Melancolia

3 Capítulo 3


Estava em meu quarto colocando meu pijama, por sorte eles deixa você colocar um pijama que trouxe consigo.

— O chuveiro esta gelado. — Diz Oliver saindo do banheiro passando a toalha em seu cabelo, e deixando a mostra o resto do seu corpo.

Seu abdômen é incrivelmente trincado e faz uma descida perfeita até seu pê...

Me foco no que tenho que dizer.

— Porra Oliver, já conversamos sobre isso. — Falo me virando para o outro lado.

— Tanto faz. — Ele da de ombros.

Espero alguns minutos antes de me virar, ele já havia colocado o short.

Agora tem uma cama em cada lado do quarto, e apenas um banheiro, mas não posso reclamar, já que Oliver consegue ser mais organizado que eu.

Desde essas ultimas semanas que ele chegou temos nos falado mais, ele é um cara legal, mas não fala o porquê esta aqui.

— Boa noite sunshine — Diz Oliver sorrindo para mim. — Se precisar de companhia a noite sabe onde se dirigir.

Eu não consigo controlar meu pequeno sorriso.

— Cala boca.

Deito-me na cama e meu pensamento vai diretamente para o meu pai. Hoje faz um mês oficialmente que ele não da sinal nenhum. Por um lado estou triste, mas pelo outro penso que deve estar acontecendo alguma coisa boa demais na vida dele.

Viro-me para Oliver e o vejo jogando uma bola de beisebol para cima e esperando a cair para continuar.

— Você tem família? — Pergunto.

— Tinha uma irmã. E você?

— Acho que ainda tenho um pai.

Ele ri.

— Já não entra em contato com você? — Ele pergunta friamente.

— Não, faz um mês hoje.

Ele para de jogar a bola para cima e se vira para mim.

— Amanhã a gente tenta fazer contato com ele.

Dessa vez sou eu que rio.

— Como Oliver? — Pergunto.

— Amanhã te conto o plano. Só resta dormir agora. — Ele fala e se vira para a parede.

Fico encarando as costas dele e depois acabo pegando no sono.

Olho no relógio e ainda são 07h30min. Eles nos acordam as 08h30min.

Troco de roupa, escovo meus dentes e pego minha marca registrada: meu cachecol.

— Oliver. — Digo indo em sua direção. — Acorda. Já podemos colocar seu plano em ação?

— Luci... — Ele se vira e apenas me olha, em seguida passa a mão pela minha cintura e me joga sobre ele. — Esta tão cedo, vamos dormir mais um pouco.

Consigo sentir a forte mão dele sobre mim, seu cabelo bagunçado e seus olhos azuis como o oceano. Respiro fundo.

— Vamos agora vai, ainda esta cedo, vai estar mais vazio para fazer o que lá você planeja. — Falo tentando desviar os olhos dos dele.

Ele levanta o outro braço dele e joga um fio de cabelo atrás de minha orelha.

Ele é incrivelmente sexy. Consigo perder o foco rapidamente com ele.

Mas me levanto.

— Tudo bem, me dê 10 minutos. — Diz ele se levantando e indo ao banheiro.

— Vamos colocar o plano em prática. — Diz Oliver com a voz maliciosa. — Como ainda esta cedo só vai estar a Cristina na recepção, eu a chamo e falo que tem alguém passando mal. Ela não vai negar socorro. Você pega o telefone e liga para o seu pai. Temos 5 minutos até ela perceber que estou inventando, então seja rápida. Fica aqui no banco no corredor, quando eu passar com ela você vai.

— Entendi, pode ir. — Falo e logo Oliver começa andar.

Não demora muito até que ele e Cristina passem por mim, ele me olha e pisca.

Espero eles saírem do corredor e vou rapidamente para a recepção. Pego o telefone e começo a discar o número do meu pai.

Apenas chama.

Tento ligar novamente.

— Alô? — Diz uma voz feminina.

— Oi, é... Aqui é da Psiquiatria, gostaria de falar com Andrew. Aliás, com quem eu falo? — Pergunto sem parecer muito curiosa, mas não consigo.

— Ah, aqui é a secretária dele. Sinto informar que ele esta em uma coletiva de imprensa, e não ficara acessível, já que estamos indo viajar para o Brasil em apenas 6 horas.

Eu engasgo.

— 6 horas? Ãn tudo bem, avise-o que entramos em contato, a sua filha não esta muito bem. — Penso que uma mentira a essa altura o faria cancelar.

— Pobrezinho, ficara triste em saber, mas irei avisar. Tenha um bom dia. — Diz a mulher e logo desliga.

Coloco o telefone no gancho e corro para me sentar onde eu estava.

Não demora até que Oliver volte com Cristina.

— Serio Oliver? Brincadeira? Eu não vi graça. — Diz Cristina parecendo irritada. — Vou ter que falar isso ao seu médico, espero que saiba.

— Qual é Cristina, não queria te enganar, mas eu achei que tinha visto alguém desmaiado. — Falou Oliver parecendo sincero.

Cristina não diz nada, apenas sai andando rapidamente, Oliver para de segui-la e vem até mim e estende a mão para me levantar.

Pego sua mão e me levanto.

— Não queria que ela falasse nada ao seu médico. — Digo me sentindo culpada.

— Qual é Luci, não tem problema. O que conseguiu? — Diz ele não dando muita questão ao que eu falei.

— Meu pai esta no Brasil. — Menti.

— Rio de Janeiro. — Diz ele forçando um sotaque.

Eu sorrio.

— Bom pelo menos já sabe o motivo dele não se encontrar aqui.

Eu assenti com a cabeça.

Oliver me olha um pouco preocupado.

— Vamos comer, como só tem nós dois acordados duvido que se importem se pegarmos mais pudim que o normal.

Eu concordo.

Pegamos a comida e nos sentamos.

— Por que você esta aqui Luci? Você parece ser a pessoa mais sã que se encontra aqui.

Eu não esperava por essa pergunta. Mas depois dele me ajudar ele merece saber.

— Desde que minha mãe morreu eu comecei a ter uns sonhos. — Digo fazendo uma pausa para respirar fundo, faz tempo que não falo sobre isso. — Nesses sonhos eu sempre estava com um garoto, era como se fosse um amigo imaginário, mas só existia nos meus sonhos por um tempo. Cada vez eu comecei a ficar mais compulsiva por esse garoto, comecei a ver ele na nossa realidade, meus sonhos começaram a se tornar reais, não conseguia distinguir o que era real do que é imaginário. Meu pai começou a me levar no médico mas não adiantou, então ele deu uma carta para o meu pai mostrando este lugar, e falando que eu ficaria melhor aqui. Quando eu aqui eu ainda via ele ao meu lado, mas depois que aumentaram minha dose ele simplesmente desapareceu, e tem sido melhor assim.

Oliver me analisa por alguns instantes e fala:

— Isso pra mim parece efeito de drogas. — Ele ri.

E eu rio com ele.

— E você? Por que esta aqui Oliver? — Pergunto.

—Eu matei um cara alegando que ele era o diabo. — Ele diz com desdém.

Dessa vez sou eu quem o analisa. Mas não o julgo.

— Acontece né. — Falo enquanto como meu pudim.

Ele sorri.

Notas finais
Qualquer coisa comentem! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.