Meio-sangues
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Nesse capitulo um POV mariana pra vcs conhecerem, ela um pouquinho melhor.
POV MARIANA
Percy era um garoto muito legal. Me falou sobre Jason e Thalia. Uma história e tanto. Confusa mas me fez pensar em minha mãe. Onde ela estava, por que tinha me abandonado? Nós sempre nos demos bem. Não éramos “melhores amigas”, mas eu sentia muita falta dela. Quando eu era menor, ela tinha um namorado. Ele era bom para mim. Não como um pai, eu não considerava tanto assim. Mas ele era legal comigo. As vezes jogávamos vídeo game. Eles namoravam desde os meus seis anos e ficaram juntos até o fim do ano passado. Eu acho que minha mãe quis se mudar por causa disso. George (o namorado) morava a três quarteirões da nossa casa, então sempre nos víamos. A propósito o nome de minha mãe é Kárika. Eu sei, é estranho, mas fazer o que se minha avó era criativa para dar nomes. Eu nunca me dei bem com ninguém da minha família. Eles não acreditavam no que quer que minha mãe tenha dito sobre meu pai. Diziam que minha mãe era uma desvirtuada. E sempre falavam que eu era uma garota rebelde e mal criada. Por isso não gosto deles. Se eu sou rebelde? Apenas tenho um temperamento forte. Não consigo obedecer. È mais forte do que eu. Por isso tenho fama de mal educada. Mas, segundo Annie, Thalia também é assim. Agora eu tinha certeza de que nesse Acampamento eu teria uma família de verdade. Impressionante como em tão pouco tempo eu já tinha me apegado tanto a Annabeth, Percy e Thomas.
Levantei-me bem cedo no outro dia. Estava chovendo. Eu adoro barulho de chuva, cheiro de chuva, enfim adoro chuva! Quando entrei no banheiro para me arrumar, Annabeth ainda estava dormindo, por isso tentei fazer o menor barulho possível. Em dez minutos eu já estava pronta. Saí do quarto e parece que todos os hospedes da pensão já estavam saindo para trabalhar ou algo assim. Cumprimentei a dona e me sentei em uma mesinha perto da janela, enquanto esperava ela vir me servir o café da manhã.
-Não quer se sentar em outra mesa criança? Aqui tem muito barulho da chuva. – a senhora perguntou.
-Não. Aqui está ótimo. Adoro a chuva. – ela concordou com um meneio de cabeça e me deixou sozinha com as panquecas. Em menos de cinco minutos, Thomas desce as escadas e vem em minha direção.
-Bom dia Mari – ele disse todo sorridente. Thomas era um garoto muito bonito e simpático.
-Bom dia Thomas! – eu sorri enquanto ele se sentava- Dormiu bem?
-Tirando a parte que dividi o quarto com o Percy,sim, dormi bem.
-Thomas, Thomas. Vocês tem que parar com isso. Percy é um garoto muito legal. Além de ser um herói.
-Parar com o que? Não to entendendo.
-Claro que está! Estou me referindo a essa implicância boa que você tem com ele e ele com você. O lado dele até dá pra entender, né. Ciúmes da Annie, mas o seu lado? Não entendo.
Ele deu um sorriso forçado. E a resposta veio como um raio em minha mente.
-Não. Não. Thomas? Sério? Ah, Thomas! Sinto muito.
-Sente muito?
-Sim. Isso deve ser meio difícil.
-Dificil não. É complicado, sabe. Por ela ser comprometida, mas, poxa, eu posso ter chances.
-Não Thomas! Tá maluco? Ela o ama. AMA. Entendeu? E vice-versa. Você não está realmente pensando em separa-los, está?
-Nunca disse isso Mari. Só disse que devo ter chances. Se algum dia ela enjoar da cara dele, eu estarei aqui. Simples.
Eu balancei negativamente a cabeça. Thomas era realmente maluco.
-Não falo mais nada.
E continuamos comendo, e conversando. Rimos muito falando sobre nossas historias familiares, como Natais, férias, e aniversários. E a chuva continuava caindo. Isso me fez pensar em meu pai. Era incrível. Zeus. Ainda não estava acreditando direito.
-Thomas, você disse que já encontrou com seu pai uma vez. Como foi?
-Bem, ele me levou ao Acampamento. Só isso. Por que?
-Eu estava com uma dúvida. Será que um dia vou encontrar meu pai? Será que ele vai querer falar comigo?
-Calma Mari. Isso é bem relativo. Os deuses são muito ocupados. E eles têm muitos filhos, portanto não tem como dar atenção demais a uns e esquecer-se de outros. Isso é demonstrar favoritismo. Ainda mais Zeus. Ele pode não ter tantos filhos assim, mas é o líder dos deuses. Ele é realmente muito ocupado. Meu pai tem suas obrigações, mas ele não liga muito. Por isso deu uma “fugida” aquele dia para me buscar. E mesmo assim, nos meus 17 anos, foi a única vez que vi ele.
-Tudo bem. Vou tentar não me preocupar com isso e me focar na missão.
-Falando em missão Mari, você sabe lutar? Quer dizer você tem uma arma?
-Não. Nem tenho arma. Isso é importante né?
-Muito. Sem armas, não sobreviremos muito tempo.
-Que armas vocês usam? Nunca vi vocês lutarem.
-Annabeth tem uma faca, Percy tem uma espada e eu tenho um arco e flecha. E você, bem, você não tem nada. Mas mesmo assim é preciso treinamento. Venha comigo, vamos até a garagem dos fundos, essa hora não terá nenhum carro lá. Vou te ensinar como manejar um arco.
Concordei animada, afinal nunca tinha lutado, isso ia ser muito legal. Thomas foi até o quarto pegar seu arco e fomos até a garagem dos fundos. Ele improvisou um alvo na parede e atirou algumas vezes para demonstrar. Logo me passou o arco e me ensinou como devia segurar. Tentei atirar a flecha, mas nas primeiras cinco tentativas elas não se lançaram pouco mais do que alguns centímetros. Somente na sexta tentativa, e com Thomas me ajudando a direcionar o arco é que eu consegui. Não era tão difícil, não com Thomas me ajudando. Mas na verdade eu não gostei tanto assim do arco. Era muito grande e também precisava de muita coordenação em uma luta até tirar as flechas da aljava e ajusta-las no arco. Falei isso para Thomas, mas segundo ele, já que eu não tinha arma alguma, era melhor aprender a usar seu arco mesmo. Continuamos nisso por um bom tempo. Até que de repente, vimos uma luz forte alguns metros dali. Não fomos ver mais de perto, ficamos onde estávamos esperando pelo pior, quando um homem alto, um pouco grisalho, com roupas esportistas entra na garagem.
-Bom dia semideuses! – ele nos cumprimenta – Não tenho muito tempo, portanto, você deve ser Mariana, certo?
-Certo. E quem é você? – eu respondi.
-Sou Hermes, o deus mensageiro.
-Oh, que prazer em conhecê-lo Lorde Hermes- Thomas falou – Mas o que o trás aqui?
-Bem, estou trabalhando. Vim fazer uma entrega para esta jovem. Pelo jeito, Zeus vem observando sua filha, e decidiu dar um presente a ela – Hermes disse isso me estendendo um embrulho pequeno.
-Faça um bom uso! Preciso realmente partir agora, e deem um abraço em Percy e Annabeth por mim. – o deus fez uma cara de quem estava ouvindo vozes e ficou meio que em transe por um segundo – O que? Ah, tudo bem eu falo. Ah e George disse que Percy está devendo um rato para ele. Até mais! – dizendo isso ele saiu pelo mesmo lugar de onde tinha entrado. Dessa vez nem chegamos a avistar a luz forte. Olhei para Thomas, e este me fez sinal que abrisse o embrulho. Quando abri, tinha uma espécie de bracelete em mãos. Era preto, com tiras de couro formando alguns desenhos que eu não consegui identificar. Era bonito. Uma das tiras de couro estava mais solta que as outras, resolvi aperta-la, e quando fiz isso o bracelete se transformou. Esticou-se até tomar formato de uma espada, e sua base era de couro, como o bracelete. Segurei a espada em mãos, não era muito pesada, nem muito longa. Consegui maneja-la perfeitamente bem. Olhei para Thomas, e ele estava sorrindo. Não acreditava que Zeus estava me observando e sabia que eu precisaria de uma arma. “Obrigada, pai” disse mentalmente.
-Bom como você agora tem uma arma, podemos começar a treinar para valer, não é? – Eu disse a ele.
-Sim, só que espada contra arco? Não dará muito certo. Me espere aqui, vou chamar Annabeth e Percy para nos ajudarem. Algumas horas de treino com eles, e você já estará craque. – Eu sorri, Percy e Annabeth deviam ser muito bons, afinal me contaram sobre a grande batalha contra Cronos, e eu fiquei impressionada. Enquanto Thomas subia até os quartos para chama-los, eu fiquei na garagem com minha espada apenas pensando.
POV PERCY
Quando acordei, Thomas já não estava mais no quarto. Tomei um banho, me vesti e fui bater no quarto das meninas. Bati, bati e ninguém atendeu, tentei a porta, e estava destrancada. Mari já não estava mais ali, mas Annabeth ainda dormia. Me aproximei da cama dela, e me sentei na ponta. Ela era tão linda quando dormia. Parecia tão tranquila, tão indefesa. Não sei por quanto tempo a fiquei admirando, até que me lembrei do porque de eu ter ido falar com ela. Meu sonho com Belona. Fiquei preocupado em acorda-la e ela se irritar, mas não tive escolha.
-Annie? – chamei devagar, ela não pareceu escutar. A chacoalhei de leve, e ela logo acordou. Ou melhor, abriu os olhos, pois ainda não parecia realmente acordada. Esperei por algum tempo, até que ela se sentou na cama.
-Posso saber o motivo de ter me acordado tão cedo? – ela perguntou com uma voz fraca.
-Desculpe. Mas preciso te contar do meu sonho com Belona.
-Ok, espera eu tomar um banho e trocar de roupa, e já conversamos. – ela disse isso indo para o banheiro. Foi rápida, afinal devia estar curiosa sobre meu sonho.
-Pronto Percy. Pode me contar o que ela disse. – eu contei o que ela me disse e Annabeth franziu a testa.
-Nemesis? Bom, faz sentido, por ser a deusa da vingança, mas, por que ela estaria envolvida com Nix? E o que Belona sabe sobre isso? Ela é uma deusa romana. Qual ligação teria com essas deusas?
-Talvez ela saiba de alguma coisa por conta de Reyna.
-Mas, mesmo assim. Se ela soubesse, e se pegaram Reyna por algum desafeto com Belona, por que a deusa não contaria? Ela provavelmente selecionaria membros do Acampamento Júpiter, ou falaria com Lupa. Isso está muito estranho Percy.
-Não sei Annie, mas eu sinto que ela me revelou muita coisa.
-O que podemos tirar do que ela te disse: Existe um segredo que está ligado a Névoa. Nix está controlando a Névoa, para que nosso mundo seja descoberto, causando uma grande confusão. Nemesis está envolvida nisso. E no final, Thomas vai desempenhar uma função muito importante. Acho que ela revelou praticamente a missão inteira, lembra-se da profecia?
-Sim. Um filho do Sol, um do Mar e uma da Sabedoria
Andaram as margens em plena luz do dia
Algo precisará ser encontrado
Dentro de um baú ele está fechado
Para que não descubram quem nós somos
Precisarem encontrar a chave do mundo dos humanos.
-Nós três, Thomas, você e eu. As margens? – Annabeth estava muito concentrada pensando, depois de alguns minutos sua face se iluminou – Isso! Como não pensei nisso antes? As margens de um segredo! O segredo que Belona se referiu no sonho. Precisamos encontrar algo que está dentro de um baú, e só esse algo poderá por fim ao “probleminha” com a Névoa. E essa chave do mundo dos humanos?
-A chave para abrir o baú talvez? – eu sugeri.
-Talvez...Mas Percy, o que uma chave do mundo dos humanos teria a ver com nossa missão? – realmente não fazia sentido nenhum. Mas agora, o que eu mais queria era poder relaxar e esquecer um pouco essa missão. Encostei-me na cabeceira da cama, e fiz sinal para Annabeth se sentar ali comigo. Ela se aconchegou em meu peito e eu a abracei pelas costas.
-Calma Annabeth, tudo vai fazer sentido. Por hora, não vamos nos preocupar com isso. – e ficamos ali por um tempo, abraçados, apenas sentindo a presença um do outro. Não estávamos com pressa, afinal com a chuva que estava caindo, não seria agradável dirigirmos. Ficamos em silencio,apenas apreciando um ao outro.
Notas finais
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