Melinda, Melinda
1 (Amor)te.
Melinda, Melinda.
Longos cabelos que irradiam. Não beleza, não brilho. Contudo o descaso. O castanho quase se mescla ao chão tamanha fraqueza. A pele, antes viçosa, parece embebida em óleo. Amada, o que te acalenta durante a noite? A dor?
Seus olhos não enxergam. Quem dera fosse a cegueira, não, nada disso. Esta pelo menos lhe tiraria desse vazio. Você vê o nada tentando captar o tudo. Talvez a linha para te salvar do poço, talvez uma pedra mais afiada para logo o sofrimento passar.
Pequenos fiapos brancos enfeitam teus lábios, seu corpo tentando alertar sobre a vida que se esvai. Deixaste a água nos berros por socorro em forma de saliva ou no sangue que pingava de tuas vestes naquele fatídico momento?
Corre, mulher. Reaja. Seu coração ainda bate, porém se você ficar assim será por pouco tempo. Erga-se, limpe o resto de suas vestes e busca por ajuda.
Seus ouvidos conseguem captar muito bem o som dos passos adiante, e mesmo assim seus músculos não movem. Em vez disso, parece que juntos formam uma boneca de pano desengonçada e jogada ao relento.
Isso, uma boneca. Porque mesmo respirando, não estás viva.
Melinda, Melinda. A morte não lhe cai bem, mas te acha linda.
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