Melissa No Mundo Inferior
12 Capítulo 12 - O vaso -
Notas iniciais
Melissa acordou cedo, se bem que ela nem mesmo dormiu, essa noite foi muito pior do que todas as outras que já tivera, e o por quê? Ela não tinha tido um pesadelo, ela tinha tido um sonho, e a única razão de ter sido pior que um pesadelo, era que todas fez que ela abria os olhos tinha que encarar a realidade.
No sonho ela estava no quintal da casa, a primavera tinha começado e as flores estavam desabrochando, a grama estava verde e macia, mas o mais importante era sua mãe, sentada ao seu lado na grama, sorrindo e lendo para ela um livro sobre alguma formiga feliz de jardim, Melissa lembrava-se daquela cena, ela tinha apenas cinco anos quando aquilo aconteceu. Seu pai sai pela porta dos fundos trazendo uma churrasqueira portátil, a qual ele não sabia montar, sua mãe começou a rir e o ajudou, Melissa adorava os domingos em família quando era criança, a primavera, sua mãe lendo para ela e os cachorros quentes queimados do seu pai, ela riu por dentro.
Ela abriu os olhos e se contorceu na cama, ela queria viver no sonho, mergulhar naquela lembrança feliz e nunca mais sair. Aquela tortura a atormentava dês da morte da mãe, ela não se lembrava de ter tido um pesadelo/sonho pior.
Mesmo deprimida Melissa saiu da cama se vestiu e fui tomar café, Nico já estava na cozinha, ele também parecia ter tido uma noite ruim, ele estava com uma cara deprimida também, ou talvez fosse aquele cereal horrível, parecia ser a única comida que tinha na casa, e não tinha sobrado pizza da noite anterior. Depois do café, Melissa foi tentar treinar novamente, embora Nico tenha dito que tinham um acordo de paz, tudo aquilo da noite passada parecia ter sumido, no primeiro erro de Melissa com o arco Nico se jogou no chão e começou a rir loucamente, os dois brigaram, discutiram e gritaram, o dia passou rápido e Melissa se sentia cansada como nunca, quando o treina acabou ela se sentiu aliviada.
Melissa e Nico caminharam pelos corredores escuros, e desta fez não estavam em silencio.
-Mas que droga Nico, achei que tínhamos um acordo!
-Mas nos temos – disse Nico rindo – cinto muito se você é muito ruim, e quando digo ruim é ruim mesmo.
-Cala a boca!
Melissa empurrou Nico de leve em protesto, fazendo com que ele risse mais.
-Ei – disse ele – cuidado, eu quase feri aquela formiga ali no chão!
Melissa ficou com raiva, mas ela se controlou e fechou os punhos, e antes mesmo de ela poder dizer qualquer coisa uma nuvem branca apareceu bem na frente dos dois, fazendo com que Melissa pulasse nos braços de Nico.
Os dois estavam assustados até que a imagem de Hades apareceu na nuvem. Nico e Melissa cruzaram os olhares por algum tempo, e depois de um longo silencio, Hades deu uma tossida “discreta” fazendo com que Nico soltasse Melissa.
-Oi pai – disse Nico, sua foz era uma mistura de vergonha, raiva e alívio.
- Ola – disse Hades de uma maneira extremamente formal – Nico, eu e Perséfone estamos conversando com os deuses, mas parece que eles não ligam para a segurança do mundo inferior, é como se Gaia não ligasse para nossa casa, mas estão enganados – Nico concordava com a cabeça como se aquele assunto já tivesse sido discutido entre os dois -, mas não estou aqui para falar isso, Zeus vai promover aquele baile estúpido de casais no acampamento.
Melissa lembrava-se de Alex explicando para ela o que era esse tal de Baile de Casais do final de inverno, era um baile que comemorava o final do inverna e o quase inicio da primavera, ele era promovido por Afrodite desde que o Olimpo sofreu com a guerra de Cronos, ela achava que os deuses e seus filhos tinham que se encontrar no mínimo uma fez por ano, mas Alex dizia que os deuses apenas usavam aquilo para ter controle sobre os relacionamentos no acampamento, até porque, só poderiam entrar no baile aqueles que estavam acompanhados.
-E – disse Hades continuando sua explicação – eu quero você dois lá...
-Mas – disse Nico interrompendo Hades – Melissa não pode sair daqui.
-Você sabe muito bem que eu fiz aquele acordo com Zeus e Demeter, sobre Perséfone sair durante três meses do ano, e você também sabe Nico que esses três meses são considerados como a primavera para os mortais, e como a primavera vi acontecer em uma semana eu vou adiantar a saída de Perséfone e vou permitir que Melissa saia também.
Melissa não pode deixar de sorrir, e tanto Hades como Nico perceberam sua felicidade, ela pensou que passaria o resto da vida naquele lugar, e embora ela ainda não tivesse entendido a historia da festa, ela sairia daquele fim de mim, por pelo menos uma semana.
-Vocês dois iriam ao baile juntos, apenas para poderem entrar, e eu quero que vocês fiquem de olho nos campistas, eu tive uma informação de que alguns estão trabalhando para Gaia e eu quero saber...
-NÃO –berrou Nico – AQUELES SÃO MEUS AMIGOS PAI! ELES NUNCA SE JUNTARIAM A GAIA NUNCA!
- Calma Nico – Hades tentava tranquilizar Nico enquanto a nuvem começava a se dissipar – Perséfone concorda comigo que algum deles esta trabalhando para Gaia e...
-CALA ABOCA! VOCÊ NÃO SABE NADA, NUNCA SOUBE! COMO VAI FALAR DOS MEUS AMIGOS SE VOCÊ NEM AO MENOS SE IMPORTA COM O ACAMPAMENTO, NA ULTIMA GUERRA EU TIVE UM TRABALHO PARA TE CONVENCER E AGORA VOCÊ ACUSSA MEUS AMIGO! VOCÊ NÃO ME CONHECE! NUNCA CONHEÇEU, SE NÃO VOCÊ SE INPORTARIA, VOCÊ É IGUAL A TODOS OS OUTROS DEUSES, MESQUINHOS E EGOISTAS, QUANDO BIANCA MORREU VOCÊ NEM AO MENOS QUIS ME AJUDAR A...
- NÃO — Hades gritou ainda mais alto que Nico – ouse dizer que eu não me importava com Bianca moleque insolente!
E quando Nico ia contraria Hades e sua nuvem desapareceram em um redemoinho de luz. Melissa pode notar a raiva e também, estranhamente, a tristeza no olhar de Nico, ele poderia até chorar, mas não iria, como Melissa ele reprimia as lembranças tristes e as guardava em algum lugar do cérebro, algum dia aquilo iria explodir, isso era muito perigoso. Mas Melissa tentou consolar Nico, falando do jeito mais doce possível.
-Nico eu...
-CALA A BOCA – Nico gritou novamente – ISSO NÃO ESTARIA ACONTECENDO SE AQUELA MULHER IDIOTA NÃO ESTIVESSE INFLUENCIANDO MEU PAI! EU ODEIO ELA E TODA A SUA FAMILIA, ODEIO OS DEUSES, SEUS PAIS, EU ODEIO VOCÊ!
Nico saiu andando na direção oposta do corredor, o sangue dele estava fervendo, ele não tinha a intenção de dizer aquilo para Melissa, mas a raiva o tinha consumido, já Melissa estava com mais raiva ainda, ela estava com tanta de raiva de Nico que nem mesmo pensou direito, ela pegou um vaso de flores que estava em uma bancada a seu lado e jogou na direção de Nico, fazendo com ele se quebrasse em mil pedaçinhos na sua cabeça.
Nico se virou e encarou Melissa com os olhos vermelhos de raiva, ele iria ir na direção dela, e provavelmente Melissa iria levar uma surra, Nico podia até decapitar sua cabeça, mas ela correu o mais rápido que pode pelos corredores do castelo até seu quarto, ela ouviu Nico a seguindo por algum tempo, mas parecia que ela tinha despistado ele nos últimos segundos, ela entrou no quarto e trancou a porta, Melissa caiu de joelhos no chão do quarto com a cabeça entre as pernas, ela estava com tanto medo e envergonhada que queria morrer, de repente o dia tinha ficado negro novamente.
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