Meio Príncipe
3 Capitulo 2: Levitando e Volitando
Notas iniciais
Naquela tarde o guerreiro retornou ao castelo, estava meio perturbado, sempre achou que ler era perda de tempo mas hoje ouviu uma história tão interessante que o fez esquecer que as horas. Será que isso era poder do mago?
Procurou sua mãe até a encontrar, como nunca foi ensinado a ser educado não aprendeu a pedir as coisas para as pessoas. Postou-se então próximo e esperou que a mulher fizesse contato.
Após alguns minutos esperando a mulher finalmente reparou-lhe ali.
– Filho? Está tudo bem?
– Leia para mim. — Disse com grosseria.
A mulher olhou para ele com estranheza. Aquilo era novidade, seu filho nunca se interessou em nada que tivesse relação com estudos e do nada decidiu que queria que ela lesse para ele?
– Leia para mim agora! — Falou em tom autoritário.
A mulher o olhou com mais estranheza ainda mas decidiu perguntar.
– Qual livro?
A pergunta era um disparate, afinal como saberia qual livro quereria se nem sequer conhecia um livro. O príncipe bufou irritado e se afastou até seus aposentos.
Estava cansado devido a falta de sono da noite anterior, então desabou sobre a cama e dormiu.
Sua mãe comentou com o seu pai, o rei e este também não achou normal a ação de seu filho, não que ele mesmo soubesse ler ou escrever, mas seu filho era um homem de verdade, provavelmente mais masculino que ele.
Aquilo preocupou o rei, mas o monarca apenas decidiu observar as ações de seu filho nos próximos dias.
Na manhã seguinte o príncipe saiu cedo do palácio, mal rompera a aurora. Seu pai estranhou, mesmo que o filho costumasse sair cedo, geralmente não era tão cedo.
O príncipe correu até a campina como havia feito no dia anterior, mas o mago não se encontrava lá. Apolo se enfureceu e começou a reclamar começou então a exercitar seu corpo.
O sol se ergueu vagarosamente e o guerreiro continuava a treinar sua musculatura, o suor pingava em sua armadura.
– Nossa! Eu fico cansado só de te ver fazendo isso! — Exclamou Táquion flutuando próximo a ele.
O bronco se assustou e caiu. Aquilo o irritou. Gritou, mas talvez aquilo fosse o primeiro vestígio de pedido que saíra daquele ser.
– Pare de voar! É irritante!
O mago desceu até tocar o solo.
– Desculpe, não foi minha intenção. — O mago estava enrubescido, nunca imaginou que para um humano normal aquilo podia ser desagradável. — Vou tentar voar menos.
– Não peça desculpas, não é coisa de homem. — Respondeu o príncipe com rispidez.
– Desculpa. — O mago ficou vermelho percebendo que acabara de pedir desculpas de novo, e pediu desculpas pois não devia pedir desculpas.
O outro apenas grunhiu.
– Eu trouxe um livro... — Mostrou Táquion exibindo o volume.
O guerreiro se sentou e esperou que ele começasse. Ele então abriu o livro e começou a contar uma história diferente da de ontem.
Sommerfeld sábia que não poderia contar uma história muito longa ou muito difícil pois a figura a sua frente não se interessaria ou não entenderia.
– Bom, vou ler, deixe-me ver... — O mago folheava o livro. — Esse é perfeito. A pequena sereia.
Começou a contar e tentava arrancar palavras daquele brutamonte, não era tarefa fácil, mas aos poucos o duro ia se dobrando ao ouvir a história da sereia.
Era uma história diferente da anterior, mas aquilo sem dúvidas prendeu a atenção do guerreiro.
– E eles viverão felizes para sempre. — Disse fechando o livro.
– Leia outra! — Mandou o guerreiro.
– Uma por dia. Se eu ler todas para você elas acabam.
O guerreiro bufou, grunhiu e xingou, o mago simplesmente não deu bola.
Novamente o príncipe retomou os exercícios. O sol estava alto e definitivamente era um dia abafado.
Sommerfeld tirou sua capa e jogou no ar exibindo seu corpo magro.
Sentou-se na grama, cruzou as pernas e começou a meditar.
O guerreiro passou a observar-lhe curioso, o que estava fazendo? Era algo novo para ele.
– Poderia parar de ficar me olhando assim? — Pediu o mago sem abrir os olhos. — Está me desconcentrando.
O príncipe novamente se assustou. Como ele sabia que estava sendo observado sem nem abrir os olhos?
Curioso Apolo se aproximou dele e se sentou ao seu lado.
O mago franziu o cenho e então começou a reclamar:
– Não dá! Você está fedendo! Não consigo me concentrar com esse fedor!
Apolo não sabia do que ele estava falando.
– Vamos tomar um banho. — Disse o mago.
O príncipe olhou para ele com estranheza lembrando de sua mãe no dia anterior, fazia exatamente o mesmo rosto que ela.
– Me diga que você sabe o que é um banho... — Sommerfeld disse assustado. O outro apenas manteve-se quieto. — Vamos. — Táquion se projetou no ar e ficou em pé.
Seguiu até um riacho que não era muito longe seguido de perto pelo príncipe. Fez um movimento com as mãos e um buraco se abriu no chão próximo a margem, a água saltou no ar e preencheu aquela vala.
– Quase pronto. Um banho não é um banho sem água quente e ervas. — O mago assoprou a água fazendo se aquecer, puxou de sua roupa um saquinho de onde tirou algumas ervas e jogou na água fazendo com que mudasse de cor levemente. — Vamos entrar?
Despiu-se seguido atentamente pelo olhar do guerreiro, este não sabia o que estava acontecendo e quando nu o mago finalmente entrou na água fazendo uma expressão de relaxamento.
– O que está esperando Apolo? Venha, está maravilhoso.
Um pouco desconfiado tirou a armadura e as vestes puídas, bem diferentes das vestes de linho verde do mago que eram muito elegantes e brilhantes e jogou a um canto. Sua musculatura avantajada não chamou a atenção do outro que agora aproveitava o calor que penetrava seus ossos. O bronco finalmente entrou.
– Isso é bom. — Soltou ainda tenso.
– Não falei? E este não está dos melhores. Falta sabão, buchas, xampu e óleos.
O outro nada disse, não estava nem sequer prestando atenção.
Relaxaram ali um pouco. De tempos em tempos o mago esquentava novamente a água com a finalidade de mantê-la em uma boa temperatura.
– Não acredito que nunca havia tomado um banho antes.
O guerreiro apenas o observou, passava a mão no pescoço e outras partes do corpo, ainda não havia intendido a finalidade.
– É para me lavar. — Disse vendo sua perplexidade. — Deixe-me lavar suas costas.
O mais forte grunhiu, não intimidando o outro aparentemente.
– Não seja chato, vire-se.
Deu-lhe então as costas.
As mãos do mago resvalaram com cuidado as costas do outro com cuidado, não pretendia irritá-lo atoa, como se isso fosse difícil, mas aos poucos o mais forte se acostumou com aquilo e relaxou.
Quando terminou o príncipe ordenou-lhe a continuar e o mago sugeriu que este fizesse o mesmo com o resto de seu corpo, a fim de acabar com o mal cheiro.
Fez então o que o mago sugeriu.
Conforme o sol atingia seu apogeu o mago saiu da água e estendeu os braços espreguiçando-se e mesmo com a pele molhada começou a pôr suas roupas.
Olhou para as roupas esfarrapadas do guerreiro e sentiu pena dele. Como alguém podia viver daquele jeito, não lhe impressionava que fosse tão duro.
– Apolo, vou precisar ir para casa um pouco, pode me esperar aqui?
Ele apenas concordou com a cabeça.
– Prometo que não demoro mais de uma hora.
O mago se transfigurou em uma criatura diferente hoje. Tinha asas grandes e brancas e corpo de leão e a cauda de serpente. Ergueu-se no ar e sumiu.
A água aos poucos começou a esfriar não incomodando Apolo, e num ato de percepção este cheirou sua pele.
– Hortelã. — Seu cheiro era agradável e sentia seu corpo leve e relaxado, que tipo de mágica era aquela? Fechou os olhos e aspirou novamente o cheiro em sua pele.
Viu a criatura leonina voltando e esta pousou com graça na grama não muito distante, no instante seguinte o mago vinha em sua direção.
– Eu te trouxe roupas novas. — Disse sorrindo.
O moreno não esboçou muita reação para a infelicidade do outro que continuou a tentar um diálogo.
– … Trouxe vermelho, acho que vai ficar bem em você.
Apolo então abriu a boca.
– Estou cheirando hortelã.
– Sim, hortelã! Legal não é. — Disse Táquion simpaticamente.
O bronco concordou com a cabeça. O mago olhava para ele e pensava que ele não parecia tão duro nesse momento, parecia menos irritado. Lembrava-lhe um animalzinho, uma criança talvez.
– Hora de sair do banho.
– Não. — Rugiu o outro.
– Se você não sair não posso te ensinar a ler...
A contragosto Apolo saiu da água, exibindo seus músculos ao sol, recebeu das mãos do mago a roupa nova e vestiu. Era estranhamente confortável, melhor que suas roupas esfarrapadas.
Táquion abriu um livro e sentou-se, chamou o outro para se sentar ao seu lado. Começou então a apresentar as letras e pedia que o outro repetisse com ele o som, pois assim memorizaria com mais facilidade.
Com um lápis de carvão e um pedaço de papel fazia o guerreiro escrever as letras, não eram letras bonitas mas ele, pelo menos, tentava.
O som do estômago de ambos começou a chamar a atenção de Sommerfeld.
– Está com fome?
O moreno apenas respondeu positivamente com a cabeça, não deu muita importância enquanto tentava fazer um “q” no papel.
– Eu trouxe alguns pães de girassol. — Táquion tirou uma bolsinha como a de ervas e arrancou dela dois pães, ele eram maiores que a bolsa sem dúvida e ainda quentes. — Trouxe pra nós dois.
O outro pegou o pão e mordeu animalescamente assustando o mago.
– Ei! Calma! Aprecie o sabor. — Mordeu então lentamente para mostrar como se fazia. — Mastigue com calma, isso ajuda o corpo a ficar mais forte e saudável.
Apolo olhou para ele, não era grande referência de força física. Táquion entendeu na hora aquele olhar.
– Tente sentir o gosto do pão, e não me olhe com essa cara. — Outra mordida e mastigação lenta.
Não gostou muito, mas em dois dias aprendera a sensação do banho e das histórias e agora começava a conhecer as letras, qual seria sua nova surpresa?
Sentiu então os pequenos grãos de girassol serem esmagados por seus dentes liberando um suave sabor, era bom também aquilo.
– E mais uma vez eu estou certo. — Riu Táquion. — Continuou a comer seu pão observado agora por Apolo.
O mago se sentia feliz quando o outro falava com ele ou quando demonstrava interesse em algo ou apenas tentava fazer as coisas do jeito dele.
Após comer prostrou-se novamente a ensinar o mais forte a ler. O som do rio que corria perto deles foi deixando-o com sono durante o cair da tarde.
O sol ia vagarosamente se pondo tingindo o firmamento de laranja, era a hora de o mago partir.
– Eu preciso ir Apolo. Te verei amanhã?
– A-ma-nhã. — Pela primeira vez o guerreiro não grunhiu, não gritou nem nada do tipo, falou como... Gente.
– Amanhã.
O mago se ergueu no ar e seguiu ao horizonte, o outro apenas o acompanhou com os olhos até que sumisse. Deitou-se na grama, observou o céu e então repetiu.
– Amanhã.
Quando o céu tingiu-se de preto o guerreiro vestiu sua armadura e retornou ao palácio. Estava atento ao seu redor, pois nunca se sabe quando alguém ou alguma coisa pode te atacar.
Ao longe avistou seu pai na porta do palácio, o rei se aproximou dele e percebeu o cheiro estranho invadindo duas narinas.
– Hortelã? — Disse o rei.
– Hortelã. — Respondeu Apolo passando por ele.
– Filho, aonde esteve hoje?
– Floresta, campina, riacho.
– Ah! Foi caçar! — Riu o rei.
O outro o ignorou e começou a adentrar o castelo.
– Filho, vamos conversar.
O príncipe revirou os olhos, mas aceitou a contragosto, afinal era seu pai, se fosse sua mãe apenas ignoraria.
– Você tem saído muito cedo e voltado só quando o sol se põe, sua mãe veio falar comigo, disse que você pediu que ela lesse para você. O que está acontecendo? — Disse o rei.
– Nada. — Bufou o outro. Aquilo o estava irritando. Como se fosse tarefa difícil irritá-lo. — Vou dormir.
O rei coçou a barba, tinha algo estranho com seu filho, e aquele cheiro de hortelã não saia de sua cabeça. Precisava investigar.
Chamou dois de seus homens e deu-lhes a missão de seguir o jovem monarca e dizer o que estava havendo.
Na manhã do outro dia Apolo levantou-se mais tarde, havia perdido muito tempo na cama, não sabia o por que. Sentia-se melhor que de costume, dormira melhor também. Levantou-se, vestiu sua armadura, carregou suas armas e partiu.
Os dois homens do rei foram em seu encalço sem que este percebesse. Chegando na colina viu Táquion deitado com o livro em sua face, aquela falta de preocupação era realmente preocupante para o guerreiro, qualquer um poderia atacá-lo enquanto estava indefeso.
Apolo se aproximou dele descendo a pequena encosta e ia lhe dar uma bronca.
– Nem pense nisso. — Disse Sommerfeld apontando. — Eu gosto de dormir na grama.
Sentou-se e então abriu o livro.
– Vamos começar?
Apolo sentou-se ao lado do outro, então ele começou a escolher a história. Parou por um instante e olhou ao redor com atenção. Atirou-se em cima do guerreiro derrubando.
O guerreiro se irritou e tentou repelir o mago.
– Fique quieto! Tem alguém perto. — O mago fez um movimento com a mão e o príncipe viu o mundo a sua volta se curvar. O guerreiro começou a xingar e reclamar, o mago apontou para ele e invocou. — Silêncio.
Um símbolo branco brilhou nos lábios de Apolo que não conseguiu fazer mais nenhum som.
– Fica quieto! Essa concha nos esconde, mas não esconse o som. E não mexa nela, se ela quebrar vamos nos machucar, isso é como vidro. — Explicou o mago em tom baixo e bravo.
Apolo virou os olhos, qualquer que fosse a ameaça poderia muito bem resolver com suas próprias mão, não precisava se esconder.
– Ele não está aqui! — Gritou um dos homens do palácio, ele não conseguia ver a inconsistência daquela bolha espelhada, ele via apenas a relva e a paisagem.
Os dois dentro da bolha observavam o homem se afastar, até que Táquion desfez a bolha.
– Pronto. Não fomos vistos.
Apolo olhava pra ele com raiva e impaciência.
– Ai! Desculpe. — A marca foi removida dos lábios do príncipe.
– Eu poderia ter resolvido! — Gritou.
– Sem dúvidas, mas não foi necessário lutar. — O mago olhou na direção dos cavaleiros.
– São do palácio...
– O que estavam fazendo aqui?
– Não sei. — Reclamou o outro.
– Vamos para outro lugar.
O guerreiro apenas balbuciou alguma coisa.
– Se importa se eu te levar? Conheço um lugar bem calmo e não é tão longe.
O guerreiro apenas suspirou descontente.
Táquion então se ergueu no ar e segurou a mão de Apolo que sentiu seus pés deixarem o chão.
– Relaxe, não vou te deixar cair.
Voaram alguns minutos até chegar em uma caverna que ficava no meio de um paredão.
– Acho que aqui está bom. — Arfou o mago. — Nossa! Você é pesado.
O mago desceu Apolo e então se atirou no chão cansado.
– Preciso descansar um pouco, estou quase sem mana.
– Mana? — Balbuciou o guerreiro.
– Mana é a energia natural que permite que eu faça magia. — Ele diminuía a respiração ofegante aos poucos. — Como você é pesado eu acabei usando muito.
O guerreiro bebeu daquelas palavras, era a primeira vez que ouvia falar daquilo, talvez não fosse, mas nunca tinha prestado atenção nessas coisas.
– Pratique um pouco as letras. Assim aproveitamos o tempo. — Táquion entregou novas folhas de papel e o lápis de carvão para o guerreiro.
Este começou a treinar novamente.
Em poucos minutos o magos acabou adormecendo.
Sentiu seu corpo ser chacoalhado, foi violento mas não muito.
– Preciso de mais papel! — Rugiu o guerreiro.
O mago acordou vagarosamente olhando ao redor e tentando se situar. Seus olhos pararam sobre a folha na qual Apolo estava praticando, vendo que estava completa pensou “Ele realmente está se esforçando.”.
– Eu não tenho outra. — Bocejou o mago.
O moreno franziu o cenho, não gostou de ouvir aquilo.
– Quer que eu leia uma história para você?
Aquilo acalmou-o. Ele apenas assentiu com a cabeça.
Táquion se projetou no ar ficando em pé e pegou o livro olhando aonde sentaria. Deu um pequeno saltou no ar e flutuou como uma folha alguns metros, diferente de seu voo habitual, e então sentou-se.
Mesmo para o bronco era clara a diferença daquele voo curto e do habitual, então ele ficou um pouco perplexo.
– Isso se chama volitar. — Explicou o mago. — É diferente do que fizemos juntos hoje, aquilo é levitar.
O guerreiro se aproximou.
– Pode perguntar quando tiver dúvidas, não garanto que eu sempre vou saber mas não tenho como te responder se eu não souber o que quer saber.
Apolo continuou quieto e sentou ao seu lado. Sommerfeld se encostou na armadura fria do outro, sentia pena dele.
“Como alguém pode viver assim?” — Pensou. Abriu o livro e começou a contar outra história.
– Aladin...
A tarde caia lenta, não haviam comido ainda. Táquion interrompeu a leitura, para desagrado do outro, e puxou uma sacola de frutas.
Os dois dividiram a comida e o mago retomou a leitura até que a história se findou.
– Você é mal? — Perguntou o guerreiro calmo.
– Não... — A pergunta pegou Táquion desprevenido. — Por que?
– O mago era mal na história.
O jovem de cabelos alvos pensou por um momento em sua resposta.
– Apolo, existem magos bons e magos ruins. — Pensou em uma comparação para fazer. — O mesmo com os guerreiros, não é? Existem guerreiros fortes e fracos... Acho.
O guerreiro apenas concordou.
O mago seguiu até a entrada da caverna andando e sentou-se observando o mundo daquele paredão.
– Você está bem falante hoje. — O outro apenas observou-o com certa perplexidade. — Isso é bom.
O guerreiro sentou-se ao lado dele.
– O que está fazendo?
– Observando a paisagem. — O mago fechou os olhos e sorriu demonstrando prazer. — Sinta essa brisa, é tão boa.
Os hábitos daquele rapaz franzino eram estranhos para o príncipe, mas aos poucos ele aceitava-os.
Ficaram os dois a observar as coisas, ou melhor, Táquion observava e Apolo apenas o acompanhava quieto.
Apolo sentiu algo se encostar nele e não deu muita atenção, mas observou que era o mago. Seu sangue ferveu, mas não disse nada nem se moveu. Aquela falta de preocupação do mago o irritava demais, e se alguém lhe quisesse fazer mal? Alguém... Quem?
Lembrou que estavam só os dois ali, não havia riscos, o único que poderia fazer mal ao mago era ele e mesmo assim o mago não pensou nisso nem por um momento sequer. Percebeu então que o mago confiava nele.
“Sou mesmo digno desta confiança” pensou sentindo-se mal e vendo o céu tingindo-se vermelho enquanto entardecia.
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