Duas espadas chocam-se no ar, produzindo um som agudo, seguido de uma luz brilhante que reflete na armadura de dois guerreiros. Um de vestes brancas, cabelos e barba, igualmente brancos, e aparentando ser de idade, outro de vestes cinzas, cabelos negros e um pouco mais jovem.

E essa fora a primeira imagem de que Hero teve após acordar em um cenário totalmente destruído e acinzentado. Ao redor de dois guerreiros que lutavam intensamente, haviam outras batalhas, de criaturas estranhas, de braços e pernas bem longos e espinhos espalhados pelo corpo.

Um anjo de asas brancas, com longos cabelos dourados, possuía suas vestes brancas, parcialmente rasgadas, usava uma espada em uma mão para se defender, enquanto que com outra mão lançava uma magia de tom azulado em outro anjo de cabelos, vestes e asas negras.

Um homem alto e loiro, de aparência trastornada, lutava contra outro homem, que usava apenas as mãos enquanto um outro usava uma magia avermelhada contra um outro anjo branco.

Hero sem entender o que estava acontecendo, apenas tenta se esconder, quando de repente, ele avista o guerreiro de vestes cinza derrubando o guerreiro de branco, e com sua espada apontada para o guerreiro caído ele diz:

– É o seu fim...

No momento que iria lhe dar o golpe final, uma luz branca toma conta do ambiente, deixando Hero completamente às cegas. Ao conseguir ver algo novamente, o cenário destruído que antes era tomado por uma guerra sanguinária, agora parecia um deserto.

Hero ouve um zumbido, e ao olhar para o céu ele vê uma espada caindo em sua direção, com muita dificuldade, ele pula para o lado e consegue desviar da espada, que fica fincada no chão com apenas a base apontada para Hero. Ao se aproximar lentamente da espada, ao tocá-la todo o cenário fica branco novamente e Hero acorda em sua cama, suado e bastante ofegante. Uma pergunta lhe vem à mente: "porque eu não consegui controlar esse sonho?"

Pela manhã, Hero toma seu banho, e veste sua jaqueta favorita. E no caminho para o colégio, seu sonho não lhe sai da cabeça, muitas perguntas lhe vem à mente, como, que lugar era aquele, ou quem eram aquelas pessoas e a maior pergunta de todas, porque eu não consegui controlar aquele sonho.

Ao chegar na escola, Hero encontra seu melhor amigo, Keven. São amigos desde quando Hero veio morar na cidade, com 7 anos após a morte de seus pais.

Keven logo percebe que Hero não está bem, sua cara abatida de quem não tinha dormido bem, seus olhos refletiam preocupação, então, ao ver o amigo assim, logo perguntou:

– O que houve Hero? Teve aquele pesadelo novamente? — Hero demora a responder e continua andando, então Keven sacode seu ombro esquerdo.

– Oi? você disse alguma coisa? — Pergunta Hero parando no meio do caminho, ainda meio desnorteado.

– Perguntei se você está bem.

– Estou sim. — Gagueja Hero e prossegue caminhando.

Keven olha para sua cara à espera de uma resposta convincente.

– Eu só tive um sonho estranho que não consegui controlar. — Continua Hero meio sem entender as palavras que saem de sua boca, Keven se assusta e pergunta assustado.

– Como assim não conseguiu controlar? — Keven chega perto de Hero e complementa. — Você é o melhor com sonhos lúcidos que eu já vi!

– Eu sei, também estou sem entender até agora. — os dois ficam em silencio e seguem até a escola. Chegando lá cada um segue para sua sala.

Durante toda manhã, Hero não deu atenção as aulas, não conseguia tirar da cabeça as cenas que havia presenciado na noite anterior. A luta, os seres e o lugar, tudo parecia sobrenatural, mas, de certa forma familiar. Sabia que era apenas mais um sonho, mas em seu ser, seu corpo, sentia algo crescer, algo diferente de tudo antes.

O ultimo sinal tocou, o despertando de seus devaneios, Hero guardou suas coisas e fora encontrar com Keven no pátio.

– Eu andei pensando e tive uma ideia, vamos falar com seu avô, ele te ensinou sonhos lúcidos, então deve saber o que aconteceu. — Diz Keven, que mesmo após a aula, ainda percebia que Hero não estava bem.

Os dois seguiram até uma pequena livraria em um beco, ao entrar, eles encontram um velho baixo, careca de longa barba branca. O senhor mostra alguma dificuldade para empurrar o carrinho de livros e segurar sua bengala ao mesmo tempo, até que Hero o ajuda.

– Olá vovô Tetsui, como o senhor está?

– Hero meu jovem, eu estou bem, mas e você, o que faz aqui? — Diz o velho vagarosamente.

– Eu tive um sonho estranho ontem que não consegui controlar, então Keven me sugeriu falar com o senhor. — Diz Hero colocando os livros na estante.

– Estranho você não conseguir controlar um sonho, me conte como ele foi. — Diz Tetsui e começa a tossir.

– Eu não lembro bem, eu estava em um local totalmente destruído com dois guerreiros lutando, era meio confuso e não consegui ver bem mas havia muitas criaturas lutando e eu não conseguia me mexer ou controlar nada. — No momento em que Hero descreveu o sonho, seu avô lhe acertou com sua bengala, e ele apagou, Keven ficou desesperado.

– O que o senhor fez, porque atacou o Hero?

– Fique quieto e me ajude a carregá-lo até o porão. — Grita o velho.

Ao acordar, Hero encontra-se amarrado em uma cadeira no meio do porão, onde seu avô guardava algumas peças da antiguidade. A sua volta, um círculo amarelo no chão, com várias escrituras que ele não entendia, seu avô estava andando a sua volta com um pequeno livro marrom nas mãos.

– Vovô o que o senhor tá fazendo? Porque estou amarrado? — Pergunta Hero debatendo-se na cadeira.

– Garoto eu irei lhe fazer apenas uma pergunta. Você tocou na espada? — disse o velho sem tirar os olhos do livro.

– Vovô o que está acontecendo? — Diz Hero ainda tentando se desamarrar.

– Você tocou ou não na espada? — Grita Tetsui segurando suas mãos e olhando em seus olhos.

– Sim vovô, mas o que está acontecendo? — Hero encara seu avô assustado.

– Você foi possuído por um guerreiro de 100 anos. — Diz o velho voltando a ler o livro, Hero começa a rir e seu avô lhe dá um tapa na testa e continua. — Isso não é brincadeira Hero, você foi possuído, e agora eu irei tirá-lo de você.

– Vovô você está louco, me tire daqui agora. — Grita Hero tentando se soltar.

O velho não lhe dá atenção e começa a murmurar algumas palavras escritas no livro. Keven observa a tudo, super assustado, sem nada compreender, quando o chão começa a tremer, ele corre para o andar de cima. Hero apaga novamente e Tetsui se aproxima e o chama pelo nome.

– Hero, você está bem?

– Hero? Não, Hero está dormindo. Agora solte-me e diga onde estou, antes que eu mate vocês! – O espirito do guerreiro que possuia seu corpo falava com uma voz rouca.

– Não, você vai deixar o corpo do meu neto agora. — Diz Tetsui afastando-se da cadeira, começando a foliar o livro rapidamente. De repente o guerreiro arrebenta as cordas que o amarravam e se levanta, rasgando parte da jaqueta preta do Hero. Vai em direção ao fundo do porão, onde alcança uma espada que antes estava presa a parede, e diz:

– Digam-me agora onde estou!

Nesse momento a parede explode de dentro para fora e uma força invisível puxa o corpo de Hero para fora da loja, levando-o para o céu.

Hero cai em um corredor completamente branco, e com muitas portas. Um homem de cabelos negros e sobretudo marrom, lhe aponta uma pistola, com correntes presas do punho a seu cinto.

– Parado aí, spectro! Mostre sua verdadeira forma! — Grita o pistoleiro.

– Mas o que? Me diga o que está acontecendo! – Hero pergunta, agitando os braços tentando, em vão, se defender e sem pensar duas vezes o pistoleiro atira.