Notas iniciais
Booa leitura!!

Daniel chegou até o cartório com os nervos a flor da pele. A tenção que emanava dele era palpável.

Enquanto saía do carro e entrava pela grande porta da frente, muitas pessoas o observavam, provavelmente o reconhecendo de algum programa esportivo, mas tinham medo de perguntar por causa da sua cara.

Entrou fazendo um estrondo e chamando a atenção de todos os presentes. Um menininho com a camisa da seleção inglesa, o olhou de cara feia, por Daniel ter sido responsável pela saída da sua seleção na Copa.

Chegou ao balcão e encarou a senhora ali sentada. Devia ter cerca de 50 anos e não parecia reconhecer Daniel, que logo fez questão de falar a que veio.

– O doutor Giovanni está? — perguntou se segurando para manter a voz estável ao perguntar de seu advogado — Sou cliente dele e preciso falar com ele.

– Qual o nome do senhor? — perguntou a senhora

– Daniel. Daniel Cardoso.

– Aguarde um instante — se levantou e foi até a porta atrás de sua cadeira

Alguns minutos depois, a senhora voltou e foi falar com Daniel.

– O doutor Giovanni pediu para que o senhor o esperasse lá fora, que ele já virá encontrá-lo.

– Tudo bem, obrigado.

Daniel saiu do cartório e foi até seu carro esperar o advogado. Estava tentando se acalmar para não acabar brigando com Giovanni.

Uns quinze minutos depois, um homem de meia idade saiu do cartório e foi em direção ao carro de Daniel. O homem era baixinho e com uma barriga saliente que fazia os botões do paletó parecerem prestes a explodir. O cabelo mais branco do que outra coisa, estava ralo na cabeça.

– Daniel, você por aqui? — cumprimentou o advogado — Aconteceu alguma coisa?

– Na verdade, aconteceu, sim, Giovanni — respondeu Daniel, saindo do carro — Eu quero pedir o divórcio.

– O quê? Por quê? O que aconteceu entre você e a Luciana?

– O problema é o que aconteceu entre ela e outro cara.

– Ela te traiu? — perguntou Giovanni, exasperado

– Na minha cama — respondeu Daniel

– Vamos entrar, que eu vou separar toda a papelada e chamar a Luciana pra assinar.

Os dois entraram novamente no cartório. Dessa vez Daniel estava mais calmo, mas ainda sim chamou atenção. Algumas pessoas que estavam ali antes, pareciam reconhecê-lo depois de olharem-no outra vez.

Giovanni foi até uma porta ao lado do balcão. Abriu-a e deu passagem para que Daniel entrasse e entrou logo em seguida. Os dois se sentaram e o advogado pegou o telefone para ligar para Luciana.

– Luciana, é o Giovanni, advogado do Daniel — falou Giovanni quando a chamada foi atendida — preciso que a senhorita venha a meu escritório imediatamente, tudo bem? Ótimo. Até mais.

– E então? — perguntou Daniel, assim que o homem desligou o telefone — Ela já está vindo?

– Disse que chega aqui em alguns minutos, já estava por perto e que queria falar com você.

– Falar o quê?

– Eu não sei, mas ela parecia irritada.

Daniel revirou os olhos como se dissesse que não era ela que deveria parecer irritada e sim ele e se ajeitou melhor na cadeira para esperar a sua futura ex-esposa.

[...]

Luciana dirigia seu carro em direção ao cartório, sentindo a raiva subir a cabeça. O que Daniel estava pensando ao deixar sua filha em casa e sair para aquele maldito treino?

Dane-se que aquele era o trabalho dele, era obrigação dele cuidar da filha e não deixá-la com os empregados. Ele era o pai dela!

Olhou para trás e viu a menina sentada na cadeirinha, com os olhos quase totalmente fechados de sono. Aquele idiota também devia ter deixado ela acordada a noite inteira.

Céus! Só uma noite fora de casa e Daniel já fazia aquilo com a sua filha e ainda tinha coragem de chamá-la para o cartório. Ele ia ouvir poucas e boas.

Luciana estacionou seu carro na frente do cartório e desceu levando Julia consigo. Entrou e foi logo em direção ao balcão pedir que a levassem até a sala do doutor Giovanni.

A secretária a levou até a mesma porta pela qual Daniel e o advogado entraram mais cedo e a abriu para que a mulher entrasse.

Luciana entrou e encontrou Giovanni sentado mexendo no laptop e Daniel afundado na cadeira com o celular na mão. Assim que ouviram a porta se abrir, os dois se viraram para a mulher que entrava ali.

– Por que você trouxe a Julia? — foi a primeira coisa que Daniel pôde pensar em perguntar. Deixara sua filha com Anne, por que ela estava com Luciana?

– Estou cuidando da minha filha, coisa que pelo visto você não se importou de fazer e foi para aquele estúpido treino.

– É, eu deveria ter ficado em casa a ir pro treino e encontrar aquele babaca com quem você estava transando ontem — respondeu Daniel, com tom de ironia

– Não chame o Pablo de babaca! Ele é muito mais responsável que você. Aposto que ele nunca deixaria a filha sozinha! — Luciana gritou assustando a menina no seu colo

– Aposto que ele também nunca pegou a mulher traindo ele na cama dele — respondeu Daniel na mesma altura, se levantando da cadeira onde estava sentado

– Se acalmem, vocês dois — pediu Giovanni, sendo obrigado a se levantar também — Vão chamar a atenção de todos no escritório. Olhe o estado da Julia!

A menina chorava no colo da mãe, parecia entender que seus pais estavam brigando por alguma coisa muito séria. Mesmo com seus poucos meses de vida, ela sentia a raiva saindo do dois.

– Foi mal, Giovanni — pediu Daniel se sentando novamente de frente para o advogado e tentando normalizar a respiração

Luciana se sentou na cadeira ao lado de Daniel, chegando-a um pouco para o lado, mostrando que queria distância dele.

Daniel nem percebeu a ação dela, tentava ao máximo pensar em coisas boas, era o que o psicólogo do Chelsea o mandava fazer quando estava nervoso. Se pegou lembrando da ida ao Teatro Municipal no Rio de Janeiro.

– Flashback on -

O menino tentava a todo custo passar pelos adultos que entravam pelas grandes portas. O ingresso de cortesia dos atores estava todo amassado entre os dedos dele.

Finalmente ele conseguiu chegar à porta, mas ainda havia um obstáculo, um enorme homem vestido com terno preto e usando óculos escuros, mesmo estando um dia nublado.

– Menininho — chamou o homem, que Daniel julgou ser um segurança — Cadê seu ingresso?

– Tá aqui — respondeu o menino, entregando o ingresso pro homem

– Cortesia, hã? — falou o homem com tom irônico — De quem você roubo... Digo pegou isso?

– A Tiffany me deu, ela é minha amiga.

– Aham... Tudo bem. Entre.

Daniel entrou, passando pelo segurança, sen ligar muito pelo fato dele o ter chamado de ladrão. Foi até uma cadeira bem na frente do palco, para ver a amiga de perto.

As luzes se apagaram alguns minutos depois e as cortinas foram abertas. Um narrador anunciou a peça, 'Sonho de uma Noite de Verão'.

Vários jovens e adolescentes entravam e interpretavam seus papéis e Daniel procurava por Tiffany sem sucesso.

Depois de algumas cenas, a menina finalmente apareceu, vestida como rainha das fadas, bela e imponente, falava cada palavra com emoção e clareza.

A peça acabou e a platéia aplaudiu de pé. Daniel gritava e assobiava para a amiga, muito orgulhoso dela, que desceu ao encontro do amigo.

Os dois se abraçaram e comemoraram a apresentação.

– Você foi incrível, Tiff. Foi de mais!

– Você achou, Dani?

– Claro! Foi tudo incrível! Você principalmente!

Tiffany sentiu o rosto corar com o elogio do amigo e não pôde deixar de abraçá-lo de novo. Logo depois o soltou, ao ver os pais chegando.

– Muito bem, Tiffany — disse o senhor Harrison, sem qualquer sorriso no rosto, apenas a clássica face séria

– Tiffany, você não acha que poderia ter feito a cena da entrada mais dramática? Ficaria muito melhor, eu faria assim — comentou a mãe de Tiffany, fazendo com que a menina ficasse com mais raiva dela

– Mãe — ela respondeu tentando manter a voz estável — a cena não é dramática, ficaria péssima se eu a fizesse assim!

– Tiffany, respeite a sua mãe — repreendeu seu pai

– Ah, pai, vai se ferrar!

E com isso, Tiffany pegou o braço do amigo e o saiu puxando pelo teatro, saindo de lá para o lugar mais longe de seus pais.

– Tiffany — chamou Daniel — você tá louca? Seus pais vão te colocar de castigo por um ano!

– Se o castigo for ficar sem ver a linda cara da minha mãe e a brilhanteza do meu pai, eu vou é ficar muito feliz.

– Ninguém merece, Tiff...

– Flashback off -

– Daniel — Giovanni chamava o rapaz sentado a sua frente com um sorriso bobo no rosto — Daniel, o que você acha desse acordo?

– O quê? — perguntou Daniel, ainda abobado por causa da lembrança

– Eu estou perguntando o que você acha do acordo de que a Julia ficaria com Luciana a semana inteira e com você aos finais de semana, exceto os que você tiver jogo — respondeu Giovanni, como se falasse com uma criança

– Você quer dizer que eu não vou ficar com ela nenhum final de semana? Eu tenho jogo quase todo domingo!

– Essa é exatamente a ideia, querido — respondeu Luciana, em tom irônico

– Olha aqui, Luciana, eu...

– Daniel, se acalma! Luciana, você também — Giovanni pediu — Daniel, que tal se a Julia passar todos os sábados com você?

– Tem outro jeito — Giovanni negou com a cabeça e Daniel suspirou — Tudo bem.

Os dois assinaram os papéis do acordo e saíram cada um para o seu lado. Luciana foi para a casa de Pablo e Daniel ficou sentado no carro por alguns minutos antes de decidir o que fazer. Pegou o celular e discou um número.

– Tiffany, me encontra no bar perto da minha casa, temos que conversar.

Notas finais
Reviews?? Beijos!! =3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.