Meio-demônio
1 Mrs. Huzrin e seu Instinto Assassino
Vale String era um estudioso garoto de dez anos de Rio Grande do Sul. Leonardo Zanatta, um outro garoto de dez anos, de Santa Catarina. Kish Huzrin de quatorze anos, canadense nativa. Kish aprendera a falar português na sexta série. Os três se conheceram por acaso. Vale se mudou para Santa Catarina junto à sua mãe e irmão. Leo nasceu já em Urubici. Kish Huzrin mudara-se por sua escolha. Ela era uma órfã fugitiva. Começaremos com Kish.
Os pais de Kish morreram aos treze anos de idade dela. Militares invadiram a casa dela, às nove da noite. Em seu espírito assassino que possuía, ela sentiu o ódio explodindo nas células de seu sangue. Assim que ela abriu seus olhos para a verdade, nada poderia detê-la. Seus ossos se refaziam de pólvora e aço. Sua energia se enchia com a ira. Eram três homens embasbacados com a criança observando-os seriamente. Diretamente do fundo de sua alma ele observava, nem uma lágrima era derramada. Um dos militares correu até a porta de seu quarto, onde ela se encontrava. Em um revide de destreza socou o homem na barriga com força. Ela alisou suas mãos na mandíbula do homem, segurou com uma mão em seu queixo e com a outra golpeou a parte inferior de sua mandíbula, quebrando-a. O homem cuspiu sangue. Logo após isso, ela quebrou o pescoço do homem. Outro militar veio correndo até ela. Ela puxou a gaveta e tirou uma faca da mesma. O militar, ao ver a lâmina diminuiu a velocidade, mas era tarde. Ela esfaqueou a perna dele e logo após isso, estirou sua faca dentro dos pulmões do homem.
— Garota imbecil. – o último militar restante ressalta sua pistola de seu bolso e dispara um projétil contra a garota.
Adrenalina tomava o corpo de Kish. Seus olhos reviravam-se em chamas agora. Seu corpo fumegava demoníacamente. Ela, num ato sobrenatural de destreza sobrehumana, desvia da bala.
— Finalmente acordei-me. – vocifera Kish, suspirando fundamente.
Ela dispara a lâmina no pescoço do último homem que, embasbacado, assistia a jovem movimentando-se mais rápida que um guepardo atrás de um veado. Sua pele fervia e fumegava. Repentinamente, seu corpo arde em chamas, chamuscando e queimando pedaços de sua roupa. O fogo não era nocivo para sua pele. A faca atravessou a jugular do homem, que gaguejava resquícios de balbúcios. O sangue espirrou na cara de Kish e no chão. Enquanto ela caminhava, seus pés marcavam o chão como ferro quente. Ela aproximava-se do homem lentamente, mostrando que o remorso e infantilidade dela havia acabado de se esvair em chamas. Chamas que traziam resistência e força. Ele tocou a testa do homem, sussurrando perto de seu ouvido – Isso te manterá vivo o suficiente para sentir dor equivalente a que sinto agora – ela fala isso quando seu nariz começa a deitar pequena quantidade de sangue. Ela, em uma espiral flamejante, carboniza o homem. Ela ri vendo a cena se desenrolar. O grito do homem alimentava seus ouvidos farta e abundantemente. O gosto era indescritível, causar a deterioração da alma daqueles vagabundos inúteis que ora macularam suas mãos de sangue pela mutilação literal de sua família e mutilação de sua psique, que antes já era sugestionável, agora dura como pura obsidiana fervente em espalho rochoso.
— Bem vindo ao inferno, imbecil. – ela fecha sua mão, fazendo o homem explodir-se em pedaços. Ela sorrí solenemente. O fogo não tomou conta da casa por desejo de Kish. Ela olha para seu pai e mão, mortos dignamente, ao menos, com uma bala de cobre entre os dois olhos. Pelo menos não haviam sentido dor alguma. Agora que deixasse-os caminhar entre os mortos, contando fábulas.
Após aquele dia, Kish queimou todos os registros, documentos e resquícios de sua identidade, e logo viajou para Brasil, para se esconder. Sua fluência em latim e português ajudara-a bastante. Sua mente, uma vez seriamente danificada, havia se reconstruído.
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