Melhores Memórias
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 3
A tal garota da boate, Sarah, era bem legal. Quer dizer, ela ficou me escutando falar sobre outra menina durante uma hora, e pra alguém fazer isso ou ela é surda ou é muito legal. Eu acabei levando ela para casa, deixando meus amigos na boate, mas na hora eu nem me toquei disso, só me lembrei quando ás quatro da manhã Nate me ligou desesperado:
– Ei cara, o que aconteceu? Você sumiu! – A voz de Nate parecia preocupada – Luke, se foi por causa do Benj falando que você tinha que ficar com alguém, você sabe que ele as vezes é um idiota… Desculpa, cara!
– Calma, Nate! – Falei rindo – Me desculpa, eu meio que esqueci de vocês, desculpa mesmo deixar vocês na mão.
– Eu pensei que tinha acontecido alguma coisa com você, – Nate se acalmou – Mas o que aconteceu pra você esquecer a gente? —ele falou com um tom de malicia na voz.
Expliquei para ele sobre tal Sarah e o cara babaca que estava com ela, como eu esperava, ele riu e perguntou se tinha rolado algo entre nós, falei que não. E realmente não aconteceu nada, a gente só ficou conversando, depois eu a levei pra casa e voltei pro meu apartamento.
Logo que cheguei peguei meu caderno das melhores memórias e escrevi a história que havia contado a Sarah, depois cai no sono.
Meus domingos normalmente eram baseados em assistir TV e comer e esse não seria diferente. Acordei as dez e pouco, fui até a cozinha e preparei um café, pensei em ligar para Benj e saber como ele estava, mas provavelmente ele estaria dormindo e acordar ele seria a mesma coisa que pedir para escutar gritos surtados de um cara de ressaca – o que no caso ele era. Me sentei em frente a TV e coloquei em um canal de desenhos para me distrair. Não deu certo, porque em poucos minutos eu já estava entediado. Esta é a grande merda de se morar sozinho, tédio.
Quando eu namorava com Sarah, raramente ficava entediado, e se eu ficava pelo menos eu estava entediado com ela. Depois que passei a morar sozinho, ela ficava bastante tempo comigo no apartamento, o enchia de alegria com as risadas histéricas – que por um acaso eu amava.
Fiquei deitado no sofá, deixando o tempo passar, em quase todo momento me lembrava de Sarah, a minha Sarah, não a da boate. Impressionante como esse sentimento toma conta da gente. Tipo, em um segundo você está com seus amigos curtindo a vida de solteiro sem ligar para nada e no outro BUM, você está na merda, apaixonado por alguém, preso a um enxame de sensações confusas. Porra, já fazia um ano! Balancei a cabeça na tentativa de afastar esses pensamentos, eu tinha que me distrair.
Fui para o banheiro, tomei um banho, escovei os dentes e me vesti. Eu precisava do meu melhor amigo, precisava do meu terapeuta, precisava do meu skate. Isso sempre me ajudou, ir na pista, andar um pouco, fazer algumas manobras.
***
Por ser domingo a tarde, a pista estava cheia. Fui até o bowl e desci, senti o vento bater em meu rosto na descida e me senti revigorado, era exatamente disso que estava precisado. Andar de skate sempre foi como uma terapia para mim, deve ser por isso que gosto tanto. Arrisquei algumas manobras e notei que estava muito enferrujado, depois que comecei a faculdade tudo começou a ficar corrido, parei de treinar e andar todos os dias se tornou difícil, andar de skate se tornou algo só para fins de semana.
Depois de uns vinte minutos andando, me sentei no skate e fiquei olhando para uma menina do outro lado da pista, ela também me olhava, não sei se foi impressão ou o que mas juro que ela começou a andar em minha direção e acenar. Logo percebi quem era.
– Luke, oi – Sarah se aproximou e se sentou do meu lado
– Eai, como você está? – Lhe cumprimentei com um aperto de mão.
– Graças a você, bem, e você?
– Sei lá, só to indo. – Falei meio triste
– Por causa da garota da história que você me contou ontem? A outra Sarah? – Ela sabia, como toda garota ela tem aquele sexto sentido que nós garotos nunca teremos.
Olhei para ela denunciando todos meus sentimentos.
– Ultimamente, só tem sido ela… — Falei tentando sorrir – Nossa, eu sou um idiota sentimental!
– Não é não, Luke. Você é humano, só isso. Você tem um coração que bate por alguém. – Sarah colocou a mão no meu ombro, essa garota fazia com que eu me sentisse melhor
—A gente só se conhece há catorze horas e você já sabe sobre meu relacionamento com minha ex e sobre meu coração estilhaçado, mas eu não sei nada de você, só que seu “namorado” é um idiota.
—O que você quer saber?
—Sei lá, quem é você, seus desejos... Essas coisas – Falei olhando para ela com curiosidade.
—Bom, eu tenho 16 anos, gosto de artes, e de roxo e um dos meus desejos é passar uns meses viajando sem rumo. — Sarah soltou aquilo com total naturalidade – Agora estamos equivalentes.
—Legal, legal mesmo, você quer ser mochileira, eu queria, quer dizer ainda quero fazer isso. —Cada vez mais que olhava para a garota na minha frente melhor me sentia. —Sabe, você me lembra um pouco a minha Sarah.
O que diferenciava minha Sarah da Sarah da boate em questões físicas é que a minha é morena e a da boate é loira, a minha é um pouco mais moleca e a da boate é mais fofinha.
—Tipo, seu jeito, você é bem mais princesinha do que ela, mas vocês falam de um jeito muito parecido.
—Princesinha? Ai! —Ela colocou a mão no peito como se estivesse ofendida e riu
– Não, não quis ofender. Eu quis dizer que você é aquele tipo de garota que parece frágil – Eu ri e comecei a me explicar—os caras gostam desse tipo “menininha” porque veem como alguém que podem cuidar e proteger, mas também é um jeito de mostrar que são fortes. Não minto, eu também gosto de poder cuidar de alguém, mas eu sabia que Sarah não precisa de um príncipe num cavalo-branco para cuidar dela, ela definitivamente não era frágil, ela sabia se cuidar e se fosse necessário bateria em qualquer cara que colocasse ela para baixo. —Eu estava ali conversando com uma menina sobre outra, e ela estava me escutando, denovo – Duvido que você ande de skate, certo?
— Nunca, medo. — Sarah respondeu rápido
– Viu, não que isso tenha muito haver, mas é um exemplo. Sarah era assim, pronta para guerra, totalmente independente. Ela não queria um cara para cuidar dela nem nada, mas um para amá-la.
—Uma princesa de armadura, tipo a Mulan. — Ela falou e aquilo se encaixou perfeitamente.
—Exato, uma princesa de armadura!
– Me sinto horada por saber que você me acha parecida com ela, eu gostaria de conhecê-la. —Sarah me olhava como se tentasse enxergar mais do que eu mostrava. Seus olhos eram verdes cinzento e penetravam como um raio. —E mais honrada ainda por você querer compartilhar essas coisas comigo.
—Você é uma ótima ouvinte – Falei sorrindo e pegando em suas mãos – Eu agradeço por você me escutar, eu estava mesmo precisando de alguém menos másculo para conversar.
—Eu gosto de escutar, e sempre que você quiser pode me chamar para escutar a suas histórias, você é ótimo nisso. —Ela apertou minha mão – Tem mais alguma para contar?
—Uma infinidade delas...
3ª Melhor Memória
Eu fazia questão de aproveitar cada minuto com você, estranho porque normalmente eu não me apaixonava, na verdade mesmo você foi a minha primeira paixão...
O semestre finalmente havia acabado, Marcus teve a brilhante ideia de fazer uma pequena confraternização, só com os mais próximos, eu, Nate e Benj o ajudaríamos, chamar a galera, deixar a casa arrumada, essas coisas. Na minha cabeça, essa “festa” seria uma oportunidade, eu tinha passado toda a semana pensando em como dizer o que sentia para você, já fazia cinco meses que nós não nos separávamos, e eu sentia que estávamos nutrindo esse relacionamento e que já era hora de dar o próximo passo, mas eu ainda estava com medo...
Por ser dezembro a noite estava fria, ninguém deixou de aparecer por causa disso. A casa de Marcus era enorme (claro, ele era rico), estávamos no salão principal conversando, quando a luz piscou, mas ninguém leigou até que tudo se apagou, tudo ficou meio assustador já que a casa era enorme. Para tentar melhorar a situação todos usaram os celulares para se orientar e nos sentamos no meio do salão.
—Parece que deu um apagão na cidade toda. —Marcus falou apontado uma lanterna no rosto – Agora, regras da casa! Nada de pegação pelos cantos, nem nos quartos, fica todo mundo por aqui!
Todos riram e voltaram a conversar normalmente. Eu e você estávamos no sofá conversando com Nate sobre as provas e as festas de fim de ano. Eu ainda estava pensando se deveria dar o próximo passo. Benj se levantou e chamou a atenção de todos.
—O que acham de fazermos algo? —Ele falou
– Já estamos, conversando e bebendo no escuro – Falei fazendo todos rirem]
– Ta, outra coisa, tipo verdade ou desafio!
— Não estamos meio velhos para verdade ou desafio?
—Não, não estamos! —Benj virou a garrafa de cerveja e se sentou – Formem um circulo, boca pergunta e bunda responde.
Começamos a nos arrumar em volta da garrafa, nos batento um pouco porque não enxergávamos muito. Você optou por se sentar com suas amigas do outro lado da roda, eu fiquei no mesmo lugar do lado de Benj, Nate e Marcus.
Verdade ou desafio é a melhor maneira de descobrir o pior das pessoas, na verdade era bem engraçado. Eu não tirava o olho de você e você não tirava o olhos da garrafa, quando ela girou pela quinta vez a boca parou para mim e consequentemente a bunda para você.
—Verdade ou desafio, Sarah? —Falei de modo desafiador, meio galã
– Sou esperta, desafio! —Você respondeu rindo.
—Opa, isso vai ser divertido! To até vendo – Benj falou rindo e me dando cotoveladas.
Aquela era minha oportunidade, respirei fundo, pensei se aquela era hora e decidi que sim.
—OK... Sarah, você quer namorar comigo? —Soltei aquilo como uma granada, todos me olharam surpresos e fizeram questão de me deixar constrangido. Torci para a luz voltar e tirar a atenção de todos de cima de nós, mas nada aconteceu.
—Por que isso seria um desafio? —Você perguntou olhando seria para mim
—Porque eu posso ser mais difícil do que pareço – Eu dei um sorrisinho meio idiota, me coração estava prestes a sair pela minha boca.
Você passou o olho por todos da roda, respirou fundo alguma meses e eu espetava pela sua resposta, nervoso porque se aquela não fosse a hora certa eu teria estragado tudo. Você deu uma última respirada e mordeu o lábio inferior.
—Desafio aceito, Luke! —GRAÇAS A DEUS! Eu pensei, você riu e veio em minha direção.
—AEEEEE! —Benj, Marcus e Nate gritaram e aplaudiram – Esse é nosso garoto!
Eu respirei aliviado e me levantei para ficar do seu lado. Sorri para você, ainda nervoso, pegue na sua mão passando um pouco de confiança, eu sabia que você também estava nervosa. Todos começaram a gritar “beija, beija” dei um beijo na sua bochecha e todos vaiaram em tom de brincadeira.
—Vamos lá pra cima. —Falei no seu ouvindo e você assentiu
– Ei, para onde vocês vão? —Marcus perguntou
– A gente vai se pegar e algum canto da casa – Falei rindo e te puxei para as escadas.
Fomos até o último andar da casa, onde ficava um terraço. Ficamos alguns minutos só nos encarando, eu não parava de sorrir e você também não. Passei minha mão pelo seu cabelo, descendo para suas bochechas rosadas, você estava fria por causa do vento que passava. Seus olhos denunciavam sua felicidade, você não precisava de lábios para sorrir, seus olhos faziam isso por você. Nossa, meus olhos deveriam brilhar naquela hora, eu finalmente tinha você!
– Você está planejando isso desde quando? – Você finalmente falou, lambendo os lábios ressecados
– Acho que… desde que a gente se beijou na pista – Falei e agarrei sua mão – Só sei que eu estava desesperado para ter você.
Você respirou fundo e se debruçou, eu não precisava mais exitar em te beijar, eu sabia que podia, que deveria. Segurei seu queixo aproximando sua boca da minha. O ar quente de nossas respirações fazia uma fumacinha subir, o ar frio que nos rodeava parecia nem existir mais – eramos só eu e você. Juntei nossos lábios e com calma segurei seu corpo contra o meu, fazendo nossos corações se tornarem apenas um, batendo freneticamente. Suas mãos passeavam pelos meus cabelos, bagunçando-os mais do que já estavam.
Senti-me surdo durante aquele beijo (dizem que quando o beijo é realmente bom pode deixar uma pessoa temporariamente surda). Encostamos nossas testas e rimos, você selou rapidamente nossos lábios e deu uma leve mordida no meu lábio inferior.
– Eu tenho medo, Luke – Sua expressão ficou preocupada – Disso dar errado.
– Por que você acha que vai dar errado?
– Porque tudo para mim dá errado, tudo de bom que acontece comigo é seguido de algo ruim. – Uma lágrima percorreu seu rosto.
– Sabe porque isso não vai dar errado? – Perguntei e você abanou a cabeça negativamente – Porque isso é real, porque nós dois juntos vamos fazer dar certo.
E seus olhos sorriram novamente. Você me puxou para um abraço demorado e de repente as luzes da cidade se acederam, escutamos gritos alegres vindos do andar de baixo.
Naquela noite eu me propus a cuidar de uma preciosidade, você.
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