Notas iniciais
Heyy!! Mais um capitulo pra vocês!! Booa leitura!!

O barulho irritante do celular de Tiffany aumentava no quarto, impedindo a ela e Carlos de continuarem o tão merecido descanso depois de uma noite extrema de sexo. Ela pegou o celular com raiva da pessoa idiota que estava ligando pra ela aquela hora da madrugada. Olhou o visor e viu o nome, Daniel. O que ele quer a essa hora da madrugada, ela pensou, eram três e meia da manhã. Atendeu.

– Tiffany — ela ouviu a voz de Daniel carregada de um ódio sobrehumano — vem aqui pra minha casa agora.

Tiffany ouviu o barulho da ligação sendo cortada e pensou consigo mesma o que havia acontecido para deixar Daniel com tanta raiva. Tentou se levantar, mas foi impedida por Carlos, que segurou o seu braço.

– Onde você vai? — ele perguntou com a voz arrastada pelo cansaço

– Vou pra casa do Dani — ela respondeu aos sussurros — Ele acabou de me ligar e parece estar com um problemão.

– E você vai me deixar aqui sozinho?

– Ah, para de denguinho, Carlos. Eu volto amanha a noite, tá? — e deu um selinho em seus lábios

– Sendo assim, tudo bem — e voltou a dormir

Ela saiu pegando as suas roupas e se vestindo. Entrou na sua BMW branca e deu partida em direção a casa de Daniel.

Como ainda era bem cedo, as ruas estavam vazias, exceto por alguns drogados largados nas calçadas com as roupas sujas e velhas. O céu estava nublado e nenhuma estrela aparecia, apenas a luz da lua iluminava a cidade de Londres.

A cidade era bela mesmo mergulhada na penumbra. As casas, prédios e edifícios comerciais eram bem cuidados pelos seus donos e tinham uma beleza natural. As cabines telefônicas vermelhas, símbolo da cidade, apareciam em cada esquina. Num sinal, um ônibus vermelho de dois andares praticamente vazio esperava a luz verde.

Tiffany chegou a entrada da casa de Daniel e deixou o carro na rua mesmo. Saltou e observou a construção. Algumas janelas mostravam luzes acesas. A garagem estava completamente cheia, além dos carros de Luciana e Daniel, havia o carro de Enrique e um outro que era desconhecido aos olhos da garota.

Subiu os degraus da entrada e abriu a porta sem bater, nunca usou essas formalidades com Daniel, eram melhores amigos desde crianças.

Ao adentrar na casa, ouviu alguns gritos como se alguém estivesse discutindo lá em cima. Subiu as escadas rapidamente. Daniel era um anjo, mas quando estava irritado parecia mais um animal de tão ignorante e cruel que ficava.

Quando chegou ao final da escada, Tiffany se deparou com uma cena um tanto quanto cômica. Quatro pessoas paradas no corredor gritando umas com as outras em alto e bom som. Daniel estava ainda com a mesma roupa da hora que saíram juntos, mas seu rosto estava da cor de dar inveja a qualquer tomate. Luciana estava com um lençol enrolado em volta do corpo e chorava em quanto tentava argumentar com o marido. Atrás dela, estava um homem apenas de cueca que parecia estar prestes a matar o Daniel, só não o fazia porque haviam testemunhas. Enrique estava mais afastado do grupo segurando a pequena Julia no colo, tentendo inutilmente acalmá-la.

A visão daquela menininha aos prantos por ver os pais brigando, tirou Tiffany dos seus pensamentos para entrar na discussão.

– Mas o que diabos está acontecendo aqui? — ela chegou gritando surpreendendo Luciana e o rapaz atrás dela, Daniel já estava acostumado com os gritos da amiga e logo se pôs a responder

– Essa vadia estava me traindo com esse babaca aí na MINHA cama!

– Esse babaca aí tem nome, seu playboyzinho — o rapaz finalmente se manifestou

– Aah, e qual seria? — Daniel perguntou irônico

– Pablo dos Santos — ele respondeu, com o nariz empinado como se aquilo fosse algo de se gabar — Filho do maior traficante do Brasil. Com medo, filhinho de papai?

– Meu pai está morto — Daniel falou entre dentes, com uma voz baixa repleta de um ódio ainda maior do que antes, se é que isso era possível

Foi então que Tiffany entendeu. Dos Santos, maior traficante do Brasil... Não, não podia ser.

Antes que ela pudesse fazer alguma coisa, Daniel foi para cima de Pablo com as mãos fechadas em punho e deu-lhe um belo soco no rosto. Foi aí que o inferno começou.

Daniel e Pablo se batiam e socavam, enquanto Luciana só sabia chorar e gritar pedindo para os dois pararem. Enrique veio correndo, deixando Julia no colo de Tiffany, e tentando apartar a briga.

Finalmente, depois de vários gritos e socos, os dois se separaram. Daniel tinha um corte no lábio inferior e alguns hematomas nos braços, e Pablo estava com um olho começando a inchar e ficar roxo e o nariz sangrando. Enrique não havia se envolvido muito na briga por isso só tinha o cabelo grande e cacheado bagunçado.

– Luciana, vai embora e leva esse cara com você — Enrique pediu e Luciana foi correndo para o quarto com Pablo nos seus calcanhares, poucos minutos depois os dois voltaram já vestidos.

Pablo passou direto sem olhar para qualquer um, já Luciana parou e olhou para Daniel com os olhos inchados e vermelhos. Ela parecia prestes a dizer alguma coisa, mas foi impedida por Tiffany, que sabia que qualquer pedido de desculpas seria recebido aos berros por Daniel.

– Lu — ela começou — é melhor você ir embora.

– Tudo bem — ela murmurou e saiu andando

Os três amigos ficaram em silêncio até ouvirem os carros deixarem a propriedade. Enrique e Tiffany queriam fazer alguma para acalmar o amigo, mas não faziam ideia do que falar.

– Obrigado por vocês terem vindo — Daniel murmurou indo para o quarto com a cabeça baixa

– Dani — Tiffany chamou — você precisa de mais alguma coisa?

– Não precisa se preocupar, não, Tiff — ele respondeu ainda cabisbaixo

– Qualquer coisa a Tiffany pode ficar aqui com você — Enrique ofereceu, recebendo um tapa de Tiffany e uma risada de Daniel

– Não precisam se preocupar, gente — Daniel falou, com um pequeno sorriso brincando no canto de seus lábios — Eu não vou me jogar pela janela, nem nada parecido.

– Ah, agora que eu não te deixo sozinho mesmo — Tiffany brincou — Já pensou na manchete? Jogador da partida é encontrado morto por ter pulado da janela de sua casa.

Os amigos riram da piada da menina, e era ótimo ouvir a risada de Daniel, saber que ele estava mais calmo.

– Bom, mas me deixa pelo menos ajudar com essa bagunça — falou Tiffany, e logo continuou quando Daniel ameaçou protestar — Não adianta reclamar! Eu vou colocar a Julia pra dormir e depois vou te ajudar com esse machucado.

Ela saiu andando com Julia no colo em direção ao quarto da menina. A pequena parecia estar mais calma, mas ainda soluçava um pouco e suas bochechas estavam molhadas por causa das lágrimas que antes escorriam por ali. Tiffany ninou a menina e a colocou para dormir no berço. Ficou apenas olhando a menina dormir.

Tinha inveja de Luciana. Ela tinha tudo que poderia querer: um marido que a amava mais que tudo na vida, uma filha linda e dinheiro para comprar tudo que quisesse. Era uma vida perfeita aos olhos de Tiffany, mas pelo visto não era o suficiente para ela.

Foi em direção ao quarto de Daniel no final do corredor e entrou sem bater. O quarto estava vazio, ele deve estar no banheiro, pensou. Foi até lá. Abriu a porta e viu Daniel sem camisa observando o machucado pelo espelho.

Nunca havia reparado muito nele, mas naquele momento se permitiu admirá- lo. A calça jeans estava meio larga e deixava aparecer a barra da cueca boxer preta. O tronco todo definido, devido aos anos de treinamento na base do Botafogo e depois no Chelsea e na Seleção Brasileira, levava ao pescoço e ao seu belo rosto. A boca fina, o nariz meio arrebitado, os olhos castanhos que sempre olhavam tão profundamente tudo e o cabelo... Ah, aquele cabelo preto cortado bem rente dos lados e um pouco maior na parte de cima. Que vontade de enrolá-los nos meus dedos, pensou.

Não percebeu que o olhava com a boca entreaberta, admirando o que via e ele já havia percebido.

– Tiff? — Daniel chamou — Está tudo bem? — não pode conter o sorriso ao vê-la pular ao perceber o que estava fazendo

– Tá, tá tudo bem, sim — ela respondeu meio sem graça — Éh, e você tá bem?

– Tô melhor — ele respondeu em meio a uma risada

– Bom... Então eu já vou. Tchau, Dani.

Se aproximou dele para beijar-lhe o rosto, mas antes que o fizesse, Daniel virou o rosto fazendo com que o beijo se tornasse um meio selinho.

Tiffany sentiu suas faces corarem e saiu correndo do banheiro, descendo as escadas e entrando logo no carro, deixando um Daniel risonho olhando para a porta por onde a amiga havia saído.

Enquanto dirigia em direção ao hotel no qual estava hospedada, Tiffany repassou na mente o que havia acabado de acontecer. Nunca corou por causa de um beijo. Mas aquele não era um simples beijo, foi um beijo de Daniel, seu melhor amigo desde a infância. Ela o considerava um irmão e pensava que ele também a considerava uma irmã.

Parou o carro na garagem do hotel, saiu andando e entrou no elevador vazio. Se olhou no espelho e não pôde se conter quando tocou os lábios com as pontas dos dedos. Daniel podia ser tudo que Tiffany pensou, mas o gosto do beijo dele era delicioso...

Enquanto isso, deitado na cama, Daniel também repassava o seu dia cheio de altos e baixos. Depois de classificar seu time para o maior campeonato da Europa, encontrou sua mulher na cama com o filho do homem que matou seu pai. Só de se lembrar da imagem daquele homem sua raiva queimou e suas mãos fecharam em punhos. Mas então se lembrou do que acabara de acontecer e sua raiva diminuiu. Nunca pensou em beijar Tiffany, mas aquela foi a melhor decisão que tomou no dia inteiro.

Notas finais
Geente, vim fazer um pedido pra vocês, tenho sete leitores e no capítulo passado não tive nenhum review. Eu preciso dos reviews para saber a opinião de vocês. Beiijos!! =3