Meio caminho para o céu
1 Novo Aeon
Depois do novo aeon o planeta terra mudou, os seres humanos decidiram que não mais iriam ser levados por ideias sobrepostas, a humanidade decidiu que viveria por si mesma não dependendo mais de qualquer ser metafísico, os seres de barro estavam evoluindo levando toda a existência para um novo nível.
Eu Mahasiah, quinto serafim da primeira ordem liderada por Metatron estou pensando em abandonar meu lar ao lado de meu pai Yahweh e ir de encontro com a humanidade, creio que com isso perderei meu valor, mas desejo o livre arbítrio.
Os céus se abrem e dentro do Tsafon o sétimo céu eu posso ver a silhueta de Metatron, o grande anjo possui quatro metros e setenta e duas asas; suas varias asas e seus vários olhos chegam a me fazer pensar no quanto ele é grande, sei que a todo tempo ele me observa junto do altíssimo e que provavelmente irá antecipar minha chegada no sétimo céu.
-Mahasiah!
Ouço alguém chamar meu nome e hesito em continuar na minha busca por liberdade, não posso parar agora. Abro minhas 6 asas brancas e luminosas e avanço ao Tsafon.
-Mahasiah! Espere!
Decido ignorar quem quer que seja, não posso deixar de saber a verdade agora, Metatron esta agora visível aos meus olhos, mesmo como um ser puro de luz eu ainda me espanto com o quanto Metatron é puro.
-Você veio reclamar sua liberdade, correto?
Metatron não abre sua boca para falar, mas mesmo assim a sua voz alta e grave ecoa por toda a colina do templo de Tsafon.
–Correto, estou aqui para pedir a benção de Yahweh para minha ida ao planeta Terra.
Sinto-me inseguro dirigindo tal afirmação ao príncipe dos anjos, me ajoelho perante á Metatron e abaixo a cabeça.
-Irmão, deixe-me passar e me justificar com nosso pai.
Tento parecer o mais respeitável possível, meus motivos são nobres, eu irei ajudar a humanidade antes que eles acabem em ruínas.
-Isso não é possível Mahasiah, e renunciando ao céu tu perderás teu nome, será comparado a um ser mortal, tens certeza dessa decisão?
A pressão da energia de meu grande irmão Metatron faz com que meu corpo vibre por inteiro.
-Irmão você nunca me entenderá, peço para que me deixe passar para falar com nosso pai, tenho certeza que ele me apoiará nessa busca por evolução.
-Evolução? Para mim parece mais que você esta tentando uma revolução! Você quer acabar como Lúcifer?
-De modo algum! Metatron eu imploro que me deixe passar!
No momento em que aumento o volume de minha voz contra Metatron o mundo escurece e os ruídos do fluxo da vida não são mais perceptíveis para meus ouvidos, apenas o vazio, não vejo e nem ouço nada.
***
Não sinto nada, estou sem peso, eu estou caindo, minhas asas começam a arder em chamas e eu sinto que pouco de quem eu era irá sobrar para chegar ao meu novo mundo.
Mas como eu vim parar aqui? Porque meu irmão não me ouviu? Porque me expulsarão de minha morada?
-Po.. Por Fav.. Por favor, alguém me ajude!
O ar quase não passa em meus pulmões, eu não sou mais um ser divino, eu agora estou em um corpo físico e em queda livre, tento abrir minhas asas para conter a queda; sinto os ossos das minhas duas asas superiores quebrarem e as inferiores queimarem, tudo o que me resta é conter a queda com as centrais que me sobraram.
Meus olhos estão queimando e eu não tenho mais a visão como tinha antes, sinto-me limitado, eu sinto como se estivesse preso dentro de um corpo humano... Não! Meu corpo não é humano, mas também não é o corpo de serafim, o que eu me tornei?
-Como podem ter feito isso comigo? Como podem me trair e me jogar na Terra desse modo?
Cuspo as palavras como uma maldição.
-Não, eu não posso culpa os seres celestiais, afinal essa foi minha decisão.
Digo virando-me em direção a Terra em ponto de colisão, me restaram apenas duas asas e estão queimadas.
Eu choco meu corpo contra o chão, o choque abre uma pequena cratera e apesar da queda titânica eu não sinto dor alguma.
-Provavelmente estou em uma cidade humana...
Saio rapidamente do buraco e corro para dentro das vielas e ruas da cidade para que não me vejam, espero encontrar um modo de não ser descoberto por eles, provavelmente me tratariam como algo hostil e eu seria preso e quem sabe torturado.
Resolvi andar por uma rua escura onde o transito de pessoas aparenta ser muito baixo, não vejo ninguém e continuo andando com cautela, do outro lado da rua eu ouço uma voz feminina em um grito abafado e um barulho de coisas caindo, me viro e lá esta uma garota de pele clara e cabelos castanhos olhando apavorada para mim; seus olhos castanhos lembram-me do barro da Terra logo depois da criação quando o planeta ainda estava limpo da influencia da humanidade.
Sinto que apesar do susto dela a me ver eu posso confiar nela, minha aparência não deve estar agradável aos olhos humanos, afinal possuo duas asas negras e olhos enegrecidos...
-Desculpe-me por isso, mas não posso permitir que você chame a atenção de mais seres da sua espécie.
Na hora em que eu avanço para fazer com que ela durma a expressão dela me paralisa, ela não esta sentindo medo de mim ela esta com um olhar de fascínio e isso me intrigou a ponto de fazer com que eu não consiga me mover.
-Você... Venha! Meu nome é Bella e você não pode ficar neste lugar senão irão te ver.
Bella pega em minha mãe e me puxa para uma porta no beco, ela abre essa porta e aponta para uma escada.
-Rápido suba por aquelas escadas eu moro logo acima delas, infelizmente não posso ficar aqui agora, mas confie em mim eu volto logo.
Não consigo responder ela, por que ela esta me ajudando? E como ela esta conseguindo lidar com isso tão facilmente sendo uma humana?
Irei esperar por sua volta, apenas me resta esperar, neste meio tempo eu irei recuperar minhas forças e irei esconder a minha forma natural para que eu possa andar entre os humanos.
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