Meio Irmãos

1 Capítulo 1 - Convite


Notas iniciais
Espero que gostem! :)

Se me perguntassem o que eu mais odeio no mundo, eu responderia: essa droga de despertador que não me deixa dormir...

Levantei rápido da cama e tratei de me arrumar para ir à escola, estava eufórica, afinal, era o ultimo dia de aula.

Assim que fiquei pronta, desci para tomar café com o meu amado pai.

– Bom dia, pai. -cumprimentei feliz, puxando uma cadeira e sentando-se ao lado dele.

– Bom dia, querida! -respondeu, bebericando seu café.

Meu pai chama-se Roniel, ele é um empresário bem sucedido e muito respeitado na cidade em que moramos. Ele é tudo que tenho na vida, o amo incondicionalmente, faço tudo por ele...

Terminei o café e já estava levantando quando meu pai começou a falar:

– Anie... -sim, meu nome é Anie, idêntico ao da minha mãe, meu pai quis homenageá-la com o nome dela. Minha amada mãe faleceu assim que me deu a luz.

– Sim, pai...

–Hoje a Sara vem jantar conosco... -Sara, a namorada misteriosa do meu pai. Nunca tive interesse de conhecê-la, pouco me importava quem era ela, o que fazia. Sempre que meu pai começava a falar dela, eu fugia do assunto. — E eu gostaria que você chegasse cedo em casa. — ele me olhou um pouco nervoso e eu entendi que isso era uma ordem. Se me apresentar essa mulher vai deixar o meu pai feliz, aceitaria o sacrifício.

– Tudo bem. -falei sem interesse. — Eu não tinha nada marcado depois da escola mesmo...

– Ótimo!

Peguei minha mochila e corri para pegar o ônibus amarelinho que me leva até a escola. Pois é, meu pai acha que não sou responsável o suficiente para ter um carro.

O fato do meu pai está namorando não me incomoda, afinal, é a vida dele. Mas esse jantar não está me cheirando bem. Estou achando sério demais.

– Anie, alguém já te convidou pro baile? -Mel disse feliz, interrompendo meus pensamentos, estávamos no refeitório, almoçando. Espera aí...

–Baile? Que baile? -eu não fazia a mínima ideia de que teríamos um baile.

Mel é minha melhor amiga, às vezes eu acho que não dou muita atenção ao que ela diz, mas vamos combinar que ela fala demais, não dá pra se concentrar.

Ela revirou os olhos e começou a falar:

– Você não sabe? O baile de fim de ano, nesse fim de semana, meninos convidam meninas. Está estampado em milhares de cartazes por todo o colégio, como é possível você não ter notado? Eu falei disso a semana inteira! E sabe quem me convidou? O Gustavo! -soltou tudo de uma vez, enquanto gesticulava de um modo engraçado. Observei o tal Gustavo roubando o sanduíche de um colega, revirei os olhos. Agora eu lembrava, ela falou mesmo alguma coisa sobre o tal baile.

–Ah, claro que eu sei... Você falou do baile. Ninguém me convidou, mas de qualquer forma, eu não iria mesmo.

– Como não iria? Você tem que ir! Hoje mesmo vamos comprar um vestido para você. E com certeza algum garoto vai te convidar. -praticamente gritou.

Parece piada, mas o refeitório estava vazio em questão de minutos.

– Mel, eu não vou. Além do mais, não posso ir comprar vestido hoje, meu pai vai levar a namorada dele para jantar conosco e tenho que chegar cedo em casa. -expliquei.

– Olha só quem está vindo em sua direção... -ela sorriu maliciosa.

Vasculhei com o olhar e me arrependi, assim que identifiquei Tom e seu amigo idiota, Jonas. Mel insistia que o Tom tinha um fraco por mim, mas era tudo coisa da cabeça maluca dela. Isso seria ridículo, eu e Tom brigávamos feito cão e gato desde o jardim de infância, durante anos tive que conviver com ele no mesmo país, no mesmo estado, na mesma cidade, na mesma escola e o que é pior, na mesma turma.

– Oi Mel... -sorriu. — Oi, Anie. -fez cara de enterro.

– Oi Tom. -disse Mel.

– Não enche Tom! Não estou com saco para te aguentar hoje... -essa fui eu, muito amigável.

– Nem se eu te convidar para ir ao baile comigo? -oi? Ele está me convidando para o baile?

– Isso... É umas daquelas piadas sem graça? Por que se for, pode ir caindo fora! -cruzei os braços.

– Não é uma piada... -ele revirou os olhos. — Você aceita ir ao baile comigo, Anie? -ele me fitou tão intensamente que eu quase acreditei que aquele ser poderia se tornar gente um dia.

– Ela aceita sim! -Mel respondeu por mim. Isso era estranho, muito estranho... O Tom babaca que eu conheço nunca me pediria isso.

– O que? Eu não aceito coisa nenhuma! Eu não vou ao baile...

– Anie, assim eu me sentiria ofendido! -ele sorriu. Droga, porque ele tinha que exibir esse sorriso perfeito? Ai caramba! Eu não pensei isso... O olhei confusa.

– Aceita, sua boba! -Mel cochichou no meu ouvido, juro que imaginei ela com chifres e um rabo.

– Tudo bem... Eu aceito. -falei antes que me arrependesse.

Foi aí que o tal Jonas começou a rir e o babaca do Tom também... E eu entendi que tudo não passou de uma piada.

– Você acha mesmo que eu teria coragem de ir ao baile com você? -e continuou a rir como uma hiena. A forma como ele pronunciou a palavra “você” me ofendeu. — Isso foi só pra ter certeza de que nenhum maluco convidou você. -fitei minha amiga que fazia uma cara triste pra mim e me arrependi amargamente de ter feito o que ela me disse.

– Como se uma pessoa tão desprezível como você, merecesse a minha companhia. Se enxerga, Tom! -eu disse irritada e sai do refeitório a passos largos. Os idiotas continuaram rindo...

–Anie, espera! -Mel vinha atrás de mim. Parei por um instante. — Desculpa! -fez uma carinha de dó.

– Preciso ficar sozinha! -continuei andando, deixando ela para trás.

Não fui as ultimas aulas. Sentei-me nas escadas entre o segundo e terceiro andar. Comecei a pensar no que me levou a ficar magoada. Nunca me magoei com nada que Tom me disse, por que isso agora? Ah, é. Ele me desmereceu, me fez parecer inferior às outras garotas. Como se eu fosse... Eu não me importo, não sou inferior! Confesso que fui boba, por um instante pensei que ele estivesse mesmo falando a verdade.

– Eu sei mãe... Certo, não vou esquecer do jantar... Mas como vou saber do que ela gosta?... Tudo bem, mãe... Também te amo! -impressão minha ou eu ouvi uma conversinha do Tom com a mamãe dele? Essa fofura toda só pode ser falsidade.

Nesse instante o sinal tocou e eu pude sentir a energia boa do momento: Estava de férias e o melhor de tudo, ficaria longe de Tom, se a sorte estiver do meu lado, longe para sempre!

(...)

JANTAR

– Querida, eles chegaram! -ouvi meu pai chamar. Espera, ele disse “eles”?

– Estou indo, pai. -me olhei mais uma vez no espelho. Estava tudo certo, vestido azul, sapatilhas na cor branca, cabelos soltos e maquiagem simples, apenas caprichei em delinear bem os olhos.

Desci as escadas calmamente e pude ver a tal namorada do meu pai, ela estava de costas.

– Ah, aqui está ela... -disse meu pai, tocando nas minhas costas. — Sara, esta é a minha filha. -ele sorriu. A Sara me olhou e sorriu.

– Oi querida. -me cumprimentou com um sorriso maior ainda.

– É Anie. -disse.

– Oi Anie, como você é linda. Uma completa princesa. -tocou meu rosto.

– Obrigada. -ela parecia ser uma boa pessoa, apesar de eu ter achado o sorriso dela um pouco forçado demais. Meu pai não parava de sorrir, seu semblante era muito feliz.

– Filho, venha conhecer a filha do Roniel... -ela disse para um rapaz que vinha de outro cômodo, credo, ele devia está no banheiro. — Anie, esse aqui é o Tom, meu filho.

Quase caí pra trás quando a vi puxar o babaca do Tom para perto dela, pior ainda foi olhar pra cara daquele imbecil. Vestido com uma roupa quase formal, ele estava... Perfeito! Que saco, porque ele tem que ser perfeito?

– VOCÊ!? -dissemos juntos.

Notas finais
O que acham? Devo continuar? :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.