Melissa No Mundo Inferior
22 Capítulo 22 - Martin estrategista -
Notas iniciais
- Você sabia que em 1808... – Martin começava novamente.
Todos naquela festa deviam estar se divertindo, menos Melissa, todos dançavam sorridentes com seus parceiros, já ela estava praticamente parada no meio da pista enquanto Martin contava para ela mais uma de suas incríveis historias super interessantes.
- Não me leve a mau Martin, mas eu não estou com saco para isso agora.
Melissa só conseguia pensar em uma coisa, Nico dançando com a bruxa má do oeste em seu vestido de dançarina de boate, talvez isso fosse meio maldoso, mas ela não confiava nada nessa tal de Helena.
- Você não gosta dela mesmo não é – disse Martin, Melissa estava olhando na direção deles sem perceber, ela ficou com um pouco de vergonha – não tem problema, eu não gosto dela também.
- Como assim não gosta dela, pensei que fosse sua irmã...
- Meia irmã – interrompeu Martin – não achou estranho quando eu disse que era filho de Atena e ela Afrodite.
- Bem – não era bem essa a primeira impressão – um pouco.
- Deixe-me contar uma história.
- Outra?
- Meu pai – disse Martin ignorando Melissa – se apaixonou por duas deusas, Afrodite e Atena, e as duas acharam divertido disputa-lo, no final eu acabei nascendo e meu pai quase ficou com Atena, então a digníssima Afrodite resolveu engravidar também, e daí nasceu à coisa que eu sou forçado a chamar de irmã, então meu pai escolheu Afrodite que o largou pouco tempo depois, ela até achou engraçado a chamar de Helena por causa de historia de Helena de Troia.
- Ainda não entendi o porquê do seu ódio pela sua irmã.
- Ela sempre teve tudo, ela foi à escolhida, eu não, eu nem queria muita coisa, só queria que as pessoas nos tratassem igualmente, mas nem isso, tirando o fato de que ela é má, sem brincadeira, ela é muito má, fez com que minha vida fosse um inferno e que eu soube-se qual era meu lugar na visão dela, e é por isso que eu a odeio se quiser uma ajuda para tira-la do seu caminho – ele olhou para Nico com um olhar sugestivo.
- Não não não! – protestou Melissa – eu não... quer dizer... eu não tenho nada a ver com ele... só estamos...
- Presos um ao outro, eu sou bom em ver varias coisas além do seu parentesco Melissa, posso ver o que você quer.
Melissa sentiu seu rosto ficar quente, ela devia estar vermelha.
- Martin eu...
- Deixe-me ajuda-la.
Então Martin fez algo inesperado, ele puxou Melissa para perto dele e os dois começaram a dançar como as outras pessoas.
-Martin que droga você esta fazendo?
- Por Zeus mulher eu sei das coisas.
Melissa riu. De repente ela se sentiu vigiada como no dia da fogueira, quando ela se virou Nico estava olhando para os dois, tão serio quanto antes.
- A doce inveja – disse Martin agora conduzindo os dois para aonde Nico e Helena estavam – sempre funciona.
Os quatro agora estavam bem próximos, Martin se aproximou de Helena e a puxou para si.
- Pode me emprestar minha irmã por um minutinho – Martin puxou Helena para a multidão antes que a garota pudesse dizer qualquer coisa.
Nico e Melissa ficaram sozinhos.
- Não sabia que você gostava desse tipo – disse Nico sério.
- Eu também não sabia que gostava do tipo Barbie de esquina – algumas pessoas perto deles riram um pouco.
— Você não respeita ninguém não é mesmo – Nico voltava a falar de um jeito ofensivo.
- Não sei se percebeu mimadinho, mas desde que você saiu daquela da floresta do Slender eu estou tentando melhorar o seu humor, já que esta furioso com seu pai sem motivo.
— Você não sabe nada do que eu estou sentindo ok?
- Acho que esta sofrendo porque alguém contrariou você Senhor Estou sempre certo.
- Você nem sabe o que sofrimento é Melissa, você parece ser uma daquelas garotas ridículas do colegial que não fazem nada a não ser reclamar da vida perfeita que elevam.
- Vida perfeita? Eu nunca tive uma vida perfeita, já você? Desde que cheguei a sua casa tudo parece ser sobre você, o jeito com que seu pai se preocupa...
- Ele não se preocupa comigo – Nico gritava agora, e todos se calaram para ouvir – ele se preocupa em guardar alguma coisa que o faça lembrar Bianca, tudo é sobre ela e não eu, eu nunca vou ser melhor do que ela, nunca. E isso é sofrimento, porque mesmo ela estando morta é melhor que eu, e eu ainda amo ela como se estivesse viva, porque ela não tem culpa, a culpa é toda deles, os deuses e suas preocupações acima dos mortais, isso é sofrimento Melissa, perder alguém, perder alguém é algo que você nunca vai entender.
Perder alguém. De todas as coisas que Nico podia falar, mesmo ele não sabendo escolheu bem as palavras para fazer Melissa se calar, mas aquela frase passou dos limites, ela ficou ressoando em sua cabeça, e fui ai que tudo deu errado.
As imagens do dia, a chuva que caia lá fora era tão forte, parecia que o céu estava caindo, o barulho das sirenes, a rodovia cheia de carros e idiotas curiosos, seu pai gritando pelo nome, o nome dela, dela, da pessoa que ele mais amava no mundo, sendo tirada dele, Melissa sentiu tudo aquilo de novo, ela nunca chorou, nem mesmo no funeral, ela repreendeu os sentimentos por todo esse tempo para não desabar, mas logo agora ela via que tinha sido a escolha errada.
Em menos de um segundo tudo saiu do controle, ela sentiu seu punho se retorcendo, sua mão estava tão leve, ela não obedecia mais seu corpo e traçou sua trajetória sozinha, nos segundos seguintes ela sentiu a palma arder quando acertou em cheio o rosto de Nico, o garoto caiu no chão e Melissa deu dois passos para traz para se equilibrar, ela não podia ter feito aquilo, não era real, era?
Todos vieram na direção de Nico para ajuda-lo, mas ele já estava levantando, e quando levantasse Melissa estaria oficialmente morta, ele acabaria com ela em segundos, então Alex apareceu no meio da multidão ela olhou para Melissa e gritou algo parecido com “Corra” antes de se jogar de barriga em cima de Nico.
Melissa entendeu a mensagem e saiu correndo, ela saiu do salão e encontrou a escuridão da noite, ela correu em direção à floresta enquanto sua mão pulsava e lagrimas escorriam por seu rosto.
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