Memórias

6 Conhecendo


Notas iniciais
Senhoritas, boa noite! Olá! Sim, já estou de volta. Eu disse a vocês que estava livre e posso escrever e então aqui estou eu novamente :) Quero que saibam que estou animada com a história, inspiração e alegria não me faltam e se demoro é realmente por falta de tempo, mas o que me fez escrever bastante e estar aqui hoje foram os comentários de vocês. Uau! Eu fiquei tão animada com o ânimo de vocês que não pude me conter para estar aqui novamente. Obrigada pelo gás, obrigada por estarem aqui. Eu quero dedicar esse capítulo delicioso para a minha querida Ann_Cullen que deixou sua recomendação para a história. Obrigada, muito muito obrigada, pelas palavras, por estar aqui, por sua confiança. Bem, vamos a esse capítulo? Eu espero que vocês gostem muito! Boa leitura.

Caminhei devagar deixando meu anjo para trás.

Foi muito difícil me levantar daquela mesa e sair daquela cafeteria deixando Bella para trás, principalmente depois de tanto tempo pensando nela imaginando se eu a veria novamente, ainda mais sem ter todas as respostas que eu precisava.

Apesar disso, aquela pequena conversa que tivemos me deu muito o que pensar, coisa que eu não conseguia fazer com ela ali, a minha frente.

Balancei minha cabeça para clarear minhas ideias.

Eu me senti ainda mais perdido diante daquela mulher que me atordoava em sonhos e tinha me encantado pessoalmente, mais ainda do que eu achei que estivesse, mais do que a primeira vez dela. Tudo nela me chamava: seu rosto, seu cheiro, seus olhos, sua voz doce... Merda!

Era por isso que eu precisava de espaço, por isso que eu deixei que ela me afastasse assim, eu preciso colocar em minha cabeça que aquela mulher que tinha me atraído tanto era uma filha para mim.

Uma filha!

Que ela era muito jovem, quase o suficiente para isso eu entendo, o que me deixava confuso era o sentimento nada paternal que vinha sempre que eu pensava nela.

Parei de andar deixando que a chuva constante daquela cidade me molhasse, na esperança de que pudesse levar esse tormento de minha cabeça e me acalmar para estar inteiro no fim da tarde, mas o telefone em meu bolso não me deixava relaxar e para acabar com aquilo de uma vez eu resolvi atender.

Edward!– Tanya gritou antes mesmo que eu pudesse terminar de dizer alô — Amor, finalmente! Eu fiquei tão preocupada...

–Não precisa se preocupar, não sou nenhuma criança — respondi irritado.

Tudo bem– ela disse cautelosa — Onde você está?

–No fórum.

–Não está Edward. Eu procurei você por todo lado e ninguém te viu aqui.

–Ainda estou do lado de fora.

–Entre amor, vai dar tudo certo.

–Não, hoje eu não vou conseguir fazer nada, me concentrar em nada.

Vamos lá, eu ajudo você. Sabe que eu posso te ajudar a encontrar foco. Vem para cá, meu amor.

–Eu só quero ir para a casa.

–Edward, não faça isso, todo mundo está esperando por você– respirei fundo tentando me controlar.

–Você vem me pegar aqui ou eu terei que pegar um táxi?

Tudo bem, eu estou chegando, por favor, não saia daí– ela suspirou e eu desliguei sem me importar em despedir. Caminhei de volta para o fórum e sem me importar com mais nada me sentei nas escadas.

Fiquei ali, tentando controlar a balburdia em meus pensamentos antes de ter Tanya falando em minha cabeça, mas acabei não tendo tempo de fazer muitos progressos quando nosso carro parou logo a minha frente. Eu me levantei devagar e entrei no encontrando Tanya que sorria para mim compreensiva.

–Você está bem?

–Eu estou, não se preocupe.

–Tem certeza que quer ir para a casa? — ela perguntou com carinho segurando minha mão e eu apenas assenti me desvencilhando dela para colocar o cinto de segurança, sem vontade nenhuma de conversar. Percebendo isso Tanya apenas suspirou — tudo bem, vamos lá.

Ela dirigiu em silencio e rapidamente chegamos em casa.

Eu fui direto para o aparador e me servi de uma dose de uísque, tomando tudo de uma vez, me servi de outra e me joguei no sofá ao lado torcendo para que minha cabeça parasse de girar e que o tempo passasse o mais rápido possível.

–Pode me dizer o que houve com você Edward? — eu nem me lembrava que Tanya ainda estava ali até que eu a ouvi falar e abri meus olhos — o que está te atormentando?

–Deixe-me em paz!

–Não fique assim querido, seja o que for que você precise eu posso te ajudar. Por que não conta para mim?

–Por que não é de sua conta!

–Como assim não é de minha conta? — ela riu me olhando com carinho — Eu sou sua esposa e tudo o que diz respeito a você é da minha conta. Eu estou aqui para ajudar você, amor, em qualquer coisa...

–Ajuda porra nenhuma! — gritei para ela — A única coisa que eu pedi para você esse tempo todo foi que me contasse sobre minha vida, mas nem isso você é capaz de fazer.

–Sabe que eu faço o possível para te ajudar a se lembrar e eu farei o que for necessário para te ajudar a vencer o que quer que esteja te perturbando agora, é só você contar para mim.

–Você não é capaz de responder nenhuma das minhas perguntas, guarda coisas do meu passado que não consigo me lembrar, por que eu deveria contar a você o que passa dentro de minha cabeça?

–Edward...

–Eu não aguento mais, Tanya — eu joguei o copo que estava na minha mão contra a parede — Não. Aguento. Mais! Sabe o que é ter uma lacuna na cabeça e não conseguir se lembrar do que é mais importante para você? De não conseguir reconhecer quem foi, quem é? Você não sabe o que é não ter a menor ideia sobre o que é bom ou que é ruim para si mesmo, sabe? E o pior de tudo, não sabe o que é ter várias pessoas a sua volta e ninguém poder ajudar você.

–Eu sei que deve ser difícil, mas você vai recuperar sua memória, eu tenho muita fé nisso. Até lá você deveria relaxar e deixar os problemas de lado, não precisa pensar neles se nem sabe que eles existem.

–Esse é o problema! Eu quero saber tudo, quero ter controle sobre o meu passado e futuro sem ter que depender de outras pessoas. Eu quero ter controle sobre a minha vida, o mesmo que eu perdi com esse maldito acidente.

–Amor, calma — Tanya pediu com os olhos arregalados, parecendo muito assustada.

–Você não pode pedir calma para mim, não pode! — gritei mais uma vez me sentindo desolado percebendo que não poderia estar mais desesperado ou confuso com o que aconteceu, como se não cabesse mais em meu corpo e acabei despejando tudo o que podia.

Tanya ficou em silêncio enquanto eu tentava me acalmar depois de ter desabafado. Quando eu me senti um pouco melhor eu olhei para ela e e a vi se aproximar com um sorriso tranquilo antes de estender a mão para mim.

–Venha querido, vamos para a cama.

–Não quero dormir.

–Camas não foram feitas apenas para dormir, ainda mais a cama de um casal.

–O que? — eu ri mesmo sem vontade — depois de tudo o que aconteceu, não vai me dizer que ficou excitada com o meu ataque de fúria.

–Não é isso, meu amor. É que você sempre fica com um humor péssimo quando fica sem sexo e se é disso que está precisando agora...

–E não está mais com medo de mim? — perguntei com raiva.

–Nunca tive medo de você, Edward, eu só... fiquei um pouco assustada por já nem me lembrava mais de como você poderia ser... Intenso. Mas já faz tempo demais e já passou da hora de resolvermos isso — ela se aproximou tocando meu peito com um pequeno sorriso — vamos resolver tudo de ruim que está entre nós da forma que mais sabemos: em nossa cama, nos amando até a exaustão.

Tanya se aproximou para me beijar e eu a afastei sem me importar em ser delicado ou gentil.

–Eu não vou para a cama com você! — esbravejei.

–Eu não me importo com mais nada, pode fazer o que quiser comigo, eu só quero que você fique bem... Que nós fiquemos bem outra vez.

–Quer ser a minha boneca inflável? — repeti suas palavras no momento de raiva e ela apenas deu de ombros.

–Se você quiser que eu seja...

–Por que você está fazendo isso? — perguntei olhando para seus olhos, tentando encontrar eu mesmo a resposta — você odeia isso, mal conseguiu olhar para mim depois do que aconteceu, fugiu todas as vezes que eu tentei falar com você e agora está se oferecendo em uma bandeja de prata.

–Você é um homem muito viril, praticamente movido pelo sexo e quando passa muito tempo sem fica assim, nervoso, irritadiço, sem conseguir se concentrar em nada.

–E esse é o motivo para você se sujeitar a fazer o que não gosta?

–Eu faço qualquer coisa para agradar você, Edward, qualquer coisa — ela me olhava como se implorasse para que eu acreditasse nela, para que eu visse em seus olhos tudo o que eu estava dizendo. E isso me irritou novamente.

Por que aquela mulher que não significava nada para mim estava ali, a minha disposição enquanto a outra, a que eu queria de verdade era jovem demais para mim, estava além de meu alcance.

–Por que? — acabei dizendo o que estava em minha cabeça.

–Por que eu amo você — Tanya respondeu sem entender que eu não estava falando com ela — eu amo você, Edward, e é por isso que eu quero te ver feliz.

–Pelo amor de Deus! — resmunguei irritado precisando sair sem me importar muito para onde, apenas precisava me afastar dela.

Peguei o carro que tínhamos usado hoje, o volvo prata, que ainda tinha a chave na ignição e sai dirigindo rapidamente para a rua. Meti o pé no acelerador correndo o máximo que pude sem ver dificuldade nenhuma nisso, como se dirigir fosse parte de mim.

Eu não sabia ao certo de onde toda aquela explosão em casa veio, mas serviu para que eu colocasse tudo o que eu sentia para fora e para perceber o quanto eu estava farto de toda aquela situação e farto de Tanya.

Eu não me sentia assim essa manhã.

Sabia que não era mais compatível com Tanya por que a cada dia nós nos tornamos mais diferentes e que para mim não fazia sentido estar ao lado dela. As dúvidas que me rondavam eram sobre o por que de estarmos juntos e se eu tinha outra mulher, se meu caráter permitia que eu fizesse isso. Agora, depois de conhecer Bella eu não sabia mais o que pensar.

Eu era apenas um bom homem que cuidava de uma pessoa que precisava de mim ou um calhorda que a explorava? Que traía minha esposa?

Essa hipótese não saia de minha mente devido ao tesão absurdo que eu sentia por ela, todos os sonhos que eu tive principalmente depois de Tanya ter me afastado, sonhos em que ela me satisfazia de todas as maneiras.

Eu não sabia o que pensar!

Dirigi sem pensar muito para onde ia e sem que eu me desse conta de como, eu estava na frente da casa de meus pais. Foi algo impensável, mas eu sabia que no fundo eu só estava buscando conforto em um lugar que eu me sentisse bem e que ali era o lugar ideal para eu deixar minha mente relaxar até o horário de meu encontro com Bella.

–Edward? — Jasper me reconheceu de dentro de sua casa e saiu ao meu encontro. Ele me olhou de cima a baixo e fiz o mesmo com ele. Meu irmão usava suas roupas de seu trabalho, sujas e puídas e eu usava o terno caríssimo que Tanya tinha escolhido para mim um pouco mais cedo naquele dia. Nenhum de nós parecia estar confortável vendo o outro.

–Oi, Jaz!

–Está tudo bem? — ele perguntou me olhando melhor e eu respirei fundo antes de responder.

–Não, eu não estou muito bem. A mãe está ai?

–Ela foi trabalhar, você não disse que vinha.

–Eu também não sabia que viria — eu sorri — Emm está na casa dele?

–Também não. Ele e Rosalie foram à uma consulta médica, para ver se está tudo bem com o bebê.

–Tudo bem então... Eu acho que... É melhor...

–Está precisando de alguma coisa? Eu posso ajudar se quiser — ele perguntou um tanto quanto hesitante enquanto eu estava pensando em uma maneira de me despedir. Confesso que fiquei surpreso com seu oferecimento, meu irmão nunca pareceu muito feliz em me ter em casa, por isso eu aceitei sem pensar duas vezes.

–Eu só estou precisando conversar um pouco...

–Tudo bem então, entre.

Eu o segui para dentro me dando conta de que era a primeira vez que eu entrava em sua casa. Era um lugar pequeno e aconchegante, como as casas de minha mãe e Emmett, mas ali tinha um ar diferente, alegre, cheio de flores e alegria por onde quer que se olhasse.

–Eu sei — ele riu seguindo o meu olhar — minha casa parece um canto esquecido de um livro infantil para menininhas, mas não poderia ser diferente, se sou casado com uma pequena fada, não é? — Eu ri assentindo ao me lembrar do apelido que Emmett sempre chamava nossa cunhada e de que eu concordava com ele por sua baixa estatura a forma com que ela se movia a agia com todos, era mesmo uma pequena fada.

–Alice é uma mulher incrível — externei um pensamento que há muito eu vinha tendo e ele assentiu.

–Eu tive muita sorte e isso é muito bom por que não são todos que a têm — ele me olhou dando de ombros — mas acho que o bom homem lá em cima gosta de mim — eu assenti entendendo o que ele quis dizer e conclui que tinha razão. Eu não tive sorte alguma em meu casamento.

–Mas então, irmão, o que aconteceu com você? — perguntou assim que nos sentamos — parece tão perturbado.

–E eu estou.

–Com problemas em seu trabalho? — ele perguntou olhando para o meu terno.

–Era para eu ter começado hoje, mas eu não consegui seguir em frente, mas isso não é nada, o problema mesmo é em minha casa.

–Com Tanya? — ele perguntou com cautela e eu assenti.

–Também. Nossa convivência está bem difícil...

–Eu posso imaginar — meu irmão resmungou baixo, mas eu pude ouvi-lo e o olhei por um instante.

–Vocês não gostam muito dela, não é? — Jasper deu de ombros e eu instintivo — pode me falar um pouco sobre isso? Eu não me lembro de nada e Tanya não toca no assunto. Eu gostaria de entender o que houve para que vocês não se entendessem desse jeito.

–Er... Eu não acho que sua esposa seja uma boa pessoa.

–E por que não?

–Eu não sei se devo falar sobre isso.

–Jasper, você é meu irmão, por favor, não esconda nada de mim, eu quero realmente saber.

–E o que você quer saber?

–Por que foram contra o nosso casamento em primeiro lugar? Aconteceu alguma coisa?

–Foi isso que ela disse a você? — eu assenti e ele respirou fundo — bem, nenhum de nós se posicionou a respeito de seu casamento, mas também não ficamos satisfeitos com a escolha que você fez. Tudo por que essa mulher fez você ser alguém totalmente diferente do que sempre foi.

–Diferente como?

–Sempre foi um irmão amigo, um filho prestativo para o pai e carinhoso com a mãe, isso até... Até que você a conheceu. Eu não sei como, mas me parece que ela fez uma lavagem cerebral em você e foi incapaz de te reconhecer depois disso.

–Eu a conheci na faculdade?

–Sim. Você sempre foi uma pessoa ambiciosa, seu sonho sempre foi crescer e se tornar alguém muito importante. A faculdade era uma coisa impossível para nós que mal conseguíamos ir a escola direito devido as dificuldades que enfrentamos e por termos que ajudar nossos pais no trabalho, mas você colocou na cabeça que conseguiria e para isso se esforçou muito — ele sorriu para mim — me lembro de ver você com a cara metida nos livros em cada momento que podia, na hora do almoço no meio da floresta, em cima de seu prato na hora do jantar ou em seu travesseiro até que desmaiasse de cansaço. Você tanto fez que conseguiu uma bolsa para seus estudos e eu nem preciso dizer o quanto o pai e a mãe ficaram orgulhosos de você e fizeram de tudo para que fosse fosse em frente.

–Como assim?

–É que apesar de você não precisar pagar seus estudos tinha algumas despesas que precisavam ser arcadas e para que você não perdesse essa oportunidade única, eles se endividaram sem medir esforços para que você conseguisse. Você sabia do sacrifício que eles estavam fazendo e por isso era muito grato por tudo, fazendo o que podia para mostrar isso, sempre por perto para dar o maior presente que a mãe poderia querer que era você perto da gente — ele riu se lembrando de alguma coisa.

–Mãe nenhuma admite isso e a nossa jamais faria, mas nós sabemos que você sempre teve um lugar especial no coração dela por ter nascido como um milagre, como ela diz. A alegria dela é ter todos nós juntos, sempre foi. E então, de repente, você parou de aparecer, nem no dia de ação de graças, nem no natal ou dia das mães. A gente tentava animar a mãe dizendo que você deveria ter muita coisa para estudar e não estar tendo tempo devido ao trabalho que você conseguiu, mas isso não melhorava em nada. Até que finalmente você apareceu. Você veio aqui com Tanya, para apresentar a nós. De longe se via o que ela era uma mulher fina e que você estava deslumbrado com isso...

–Eu estava apaixonado?

–Não. Você só sabia falar como estava deslumbrado com o que ela tinha e com tudo o que o dinheiro podia te dar. Eu entendia por que você sempre sonhou em ter uma vida boa e a partir do momento que experimentou quis ter para si e por isso, passou a trabalhar para conquistar do que tinha experimentado com a sua própria força. Era por isso que você mal aparecia em casa, por ter que trabalhar e estudar muito. Bem, era o que você dizia.

–E o que aconteceu com Tanya? Por que vocês não se deram bem com ela?

–É por que ela era muito... arrogante. Olhava para a gente com nojo, não comia nada em nossa casa, não tocava em nada, mal falava com ninguém. E no fundo eu sabia que você não vinha mais aqui por causa dela.

–Como sabia disso?

–Você disse na ultima vez que esteve aqui.

–E o que aconteceu nesse dia?

–Nunca entendi muito bem o que aconteceu, você chegou com ela e foi conversar com o pai e a mãe longe da gente. Quando saiu de lá alguns minutos depois, todos estavam irritados, você gritava e xingava a Tanya chorava e a mãe também. Você gritou que odiava esse lugar e que nunca mais colocaria os pés aqui.

–O que aconteceu para que a gente brigasse?

–Isso eu não sei. Por mais que eu e Emm perguntássemos nem o pai nem a mãe contaram o que aconteceu.

–E a gente parou de se falar depois disso?

–Não. A gente mantinha contato até que...

–O que?

–As dividas que a mãe e o pai fizeram para a sua faculdade estavam apertando e a mãe teve alguns problemas de saúde bem na época que meu filho ia nascer. Estávamos muito apertados e sem outra solução, nós fomos procurar você que já estava formado e prestes a se tornar juiz. Não queríamos nada em definitivo, a única coisa que a gente queria era um empréstimo. Iríamos te devolver cada centavo...

–E eu não quis emprestar?

–Você nem quis receber a gente. Tanya deu seu recado, você mandou dizer que não se importava que a mãe morresse, não queria saber de nada e nem da gente. Que era para esquecermos você por que já se considerava sem família.

–Eu não posso acreditar nisso — falei atormentado com a ideia.

–Eu também não. Você jamais faria isso, mesmo na hora da raiva, sempre desconfiei que foi Tanya quem deu a resposta e não você, mas nunca tive a oportunidade de lhe perguntar. Não nos vimos muitas vezes depois disso.

–Nem com a mãe eu falava?

–Com ela sim. Nós nunca contamos a ela o que aconteceu e ela ligava para você sempre que dava e uma vez por ano Vocês se encontravam rapidamente para conversar. — Jasper sorriu — ela chegava dizendo que você conseguiu o que sempre sonhou, que se tornou um homem muito importante e respeitável desses que quando falava todo mundo corria para atender a cada ordem. O pai recortava cada artigo de jornal falando de você e mesmo longe, sempre deu muito orgulho para eles.

–Não dá para acreditar, sou um idiota!

–Eu não deveria ter dito nada...

–Não, está tudo bem. Eu precisava mesmo saber dessas coisas.

–O pai disse quando você acordou que o melhor a fazer era deixar o que você foi para trás e começar uma vida nova. É o que você deve fazer.

–Eu tentei e tento, mas é muito difícil ignorar um passado, principalmente se ele ronda você o tempo todo e isso me atormenta. Agora pelo menos eu sei que não sou digno da família que tenho depois de tudo o que eu fiz.

–Esse é mais um motivo para você começar de novo. Todo mundo está tão feliz pelo que você se tornou e era por isso que eu tinha um pouco de receio de ver você por aqui de novo.

–Percebi que você não estava muito feliz...

–Eu fico feliz sim, a alegria da mãe é a melhor coisa que eu posso querer, sem falar em meu filho, nas crianças do Emm que adoram você e todas as coisas que você faz para que eles fiquem felizes...

–Mas?

–Mas eu tenho medo de que você acabe com tudo outra vez, que toda a tristeza que você trouxe para nós quando foi embora volte quando recuperar sua memória.

–Eu não quero ir embora. Vocês são a melhor coisa de minha vida e eu amo vocês.

–Eu sei disso irmão. Você é um bom homem.

–Obrigado Jasper, você foi o primeiro a ser sincero comigo e é isso que eu estava querendo.

–Só não quero que a nossa família se machuque novamente.

–Não se depender de mim, irmão

.

.

Fiquei com Jasper por mais alguns minutos e fui embora quando ele precisou voltar para o trabalho. Meu irmão queria chamar nossa mãe para ficar comigo, mas eu neguei, me sentindo envergonhado demais para poder olhar para ela.

Mais uma vez peguei o carro e dirigi sem rumo pensando enquanto acelerava.

Eu descobri finalmente que eu não sou um homem tão bom e que eu deveria gostar mais de Tanya do que imaginei para ficar do lado dela e contra a minha própria família como eu fiz, mas não sei se poderia colocar a culpa disso em Tanya, afinal foi depois dela que eu mudei assim, mas eu não acho que faria tudo o que ela quisesse.

Ela não pode me dominar assim, pode?

Isso não parecia fazer muito sentido e percebi que a conversa que tive com Jasper só me deixou mais confuso.

Cheguei em casa no fim da tarde, com tempo apenas para um banho me concentrando em fazer tudo o que eu precisava para sair dali o mais depressa possível.

–Edward? — Tanya me chamou enquanto eu ainda me secava no closet — amor, onde você esteve o dia todo?

–Isso também não é de sua conta.

–Não, não é — ela concordou e pela voz eu percebi que estava sorrindo — só me diga se você está melhor agora — não respondi a ignorando como eu pude torcendo para que ela me deixasse em paz.

Eu achei que tivesse conseguido que ela se afastasse, mas fui surpreendido quando ela se aproximou ajoelhando em minha frente segurando meu pau.

–O que você pensa que está fazendo? — me afastei irritado com seu o toque em mim.

–Sei que adora quando eu te chupo. Vendo você ai, nu, todo irresistível para mim é impossível manter minhas mãos longe.

–Não quero suas mãos em mim — falei palavra por palavra para que ela entendesse.

–Edward, não faz isso... — eu dei as costas a ela pegando minhas roupas e a deixando ajoelhada no chão do closet.

Eu me vesti no quarto sem querer gastar o meu tempo e minha energia com ela. Sai quando estava pronto sem me importar com mais nada, ansioso para o que poderia ser o encontro mais importante de minha vida.

Resolvi pegar um táxi ao invés de dirigir por medo de não saber chegar ao endereço indicado, me sentindo estranhamente nervoso, principalmente enquanto subia de elevador até a cobertura.

Foi um alívio bater e ver Bella abrir a porta para mim alguns segundos depois, linda, com aqueles olhos maravilhosos me encarando, feliz em me ver.

–Olá, meu senhor. Que bom vê-lo novamente — seu sorriso me fez sentir bem, como se nada desse dia cheio tivesse acontecido. Meus problemas pareciam tão distantes enquanto eu a olhava vestida naquele vestido azul que deixava sua pele ainda mais linda, a deixava ainda mais perfeita para mim.

–Por favor, entre — ela deu espaço para que eu entrasse e passei por ela me afastando o suficiente apenas para que ela fechasse a porta — Quer me dar seu casaco? — fiz como ela disse hipnotizado com sua beleza — fique a vontade.

Eu a observei enquanto pendurava meu casaco, ainda parado perto da porta, esperando ela ir até o aparador e pegar uma dose de uísque e a estender para mim sorrindo.

–Para mim?

–Sem gelo, do jeito que o senhor gosta — ela abriu um grande sorriso antes de olhar para o chão — eu me lembro muito bem, senhor.

–Obrigado — tomei um gole e caminhei pela casa observando o lugar. O apartamento era bem grande e muito bem mobilhado — Então — perguntei ao me sentar ao lado dela naquela sala ampla e muito bem arrumada — vai me contar tudo agora?

–Tudo o que quiser saber, meu senhor.

–Então me conte tudo, cada pequena coisa sobre você.

–Eu só não sei por onde começo. O senhor sabe mais sobre mim do que eu própria — Bella deu um pequeno sorriso antes de continuar — É como se um fiel fervoroso tivesse que contar sua vida a Deus.

–É assim que você me vê?

–Eu posso dizer que sim. Deus é aquele que deu a vida as pessoas e cuidou delas, foi isso que o senhor fez por mim e eu devo cada respiração minha ao senhor.

–O que sente por mim então é gratidão?

–Também, mas não é só o que as pessoas sentem por seu Deus — ela olhou para baixo corando e eu sorri. Como é adorável!

–E o que você faz de sua vida? É jovem demais. Estuda eu suponho.

–Não, senhor, eu ia começar uma faculdade, mas nós ainda não tínhamos decidido nada. Ia me ajudar com o que eu decidisse no fim de semana, mas o senhor não voltou — ela estremeceu suspirando.

–Por que eu tenho que ajudar você? — perguntei franzindo o cenho — A escolha da carreira é algo muito pessoal.

–Todas as minhas decisões passam pelo senhor — eu assenti.

–Sim, é claro. Eu sou seu tutor, não é?

–Isso começou mesmo quando o senhor o era, mas continuou e vai continuar por que... — ela suspirou parando de falar e eu segurei suas mãos.

–Conte.

–Depois que eu entreguei minha vida ao senhor.

–E por que fez isso? — comecei a ficar nervoso com suas meias respostas — Por que eu te ajudei quando precisava de mim?

–Por que eu quis e sou muito feliz por essa escolha — Bella finalmente olhou para mim e eu pude ver gratidão em seu olhar.

–Tudo bem, Bella, vai me matar aqui. Conte tudo de uma vez.

–O senhor não quer jantar primeiro? — me perguntou de cabeça baixa — Eu fiz o seu pato favorito.

–Qual é meu prato favorito? — perguntei me deixando distrair com seu sorriso seu jeito tímido e recatado.

–Perdão, talvez tenha sido um pouco pretensioso quando disse que era o seu favorito, mas é o que o senhor mais gosta que eu cozinhe.

–O que é?

–Ravioli de cogumelos.

–Deve ser mesmo delicioso, mas tudo o que eu quero é que me fale mais sobre nós dois primeiro — ela assentiu enquanto eu a olhava — tem uma coisa que você disse que ficou em minha cabeça e eu preciso muito saber.

–O que quiser, senhor.

–O que nós fazemos no fim de semana? — perguntei me aproximando dela louco para entender.

–Nós sempre fazemos muita coisa — ela respondeu olhando para suas mãos, seu rosto mais vermelho do que eu já tinha visto antes — Nós sempre começamos na sexta. Algumas vezes a gente vem para cá, o senhor janta comigo, sabe, para manter as aparências...

–Como assim?

–Muita gente sabe que o senhor cuida de mim, que mantêm essa casa para uma pobre menina desamparada e que faz visitas regulares a ela. Seria muito estranho se o senhor desaparecesse de uma hora para a outra — assenti entendendo o ânimo do porteiro do prédio quando eu cheguei, mas não querendo me prender a isso continuei.

–E depois do jantar?

–Algumas vezes nós ficamos por aqui mesmo, sabe, quando o senhor está afoito — ela disse sem olhar para mim — mas outras nós vamos para o nosso lugar...

–Então não passamos o fim de semana aqui?

–Não senhor.

–Mas você não me disse o que fazemos...

–O que fazemos, senhor, é algo muito bonito. É quando existe apenas eu e o senhor no mundo, quando o senhor se torna o meu mundo — ela suspirou — senti muita saudade de tudo, senti falta de ser sua novamente.

–Ser minha? — perguntei no mesmo tom que ela, baixo, sussurrado e ofegante deixando que minha mente criasse todo o tipo de expectativa.

–Sim, completamente sua — ela me olhou por debaixo dos cilhos como quem olha para alguém que está acima de si — eu estou muito feliz por tê-o de volta aqui senhor Cullen.

–Edward, meu nome é Edward — disse hipnotizado pela forma com que ela se portava, estranhamente encantado por aquilo me agradar tanto.

–Sim, eu sei.

–Então me chame pelo nome.

–Não senhor, eu prefiro que não. Sei que não se lembra do esforço que fiz para conseguir te chamar assim e me sinto muito orgulhosa por isso.

–E por que me chama assim? — Bella estava consideravelmente mais perto agora. Não que ela tivesse se aproximado, estava no mesmo lugar desde o inicio da noite. Eu é que não conseguia me manter no lugar com ela tão perto.

De onde estava eu pude sentir seu hálito doce e só por causa de minha proximidade eu pude ouvir o seu sussurro:

–Já lhe disse, senhor, por que pertenço a ti.

–A mim? — sussurrei também, ainda mais baixo que ela.

–Sim senhor, só ao senhor. Sou completamente sua, de corpo, alma e coração — essa resposta causou em mim uma reação inesperada e eu gemi sem me conter avançando para os lábios dela, tomando-os para mim.

Apesar do rompante, Bella parecia estar pronta para isso, seus lábios se moldaram aos meus com perfeição recebendo minha língua. Ela estava tão ávida quanto eu, podia sentir pela forma como ela se rendia a minhas investidas e as correspondia.

Era delicioso.

Eu me afastei me sentindo zonzo pelas batidas exageradas do meu coração e pela sensação de bem estar que me atingiu. Eu me senti pleno, feliz. Era como se eu tivesse encontrado meu lugar no mundo.

Olhei para Bella torcendo para não tê-la ofendido de alguma maneira, mas não foi isso que eu vi.

–Senhor... — ela sussurrou se aproximando, não deixando espaço algum entre nós parecendo completamente entregue a mim.

–Senhor... — Bella sussurrou outra vez e era como se ela pedisse por mais, se assim como eu ela também queria esse contato mais do que tudo no mundo.

Um desejo forte tomou conta de mim, muito mais forte do que a vontade de tê-la para mim, em meus braços. Era o desejo de suprir essa necessidade dela.

Para satisfazer o meu desejo e o dela, eu a beijei outra vez.

Quando nos separamos, eu a olhei e vi que sorria. Seus olhos estavam fechados como se ainda saboreasse o momento sublime em que estávamos vivendo.

Bella ainda sorria quando abriu seus olhos e me olhou apenas por um instante antes de baixar seus olhos, tal como fazia em meus sonhos.

–Bella nós... Nós já fizemos isso antes? — perguntei erguendo seu queixo e a encarando, torcendo para encontrar aceitação e não repulsa em seu olhar.

–Sim senhor — ela disse baixinho — nós já fizemos sim.

–E você gosta? — Beijei levemente sua boca a deixando entregue em meus braços — diga, Bella, você gosta de meus beijos?

–Sim, senhor. Eu os adoro.

–São essas as coisas que fazemos durante o fim de semana? — eu ainda lhe dava beijos enquanto falava. Bella apenas assentia, sem conseguir falar aproveitando nosso contato com os olhos fechados — e o que mais nós fazemos, hein? — ela abriu os olhos me encarando — chegou a hora de você contar para mim sem me esconder nada.

–Não vou esconder, senhor.

–Então me diga, o que quer dizer quando fala que pertence a mim? Como fazemos para o mundo desaparecer, para sermos apenas eu e você ?- eu pedia olhando em seus olhos ansioso sem conseguir esperar mais — Diga para mim, Bella. Diga.

–Permita que eu lhe mostre, meu senhor, é muito mais fácil do que lhe falar.

–Faça o que for preciso. Apenas acabe com essa tortura de uma vez.

–Sim senhor — ela ficou em pé e eu a imitei — por favor, me dê cinco minutos e suba as escadas. Estarei pronta, em meu lugar, esperando pelo senhor na última porta do lado esquerdo.

Aquelas palavras me intrigaram e eu só pude assentir e a observar se afastar de mim rapidamente, como se precisasse de cada segundo dos cinco minutos que me pediu.

Minha cabeça fervilhava louco para entender o que estava acontecendo bem diferente do que eu imaginei que aconteceria depois de beijá-la daquela forma. Quando, em minha cabeça isso acontecesse, eu perderia o rumo, perderia a razão, mas não foi o que aconteceu. Era como se ao invés de perder o chão, com ela ali eu encontrasse o foco e estava pronto para o que quer que fosse, mesmo sem saber o que esperava por mim.

Os cinco minutos que se seguiram foram os mais longos de toda a minha vida e quando eles finalmente se foram eu pude fazer como ela me instruiu. Caminhei devagar degrau por degrau, com medo que meu nervosismo me impedisse de chegar de algum modo.

Girei a maçaneta sabendo que por detrás daquela porta estava tanto o meu passado quanto o meu futuro. Eu me sentia pronto para desvendar tudo e me entregar ao que quer que seja.

Notas finais
E então, o que acham? Contem para mim, digam! O que pensar da relação de Edward e Tanya daqui para frente? O que pensar da atitude de Edward com sua família? E o mais importante: O que tem atrás daquela porta? Logo saberemos. Muito obrigada, mais uma vez, Ann_Cullen suas palavras me fizeram muito feliz. Vejo vocês logo, logo, logo! Bem vindas novas leitoras! Mil beijos!