Meine Shuld
12 Capítulo 12 - Pesadelo 12 - Apresentando.
Existem pessoas que vão sempre tentar se aproximar de você, pois você é medíocre o bastante pra deixá-las se sentirem bem perto de você, e esse é o seu erro, você sofre pelas pessoas próximas a você, unicamente porque você as deixou se aproximarem. Não se engane, garoto, as pessoas não mudam, mesmo com o fim do mundo, todo mundo quer alguma coisa de alguma pessoa, e você sempre teve alguma coisa pra distribuir, as pessoas sempre irão atrás da sua alegria, e não satisfeitos em tirá-la de você, também tirarão suas lágrimas, uma vez mais.
(...)
Shinji estava a ponto de dormir novamente, nas últimas semanas ele só se manteve em repouso e dormiu por muitas horas, Akagi lhe disse que isso era o cansaço do corpo dele, que ele precisava expurgar antes de voltar pra casa, talvez ele voltasse hoje ou amanhã, como Asuka havia lhe dito, ele não sabia, embora ele estivesse muito cansado, ele ainda estava tendo dificuldades em dormir.
Ele olhou para o relógio, eram exatamente cinco horas da tarde agora. Ele bufou um pouco entediado, não queria ligar a televisão, seria o mesmo programa gravado que eles transmitiam para os demais, era uma coisa que já havia passado e que ele já havia visto pelo menos trinta vezes. O sono estava no seu corpo, mas não estava encontrando sua mente. Vendo que ele simplesmente não conseguiria dormir, sua mente começou a vagar sobre os últimos dias.
Asuka estava pelo menos dando o seu melhor pra compensar o que ela havia feito, era um esforço honesto e uma motivação verdadeira pelo menos. Isso ele podia dizer com segurança, mas havia vezes que ela olhava para seu corpo e parecia entrar uma depressão profunda dentro da própria cabeça, Shinji perdeu a conta de quantas vezes a ruiva ficou olhando para ele com a boca levemente aberta como se estivesse em outro mundo, provavelmente ela estava pensando em coisas demais, não sabia também, ele começou a entender a mente de Asuka há pouco tempo, e ele nem diria entendimento, ele diria esclarecimento.
Ele ficou pensando no que Misato e Asuka estavam fazendo agora, não sabia dizer pois Misato havia entrado pela porta do seu quarto e havia levado Asuka, e é claro que Misato nunca perderia o tato por suas provocações. Era um hábito, embora tudo tenha acontecido recentemente, ele estava feliz que ele ainda tinha algumas pessoas antigas com as mesmas coisas antigas cravadas no fundo de suas almas, era como um sinônimo de conforto, um sinônimo de lar, ele diria.
Ele ficou divagando sobre isso também, sobre todas as pessoas que ele conheceu, talvez algumas ainda estivessem presas em suas ilusões, talvez algumas não teriam vontade de voltar, não sabia, porém ele queria que Rei voltasse, mas ele tinha ciência que o caso dela era único, era como encontrar um sonho não real em um lugar onde tudo podia ser uma realidade, era como tentar encontrar uma mentira especifica em um mar de ilusões, Rei nunca teve sua identidade revelada para ela mesma e ela nunca teve seus próprios sonhos, ele tinha curiosidade de saber, o que seria o mundo ideal pra ela? Isso era uma coisa que ele estaria disposto a fazer sacrifícios pra fazer, mesmo que apenas por meros momentos, Rei foi umas das únicas pessoas que nunca lhe deu as costas, e no final da Instrumentalidade, ela o salvou, e o fez perceber que todos mereciam uma segunda chance.
Era engraçado de certa forma, uma menina que nunca havia demonstrado emoções conseguiu no final de tudo, causar um impacto positivo em sua vida. Ele queria poder agradecer tudo o que Rei fez para ele quando ele estava sendo consumado pela própria culpa e estava em uma agonizante solidão. Ele queria dormir, mas pensar em tudo o que estava acontecendo com ele nos últimos tempos parecia mais interessante do que dormir.
Suspirou dessa vez um pouco mais contente, quando Rei decidisse sair de sua ilusão, ele estaria lhe aguardando, Rei era uma pessoa que nunca teve a chance de ser nada sem que mandassem, bem como ele também já foi um dia, e ele não deixaria que ela se sentisse sozinha. Ele pediria para Misato conseguir uma moradia perto o suficiente deles.
Seus devaneios, no entanto, foram interrompidos por suaves batidas em sua porta, o individuo não havia aparecido no vidro, ele não tinha nenhuma ideia de quem fosse, ele se ergueu um pouco e puxou suas cobertas para sua barriga, se sentando e vendo que estava em ordem, ele fez o melhor que pôde para deixar a voz ser ouvida.
— Entre... — sua voz estava melhorando, mas é claro que estava a lego-as de ser perfeitamente audível, ele pensou se a pessoa tivesse o escutado dar-lhe permissão para entrar. — Entre. — ele disse forçando sua voz um pouco mais alto, não era muito bom pra ele se erguer assim. Ele no entanto, ficou estagnado com a pessoa que surgiu.
Era uma garota, ou melhor era uma mulher com certeza, Shinji pôde jurar que nunca viu pessoa mais bonita em sua vida toda, não que ele tivesse um repertório incrível de pessoas vistas, mas ela era de longe estonteante. Os cabelos loiros pareciam sedosos a distância e eles balançavam de um lado pro outro a cada passo da garota, e os olhos verdes, tão bonitos e brilhantes, e também, pareciam tão convidativos, quem era ela? E o que ela fazia no seu quarto?
A garota ficou um segundo parada, varrendo os olhos sobre Shinji. Shinji podia jurar que viu ela morder os lábios levemente quando colocou os olhos sobre seu braço e sobre o seu rosto pálido. Mas a frustração dela logo se fechou em uma máscara de perfeita neutralidade. Ela fez o seu caminho até a cadeira que ficava ao lado de sua cama, não dizendo uma palavra, e Shinji realmente não estava fazendo nada além de observá-la com curiosidade, como ela conseguiu subir ali?
O silêncio se instalou por alguns segundos, até Shinji ver ela começar a segurar seus dedos uns nos outros nervosamente, ele não entendeu o motivo, mas ficou em silêncio, não iria perguntar nada, não a conhecia, e novamente não sabia quem era ela e o que ela fazia no seu quarto. Quando ele finalmente pensou que deveria falar alguma coisa pra quebrar o silêncio, ela falou.
— Por favor, não force sua voz, você não está em condições de falar a todo momento. — a garota loira possuía uma voz quase robótica, mas ainda desse jeito, Shinji conseguiu captar uma preocupação honesta em seu tom, por que ela estava dizendo isso? — Deve ser muito estranho, uma garota estranha aparecer no seu quarto, repentinamente e puxar uma conversa com você, você está desconfortável?
Shinji ergueu a sobrancelha pra ela por um momento, e tentou falar normalmente, para não se desgastar.
— Eu não estou desconfortável, acredito que eu estou mais curioso pra saber, quem é você? — a pergunta não foi feita em um tom acusatório, e ela pareceu notar isso, Shinji estava naturalmente muito curioso apenas. Desculpa minha falta de educação. — ela se ergueu e fez uma leve mesura.
— Eu sou Evaline Svenskeren Bjerg, pilota alemã designada para período de treinamento na corporação NERV Japonesa. — ela pareceu pensar em estender a mão, mas ao invés disso ela apenas travou seu braço e colocou as mãos de volta ao corpo e sentou-se. — Eu vim aqui pra conversar com você, como você já deve ter percebido.
Shinji piscou um pouco confuso e surpreso, ela estava nervosa? Ela ainda estava brincando com seus dedos enquanto tentava ao que parecia, achar palavras polidas pra falar com ele, por que ela estava fazendo isso? Não sabia, mas ele não queria perguntar, tinha a impressão que se ele contasse que ela parecia tudo, menos calma ela ficaria ainda mais nervosa.
— Legal, você também é da Alemanha, eu tenho uma... Amiga que também é da Alemanha. — Shinji tentou dizer alguma coisa, já que ela não estava dizendo nada depois de se apresentar.
Evaline ergueu o rosto e o encarou.
— Eu conheço ela, é Asuka, nós fomos colegas. — ela disse num tom que não tentaria dar explicações sobre como eram colegas, Shinji percebeu isso e tratou de fechar a boca que ia explodir em perguntas sobre isso, Evaline se sentiu meio mal no mesmo instante. — Nós fomos para uma escola militar quando éramos pequenas, mas isso faz mais de dez anos agora.
Shinji assentiu com isso.
— É uma surpresa, eu não esperava conhecer uma amiga de Asuka na NERV também, deve ser bem diferente por aqui, certo? Está se acostumando a nossa cultura? — perguntou puramente na curiosidade.
Evaline ponderou por alguns momentos o que responder.
— Eu já estou habituada com o Kanji, o único problema de fato é o meu sufixo e meu sotaque, como pôde perceber. — o sotaque que Evaline se referia era sua voz grave acostumada com o sotaque forte do alemão na linguagem corrida falada Japonesa, dava a impressão que ela estava ofendendo alguém. — Eu sei que você não me conhece, sou uma completa desconhecida pra você, no entanto, eu tenho uma pergunta pra você, você pode escolher não responder, tudo bem?
Shinji olhou para ela confuso, o que ela estava querendo perguntar?
— Claro, vá em frente.
Evaline não demorou um segundo pra perguntar o que queria desde que entrou na porta.
— Você se lembra, da época em que estava com seus tios? — Evaline sentiu-se mal por perguntar sobre isso para ele, Shinji não se lembrava dela de maneira alguma, para ele era como se fosse o primeiro encontro. — Eu sei, é uma informação pessoal sua e classificada, eu lhe responderei com todo o prazer como eu sei sobre isso, mas eu preciso saber, se você se lembra alguma coisa daquela época.
Shinji não sabia o que dizer, ela era claramente uma desconhecida, uma pessoa a qual ele nunca havia visto em sua vida, e de repente, ela fala sobre seus tios, apenas o pessoal mais antigo da NERV sabia sobre o seu histórico, Misato fez questão de apagar tudo o que restou e deixá-lo como adotado. Como ela sabia sobre isso se ela havia recém chegado ao Japão? A suas informações estavam na época presentes somente na sua própria sede, nenhuma NERV de fora poderia saber.
— Desculpa, eu não me sinto bem em falar sobre isso, realmente.
Evaline suspirou amargurada na própria culpa, ela estava sendo covarde e sabia disso, era muito mais fácil ela ser direta e tentar explicar depois, e foi o que ela resolveu fazer, ela pegou suas mãos sobre os bolsos de suas calças, e retirou uma foto, uma foto deles sentado, a foto que Himura tirou deles, com ela com os braços sobre os ombros de Shinji, e Shinji dando um sorriso pra câmera, e ela também ostentava o seu próprio sorriso.
Quando ela mostrou a foto para Shinji, ela podia ver a palidez aumentar muito sobre seu rosto e ele pareceu estar vendo um fantasma naquela foto, ele alterou os olhos pra ela, e ela sabia que agora ela tinha explicações muito antigas e detalhadas pra fazer.
— Nós éramos amigos, quando pequenos Shinji. — respondeu Evaline para a surpresa do rapaz. — Eu estive com você, durante alguns anos, logo após Gendou te jogar fora, como se você fosse lixo.
Shinji podia ver que a máscara neutra dela já havia se desgarrado há muito tempo, ela estava claramente nervosa.
— Meus pais eram amigos dos seus tios, e nós estávamos em Kyoto na época, a negócios, minha família viajava bastante, e eu ia por tabela, e eu encontrei você... E nós nos tornamos amigos, brincávamos na casa dos seus tios, todos os dias, meu pai havia se hospedado em um apartamento que era literalmente um quarteirão de distância de sua casa, e eu achava meu caminho até o portão da sua casa... Eu realmente não desconfio que isso seja mentira. — ele disse olhando pra foto em suas mãos, a semelhança entre ela agora e na foto eram muito comprovadoras, e com certeza era ele naquela foto. -
Mas, como isso é possível? Eu deveria me lembrar de você, eu deveria saber quem você é, como eu me esqueci de você?
Evaline sentiu os pelos de seu corpo arrepiarem com a pergunta. — Eu não acho que seja uma boa hora pra te responder isso, você ainda está se recuperando, você não está em condições nada boas, e eu não quero te jogar uma bomba agora... Eu prometo que eu irei te explicar tudo.
— Não, isso não é uma opção, eu não conheço você, mas você está me mostrando que estivemos juntos, e eu não me lembro de absolutamente nada disso, você vai me contar o motivo. — disse Shinj seriamente, olhando nos olhos de Evaline, ela quase perdeu com o foco que ele a encarava. — Como é possível que eu esqueça de alguém que ficou comigo por, quanto tempo?Cerca de um ano, antes de tudo de ruim acontecer na minha vida? — ele disse suspirando. -
Eu vou ter que te desapontar Shinji, eu vim me apresentar, e tentar me aproximar de você, mas eu não posso te dizer os motivos de você não se lembrar de mim, eu quero primeiro que você se recupere, completamente, e então, eu irei ter uma conversa muito séria com você, eu realmente não posso te dizer agora...
Shinji a observou por uns momentos, ele estava frustrado com isso, a pouco menos de alguns minutos, ela era uma completa desconhecida, agora era uma amiga de infância a qual ele não se lembrava, e ela se recusava a dizer o motivo.
— Você percebe que isso é injusto, não é?
Evaline assentiu.
— Eu sei que isso é muito estranho pra você, mas eu não conseguia me aguentar mais, eu queria falar com você de novo, eu fiquei muito tempo longe de você, então eu decidi que eu quero me aproximar de você de novo, quero que sejamos amigos, como nos velhos tempos, que tal?
Ela estendeu a mão para ele, aguardando pacientemente de qualquer forma, Shinji olhou para a mão estendida, aceitar a amizade de uma garota que lhe prova que eram amigos, mas que você não se lembra de coisa nenhuma sobre esse tempo, embora ela pelo menos estava sendo sincera, talvez ele não devesse... Mas ele queria, não sabia o motivo, mas alguma coisa puxava sua vontade pra estendeu a mão também.
— Tudo bem Evaline, eu vou aceitar sua amizade. — ele apertou a mão dela. — Mas, como você disse, uma hora você vai ter que me contar tudo o que eu não sei...
Shinji novamente viu o humor da garota se torcer com a menção da explicação, isso o fez ficar ainda mais curioso, por que ele não se lembrava dela? Shinji tinha plena certeza que ele não se esqueceria de alguém tão facilmente.
— Ainda sim, provavelmente vou ter um tempo difícil pra me acostumar com você, então seja paciente comigo.
Evaline piscou confusa com isso, não era como se ela não soubesse disso, Shinji sempre teve dificuldade em se relacionar com as pessoas ao seu redor, ainda mais permitir que novas entrassem em seu ciclo de convívio.
— Não se preocupe, você parece ter o mesmo jeito educado de sempre Shinji, não irei forçar você a me responder um bom dia, e com certeza não irei obrigar você a se sentir no dever de falar comigo quando me ver nos corredores, fale comigo se você se sentir bem com isso, soa melhor, não?
Era incrível ela saber como ele se sentia quando via as outras pessoas, ele não esperava que alguém realmente pudesse entender o seu interior e a sua aversão por algumas pessoas, bom, isso só servia para provar ainda mais que ela realmente o conhecia. Ele deu um sorriso de leve.
— Obrigado por compreender. — ele disse para ela, se deitando novamente, indicando que a conversa havia acabado por ali mesmo. Evaline entendeu isso, Shinji não gostava de ser forçado a conversar com alguém a todo momento, ela teria que aproveitar alguns momentos para falar com ele, e aproveitar o máximo de vezes que eles estivessem sozinhos, ela não conversaria tão abertamente sobre os dois com outra pessoa por perto, especialmente Asuka.
Era óbvio que Asuka não sentia um carinho companheiro para com Shinji, o jeito que ela o tratou quando ele estava tendo pesadelos demonstrou isso, amizade não chega ao ponto de conforto de alguém, você pode se oferecer para alguma coisa, mas é difícil amigos conseguirem resolver isso, paixão pode resolver coisas além disso, e Evaline sabia muito bem disso, ela suspirou cansada.
Ela nunca imaginaria que Asuka um dia se apaixonaria, a garota tinha muita coisa em comum com ela mesma, aversão por pessoas que não conhecia, e Asuka quando criança tinha a estranha necessidade de se sentir autossuficiente, Shinji provavelmente tinha achado um caminho pra mudar suas situações.
— Enfim, logo você vai receber alta, eu imagino. — disse Evaline se erguendo. — A Doutora Akagi estava fazendo uma comoção pra descobrir o melhor jeito de te levar para casa, acho que vão te providenciar um carro, e alguns médicos vão estar com você em casa, por precaução. — Ela se dirigiu até a porta e deu uma última olhada para ele. — Obrigado por conversar comigo Shinji, significa muito, até mais tarde.
Shinji não respondeu, apenas ouviu calmamente, ele queria descansar por enquanto, ele sabia que ele teria uma estresse no seu corpo agora, ele teria que se movimentar, e ele com certeza teria que ignorar suas costelas ainda.
Ele sentia que estava melhor, mas a quanto tempo ele não saia da cama além de ir ao banheiro? Não sabia, mas toda vez que ele se movimentava ele sentia seu corpo trancar e arder em uma dor alta. Ele não queria passar por isso, mas ele queria voltar para casa. Ele queria seu quarto de volta, sua fita de volta e tentar viver o mais normalmente possível agora.
Ele só queria pensar que sua vida seria normal novamente, isso era um desejo egoísta?
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