Notas iniciais
Hey, aqui é a Lay, hoje vim postar pela Vivi :)Espero que gostem!Enjoy!

Voltei para a cabine, onde Jonathan se encontrava sentando na poltrona acordado e Travis no chão, comendo uma barra de cereal.

Ele me encarou, provavelmente estava pensando por que eu agi tão estranho a pouco tempo atrás.

– Já esta melhor? – perguntei me sentando ao lado de Jonathan.

– Acho que sim – Jonathan respondeu.

– Agora me explique – comecei – como você não conseguiu sentir o cheiro da Fúria?

– Não sei, acho que estou resfriado – disse coçando o nariz.

– Mas você veio pra farejar monstros! — Travis fez uma careta de indignação.

– Desculpe, desculpe – ele estendeu as mãos em sinal de rendição – mas eu não controlo isso, e aquela mulher parecia muito suspeita pra ser um monstro, por que na nossa antiga escola a pessoa menos provável...

– Eu sei, a Srta.Clarke parecia ser bem legal, — alguns flashbacks vieram em minha mente, dela tentando me ajudar nas outras matérias, elogiando os desenhos de Jonathan e sempre comentando como Meg seria uma ótima Hippie, balancei a cabeça, para afastar os pensamentos – mas agora nos conte exatamente o que aconteceu.

– Tudo bem! – começou – Eu passei pelo corredor pra pegar alguma comida naquelas maquinas, coloquei a mão no bolso e peguei um dólar. Quando fui colocar ele na máquina, ouvi um rugido seguido por uma voz estranha “vocês nunca conseguirão” – disse fazendo uma péssima imitação de uma fúria – foi quando me virei vi a mulher que recolheu nossos tíquetes virar uma enorme e feia fúria, então eu fiz o que qualquer sátiro faria, eu corri, voltando para onde vocês estavam.

Fazia sentido, aquela mulher tinha um cheiro estranho, de podre. Talvez nosso sátiro esteja mesmo resfriado.

Passou-se duas horas depois do acontecido até atravessarmos a fronteira do Canadá com os Estados Unidos. Descemos na ultima estação.

Estávamos em um lugar completamente vazio, a neve cobria uma fina camada do chão. Era muito frio ali. Peguei minha jaqueta de dentro da mochila e a vesti. Travis e Jonathan fizeram o mesmo. Caminhamos na direção de um morro, não era muito alto, mas era extenso.

Nem estávamos no meio do caminho e minhas pernas já estavam congelando, eu estava tremendo de frio, mas os outros meninos não pareciam estar com tanto frio.

– O que você tem? – Travis perguntou.

– Eu... não, não sei – disse gaguejando – só estou com frio.

– Sorte minha que eu tenho essa camada de pelo nas minhas pernas – Jonathan comentou – são ótimas no inverno, só fedem e coçam um pouco no verão, e também tem aquele outro proble...

– Jonathan! – Travis e eu dissemos em uníssono.

– Não precisa contar detalhes dos seus problemas com relação a sua parte bode – eu disse.

– Tudo bem, só queria puxar papo... – ele parou de repente e começou a fungar.

– Algum problema? – perguntei.

– Bom, acho que eu estou resfriado mesmo – ele coçou o nariz – poderíamos parar e comprar um remédio... Santo Pã! – Jonathan exclamou.

– O que foi dessa vez? – Travis desviou o olhar de mim e encarou Jonathan, que estava de boca aberta, espantado.

– Uma cafeteria! – ele correu na direção de uma casinha pequena de madeira, com uma enorme xícara desenhada em cima.

– Não podemos nos desviar! – eu disse em meio aos calafrios.

– Talvez – ele olhou para mim – podemos parar um pouco.

– Mas nós acabamos de começar a caminhar... – disse reclamando.

– Você está tremendo de frio, nosso sátiro está resfriado, podemos parar um pouco pra tomar um café, pegar uns remédios...

– E comer enchiladas... – Jonathan disse.

– É, talvez um pouco – Travis olhou de canto para Jonathan, como se pensasse “esse sátiro é estranho”

Bufei, reclamei, e argumentei, mas nada adiantou. Então nos dirigimos para a cafeteria. Por dentro era bem aconchegante e quentinha. Algumas mesas com toalhas vermelhas estavam espalhadas pelo local. Em um dos cantos, tinha uma lareira, com um sofá verde do lado. Vários quadros estavam nas paredes, alguns bem estranhos, como uma vaca com a cabeça de flor, o que me fez rir, e depois me fez lembrar minha mãe. Outros eram bem normais, algumas casas, pessoas, animais, e frutas.

Jonathan se sentou em uma das mesas perto da lareira, ele fez sinal com a mão nos chamando, enquanto esbanjava um enorme sorriso amarelo do rosto. Eu e Travis nos sentamos junto com ele, Travis na minha frente e Jonathan na minha lateral esquerda.

Uma moça de mais ou menos 16 anos veio atender o nosso pedido. Ela tinha cabelos pretos e curtos, olhos azuis claros e uma pele branca como a neve, eu poderia dizer que ela estava fazendo cosplay de Branca de Neve.

– Posso anotar o pedido de vocês? – ela perguntou com voz doce a Travis.

– Claro querida – ele disse sorrindo e a encarando.

Ele a olhava como se ela fosse a própria Afrodite. Tudo bem, ela era bonita, mas não precisava ficar a encarando por tanto tempo, só faltava ele começar a babar. Que ridículo essa situação!

Ela sorriu de volta, então ele começou a contar as suas aventuras. As que ele tinha contado pra mim, e algumas que nós tínhamos vivido.

Senti meu sangue começar a ferver, eu estava com raiva, muita raiva. Chutei a perna de Travis, ele deu um pequeno salto e balançou a cabeça.

– Por que me chutou? – perguntou indignado.

– Chutei? Desculpa, não sabia que era você – disse com sarcasmo.

– Bom, pode me trazer uma enchilada bem grande, dois cafés expresso e um mocaccino com muito açúcar, um pudim de caramelo e um bolinho de chocolate pequeno – Jonathan se virou para nós – então, o que vocês vão pedir?

– Hm – Desviei o meu olhar que diz “você está ferrado” de Travis e olhei para a mulher – quero só um chá.

– Quero um pudim de caramelo também – ele sorriu – e talvez o seu número...

– Tudo bem – ela disse dando uma risadinha, se virou e foi embora.

– Por que você agiu daquele jeito? Só faltava babar – eu disse.

– Que jeito? Você que me chutou!

– Não muda de assunto! Você ficou a encarando por minutos, sem dizer nada!

– O que foi? Ta com ciúmes?

– Eu? Ciúmes? Não seja mais ridículo ainda!

– Você que está sendo ridícula!

– Gente... – Jonathan tentou, mas não demos ouvidos.

– Pelo menos eu não fico dando em cima de todo mundo que eu vejo!

– Eu não estava dando em cima dela!

– Eu vi o jeito que você a olhou! Não adianta negar!

– Gente...

– E se eu estivesse, o que você tem haver com isso?

– Você é meu amigo, não quero que saia por ai pegando qualquer uma.

– Você nem a conhece, e já está julgando!

– Você nem a conhece e já esta a defendendo!

– GENTE! – Jonathan gritou nos fazendo calar a boca – Parem de brigar.

– Mas foi ele que...

– Não quero saber! Eu só quero comer minha enchilada em paz.

Ciúmes, era só o que me faltava, quem ele acha que é pra falar assim? Travis era um ótimo amigo, mas ele se acha muito. Onde já se viu, eu, sentir ciúmes? É a coisa mais idiota que ele já falou.

Aquela mesma mulher, voltou. Carregando uma bandeja com os nossos pedidos. Ela nos serviu e depois entregou um bilhete a Travis, o que me deixou mais irritada ainda.

– Meu número – ela disse sorrindo para Travis – se você...

– O menina, você não tem mais nada pra fazer não?

– Para de ser grossa! – Travis disse.

– Para de gritar comigo! – gritei para Travis.

– Você que está gritando! – ele gritou de volta

– Parem os dois! – Jonathan disse – Pode nos dar licença? – ele disse a moça, que logo foi embora.

– Você viu que dessa vez foi ela que começou...

– Me dá isso aqui – eu disse arrancando o bilhete da mão dele – “ 902-807-344 Saio as 18h, beijos, Nicole”, que menina oferecida!

– Me devolve isso – ele disse tentando puxar da minha mão.

– Ta bom, se você quer, mas não vai poder sair com ela porque nós estamos em uma missão, nossa, que pena – eu disse provocando-o.

– Vocês são duas crianças. – Jonathan resmungou cuspindo a comida que estava na boca, ainda não engolida.

– Olha só quem diz – eu disse.

Ele deu seu primeiro gole no café e fungou o ar.

– Acho que... – Ele se virou na minha direção e encarou o meu braço machucado espantado. Seus grandes olhos castanhos ficaram me encarando, talvez ele estivesse tentando mandar uma mensagem para mim, mas eu não entendi.

– O que foi? – Travis perguntou um pouco confuso.

– Nada – Jonathan desviou o olhar – só acho que esse café fez meu resfriado acabar.

Nosso sátiro com resfriado se fora, e no lugar, um sátiro muito estranho entrou. Ele agiu diferente, como se soubesse de algo que nós não sabíamos.

Terminamos o café, Jonathan pediu para Travis pagar a conta, eu reclamei, mas ele foi mesmo assim. Quando Travis chegou ao balcão Jonathan disse:

– Seu braço!

– O que? – olhei meu machucado – A Fúria me cortou, você sabe disso.

– Por que não contou que foi envenenada? – fiquei pálida.

– Mas...

– Eu consigo sentir o cheiro, de veneno – ele disse – você deveria ter contado...

– Você não pode contar isso ao Travis! Viemos nessa missão para achar Meg e Jake, não podemos ter desvios.

– E vamos simplesmente deixar você morrer?
Olhei para o lado e vi Travis vindo na nossa direção.

– Só não conte para ele, okay?

– Mas... – ele hesitou – tudo bem, mas uma hora você vai ter que contar.

– Eu sei – sussurrei.

Travis veio até a nossa mesa e apoiou os braços sobre ela.

– Vamos?

– Pensei que você iria querer ficar namorando mais um pouquinho...

– Não enche!

Levantei e sai pela porta antes deles. Lá fora estava muito frio, mas eu teria que aguentar, provavelmente era outro sintoma, febre.

Jonathan apareceu com Travis ao seu lado.

– Tudo bem, podemos roubar um carro ou vamos a pé. – Jonathan disse.

– Gostei da primeira ideia – Travis exclamou com os olhos já brilhando.

– Vamos a pé – o contrariei.

– Você tem que parar com isso – ele disse.

– Isso o que?

– Você está chata, só por que eu conversei com aquela garota, admita que está com ciúmes!

– Não estou com ciúmes!

– Não comecem de novo, vamos pegar um carro! – disse o sátiro traidor.

– Mas...

– Há! – Travis disse vitorioso.

Estacionado ali perto tinha dois carros, um fusca branco, coberto de neve e caindo aos pedaços e outro, azul metálico, novo, bonito, cujo modelo eu não identifiquei.

– Vamos pegar o azul – apontei.

– Achei que você não queria...

– Rápido, antes que eu mude de ideia – disse já indo na direção do carro.

Nós três paramos na frente do carro, Travis tirou do bolso um arame e começou a arrombar. Ele abriu a porta rapidamente e entrou, o alarme começou a disparar. Com as mãos ágeis cortou um fio fazendo a barulheira acabar.

– Vão entrar ou querem um convite? – nos repreendeu.

Travis dirigiu, eu no banco do carona, e Jonathan atrás, ele disse que queria tirar uma “soneca”.

Eu daria qualquer coisa pra não estar ali com Travis, nós tínhamos acabado de brigar, o que era estranho, já que nós nunca brigávamos. Mas foi ele que começou. Ciúmes, eu?

Notas finais
YAY quem adorou e riu muito com a Mel nesse capítulo, levanta a mão o/Quem gostou comenta e recomenda por favor!bjs bjs bjs