Melancolia, e a arte de amar
12 Capítulo 12
Notas iniciais
POV: Emma
O ficante do Bob liberou sua linda casa para uma "social", pensamos que não ia dar tanta gente. Léo é uma boa pessoa, e parece que nosso amigo está realmente gostando dele, mas acho que não vai dar em nada sério, Bob não é muito fiel em relação à isso.
Eu tinha que confessar que não estava nada bem. Por fora, meu sorriso falso enganava algumas pessoas, acho que nem Angelina percebeu o que estava acontecendo, bom... Não dá pra perceber nada disso quando o Eduardo não tira a língua de dentro da garganta dela, argh, às vezes me dá até nojo.
Bob sumiu, até imagino onde ele esteja, nem vou ficar preocupada. Peguei algo para beber e me encostei na parede. Albert veio em minha direção sorrindo de lado. Ah não.
— Curtindo a festa? — perguntou.
— Não muito, e você? Ah, nem precisa responder, pela sua cara já beijou alguma garota indefesa. — ri.
— Acertou Eminha, — abriu um sorriso enorme — mas dei um "olé" nela pra não precisar passar meu telefone. Ugh.
— Nossa, você é mau, haha. Foi tão ruim assim?
— Ela me mordeu! E era grudenta, não gosto disso. — gargalhou.
— Seu sem coração...
— Acho que o sem coração aqui não sou eu...
— Não começa com este papo. Sério, só quero me distrair, ficar um pouco sozinha.
— Ô criança, vamos iludir pessoas juntos. É foda ficar sozinho. — me puxou pelo braço e me levou até a pista de dança.
Não sabia que ele dançava, tá, não dança bem, mas pelo menos o Albert é divertido, me faz ficar bem quando está por perto. Adoro esse menino.
De repente, tudo ficou embaçado. Eu cambaleei para trás, Bert segurou minha mão, eu lutei para não desmaiar. Ele me levou até uma cadeira, o ouvi chamando o Seiky e o resto do pessoal, e depois disso, capotei.
Não sei se era um sonho, mas eu estava em um lugar preto, era só eu, caída no chão, me vendo. De repente, ouço uma voz ecoar, mas eu não sabia de quem era, não sabia nem se aquilo tudo era verdade, meu Deus, eu estava ficando louca de vez?
A voz, que não decidia ser grossa ou fina, me dizia para parar, desistir de tudo e lutar para conseguir chegar e salvar as pessoas. Tudo ficara escuro novamente, e acendeu-se uma luz muito forte, no centro da sala e eu vi todos os meus amigos amarrados à uma cadeira, presos e machucados. Me doeu muito, e a voz começou a falar:
— Nada nem ninguém, a não ser você vai tirá-los daí, Emma. Depende de você e sua mente, controle seus pensamentos, seus medos, e tudo aquilo que te distrai. A vida deles está em suas mãos a partir de agora, no seu mundo... Você controla.
E acordei no hospital. Angelina estava conversando com Eduardo do lado de fora do quarto, e eu estava presa à uma seringa de soro. A gótica logo viu que eu acordei, entrou rapidamente no quarto, ela estava com cara de preocupada.
— Em! Graças a Deus! — me abraçou — Você está bem? — perguntou olhando dentro dos meus olhos.
— Sim, só me sinto meio fraca. Mas... Angel, ontem, quando eu desmaiei, oh eu não me lembro bem. Tive um sonho esquisito.
— Ontem? Srta. Flint, você está aqui faz uma semana! — disse Eduardo afastando seus cabelos azuis da testa.
— COMO!? — me assustei, nessa hora, o médico entrou, já o tinha visto antes, era um bom doutor, com uma ótima reputação na cidade.
— Acalme-se por favor Emma... Você entrou em um pequeno coma, pensamos até que ficaria inconsciente por mais tempo.
— Mas, foi só um desmaio, eu não costumo ficar tanto tempo assim desacordada.
— Bom, mas não foi grave, foi por causa da anemia, acredito que se cuidou, não é? — perguntou ele. Eu não disse à ninguém que estava com anemia, nem ao meu pai, que não sei por quê, acabara de chegar no quarto.
Angel, Eduardo e meu pai brigaram comigo por não ter avisado sobre, só não queria preocupar as pessoas, não queria deixar isso me atrapalhar, estava me cuidando, procurando comer melhor e correr por aí a tarde. Não se preocupe, não sou dessas que me corto ou coisa do tipo, não. Odeio sentir dor.
Fui para casa, e sabia que as coisas ainda iriam piorar, mas eu estava preocupada mesmo era com o sonho, de noite poderia descobrir como estava lá (meu mundo).
— Emma Flint, anemia? ANEMIA E VOCÊ NÃO ME DISSE NADA!? — gritou Rick, não estava bêbado.
— Me desculpe, não queria te preocupar. Não grite comigo!
— Não queria me preocupar? Eu sou seu pai, preciso saber do que acontece com você, com sua vida...
— Para de fingir que se importa, você não se importa nem com você! Você é muito incompetente. — subi para meu quarto e tranquei a porta, meu celular vibrou, Bert ligando.
Disse que viria aqui, e que estava feliz em saber que eu finalmente tinha acordado.
Ele chegou, estava bonito, sei lá, só observei isso, ele é bonito... Só nunca reparei tanto. Usava uma calça jeans, um moletom da banda Kiss, e sua inseparável touca preta. Me abraçou forte, mostrou preocupação, e ficou decepcionado em saber que eu não o avisara sobre minha anemia, mas me desculpou.
Fomos até um monte, não muito alto, bem perto do Hot Coffee.
POV: Albert
— Você não vai mesmo me contar qual é este lugar para onde você vive indo? — eu questionei.
— Já disse que não posso. Ainda não tenho total confiança em você. — e olhou para o céu.
— Vamos lá Em, pode confiar em mim, sou seu amigo, já fiz tanta coisa por você.
— Te conheço a pouco tempo, aliás, não te conheço totalmente. — acendeu um cigarro.
— Não fume. — tirei de sua boca — E, geralmente, confiança é conquistada por ações, e não por tempo.
— Ah Bert, você sempre diz a coisa certa, parece um filósofo, ou poeta. Sei lá. Te adoro, sabia?
— Eu também! — sorri. Então lembrei do livro que li semana passada, e como as personagens se beijaram do nada... Então eu a beijei. Não foi tão longo, foi calmo, doce. Ela não evitou.
— Você beija bem Larsen. — comentou logo após.
— Eu sei. — ri, sem graça.
— Você tá vermelho, — gargalhou — isso é muito fofo.
— Ah para. Meu Deus, sou idiota...
— Ué, você não fica vermelho "pegando" suas garotas nas festas. Aliás, você as trata muito mal.
— Me desculpe por isso, e você disse certo, eu trato elas mal, mas você não é como elas, não vou te tratar assim, sabe que não.
— Isso não muda nada entre nós Albert, esse beijo.
— Que droga! — rimos — Pelo menos te conquistei.
— Quem disse? — riu — Só deixei você me beijar porque... É bonito. — gaguejou.
Então Emma me achava bonito? Interessante. Ficamos conversando o resto da tarde, Foi aí que lembrei que ela não havia me dito o lugar misterioso e o grande problema do qual ela e Bob viviam falando.
— Espera, não vai me contar sobre o lugar? Eu te beijei... — insinuei.
— Por que acha que me beijar faria eu te contar sobre, ou confiar mais em você? — perguntou meio irritada. Provavelmente estava cheia do assunto.
— Simplesmente porque se eu fosse um estanho não te beijaria.
— Eu beijaria um estranho.
— Duvido você beijar o vendedor de hot dog do Hot Coffee.
— Feito, vamos lá. — ela se levantou e saiu correndo até à lanchonete. Eu estava começando a ficar assustado.
Ela estava convicta de que iria beijar o cara gordo e nojento do estabelecimento, logo após me beijar. Emma é louca. Que grande absurdo, quer dizer que a gente ter se beijado não significou realmente nada para ela? Eu sou um merda, né? Ela me faz parecer ainda mais trouxa agora.
— Olá! — se dirigiu ao Alan, o cara gordo.
— Hey Emma, quanto tempo não te vejo por aqui. O que vai querer hoje? — perguntou enquanto atendia o pedido da mesa 6.
— Bom, é o seguinte, meu amigo Albert aqui duvida que eu teria coragem de te beijar, então eu vim até aqui fazê-lo. — ela explicou naturalmente, e ele, claro, ficou de boca aberta.
— C-como assim? Você vai me beijar? — perguntou confuso.
— Isso, aqui e agora, a não ser que você não queira. — claro que ele queria!
— Hum... Okay! — e arreganhou o bico gordo cheio de gordura de batata-frita velha para ela, que só fechou os olhos com um pouco de receio e...
— PARA! — eu interrompi — Era brincadeira, eu não vou suportar ver você beijar esse cara. Vamos embora. — a puxei para fora de lá, ela saiu rindo aos montes. E foi assim que o atendente do hot coffee me odiou para sempre.
POV: Emma
E eu tinha feito o Albert ficar nervoso de novo. Ponto para mim. Ele me deixou em casa, já era bem tarde.
— Então, isso não mudou nada entre nós? — se apoiou no muro.
— Que nós? — brinquei — Continuamos amigos, pelo menos até você conseguir me conquistar. E até isso acontecer, eu vou continuar ficando com vendedores de comida. — eu disse e ele riu.
— Você é doida. — me olhou com estranheza.
— Até mais meu lindo. — abri a porta.
— Por que ache que vou demorar a te conquistar? — perguntou.
— Por que você é panaquinha... E lerdo. Agora vai embora! — fechei a porta e ouvi sua risada do lado de fora, deve ter ficado com a maior cara de bobo.
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