Memórias

6 Um mundo de mentiras


Notas iniciais
Gente, tenho novidades, temos uma página oficial no Facebook!

A moça nos convidou a entrar.

Estava visivelmente abalada, eu e Danilo entramos na casa e um turbilhão de memórias veio na nossa cabeça, ali nós tínhamos estados com Cecília inúmeras vezes. E com a mãe dela.

A moça se sentou no sofá branco e nos ofereceu para que sentássemos também, fizemos isso e esperamos ela se recompor.

Olhávamos tudo e pensávamos nos tempos melhores, quando tudo não era um filme de terror, quando nossas vidas eram apenas vidas normais sem mortes, mentiras e suicídios inexplicáveis.

—Não sou a mãe da Cecília.

—Como assim?

Eu perguntei assustada, sempre soubemos que aquela era a mãe de Cecília, ela foi apresentada a nós como mãe. Ela agia como a mãe.

—Mas, isso não faz nenhum sentido.

Minha voz saía do controle.

Mas era claro que sairia, eu tinha plena e certeza que Cecília confiava em mim e nunca em todo nosso tempo de amizade, ela teria mentido para mim, isso era impossível.

Lembrei do sorriso dela, das vezes que compartilhamos nossos segredos. Eu não tinha segredos dela e ela não tinha segredos de mim, todo mundo sabia disso!

—Ei, calma, More.

Minha respiração estava descontrolada, a dor pela perda de Cecília era enorme e aumentaria um zilhão de vezes saber que ela não confiava em mim. A senhora deu meio sorriso para mim e falou:

—Sou a empregada da Cecília, e ela me pagava um pouco mais para fingir que era a sua mãe.

Eu segurei as lágrimas ao saber que era oficial a mentira da minha melhor amiga, e Danilo que havia segurado minha mão para me acalmar, agora a apertava com força demonstrando sua própria falta de calma.

—Por que ela fazia isso?

Danilo tirou as palavras da minha boca ou melhor a pergunta.

—Em geral, eu não sei, só sabia que ela amava vocês porém queria ter uma vida normal de qualquer adolescente e sabia que a sua vida não lhe permitia isso, por isso ela mentiu.

—E os verdadeiros pais dela?

—Ela me disse que a expulsaram de casa, eles eram muçulmanos e não suportavam a ideia da filha não ser mais virgem.

Mais uma mentira, além de Cecília ter mentido sobre os pais ela nunca havia me dito que não era mais virgem, Danilo também ficou atingido por aquela informação, eu podia ver o ciúme nos olhos dele. Ele ainda a amava e isso me doía, mesmo que eu me sentisse mal por querer ter algo que deveria ser de Cecília aquilo continuava em mim.

—Cecília nunca me disse isso.

Eu murmurei com raiva e em seguida a empregada já defendeu Cecília

—Se ela dissesse, não poderia ter a vida normal.

—Essas informações não a impedem de ter uma vida normal.

Eu quase cheguei a gritar, mas Danilo apertou de leve a minha mão para que eu me acalmasse, mal sabia ele que aquilo só me deixava mais agitada

—Mas outras sim, se querem saber mais coisas vão até a casa da avó dela.

Eu já tinha ido lá, algumas vezes.

—A avó dela pelo menos é de verdade?

—Sim, de verdade as pessoas sempre são.

Pelo visto, a "mãe" de Cecília já estava se irritando.

—Estou perguntando se é a avó dela mesmo.

Ela deu de ombros e eu e Danilo nos olhamos, já sabíamos que não só por aquele gesto.