Meiseki Yume
13 O Plano
Notas iniciais
Agatha se levanta desesperada chamando por Jack, porem o mesmo nem se mexe. Ela pula de uma ponta a outra no quarto, a fim de se esquivar dos milhares de spectros até que chega a Jack e começa a sacudi-lo, mas ele não acordava. De repente, o corpo de Jack começa a afundar dentro da cama e desaparece. Agatha fica desesperada e tenta fugir pela janela, mas é puxada pelos spectros que a agarram e começam a rasgar sua roupa e suas asas. Ela grita, e grita, mas parece que não possuí voz. Mais e mais spectros vão surgindo e começam arranhar o corpo do anjo, quando de repente um deles perfura seu corpo com muita força e então ela acorda novamente no quarto da estalagem, intacta, e ao lado de Jack. Seu corpo suado e sua respiração ofegante revelam seu nervosismo, nunca havia vivido algo assim. Ela se levanta e sai pela janela, ficando a pairar pelo céu, a fim de espairecer a mente.
No mundo real, Hero se isola dos amigos e mantém seus pensamentos em seu treinamento, enquanto todos estão praticando esportes, ele fica sentado na arquibancada, desenhando golpes e movimentos para poder treinar em seus sonhos lúcidos.
– Hero! Hero! – Grita Keven se aproximando do amigo.
– Fala. – Diz Hero sem tirar os olhos do caderno de desenho.
– Preciso que venha a minha casa depois da aula, preciso te mostrar uma coisa.
– Hoje eu tô ocupado.
– É muito importante, tem haver com o Meiseki Yume. — Hero levanta rapidamente e o encara dizendo.
– O que tem o Meiseki Yume?
– Na minha casa depois da aula.
– Não, vamos agora. – Hero pega sua mão e sai andando.
– Mas e a aula? – Diz Keven olhando para a escola.
– Foda-se a aula, vamos logo.
Chegando na casa do Keven, os dois sobem correndo para o quarto. Lá, Keven se senta em uma poltrona de frente a 3 telas de computadores, com vários cabos e luzes piscando sem parar.
– Bom, eu andei pensando um pouco e desenvolvi uma teoria. O sonho lúcido ocorre após o sono REM, quando o corpo continua dormindo, porém a mente já está funcionando, certo? – Diz Keven teclando rapidamente em seu computador.
– Certo.
– Então, eu pensei o seguinte, e se o Meiseki Yume for algo mais profundo que o sonho lúcido? – O nerd vai plugando cabos e apertando botões enquanto fala.
– Eu precisaria de mais tempo no sonho lúcido para acessa-lo, mas não daria porque após a mente acordar leva pouco tempo para o corpo acordar também.
– Exato e é ai que esse aparelho entra. – Ele pega um capacete de metal com alguns fios coloridos plugados. – Eu irei dopar você, seu corpo ira adormecer porem usarei esse aparelho para manter sua mente ligada através dos eletrodos.
– Será que dará certo? – Pergunta Hero olhando para o tanto de fios que está espalhado pelo quarto.
– Acho que sim. – Diz Keven meio relutante, mas antes que terminasse a frase, Hero pega o capacete e deita na cadeira ao lado.
– Pode ligar!
– Mas Hero, eu ainda nem testei.
– Não terá teste melhor que esse. Vai! – Keven aplica algo na veia de Hero e liga o capacete, Hero apaga e partes do cérebro dele aparecem nos 3 monitores.
Hero acorda no chão de uma rua asfaltada, olha ao seu redor e vê apenas uma imensidão branca como uma folha de papel a ser preenchida. Ele fica sem entender e de repente casas começam a cair do céu, seguidas de postes, carros e crianças, e quando percebe que aquela imensidão branca havia se tornado uma cidade, ele começa a andar por entre as crianças brincando e para em frente uma casa no fim da rua. De repente ele arregala os olhos e começa a soar frio. No quarto de Keven os monitores começam a piscar uma luz vermelha, que vão ficando cada vez mais forte e mais forte até que Keven aperta um botão e Hero desperta bastante ofegante.
– O que houve? – Pergunta o amigo retirando o capacete. — Você chegou ao Meiseki Yume?
– Seu aparelho não me levou para o Meiseki Yume. – Diz Hero com dificuldade.
– E pra onde te levou?
– Me levou para a noite em que meus pais morreram.
– Como assim?
– Eu também não entendi direito, caí num espaço de sonho não preenchido, e quando dei por mim, uma cidade se formou e era a rua onde eu morava com os meus pais.
– Você tem certeza?
– Tenho, eu reconheci a casa, todas as lembranças vieram em minha mente na mesma hora.
– Acho que para chegar no Meiseki Yume você terá que chegar no fundo de suas lembranças e passar por elas.
– Não, tem que ter outra forma.
– Bom, você já tentou falar com seu avô?
– Nem preciso tentar, não vejo ele desde que voltamos, e ele foi um dos que deram força para eu vir para o mundo real, ele não vai querer que eu volte.
– Então, eu sinto muito, mas só tem essa forma, você terá que acessar suas lembrança e encontrar uma realmente relevante e passar por ela. – Hero se levanta, vira para a parede e não responde, então Keven continua. – Sinto muito meu amigo, mas se você realmente quer voltar pra lá, essa é a única maneira.
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