Memórias
3 Capítulo 2 - Primos
Emy
E lá estava eu, olhando meu pobre primo examinar seus ferimentos. “Primo”, bom se fosse somente isto. Para mim ia muito alem de um simples parente.
Sempre fomos muito ligados. Tenho poucas lembranças em que ele não está presente. Talvez o dia em que ele chegou a nossa casa. Eu não estava lá neste dia, então fui a ultima a conhecer ele.
Mas de nossas primeiras palavras, sim, disto me lembro.
“- Olá” disse ele enquanto empurra um dedo no outro.
“- Quem é você? O que faz aqui?” – respondi a ele, sempre fui muito grosseira com estranhos. Confesso que ate mesmo com as pessoas que eu conhecia.
Fomos criados juntos, como se fossemos irmãos. Algo me fez prestar mais atenção naquele garoto. Afinal, ninguém ganha um irmão de aniversario. Ninguém que eu tenha conhecido pelo menos. Desde este dia, passaram-se longos 10 anos. Muito tempo. Muitas coisas.
— Como foi que me feri? O que aconteceu comigo? – Me perguntou Kain enquanto se auto examinava.
— Você não se lembra de nada? – Perguntei olhando fixamente para ele.
— Sinceramente? Quase nada. Lembro-me de sairmos para passear no campo. De estar correndo um pouco. E mais nada. – Me respondeu.
Ele parecia confuso. Deve ter sido o impacto da queda. Tento desmaiado e rolado colina a baixo daquela maneira, não fiquei surpresa por ter ficado com amnésia.
Tentei lhe explicar da melhor forma que pudi. Não queria que ele fica-se chocado ao saber que esteve em coma. Sim, meu primo se machucou de tamanha forma, que ficou em coma por quatro dias. Este tempo todo, estive aqui, sentada ao lado dele.
Ouvi alguns médicos mencionarem as palavras “Pneumonia pulmonar”, mas já nem sei mais se isto de fato ocorreu, pois não descanso há quatro dias.
— “Aquele dia?”. Á quanto tempo estou aqui? – Me perguntou ele assim que terminei de explicar o que havia acontecido.
— Você está aqui á quatro dias. – Respondi a ele.
Notei imediatamente que meu primo estava em estado de choque. Pudi ver o sangue de seu corpo secar, fazendo sua pele ficar completamente branca. Seu rosto e mãos começaram a suar de tal forma que parecia ter acabado de sair de um lago.
Olhou ao redor do quarto e simplesmente caiu em direção ao chão.
— O que você está sentindo!? – Gritei desesperadamente, enquanto via meu primo tendo um ataque de epilepsia. Gritei o mais alto que pudi por ajuda.
— Socorro! Ele irá morrer! Alguém nos ajude!
A ajuda veio rapidamente. Mas já era tarde de mais.
Vi os batimentos cardíacos de meu amado primo chegarem à zero no monitor do velho aparelho próximo a cama. Eu sabia que ele havia morrido.
Senti meu coração parar, minhas entranhas tentavam fugir de dentro de mim. Somente pensava no que faria sem meu primo. “O que será de mim agora?”, “Por que devo perder alguém que tanto amo?” , “Posso ao menos ir junto com ele?”
Vi todos se esforçando para salva-lo. “Vamos garoto, reaja!” Gritavam alguns médicos enquanto o levavam para a sala de cirurgias. Mas eu sabia, já era tarde.
Segui todos que estavam junto de meu primo até passarmos pela sala de esperar, onde encontrei meu pai e minha mãe.
— O que aconteceu com ele? – Perguntavam incansavelmente.
Parecia que ninguém queria respondera eles o que realmente acontecia. Tentei segui-los, mas fui impedida. Minha única opção foi ver levarem-no por um grande corredor através de uma pequena janela que havia na porta.
Só me restava esperar por noticias que eu já sabia. Ficamos lá esperando. Eu e meus pais. Minha mãe não parava de chorar, e meu pai andava de um lado a outro parecendo tentar fugir desta realidade.
O tempo demorava a passar. Mamãe já não tinha mais lagrimas. Papai parecia ter cansado de fugir e finalmente havia se sentado em um sofá que havia por ali. O relógio nos tratava de forma cruel, transformando cada minuto em hora.
Passaram-se varias horas, e ainda estávamos sem noticia alguma. “Será que meu primo havia se salvado?” “Estive errada em temer pelo pior?” “Será que estive certa?”.
Foi então que as portas que outra hora impediu-me passar se abriram. Por ela, um jovem médico saiu. Este tinha uma estatura física alta, cabelos escuros e pele pálida.
Minha mãe ao avistar o jovem foi rapidamente ao seu encontro. Logo atrás dela estávamos eu e meu pai.
— Doutor, ele está bem? – Perguntou ela.
— Sobre quem está me perguntando senhora? – Perguntou o rapaz sem ter a mínima ideia sobre quem minha mãe perguntava.
— Pergunto sobre meu filho – Respondeu ela.
O rapaz aparentando dar á mínima importância a minha pobre mãe olhou por alguns segundos a prancheta que carregava em uma de suas mãos.
— Kain, jovem do sexo masculino. 18 anos...
— Sim, é ele. – Falou minha mãe interrompendo a vagarosa leitura do rapaz.
O jovem folheou algumas paginas que estavam na prancheta, e logo disse.
— Pois bem, peço que me sigam. – Disse ele indo rumo à porta.
— Emy, você nos espera aqui – Disse ele enquanto andava.
E assim, meus pais e ele foram corredor adentro. Mas, como ele sabia meu nome?
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