Melancolia, e a arte de amar
3 Capítulo 3
Notas iniciais
POV: Albert
Minha mãe não gosta quando eu deixo a minha cama desarrumada, e lembrei-me disso exatamente na saída da escola, e provavelmente ela já tinha chegado em casa. Ela estoura comigo às vezes, e aposto que os vizinhos ouvem os gritos dela...
Fui ouvindo The Beatles enquanto voltava para casa, o metrô não estava tão cheio. Reparei na senhorinha que estava sentada de frente para mim. Olhava tanto para o meu cabelo bagunçado, e o mp3 todo suado. Com um olhar intrigado, segurando sua bolsa bem perto do peito, devia estar me achando algum marginal, até que tirei um livro da mochila, tirei a touca que eu sempre usava, e dei um sorriso para ela. Ela retribuiu e foi acomodada o resto da viagem, que devia durar uns vinte minutos. Só não gosto de ver pessoas atordoadas ou incomodadas por minha causa.
Cheguei, minha mãe estava parada na cozinha olhando pra mim como um policial olha para um ladrão.
– Senhorzinho... Por acaso eu vi uma cama desarrumada lá em cima? — penetrou os olhos azuis em mim.
– Desculpe Dona Maud, só esqueci desta vez. — a chamar pelo nome, e não por "mãe" a deixava irritada, e fazia isso brincando.
– Vá arrumar Bert... — meu apelido — Agora, e lave as mãos antes de comer algum biscoito antes do almoço. — minha mãe tem olhos biônicos...
Subi as escadas lentamente, por que as tábuas rangiam muito e o barulho me incomodava. Entrei no meu quarto e me deparei com uma cena muito cotidiana: meu gato Oliver tinha rasgado meu trabalho de Matemática. Ótimo, era para amanhã, e ele estava pronto desde semana passada, ainda bem que eu tinha uma cópia dele no Word do meu computador. Amo meu gato.
Arrumei a cama, ajeitei o quarto que não estava lá tão organizado, e desci para almoçar. O cheirinho do molho da carne estava indo lá no meu quarto.
– Mãe, por que deixou o Oliver entrar no meu quarto? Ele comeu meu trabalho.- perguntei me sentando na mesa.
– Ora, quem toma conta das suas coisas não sou só eu, e eu também não tive culpa, não estava em casa.
POV: Emma
Cheguei e meu pai não estava em casa, o que não era NENHUMA novidade. Fui preparar o meu almoço, e o do meu pai. Por mais que ele fosse um imprestável ainda era meu pai, e foi ele quem me criou, tudo errado mas foi.
Terminei de almoçar fui para o meu quarto, era o melhor lugar da casa, depois da cozinha é claro. Uns dez minutos meu pai chegou, levemente embriagado, e começou a falar.
– Eu não acredito... Nessa merda.
– Que é agora? — gritei do meu quarto, e fui até a cozinha.
– Você deixou seu copo em cima da pia. Eu não deixo meu copo em cima da pia.
– Claro que você não deixa, ele nunca sai da sua mão! Está sempre cheio de bebida, você não cansa Rick? — eu o chamava pelo nome quando queria irritá-lo.
– Eu não quero saber!
– Se a mamãe estivesse aqui, você não seria assim. — baixei a cabeça.
– CALA A BOCA! CALA A BOCA! — gritou — NÃO QUERO QUE VOCÊ FALE DA SUA MÃE NUNCA MAIS NA MINHA PRESENÇA ENTENDEU!? NUNCA MAIS! — se jogou no sofá e começou a chorar como uma criança, pensei em abraçá-lo, mas ele nunca fez isso comigo, então voltei para o quarto.
POV: Rick
Por que ela sempre toca no nome da mãe dela? O que eu posso fazer para mudar? Só sabe reclamar e nunca faz nada dentro de casa. Vive saindo com os amigos e chegando tarde. Talvez eu tenha errado na hora de sua criação, e talvez ela faça isso para esconder as mágoas e os buracos que sua mãe deixou quando foi embora anos atrás.
Eu amava aquela mulher, mas, naquele dia, fui parar na cadeia por uma coisa que eu não tinha feito, o meu colega de trabalho roubou o cofre da empresa e colocou a culpa em mim. Annie, pensou que era verdade e foi embora depois que eu fui solto. Mas ela deixou a menina comigo, Emma era tão inocente na época, apenas seis anos. Não entendeu o motivo de sua mãe a ter deixado.
Depois disso eu errei muito na criação dela, nunca dei a atenção que realmente merecia, ela ficou jogada, a obriguei a ir para a escola todos os dias, a educação que eu não dei ela teve lá. Eu sei que ela faz o que pode para manter a casa e a nossa vida balanceada, eu estou tentando não ser despedido do meu emprego, mas um alcoólatra não consegue se conter sem ajuda, e eu não tenho ajuda, eu não sou um pai que não liga pra ela, eu só não demonstro. Eu sou um péssimo pai.
Me levantei do sofá e cambaleei até o quarto dela.
– Filha...? — perguntei abrindo a porta.
– Já disse para não entrar no meu quarto sem bater! Você é muito idiota! — bateu a porta na minha cara, eu pude ver como ela chorava.
POV: Albert
Terminei de almoçar e subi para o meu quarto. Enquanto eu imprimia outro trabalho de Matemática, entrei no Facebook, e Emma havia me chamado.
Chat:
Ela: Ei, desculpe não ter respondido ao seu SMS, estava na aula de Física e depois me esqueci que tinha falado comigo.
Eu: Okay, nossa, dá pra ver como se importa, se esqueceu de mim.
Ela: HAHA... Por que tenho que me importar com você se te conheci há dois dias?
Eu: Porque eu sou um cara muito legal, que gosta das mesmas coisas que você e sou seu amigo.
Ela: Bom, já que disse, agora é meu amigo então.
Eu: Então não me considerava um?
Ela: Não muito... Mas agora vou poder encher o seu saco a hora que eu quiser.
Eu: E eu vou responder quando eu quiser. Posso até esquecer de você.
Ela: Eu não me importaria, tenho outros amigos.
Eu: Foi grossa?
Ela: Não.
Eu: Vamos parar, não quero discutir com você.
Ela: Ainda não estamos?
Eu: Quer parar? hehehe... Então... como está?
Ela: Mal e você?
Eu: Estou bem, por que está mal?
Ela: Meu pai é um traste.
Eu: Ah... Do tipo?
Ela: Alcoólatra bobão que sofre por sua esposa ter ido embora.
Eu: Entendo. Não sofre por sua mãe?
Ela: Não quero falar sobre.
Eu: Tudo bem, te respeito, mas algum dia vai me dizer.
Fim de chat.
POV: Emma
Albert quer entrar na minha vida de um jeito ou de outro...
Ele parece se importar bastante com as pessoas ao seu redor. Deve ser mais um protetor.
Bob me chamou para andar um pouco pelo bairro eu eu fui, precisava esfriar a cabeça e ficar bem.
– Por que essa carinha Em?
– Nada. — ele me abraçou. — Por que fez isso? — perguntei.
– Quando alguém está mal, e você perguntar o motivo, e essa pessoa responder "nada", apenas a abrace. — disse naturalmente.
– Você é meu melhor amigo. — sorri.
– Igualmente então. — Bob tinha um jeito de ser tão próprio. Isso era tão bonito, e tão peculiar.
– Onde vamos?
– Não sei, onde quer ir?
– Vamos para uma festa? — eu disse animada. — Sabe de alguma por aqui?
– Sim, boa ideia vamos. — entramos no carro.
– Qual festa?
– O Brad Temps, está dando uma festa e chamou a escola toda, lembra?
– Verdade! Vamos pra lá!
Fomos até a casa do Brad, ele era o capitão do time da escola, muito bonito e rico, já fiquei com ele, mas... Hoje somos só amigos.
A escola inteira estava na casa dele, se não era todo mundo, tinha faltado apenas umas dez a quinze pessoas, porque eu conhecia todos.
Tinha mais bebida do que comida, o que não era lá tão animador. Mas fora isso a festa estava ótima.
Eu e Brad encontramos Angelina, que estava com seu namorado e logo conseguiu fica sozinha com ele.
Dancei demais, muito mesmo. Chegaram alguns caras em mim mas não quis ficar com gente feia naquela noite.
Até que chegou um garoto, devia estar um ano acima do meu, eu não lembro, mas sei que já tinha visto ele antes lá na escola. Pediu pra ficar comigo, olhei bastante, não pensei muito. E nos beijamos. Foi bom, mas achei ele muito desesperado, não gosto de beijos assim.
Fale com o autor