Melissa No Mundo Inferior

14 Capítulo 14 - O alarme maldito -


Notas iniciais
Melissa

Quando os olhos de Melissa se abriram ela notou as lagrimas secas na sua bochecha, nenhum momento da sua vida tinha sido mais constrangedor do que aquele, ela se sentia envergonhada, e não tinha como ela encarar Nico novamente, principalmente depois que ela percebeu que sua janela estava em sintonia com a dele, mesmo com a ilusão do sol que sua janela proporcionará para seu quarto, aquela cortina agora ficaria fechada sempre, mais um motivo para a infelicidade.

Pelo menos essa noite foi livre de pesadelos, para Melissa eles pareciam um borrão assim como sua vida antes dos quatro anos, quando ela tentava lembrar a única coisa que acontecia era uma forte dor de cabeça e lembranças da noite passada.

Se não fosse pelo maldito despertado que Perséfone tinha colocado em seu quarto, Melissa não sairia da cama, ela tinha tentado de tudo para desligá-lo, até o jogou contra a parede, mas nada funcionava, Perséfone deve ter programado aquilo para parar quando ela fosse tomar o café, o que no momento, estava fora de questão.

Melissa pressionou o travesseiro contra a cabeça para abafar o barulho, mas como as tentativas anteriores essa também fracassou, ela tomou coragem para levantar, uma parte da indisposição era a preguiça, já a outra era a vergonha e o medo de ter que ver Nico novamente, mesmo assim ela levantou, lavou o rosto, escovou os cabelos e colocou a camiseta do acampamento (a única roupa não vulgar de seu guarda-roupa) e o jeans que ela estava usando quando essa loucura começou.

Mesmo com medo Melissa entrou na escuridão que era o corredor, ela caminhou devagar até a cozinha, tentando ser silenciosa o maximo possível, ou seja, ela esbarrou em todos os moveis no caminho. Depois de ficar os minutos de sempre perdida ela encontrou a cozinha, Nico já estava lá.

Melissa engoliu seco, ela estava com medo de seguir adiante, ela tentou esconder o medo no rosto e entrou na cozinha, Nico mau olhou para ela até que Melissa se sentou a sua frente, o cereal de sempre estava em uma tigela a sua frente, foi Nico que tinha a colocado lá? Ela olhou para ele, e para sua surpresa, ele mostrava o mesmo olhar de vergonha.

-Me desculpe – os dois falaram ao mesmo tempo.

Eles ficaram quietos por alguns bons segundos, até Nico começar a falar.

- Me desculpe por ter ficado bravo com você por motivo nenhum, eu não devia ter dito aquelas coisas, ou discutido com você e falado aquelas coisas sobre sua mãe, eu estava bravo com meu pai e não com você, eu sinto muito mesmo.

-Eu que tenho que me desculpar, por ter – Melissa se encolheu – jogado um vaso na sua cabeça – Nico sorriu, ele parecia até estar rindo – e não se preocupe com Perséfone, eu penso o mesmo dela, às vezes pior.

Os dois riram.

-E até parece que você poderia me machucar, com esses braços finos.

- culpa não é minha, é do meu treinador que não sabe fazer o trabalho direito.

Os dois riram novamente, pouco, mas riram Melissa até podia ver a possibilidade de ter uma amizade com Nico, afinal de contas eles estavam presos juntos, não poderiam viver brigando. Eles continuaram conversando enquanto comiam aquele cereal estranho.

-Horrível não? – disse Nico apontando para o cereal.

-Sim, ele não tem gosto e parece mingau, eu odeio mingau.

-Então somos dois, mas a culpa não é minha, é da sua avó.

-Minha avó?

-Sim, Demeter, a mãe de Perséfone, ele encheu essa casa de cereal antes de se trancar no Olimpo com os outros deuses.

-Eu sei que eles estão incomunicáveis, Alex me contou.

De repente Melissa sentiu um aperto no coração, Alex era sua única amiga em muito tempo, ela não era do tipo sociável, e agora a saudade da amiga vinha à tona, não seria nada fácil passar a vida naquele lugar. Nico pareceu perceber a tristeza de Melissa.

-Eu sei como se sente – ele falava de uma maneira gentil – eu normalmente fico um bom tempo aqui em baixo quando meu pai acha que estou em perigo lá em cima, mas não consigo imaginar como seria passar o resto da vida aqui, eu sinto muito.

-Esta tudo bem.

-Não, não esta, é tudo culpa minha, eu devia ter avisado...

-Não Nico, a culpa é minha e ponto, você me avisou sim, eu que te ignorei, e ainda fiz você ficar preso aqui, eu que peço desculpas.

-Estão estamos quites.

Os dois sorriram um para o outro, aquele dia até que tinha começa bem, se não fosse o estrondo que veio a seguir teria continuada assim.

Notas finais
Esperam que tenham gostado