Melhores Memórias
2 Capítulo 2
Notas iniciais
CAPÍTULO 2
Não sei que horas dormi, mas sei que foi tarde. Eu ainda estava meio sonâmbulo, com a cara contra o piso de madeira e as pernas apoiadas na cama. Meu celular começou a vibrar em cima da cama, o coloquei no ouvido e uma voz masculina começou a falar.
– Viadão, é hora de acordar! – Benj gritou
– Você realmente está me ligando em um sábado de manhã? Vai dormir, cara.
– São três da tarde.
– Tem sol? – Perguntei
– Sim – Ele respondeu meio confuso
– Então ainda é de manhã! – Gritei
– Luke, TIRA ESTA BUNDA MAGRELA DA CAMA E VEM ABRIR A MERDA DESTA PORTA!– Esse é o Benj irritado
– Fica calmo cara, to indo – Me levantei e fui até a porta. Logo que girei a chave abrindo-a, Benj entrou indo para a cozinha.
Benj é um pouco mais alto que eu, uns 10 centímetros, é moreno e tem cabelos bagunçados – realmente acho que o relacionamento dele com a escova não é muito bom –, e bem, ele vai pra academia 5 vezes por semana, ou seja, ele tem um tanquinho.
Me joguei no sofá esperando pelo discurso de Benj, que não demorou para começar.
– Faz umas três semanas que você não sai com a gente, Luke. – Ele se sentou do meu lado, me oferecendo um refrigerante – Hoje é sábado, dia de curtir com os seus amigos, aproveitar a “solteirice”!
– Ela me ligou ontem.
– A garota gostosa que dá em cima de você sempre que vamos na lanchonete?
– Não, a Sarah.
– Sarah? O que ela queria? – Benj pareceu surpreso e muito interessado
– Hã, ela me pediu uma coisa meio estranha… Tipo, ela pediu para eu escrever todas as nossas “melhores memórias”
– Melhores memórias? – Ele se levantou – Que diabos é isso?
– Momentos bons do nosso relacionamento – Falei – Só não entendi porque ela me pediu isso, não tem sentido!
– Vai ver ela só quer confirmar que não foi um namoro de merda. – Ele deu um gole no refri
– Você me anima de tal maneira que chega ser impressionante, Benj.
– Por isso que eu sou seu melhor amigo – Ele disse – Mas você topou a ideia dela?
– Sim, passei a madrugada pensando no que escrever pra começar – Fui até o quarto e peguei o caderno e mostrei para ele, que foleou as primeiras páginas rabiscadas, riu e o fechou.
– Você é definitivamente viado – Ele jogou o caderno no meu colo — Mas afinal você vai ou não sair com a gente hoje?
– Vou.
– Esse é meu garoto! – Benj pulou encima de mim e começou a me dar leves socos no braço.
***
Benj ficou de passar lá em casa por volta das oito e meia com Nate e Marcus – nós quatro somos amigos desde que começamos a estudar na Polk High, ou seja há muito tempo – para conversarmos um pouco antes de ir para a balada. Eles chegaram as oito e quarenta.
Abri a porta, e lá estavam meus três amigos, me olhando com sorrisos idiotas, animados como sempre.
– Quer dizer que o Luke finalmente vai farrear com a gente? – Nate me deu um abraço de lado
– É o que parece… — Falei indo em direção a cozinha e pegando algumas cervejas para Benj, Nate e Marcus – Vai ser bom dar uma espairecida
– Sempre é bom sair com seus melhores amigos – Marcus deu um gole na cerveja – E também, sair da seca
– Vai começar… — Murmurei
– Fala sério, cara, deve fazer uns três meses que você não pega ninguém – Benj falou – Sabia que beijar faz bem a saúde?
– Sabia, porque fui eu que te falei isso! – Falei lhe dando um tapa no abdome – Não sei o pra que tanta insistência para eu pegar alguém.
– Pelo simples fato de você ainda estar preso a um certo alguém – Nate apontou para um porta retrato com uma foto minha e de Sarah quando começamos a namorar.
– Que começa com S e termina com H – Marcus abaixou o porta-retratos – Que agora mora do outro lado do oceano.
Desde que Sarah se mudou, Benj, Nate e Marcus tem feito de tudo para que a esquecesse, me fizeram ir várias festas, me apresentaram a garotas muito bonitas, tentaram de tudo para que eu esquecesse ela, mas foi uma tentativa falha.
– Bem, se vocês vieram aqui para me julgar, já podem ir embora – Falei apontando para a porta
– Calma, Luke, estamos só brincando – Benj me deu um tapinha nas costas – Sabe que tudo o que fazemos é porque nos importamos com você!
O pior é que esses três babacas realmente faziam de tudo para me ver feliz, eu tinha sorte de ter amigos assim, mas as vezes me irritava com algumas coisas que ele diziam, principalmente quando se tratava de Sarah e do nosso namoro.
Saímos de casa as dez e vinte e fomos para uma balada já conhecida por nós, muito bem frequentada e bem animada, o que era ótimo para uma noite de sábado com meus amigos, e mesmo sabendo que eu seria o “motorista da rodada” — o que pra mim não era um problema, não me importava com bebidas – aproveitaria ao máximo vendo meus amigos bêbados.
– Só avisando que quem ameaçar vomitar no meu carro na volta, vai ficar sem carona! – Benj me olhou rindo – Isso é exatamente para você, Benj, seu histórico não é dos melhores.
– Ta bom, papai, farei de tudo para não vomitar no seu precioso carro – Ele zombou e saiu do carro.
Ficamos na fila durante uns vinte minutos, mesmo não tendo idade para entrar em boates (21 anos), nós tínhamos um grande aliado, carteiras de identidade falsa – temos desde os 17 e nunca falhou.
Logo que entramos vimos que a boate estava cheia, Nate e Benj foram para o bar, eu e Marcus fomos achar uma mesa para nós quatro. Pegamos uma mais pro fundo da boate, havia pouco movimento e algumas poltronas perto, Nate e Benj nos encontraram uns cinco minutos depois com três garrafas de cerveja na mão e uma garrafa de refrigerante diet que supus ser para mim.
– Eai, Luke, achou alguém interessante? – Marcus me deu uma cotovelada
– Não, ainda não – Falei observando a pista de dança e as garotas dançando com copos na mão. Eu realmente não estava no clima para paquerar, por mim eu ficaria sentado a noite toda vendo meus amigos azarando e bebendo e ficaria feliz por simplesmente estar ali com eles. Eu realmente não era o mesmo Luke do ensino médio que adorava sair e beber.
– Bom, eu achei algo bem interessante no canto do bar – Marcus falou e se levantou – Se vocês me dão licença…
– Vocês sabem que não precisam ficar aqui comigo, não é? – Falei – Aproveitem a noite de vocês
– A gente sabe, mas enquanto não vem alguma música boa eu vou ficar aqui sentando com você – Benj falou. Não demorou muito para que ele se levantasse e fosse para pista, conseguia vê-lo bem enquanto entrava no meio de todas aquelas pessoas, também pude ver Marcus dançando com uma garota loira de vestido branco, os dois pareciam felizes.
– Luke, vem comigo até o bar – Nate se levantou e esperou que eu levantasse – Eu sei que para você, estar aqui não é tão divertido como é para mim e pra eles – Ele foi falando enquanto nós nos dirigíamos até o bar – Nós só estávamos sentido um pouco a sua falta nas noitadas
– De mim ou de um carro? —Zombei
– De ambos – Nate riu e pediu um martíni para o barmen – Mas de qualquer modo, é bom ter você de volta. E também, está na hora de você flertar um pouco…
– Quem sabe – Falei pensativo. Nate muitas vezes era o único que conseguia entender meu lado, então falar com ele era sempre bom – Ei, parece que alguém tá de olho em você – Apontei para uma garota morena do outro lado do bar, ela estava olhando Nate desde o momento que chegamos ali.
– Acha mesmo? – Ele perguntou analisando-a – Eu não quero deixar você sozinho, Luke
– Vai lá, cara. Eu fico bem com meu refrigerante diet – Falei levantando a garrafa, ele riu e fez um toque comigo.
Então eu fiquei sozinho.
Comecei a andar por volta da pista de dança, podia ver Benj dançando e conversando com algumas garotas que deveriam rir das besteiras que ele estava dizendo. Me sentei em uma das poltronas que haviam ali mas logo me levantei quando vi um cara se agarrando com uma garota, ou ao menos tentado, na verdade a menina estava resistindo aos braços do cara.
– Por favor – A garota murmurou – Me solta, por favor
– Não precisa ser assim, Sarah – O cara não parecia estar bêbado, mas estava determinado a ficar com ela de algum jeito – Você sempre quis isso
– Me solta, Rick – Ela parecia se segurar para não gritar – Vocês está sendo um babaca, por favor, eu não quero nada, me larga.
– Qual é Sarah? – Nesse momento o sujeito levantou a voz e a empurrou, o que eu achei grosseiro. Os olhos da garota estavam brilhando, eu vi uma lágrima percorrer seu rosto quando ele a prendeu contra a parede – Seja aquela garota das festas da escola, aquela que sai beijando todos os caras. Onde está aquela garota?
Naquele momento me lembrei de Sarah, eu já tinha visto uma cena como aquela, mas com a minha Sarah sendo agarrada grosseiramente por um mauricinho babaca.
– Por favor, Rick! – Ela deu um grito abafado e choroso, eu não podia continuar vendo aquilo, respirei fundo e fui em direção a eles.
– Solta ela – Falei calmamente afastando o cara da menina
– Cara, ninguém te chamou aqui – O tal Rick falou me olhando de cima a baixo
– Se você não notou, a garota não quer nada com você – Comecei falando, a garota, Sarah ficou atrás de mim – Pelo jeito não te ensinaram a como tratar uma garota com respeito.
Sim, eu podia ser um safado ou qualquer outra coisa, mas que adolescente não é? Mesmo gostando de agarrar meninas, beijá-las com extrema ferocidade entre outras coisas, eu sabia tratar ela com respeito.
– Ela não pediu socorro! – Rick me deu um empurrão e eu cambaleei – Não se meta onde não é chamado – Ele me deu outro empurrão
– Rick, por favor, vai embora – Sarah choramingou – Por favor!
– Você gosta desse tipinho, não é? – Ele cuspiu as palavras e baba na minha cara – Então fica com isso aí!
Rick se afastou murmurando alguns xingamentos. Soltei o ar, meu coração ainda estava batendo realmente muito rápido. Olhei para as minhas calças para ter certeza que não tinha mijado nelas, graças a Deus, não. Olhei para o lado, e vi a garota sentada, ela parecia aliviada mas ainda estava um pouco abalada.
– Imagino que você esteja no ensino médio – Falei me sentando do seu lado
– É tão obvio? – Ela me olhou
– Nem tanto, mas eu escutei a sua conversa com o mauricinho ali. —Falei direcionando meu olhar para a entrada da boate. —Você está bem, mesmo?
– Estou, muito obrigada. Rick foi um babaca, como sempre.– Ela parecia muito mais solta – Foi muito cavalheirismo seu. Garotos de ensino médio nunca fariam isso.
—Acho que nem caras de faculdade fariam isso... — Falei com um pouco de indiferença na voz.
—Afinal, seu nome?
—Luke.
—Obrigada, de novo, Luke – Ela deu um sorriso fofo.
— Não precisa agradecer, sério. Esses idiotas tem que aprender a como tratar garotas. —Falei e pensei em algo que tinha acontecido há um tempo atrás comigo – Eu já vi muito cara tratando meninas como lixo, não podia ver isso e ficar quieto.
—Já aconteceu outras vezes com você? —Ela perguntou me analisando.
—Uma vez, com minha ex-namorada – Minha voz de repente ficou pesada.
Sarah me olhou e deu um sorriso encorajador, como se dissesse “vai, continua a história”.
—Eu gosto de romances... —Ela continuava a sorrir – Se quiser me contar essa história, eu vou gostar.
Não pude deixar de sorrir de volta.
2ª Melhor Memória
Não tinham nem se passado dois meses desde que as aulas haviam voltado, eu e você conversávamos sempre que podíamos no colégio, principalmente por bilhetinhos em sala de aula já que sentávamos muito próximos. Mesmo depois que a gente se beijou na pista de skate, nada mudou no nosso relacionamento, mas eu estava começando a amadurecer um sentimento por você.
Eu estava acompanhando você até sua casa, estávamos conversando sobre uma house party que um cara da minha turma faria na sexta-feira.
– Eu vou com minhas amigas, mas se quiser vir junto… — Você disse sorrindo
– Acho que vou com o Benj e os caras.
– Como sempre, não? – Você riu e me abraçou de lado – Quer ir lá em casa ver o que vou usar?
– Como assim você já escolheu? Eu nem aprovei! – Zombei de você – Se estiver acima do joelho não está aprovado, e nada de decote!
– Isso é um sim?
– Claro.
Em filmes, uma garota convidar um amigo para ver a roupa que ela vai usar, significa que o cara está na friendzone, o que não é bom se o garoto gosta da garota. Eu fiquei com medo de estar nessa zona, mas naquele momento não pensei naquilo, eu só queria passar um tempo com você.
Quando chegamos na sua casa você me conduziu até seu quarto no segundo andar. Tinha bem cara de menininha, o quarto estava arrumado, haviam vários ursinhos de pelúcia na cama, uma poltrona no canto do quarto, uma escrivaninha e seu armário que estava aberto.
– Você gosta de ursinhos, pelo jeito. – Ri e me sentei na ponta da cama
– Gosto, sempre gostei. – Você se sentou do meu lado – Na verdade, desde os 11 anos não ganho um…
– No seu próximo aniversário eu te dou um, beleza? – Te olhei sério, você sorriu e corou
– Promete? – Você riu e me estendeu o dedo mindinho
– Prometo – Entrelacei meu dedo com o seu – Agora, quero ver a roupa que você vai usar! Quero ver se é decente
—Vai fazer papel de pai agora?
—Não vou deixar você sair por ai como uma vadia. —Falei tentando parecer sério
– Fique despreocupado, eu sei como me vestir bem para uma festa sem parecer uma vagabunda.
Você se levantou e foi até o armário, dali pegou uma saia preta, uma regata branca cortada nas costas e um all star preto. Saiu do quarto e voltou alguns minutos depois vestindo as roupas que tinha acabado de tirar do armário. E, UAU, você estava tão sexy, e diferente do que você sempre aparentava ser – fofa – você parecia meio rebelde, e eu adorava a Sarah daquele jeito.
– Vo-você, bem… — Gaguejei – A saia, pode ficar mais para baixo, o resto tá aprovado.
– Nem vem, Luke, a saia não tá curta! – Você gritou e se olhou no espelho
– To só brincado, tá legal assim, você está bem gata! – Impressionante a facilidade das suas bochechas corarem, mesmo você sendo mais morena.
– Obrigada! – Você me abraçou e saiu do quarto para trocar de roupa – Luke, o que nós vamos fazer hoje? – Você gritou do banheiro
– Ver TV – Parei em frente ao banheiro e você saiu logo depois – Comer e mais tarde dar uma volta na pista para andar de skate, o que acha?
– Parece ótimo – Você sorriu e me puxou até a sala. Me sentei no sofá e você deitou sobre minhas pernas.
***
Sexta-feira depois da aula combinei de passar na sua casa, não sei que desculpa dei para ir lá, mas eu precisava ter ver para te entregar algo. Você abriu a porta descalça vestindo um short de malha realmente curto e uma regata.
– Entra, Luke – Você falou sorrindo e abriu passagem para que eu entrasse – O que foi?
– Quero te dar uma coisa – Ri e peguei minha bolsa, seus olhos brilharam (mais do que já brilhavam) e um sorriso bobo de criança invadiu seu rosto – Mas, eu quero algo em troca
– Sempre tem algo a mais, vocês meninos não prestam! – Você virou os olhos – Deixa eu ver, Luke!
– Menina agitada você, hein! – Falei e comecei a fazer suspense – Chã, chã, chããã, e aqui está!
Tirei da bolsa um ursinho de pelúcia marrom com uma gravata azul, vi lágrimas ameaçarem a cair dos seus olhos, você começou a rir e agarrou o ursinho. Seu sorriso naquele momento era tão puro, como o de uma criança, você ficou olhando o ursinho pro alguns segundos e depois me agarrou e me abraçou, e em pouco centésimos meu coração batia em alta velocidade.
– Obrigada, sério mesmo – Suas bochechas estavam rosadas e molhadas por causa das lágrimas – O que você quer em troca? – Você me olhou, séria.
– Bem, um beijo iria muito bem – Fiz biquinho e você se aproximou, quando sua boca estava realmente próxima da minha, você virou e me deu um beijo estalado na bochecha. Eu ri, você riu e me abraçou de novo.
– Tá, agora ele precisa de um nome… Vejamos, Monkey! – Você olhou para mim
– Sarah, ele é um urso!
– Eu sei, ai está a graça! Na ironia. Entendeu, estraga prazeres?
– Entendi, e eu não sou estraga prazeres. Bom, eu já vou indo, até depois – Falei e me dirigi até a porta com você atrás.
– Até a festa – Você me deu um sorriso de canto de rosto – E obrigada de novo, pelo Monkey
– Não foi nada, Sarah.
***
Eu e Benj já estávamos prontos para ir à festa, eu te mandei uma mensagem avisando que já estava saindo de casa, você me respondeu que havia acabado de chegar na festa.
Sempre gostei de house partys, são bem mais “confortáveis” e descontraídas, o que é legal. Já dava para escutar a música quando eu virei a esquina, haviam algumas pessoas para fora.
Eu fui atrás de você, mas antes peguei um copo de vodka para esquentar o corpo. Você estava com suas amigas e quando me viu veio correndo me abraçar.
– O nosso Monkey está muito bem! – Você disse animada, provavelmente já havia bebido um pouco.
– Nosso Monkey? – Eu perguntei
– É, já que você me deu, ele é como nosso filho adotivo – Você sorriu
– Ok, o que você bebeu? – Falei já debochando
– Um copo de vodka e dois de energético, por quê? – Você falava tudo muito rápido, estava bem agitada
– Só para saber – Respondi rindo – Não sabia que você era de beber, só toma cuidado para não ter um ataque do coração com toda essa agitação.
– Farei o possível! —Você gritava um pouco por causa da música alta – Vem, quero ver se você sabe dançar.
Algo bem animado tocava, as luzes que piscavam faziam seus movimentos parecerem mais lentos, você balançava seus cabelos enquanto rebolava, me perguntava como uma garota podia ser tão fofa e tão sexy ao mesmo tempo. Na verdade, acho que foi assim que você me conquistou, com seu jeito meio peculiar – nada de extravagancia, uma leve timidez que desaparecia com um pouco de álcool no sangue, o sorrisinho despropositavelmente malicioso, suas bochechas sempre rosadas e os olhos castanhos escuros que brilhavam sempre que você soltava uma risada histérica – e seu caráter incrível.
Dançamos pôr mais ou menos meia hora, depois você sumiu do meu campo de visão, então decidi ficar com Benj, Nate e Marcus em algum canto da casa.
Já passava dá uma da manhã, eu estava rodando a festa para passar o tempo já que não estava com muita vontade de dançar, faziam duas horas que eu não te via, mandei uma mensagem e você não respondeu. Eu estava passando pela escada quando escutei duas pessoas conversando, estava escuro então não dava para enxergar direito quem eram, e como todo bom curioso parei para escutar.
– Ei, sem levantar a saia – Uma voz feminina falou
– Você sabe como eu sou – A voz do cara falou meio ofegante – Hoje você vai ceder, não é?
– Para com isso! – A garota gritou – Por favor, Drew para com isso!
– Você já foi mais boazinha, Sarah – O cara disse malicioso. Naquele momento meu sangue ferveu, ele falava com você como se você fosse uma vadia
– Me solta! – Você gritou e choramingou – Drew, me larga!
– Vai, Sarah, como ano passado, não seja assim… – Drew falou, e aquilo foi a gota d'água para mim
– Ei, solta a Sarah! – Puxei Drew pela gola da camisa
– Luke, não se mete – Ele falou irritado – Tem bastante vadia nessa festa para você investir
Nunca gostei de Drew, ele era o típico mauricinho de merda, tratava todos como lixo e beijava a própria sombra.
– Você não a escutou gritando? – Nessa hora você estava chorando – Ela não quer!
– Essa ai? Não querer? – Ele riu ridiculamente – Acho que não, amigo
– Drew, vai embora, por favor – Você disse vindo para o meu lado
– Cade aquela Sarah? – Drew segurou seu queixo – Você mudou, o que aconteceu, hein?
– Drew, sai daqui, agora! – Eu o empurrei para longe de você, eu queria jogar ele no chão e socar aquela carinha de riquinho babaca dele. Você permanecia parada, assutada, sem dizer uma palavra.
– Entendi, você prefere o skatistazinho, não é? – Drew ria falsamente – Baixou o nível, vadiazinha! E muito!
– Vadiazinha? – Eu estava enfurecido, o joguei contra a parede e você gritou – Não é assim que se fala com uma garota, seja quem ela for!
– Calma ai! – Ele me empurrou e te olhou – Fica com esse aí, vadia! Mais um, não é? – Ele te empurrou contra mim e saiu de perto de nós bufando.
Você estava histérica, não parava de chorar. Eu te peguei e você desabou em meus braços. Eu nunca tinha te visto naquele estado, e te ver toda frágil cortava meu coração. Eu não estava entendendo mais nada, não sabia se você chorava porque Drew praticamente estava te abusando, mas não era só isso, tinha algo mais por trás de tudo que aquele babaca tinha dito.
– Sarah, que história é essa? – Estávamos sentados agora, conversando
– Não é nada, Luke – Você já tinha se acalmado um pouco, mas ainda soluçava
– Por favor, confia em mim. – Eu olhei para você – O que aconteceu ano passado? Aquilo que ele disse...
Você recuperou o ar e me olhou triste, eu odiava te ver derrotada.
– Eu não tinha a melhor fama ano passado. Fiquei com dois garotos do primeiro ano em uma festa, um deles era o Drew, e isso começou a acontecer em várias festas… — Você estava prestes as chorar novamente – Eu ficava com Drew e com algum outro cara, e ele sempre ultrapassava os limites. Depois que eu descobri que eu estava ficando com má fama, eu parei de ficar com ele e com outros caras nas festas, isso amenizou o que estavam falando de mim – Sua voz começou a ficar mais pesada – Nunca me orgulhei disso, Luke! Nunca! Eu só queria aproveitar o fato de ser solteira e os garotos gostavam do meu jeito. Eu me deixei ser usada, eu me odeio por isso! – Você voltou a chorar, eu te abracei – Eu não sou uma vadia como ele diz, não mais!
– Eu sei, Sarah. – Afaguei seus cabelos – Mas por que você deixou Drew fazer isso?
– Ele me agarrou, pensei que fosse você brincando comigo, mas quando eu vi, ele já estava me jogando para um canto, eu não consegui sair! – Sua voz passou de chorosa para irritada – Eu odeio aquele babaca! Ele consegue estragar tudo, eu ainda vou quebrar a cara dele.
Continuamos conversando por um tempo, você se acalmou e voltou a sorrir, isso me deixou aliviado. Minha vontade ainda era de encontrar Drew e arrancar aquela camiseta de marca dele e colocar em um lugar onde as coisas deveriam sair, eu já não gostava dele, mas depois daquela noite eu passei a ter ódio dele.
– Luke, obrigada – Você falou e escorou a cabeça no me ombro.
– Ahh Sarinha, eu só fiz o que era certo – Falei segurando seu rosto – Eu sempre estarei aqui, para cuidar de você, ok?
– Nunca me deixa, por favor – Seus olhos brilhavam. – Você é tipo meu herói.
– Nunca vou te deixar, prometo!
Naquela noite eu vi o quão frágil você podia ser. Normalmente você não demonstrava esse lado de fragilidade, mas eu sabia que você o tinha.
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