Não entendo como nunca viu isso antes. Você me conhece tão bem e não diga que conhece meu corpo apenas, sabemos que isso não é verdade – ela riu – às vezes eu acho que me conhece tanto que é capaz de adivinhar meus pensamentos ou prever meus movimentos e as palavras que estou prestes a dizer.
—Isso é verdade. Nós temos uma ligação muito forte que é impossível de explicar ou romper, mas de verdade eu não tinha ideia do que você sentia por mim.
—É o que estou tentando dizer... não tem como você não ter visto isso.
—Você também não sabia o que eu sentia por você e sei que sente essa mesmíssima ligação que eu.
—Como isso é possível? – Bella olhou em meus olhos com o cenho franzido – por que ficamos tão distantes assim?
—Imagino que foi o medo que não nos deixou ver o que verdadeiramente estava acontecendo conosco.
—Medo? – assenti beijando seus lindos lábios antes de continuar.
—Sim, sempre me perguntei como você se sentia ao meu respeito. Era obvio que sentia tesão e que amava o que temos juntos, disso eu nunca duvidei, mas seus sentimentos sempre me intrigaram e me assustaram ao mesmo tempo. Eu tinha medo do que eu estava sentindo por você e mais medo ainda do que poderia sentir por mim. Com você não foi assim?
—De certo modo foi. Eu sempre me senti muito ligada a você, principalmente quando estávamos no quarto de jogos, mas eu também achava que era tesão ou que eu te agradava enquanto cumpria meu papel e nunca passaria disso.
—Eu aposto, que assim como eu, você conseguia ver os sinais em mim, em meu corpo sobre esse afeto, mas que jamais procurou por outros sinais.
—Do que está falando?
—Que quando olhava em meus olhos, você conseguia ver o tesão que eu sentia enquanto olhava para seu corpo exuberante, mas não via como eu perdia o ar ao olhar para seus olhos. Sentia meu pau duro por você, mas não como meu coração disparava e dispara sempre que estamos juntos.
—Não – ela fungou com os olhos cheios de lágrimas – eu nunca vi isso. Desculpe.
—Não precisa se desculpar, afinal eu também nunca vi os sinais que dava também – beijei seus lábios depois de secar suas lagrimas e suspirei antes de sussurrar – mesmo que não tenha demonstrado, eu sempre te amei, Bella, sempre.
—Edward... – eu me sentei e a puxei para junto de mim impedindo que me dissesse qualquer coisa antes que eu abrisse meu coração. Eu segurei sua mão acariciando sua aliança e olhando para seus olhos.
—Há muito, eu comprei essa aliança pensando em um momento perfeito para entregar para você – eu ri me lembrando – Para ser sincero, eu pensei em algo como hoje, nós dois do jeito que estamos depois de termos feito amor boa parte da noite e eu finalmente ter aberto meu coração para você, depois de ter sentido o meu amor de todas as maneiras que eu conseguisse te mostrar: com minhas palavras, com meu corpo e meu coração. Então, eu te daria o anel e imploraria para você ficar comigo para sempre.
—Eu tenho certeza que não precisaria implorar, nem ao menos pedir muito... – sussurrou com um sorriso e eu sequei a única lágrima que correu por seu rosto.
—Mas eu teria feito. Não estávamos em maus lençóis, mas como eu já disse, não sabia como se sentia em relação a nós dando um passo assim para tão longe de onde estávamos. Achei que ficaria assustada, que me rejeitaria, tanto que passei muito tempo planejando, escolhendo as palavras certas para te dizer e quando estava tudo pronto... – balancei minha cabeça ainda revoltado com tudo o que tinha me acontecido – jamais poderia imaginar que a minha vida viraria de ponta cabeça desse jeito.
—Não foi do jeito que você esperava, mas foi perfeito do jeito que foi – eu ri.
—Você deve me amar mesmo para achar a forma que eu te dei esse anel perfeita de algum jeito. Eu estava atordoado por ter acabado de saber que Tanya mentia para mim e não sabia o que estava fazendo direito, só achei que estivesse te devolvendo uma jóia, algo que já era seu e não que estava te dando a aliança que vai ficar no seu dedo para sempre...– suspirei ainda olhando para a aliança pensando no assunto e ela acariciou meu rosto suavemente me fazendo olhar para ela, me deliciar com seu sorriso.
—É verdade, eu te amo demais, mas não foi o que eu sinto por você que deixou tudo isso perfeito, até por que você tem toda a razão. Nós dois estávamos perdidos, você por não ter o controle das coisas, eu por não saber como agir, mas acho que as coisas não poderiam ter saído melhor. Conseguimos estabelecer um novo nível em nosso relacionamento a partir daquele dia que não conseguiríamos de outra maneira.
—Tem toda a razão, meu amor. Foi como se estivéssemos nos conhecendo novamente você sem seus traumas, eu sem as minhas reservas por mais que não tenha sido fácil, nós chegamos até aqui. Noivos, felizes, apaixonados.
—Sim, estamos aqui e eu sinto que nossa felicidade só vai aumentar – ela sorriu tocando seu ventre que continha a nossa maior felicidade.
—No que depender de mim, pode ter certeza disso – coloquei minha mão sobre a dela, jurando enquanto olhava em seus olhos – minha vida de agora em diante é apenas para fazer vocês felizes.
—A sua vida já nos faz muito felizes, meu amor.
Eu mal conseguia resistir quando Bella se referia a mim desse jeito. Meu coração acelerava fazendo o sangue percorrer meu corpo e querê-la junto a mim mais uma vez, mas eu me contentei em olhar para ela admirando seu sorriso pensativo.
—Ainda me sinto mal pela maneira com que eu te dei esse anel. Eu até pensei em te comprar outro e começar de novo, da maneira certa, mas esse anel é o que eu quero ver em seu dedo enquanto vivermos.
—E por que significa tanto para você?
—Eu passei tanto tempo com ele, tomando coragem para conversar com você e imaginando ele em seu dedo o resto de nossas vidas e agora, fico tão feliz em vê-lo com você que não consigo sequer imaginar outro nesse lugar.
—Eu também não.
—Além disso, combina tanto com você, meu amor.
—Não poderia concordar mais – Bella beijou meus lábios delicadamente antes de se aproximar um pouco segurando o que sobrou de meu cabelo depois do acidente e me puxou para mais perto.
Estive tentando me controlar, mas não sou de ferro e ao sentir minha mulher completamente nua me puxar para junto de seu corpo, tudo o que eu pude fazer foi dar a ela o que nós dois mais queríamos.
.
Mal tinha amanhecido e nós já estávamos em pé.
Bella acordou se sentindo mal, com enjôos e tonturas e eu não podia ficar deitado enquanto a via daquela maneira, não que houvesse muito o que fazer, mas permaneci ao lado dela até que se sentisse melhor.
Sentamos-nos juntos na bancada de café da manhã quando ela estava melhor, ainda sorrindo um para o outro feito bobos depois da linda noite de amor que tivemos. A felicidade que sentíamos era contagiante ao ponto de eu achar que jamais teria fim.
Tomamos um banho juntos enquanto esperávamos por minha família e estava começando a achar que eles não viriam quando finalmente chegaram.
—Achei que tivessem desistido – comentei depois que nos cumprimentamos e que tive certeza que minha mãe estava bem.
—É que nós precisávamos conversar bastante sobre isso e...
—Não, Jasper, eu não quero ouvir o que vocês têm a dizer – falei com medo de que desistissem – prometeram que conheceriam a casa antes de recusar.
—É verdade, mas...
—Então vamos até lá, só vou ouvir a resposta depois que conhecerem tudo – meu irmão riu.
—Sempre foi impossível discutir com você, jamais perdeu uma discussão em toda a sua vida – eu ri também.
—Eu estaria na profissão errada se perdesse. Mas chega de papo e vamos. Mãe e pai venham comigo e Bella, vocês dois, sigam o meu carro.
—É muito longe daqui?
—Um pouco – dei de ombros – como se alguma coisa fosse muito longe nessa cidade minúscula. Podemos ir? – meus irmãos assentiram e de longe ouvi meus sobrinhos fazendo algazarra no carro.
—Tenho certeza que vão gostar muito das casas – falei animado quando saímos com o carro. Mesmo com o braço ruim fiz questão de dirigir, afinal a surpresa era para todos, inclusive para Bella.
—Eu não sei, filho – minha mãe respondeu – mudar não me parece uma boa ideia, até porque vivemos nossa vida inteira naquela casa, foi onde vocês nasceram e tudo o que aconteceu de bom em nossas vidas foi lá.
—Vai ter mais conforto na casa nova, mãe. Além de tudo é a casa dos sonhos dessas que você via nos filmes que a gente assistia quando eu era criança e que muitas vezes se imaginou nelas.
—Edward... o que a sua mãe está tentando dizer...
—Eu tenho certeza que vão amar, pai, confie em mim – sorri para eles pelo retrovisor mais animado impossível e fui falando das maravilhas que podia me lembrar sobre a casa tentando animá-los também.
Não demorou para que atravessássemos a cidade e chegássemos a outra extremidade ao redor da floresta. Havia ali pouquíssimas casas e uma vizinhança bastante tranquila que logo receberia crianças para dar um jeito nisso. Chegamos a uma rua sem saída e eu encostei meu carro bem em frente as únicas quatro casas que haviam ali e esperei que meus irmãos encostassem logo atrás de mim.
—Não brinca! É aqui? – escutei Emmett gritar do carro de trás, fazendo tanto barulho quanto as crianças, muito mais animado que elas. Quando descemos do carro vimos meu irmão e seus filhos pularem ao redor de Jasper, Alice e Rose paralisados, tanto quanto meus pais estavam.
—Sim é aqui, essas são as casas que mandei construir para todos nós.
—Meu Deus! É impressionante – Alice estava boquiaberta bem como Rosalie, ela mal podiam se conter.
—E então, o que acharam?
—Filho... nós não sabemos o que dizer.
—Sei que a mãe sempre gostou de lugares calmos e por isso vivemos nossa vida toda no meio da floresta por isso escolhi esse bairro. É um dos melhores da cidade e tem bastante verde em volta, além de podermos viver todos juntos, como quando éramos crianças.
—Isso deve ter sido muito caro...
—Na verdade nem tanto. Eu comprei os terrenos e mandei construir as casas do zero, assim foi mais barato do que você imagina.
—Você construiu as casas do zero?
—Pois é, eu preferiria ter pedido a opinião de vocês, mas como não pude planejei tudo mais ou menos da mesma forma. A casa é grande com vários quartos e bastante espaço e a decoração é bastante impessoal justamente para deixarem do jeito de vocês.
—A casa está mobilhada? – A cada pergunta, Emmett parecia ainda mais fascinado e prestes a correr para lá e explorar tudo.
—Sim, mas se não gostarem de alguma coisa podemos mudar... quero que fique do jeito de vocês.
—Tenho certeza que vai estar tudo maravilhoso.
—E qual delas é a nossa casa, tio Edward? – Ellie perguntou enquanto seus irmãos pulavam ao redor.
—Bem aquela grande no fim da rua é a dos meus pais e a casa bem ao lado da deles é a minha...
—Nós vamos morar aqui também? – Bella perguntou realmente surpresa me fazendo sorrir.
—Que tal conhecermos tudo primeiro e depois decidimos? – pisquei para ela e minha sobrinha me puxou chamando minha atenção.
—Você ainda no disse em qual casa vamos morar.
—A de vocês é a do lado direito e a de Jasper do lado esquerdo, do outro lado da rua.
—E podemos entrar?
—Podem até se mudar, a hora que quiserem! – observei as crianças puxarem seus pais para as casas, mesmo que a essa altura todos eles estivessem muito animados e meus pais continuavam ali, apenas olhando – então, prontos para conhecerem a casa?
Ainda atônitos meus pais assentiram e eu os levei para dentro. O lugar era realmente muito grande e de muito bom gosto, mesmo em silencio eu podia ver o quanto meus pais estavam gostando de tudo o que estavam vendo e depois que mostrei a eles cada cantinho, voltamos lá para fora encontrando meus irmãos conversando com suas esposas do lado de fora e eu respirei fundo.
—E então? Vão ficar com a casa?
—Ainda estamos bastante desconfortáveis com isso. É tudo muito bonito, Edward, é um sonho estarmos aqui, mas não sabemos se devemos aceitar.
—Ora, mas que bobagem, é claro que devem, eu faço questão. Quero que partilhemos nossa felicidade e vamos viver juntos, pertinho da mãe como sempre quisemos. Por favor, não digam não.
—Não vamos dizer, não poderíamos, mas isso nos deixa um pouco sem jeito, cara... não temos nada para dar em troca de tudo isso.
—Vocês já me deram mais do que imaginam e eu devia isso a vocês. Sei que não tivemos uma vida fácil ou muitas oportunidades de melhora, sei que passaram muita necessidade, mais do que eu possa ter imaginado – fiz uma pausa para observar meus pais, Emm e Rosalie se olhando com lagrimas nos olhos provavelmente pensando nisso e Jasper segurava a mão da esposa e pelo seu olhar, sabia que estava concordando com cada palavra que eu dizia – então isso é o mínimo que eu posso fazer por vocês, alguns presentes que eu nunca pude dar a nossa vida inteira, uma forma de agradecer por tudo o que fizeram e passaram por mim.
—Não temos palavras para te agradecer, Edward – Rosalie se aproximou para me dar um abraço – muito obrigada por tudo.
—Isso é muito mais do que jamais sonhamos, é como se vivêssemos um sonho. Obrigada por isso – Alice me abraçou também bem como cada uma das crianças e meus irmãos. Emmett, o mais animado de todos chamou os outros para conhecerem sua casa nova e Jasper, Alice e John o seguiram. Observei eles se afastarem muito felizes e quando olho, minha mãe estava me olhando com carinho.
—Meu menino – ela soluçou com os braços abertos e sem demora eu a apertei com muita força – você é incrível, é tudo incrível, muito melhor do que imaginava ou que sonhei um dia. Obrigada por tudo!
—Só quero que aproveite tudo com muita saúde, vocês dois – falei olhando para o meu pai – amo muito vocês e estou muito feliz por terem gostado.
—Estou sem palavras, filho – meu pai assentiu realmente parecendo atordoado e eu lhe abracei com força.
—Mas o maior presente de todos, na minha opinião, é ter meus filhos, minhas noras e meus netos todos pertinho de mim.
—Não estou querendo te desanimar, mãe, mas eu ainda não sei se vou morar aqui. Bella e eu ainda nem se quer conversamos sobre isso ainda e acho que essa é a deixa para irmos conhecer a casa – sorri para minha noiva segurando sua mão – vamos? – seguimos juntos para dentro e a levei para um tour completo exaltando as qualidades da casa e deixei nosso quarto por ultimo e foi em nossa cama que eu me sentei ao lado dela – e então, o que você acha?
—Vamos morar aqui?
—Essa era a ideia. Quero muito viver perto da minha família enquanto estabelecemos a nossa – eu a abracei – o que você acha?
—Adorei a casa e adoro estar perto deles. Sei que vamos ser muito felizes aqui.
—Seriamos felizes onde quer que estivéssemos, disso eu tenho certeza.
—Eu também, meu amor. E então, quando nos mudamos?
—Acho que logo, duvido que meus sobrinhos deixarão que meus irmãos demorem demais para vir para cá, viu como eles estavam animados.
—Não mais do que você.
—Estou feliz demais de tê-los por perto e que tudo esteja bem agora. A única coisa ruim é que ainda vou ficar um tempo de molho e terei de ficar sem você enquanto isso.
—Como assim? – revirei os olhos e beijei seu nariz.
—Seu curso, Bella, deve estar perto de começar, ou não?
—Sim, mas eu não sei mais se devo ir.
—E por que não? Você estava tão animada para começar.
—Isso foi antes de saber que estou grávida – ela tocou o ventre como fazia muito agora e suspirou – não sei, eu sinto que devo estar com o nosso filho o máximo que eu puder.
—Mas isso não significa que você deve desistir de tudo o que conquistou até agora.
—Eu só quero ser uma boa mãe e estar presente na vida dele.
—E isso não significa que você deva desistir dos seus sonhos e de ter uma carreira.
—Não sei... – segurei seu queixo querendo ver seus olhos.
—Do que tem medo? Abra seu coração para mim.
—É que eu não tive a minha mãe comigo. Eu fui criada pelo meu tio e meus avós, não quero que outra pessoa crie meu filho, não quero ser uma mãe ruim.
—Minha mãe sempre trabalhou e isso não fez com que ela estivesse ausente, ao contrario, isso só fazia com que cada momento conosco fosse mais especial e que eu a admirasse mais e mais por causa disso. Eu via dia após dia Dona Esme trabalhar tanto e tão pesado e no fim, ainda estar disposta a brincar conosco e cuidar de nós.
—Acha que eu posso fazer isso também?
—Eu tenho certeza que sim, você é uma mulher tão maravilhosa quanto minha mãe e eu sei que vai ser uma mãe maravilhosa também, assim como será uma enfermeira maravilhosa. Então não deixe nada afastar desse seu sonho, nada e nem ninguém. Você pode tudo, meu amor, tudo.
—Obrigada, Edward. Você me dá tanta segurança... eu... não sei nem o que dizer.
—É para isso que eu estou aqui, é por isso que eu sou seu homem...
—E meu senhor – sorri beijando seus lábios.
—Isso também, minha senhorita, isso também.
.
Os dias se passaram apesar de ter muita acontecendo sobre meu acidente e eu soubesse de cada uma delas, fiz questão de fazer como tinha planejado, simplesmente deixei para lá. Eu realmente precisava de um tempo para mim e para me dedicar a minha família depois de tudo o que me aconteceu e por isso, eles foram as únicas coisas nas quais me concentrei nesses dias todos.
Meus pais e irmãos se mudaram para a casa nova, mas Bella e eu ainda não, queríamos ficar mais alguns dias sozinhos, ou melhor, algumas noites, uma vez que ela ia para a faculdade durante o dia, eu ficava com minha mãe ou meus irmãos, ou ainda em minha casa ao lado da deles, mas ainda não tínhamos nos mudado por que tínhamos esperanças de que meus ferimentos ajudassem para passarmos um fim de semana como nos velhos tempo em nosso quarto de jogos.
Conversamos bastante sobre isso. Não queríamos nem poderíamos abrir mão de nosso quarto de jogos, foi como nos aproximamos e era onde nosso relacionamento estava fundamentado e sempre estaria, sempre faria parte de nós. Por isso precisávamos desse contado antes que a barriga dela nos impedisse.
Estávamos mesmo curtindo um ao outro e eu sabia que isso não duraria para sempre, mas não imaginei que acabaria tão rápido. Tive certeza que minha distancia no caso tinha acabado pela forma com que Charlie chegou em minha casa.
—Você precisa vir comigo – foi logo falando, sem rodeio algum.
—Para onde? O que está acontecendo?
—Vamos para o hospital. Tanya acordou e está chamando por você – levei algum tempo para processar o que ele estava dizendo. Havia muito que não pensava nela, nem ao menos me lembrava de sua situação de quase morte e estava surpreso por saber que ela tinha acordado.
—Eu não vou – afirmei com veemência – não quero ver aquela mulher, a não ser no dia do julgamento e depois disso quando estiver apodrecendo em uma cela suja.
—Sinto muito, mas isso não vai acontecer. Essa é a última oportunidade que terá de vê-la.
—O que está dizendo? Você disse que ela estava se recuperando surpreendentemente que ficaria bem.
—Na verdade, o tiro que ela deu em si mesma é fatal. Atravessou órgãos importantes que eu não sei explicar direito, mas ao que parece ela não vai escapar da morte. O que ela teve é o que os médicos chamam de melhora da morte e sua recuperação não vai mais longe. Tanya está morrendo, Edward.
Ouvir aquilo tinha mexido comigo, não sei ao certo o que senti, mas não me parecia justo que Tanya morresse sem pagar por tudo o que tinha feito contra mim.
—E agora quer falar comigo? – perguntei pensando no assunto.
—É só o que ela pede. Diz o tempo todo que precisa se despedir de você e que tem muito a te dizer antes de partir.
—Não sei o que fazer – confessei depois de pensar por um tempo – não quero ver essa mulher.
—Eu disse a você que ela é tão vitima de tudo quanto você, não disse? Por mais que tenha te feito mal, ela também foi muito machucada nessa história toda. Acho que deveria ir vê-la.
—Eu não sei – respirei fundo e Bella apertou meus ombros em sinal de apoio – o que você acha, amor? Eu devo ir vê-la?
—Por mais que eu não goste da ideia de você ficar perto dessa mulher que te fez tanto mal, eu acho que deve sim, talvez ela te dê as respostas que você precisa.
—Tem razão – eu me levantei confiando cegamente em minha mulher – vamos falar com a Tanya.
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