Meine Shuld
7 Capítulo 7 - Pesadelo 7 - Sofrimento PT 2
Não importa o que foi feito, o que importa, é o que eu irei fazer a partir de agora.
(...)
Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Inferno! Tudo era uma merda, uma grande porcaria, uma infelicidade atrás da outra, um desastre atrás do outro na vida dele, ela não podia fazer nada além de encará-lo deitado? Ele estava murmurando há muito tempo, parecia estar tendo pesadelos sérios. Ela não queria isso continuasse, mas ele não respondia aos seus chamados, e ela já estava ali a quase uma hora, ela só pôde pegar em sua mão e alisar o seu rosto, o mesmo rosto sereno e ao mesmo tempo triste que ele sempre teve, e que ela nunca conseguiu mudar, a maior satisfação na vida dela foi ver aqueles olhos opacos se tornarem mais vivos quando ele a via abrir a porta de onde ele morava, isso era o suficiente pra suportar muitas coisas em sua vida, quando você ama alguém, você encontra forças em viver por ela, ela sempre acreditou nisso, e estava certa.
Mas como ela podia emprestar sua força para ele? Ela não sabia dizer, ela sempre quis ajudá-lo como podia, mas eles se viam apenas quando criança, e agora quando ela finalmente teve a oportunidade de estar com ele, ele estava ali... Operado, machucado e com pesadelos, e ela não podia fazer nada além de rezar e desejar que ele acorda-se desse inferno que estava o atormentando.
Não importava quantas vezes ela perguntasse, o que havia acontecido, ninguém lhe deu uma foda! Nada! Ela pediu para Himura investigar para ela, e os resultados eram insoldáveis, eram nulos demais pra ela tentar interpretar, primeiro lhe disseram que foi um teste no EVA, uma mentira deslavada, Shinji tinha um controle exemplar do seu próprio EVA e isso não seria motivo dele estar assim, talvez ele tivesse sido atacado por uma série de EVA? Não sabia, Asuka havia sido massacrada por eles, ela sentiu pesar pela antiga colega, mas a ideia disso ter acontecido com Shinji fazia seu interior se aquecer em um ódio que ela sempre escondeu das pessoas ao redor.
Ela tentou suavizar os movimentos da cabeça de Shinji, ela pegou sua cadeira e arrastou mais perto do garoto, poder ficar com ele durante esse tempo estava maravilhoso, ela só queria que ele não estivesse tendo pesadelos, ela chamou por seu nome, pelo seu apelido carinhoso tantas vezes, e ele não reagia, ela riu sem humor pra isso, como ele se lembraria? Ele não poderia se lembrar de nada entre eles, talvez alguns lapsos de memórias de tempos em tempos, talvez memória olfativa o fizesse se lembrar de antigamente? Não sabia dizer, ela só queria poder ajudá-lo.
— Você nunca se escapou de problemas, não é? — ela perguntou mais para si mesma do que para Shinji, apertando sua mão suavemente, tentando com seu corpo dizer que estava ali para ele. — Mas não tema. — ela se levantou e deu um beijo muito suave e muito breve na sua testa. — Eu voltei e aqui ficarei, até tudo se resolver, e quando SEELE for pro inferno e arder eternamente, eu terei suas costas e iremos para um lugar melhor.
Ela só pode se fantasiar com sua ideia de poder ter uma vida com ele, desde que eram crianças quem fantasiava sobre isso era Shinji, ela podia sentir seu coração palpitar com as doces lembranças dos dois conversando quando iriam se casar, ela queria poder voltar para aqueles tempos, onde ele não estava tão destruído, onde só havia uma tragédia em sua vida, ela olhou para seu rosto, agora ela perdia a conta de quantos infernos ele suportou.
Ela também tinha seu passado, também tinha suas dores, também teve suas mortes e teve vidas escorrendo pela ponta de seus dedos, ela também sentiu como o inferno se prova. Todos os pilotos sentiram, mas ele estava em uma proporção muito cruel pra se deixar levar. Ela só queria ter o poder de tirar toda a dor dele para longe, e jogá-la em alguém que merecia sofrer de verdade, Shinji nunca mereceu nada do que aconteceu com ele, ele era uma pessoa tão boa.
Ela perdeu a conta de quanto tempo ela ficou assim, apenas se relembrando de quando eles brincavam na casa dos tios dele, e de como ela odiava o tutor pessoal de Shinji por sempre puxá-lo para longe dela.
— Quando eu encontrar Gendou Ikari, eu terei uma conversa muito séria com ele Shinji, eu terei suas costas, confie em mim. — ela disse suavemente, tentando se fazer entendida, o rosto de Shinji ainda parecia demonstrar alguma dor e ele murmurava, ela podia entender que sua garganta ainda estava se recuperando, pelo o que ela conseguiu entender, ele havia feito uma cirurgia pela manhã, e depois que Akagi fez o teste de sincronização com ela e o teste mental ela encaminhou outra operação na garganta dele, seja lá o que aconteceu com ele, foi muito ruim pra ela querer se remoer. — Eu queria poder pelo menos ver o que te atormenta... E fazer uma muralha contra isso. Como uma muralha de ferro. Lembra de quando nós fomos ao parque de diversões? Eu consegui convencer meus pais para te levar junto comigo, e eu fiz uma birra enorme quando a porra do seu tutor tentou me impedir de levar alegria pra você. Aquele dia, foi a primeira vez que eu vi você gargalhar, não foi um dos seus sorrisos tímidos, você estava rindo, e foi maravilhoso saber que eu era parte disso...
Ela acariciou seu rosto com a mão livre. — Lembra de quando você fez 5 anos e eu obriguei meus pais a te levar ao shopping comigo? Foi tão bom, aquele escorregador com certeza foi usado quando a gente chegou lá, era tão bom poder ser feliz Shinji, era tão bom poder brincar com você e poder não me preocupar com o amanhã. Ser criança, era tão maravilhoso, não sei se era porque você estava envolvido nesses três anos. Mas... Minha infância foi completa, mesmo quando meus pais morreram, eu não consegui chorar muito por eles, eles tem minha gratidão por me dar a vida, mas mesmo assim, com quem eu estava preocupada era com você... Eu iria para escola militar, iria estudar com sua colega piloto e agora aqui estamos, reunidos novamente.
Ela suspirou pesadamente. — Você sabe qual foi minha melhor memória? — ela perguntou para o rapaz, que nada lhe disse, ela riu amargamente para si mesma, como ele saberia... Não podia saber. — Quando eu fiz seis anos, eu não pedi uma festa de aniversário, eu pedi um ingresso para aquele show de arte, você se lembra? Você estava naquele quarto... Sozinho e eu fui até você, eu te ajudei a acordar e esperei você se lavar, e então fomos pro carro do meu pai. Ele nos levou para aquela multidão e ficamos na primeira fila, eu me lembro que tinha um homem se cobrindo de fogo e dançando, e não parecia sentir dor, você quase pulou pra ajudar o homem com a sua garrafinha de água, tentando ajudar ele de alguma forma, tentando ser útil para alguém que você nem conhecia, aquilo foi o meu presente Shinji.
Ela podia sentir sua respiração se tornar pesada, era tão bom poder ser honesta com alguém, era tão bom poder deixar essa máscara que ela carregou por tantos anos ir ao chão, era maravilhoso poder ser ela mesma. — Quando eu vi a preocupação nos seus olhos, quando eu vi a admiração e curiosidade praticamente brigarem por espaço nos seus olhos e no seu rosto, acho que meu pequeno coração de menina entendeu, em realidade hoje eu percebo que naquela época, eu comecei a me apaixonar por você, no começo eu pensava que você era apenas meu amigo, uma pessoa a qual eu gostava de sentar do lado e me escorar, mas toda vez que eu me lembro do passado, eu me lembro de sentir meu coração frágil pulsar e eu querer pular em cima de você e tentar o que os adultos chamavam de beijo, eu sempre me esforcei pra não fazer isso quando te via, depois daquela apresentação...
Ela fez um caminho até seu rosto, olhando os seus lábios secos e rachados, porém, extremamente convidativos pra ela. — Porém, eu consigo me lembrar nitidamente de que um dia, eu fiz isso com você, e você correu de vergonha, eu fui atrás de você, você nem sabia o que era um beijo, e eu também não, eu só via meus pais fazerem isso e eu queria fazer com você, tive que me explicar pra você quando você achou que era alguma coisa ruim, mas fiquei tão feliz de saber que você queria mais um, acho que foi uma memória feliz pra nós, não acha Shinji? — a loira voltou a se sentar na cadeira, saboreando suas próprias memórias, memórias com alguém a qual lhe importava muito.
— Eu sempre tive meus desejos atendidos pelos meus pais Shinji, na minha vida inteira, nunca me faltou nada, a única coisa que meus pai me negaram foi o entendimento instantâneo do japonês, quando eu te conheci eu realmente comecei a testar a segunda língua da minha família, e era tão bom ver você se esforçando pra me ensinar algo que nem você sabia, era divertido. — ela sorriu com a lembrança, naquele tempo seu pai viajava muito para lá, ele se viu obrigado a aprender a língua, e foi passada pela ela algumas coisas, mas ela só aprendeu realmente sua língua quando foi para a escola militar. — Não posso dizer que eu gostava daquele lugar Shinji, eu realmente não gostava, mas isso foi útil pra formar quem eu sou, e foi útil pra mim entender que eu não sou nada além de uma casca vazia quando não estou com você. É triste de muitas formas, eu demorei anos pra entender que quando eu dormia você me vinha a memória, eu me sentia solitária, e eu não queria que ninguém soube-se disso, então eu me fechei pro mundo e me afastei de qualquer pessoa, principalmente de garotos, era engraçado, quebrar suas esperanças de alguma coisa comigo, quando eu só tinha você na minha cabeça.
Ela alisou os cabelos dele, precisava de um corte urgentemente. — Seu cabelo era mais escuro quando eu te conheci, agora ele está um castanho mesclado, alguns lugares é mais claro outros mais escuros, é bem bonitinho, se me permite dizer. — ela riu consigo mesma. — É claro que isso é só minha opinião feminina falando alto.
Tudo o que ela queria era que ele acorda-se, mas os seus pensamentos foram interrompidos quando uma garota que ela conhecia muito bem adentrou naquela sala, e ela não parecia muito feliz em ver uma outra pessoa naquela sala, talvez ela se preocupasse com ele também, isso era bom, uma pessoa para protegê-lo quando ela estivesse longe.
Ela só pôde ouvir a mais nova gritar em seus ouvidos, muito irritada, ela não se lembrava de Asuka ser assim, talvez era porque tinha alguém com Shinji? Não sabia dizer.
— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? — Evaline ouviu Asuka gritar para ela, a loira se ergueu da cadeira e se voltou para ela.
— Oi Asuka. — tentou dizer Evaline o mais calma possível devido a situação.
Ela conseguiu ver a ruiva lhe olhar desconfiada e pronta pra impedir seus movimentos a qualquer momento.
— Não respondeu minha pergunta. — a voz de Asuka não possuía mais raiva gritante, mas agora era fria e calculista, como se tentasse a ler.
Evaline suspirou cansada com isso, o que faria? Ela improvisaria alguma coisa. Não era como se Asuka soubesse de alguma coisa entre eles.
— Eu só vim ver como era o famoso Shinji Ikari, a destruição e a salvação da humanidade. — Evaline tentou forçar essas palavras em si mesma, mas aquilo era tão falso que podia ser obvio, e Asuka parecia ter notado isso
Ela apenas estranhou a reação nervosa da ruiva quando mencionou Shinji.
— Não fale assim dele, você e nem ninguém tem o direito de dizer nada sobre o que aconteceu. — Evaline estralou seus olhos com isso, isso era apenas... Preocupação com seu companheiro? Não sabia dizer, mas Asuka nunca se importou com ninguém além dela mesma, isso era estranho.
Resolveu sair dali, Asuka poderia talvez confortá-lo, contar alguma história ou algo assim, ela preferiu sair e rezar para que Shinji saísse desse pesadelo, a qual ela não podia fazer nada.
Mas quando a loira estava para sair, algo lhe doeu no coração e seus ouvidos foram preenchidos com gritos, gritos de uma pessoa a qual seu coração não podia suportar ver com dor.
Evaline e Asuka ficaram estagnadas no lugar quando Shinji começou a gritar, seu corpo parecia que estava queimando da maneira que ele estava se portando, ela viu Asuka gritar o nome dele e ir em direção a ele, Shinji estava saltando seu corpo pela cama, e ele não podia fazer isso, as mordaças ainda estavam na cama, Evaline ajudou Asuka a prender o corpo do garoto na cama. E ao lado da cama, havia um pequeno botão vermelho, Asuka apertou o botão freneticamente, não demorou minutos para Akagi e toda uma equipe de enfermagem subir e encontrar Shinji aos berros, com muita dor, seu corpo parecia estar em uma agonia eterna, e novamente não havia nada que ela pudesse fazer, nem ninguém.
Akagi não se preocupou em perguntar para as duas o que infernos elas estavam fazendo ali. Ela pegou suas leituras neurais, todo o equipamento de Shinji que foi usado para fazer sua cirurgia ainda estava ali, eles não podiam movê-lo ainda, então levariam tudo o que precisassem até ele.
— Maldição. — Evaline ouviu a Doutora murmurar para si mesma, Asuka estava ocupada demais tentando controlar a cabeça de Shinji para ele parar de bater na própria cama. — O lobo frontal do cérebro de Shinji está totalmente anormal, estou lendo sinapses a todo segundo, é quase como se tudo estivesse acontecendo no cérebro dele para ele associar tão rapidamente. — ela olhou para o garoto e gritou para as enfermeiras. — SEDATIVOS MULHERES, SEDATIVOS!
Retiraram Asuka de perto de Shinji com muita dificuldade e injetaram três doses de sedativos pesados em sua circulação, mesmo que a pausa da cirurgia não tenha sido nada além de algumas horas, ele precisava de novas doses. Akagi ligou para Misato para avisar a situação.
Evaline estava impotente, ela não sabia o que fazer, Asuka pelo menos estava tentando fazer qualquer coisa, tentando ser útil, mas ela não podia dizer o mesmo, o que ela faria numa situação como essa? Shinji agora estava preso na própria cama, e mesmo com os sedativos, não parecia afetar em nada em sua dor. Shinji parecia estar sentido coisas que ele não estava, era como uma dor fantasma que estava assoando a alma dele.
Asuka não se manteve em silêncio em seu lado, ela estava chamando por Shinji, pedia para que ele acorda-se, ninguém sabia o inferno que era o seu sonho, Asuka não podia imaginar que um Avatar corrompido dela era a causadora de tudo isso. Ela só queria poder ajudá-lo, da maneira que precisa-se.
Misato invadiu o quarto aos gritos, Evaline não se indagou a olhar para mais velha, ela estava perdida em seus pensamentos, o que ela poderia fazer? O quê? Ela não sabia.
O sentimento de impotência era tão cruel...
Mas isso não demorou muito. Sua atenção foi tomada por Asuka quando ela derrubou com toda a força uma das enfermeiras que estava a segurando pelos pulsos, era besteira pensar que uma mulher mais velha, sem treinamento poderia pará-la.
— Eu não vou ficar aqui vendo-o sofrer Misato! — gritou Asuka em plenos pulmões, se fazendo clara, ela virou seus olhos para sua guardiã e sua comandante. — Eu preciso fazer isso, preciso ajudá-lo! Estou farta de ser um problema e eu não vou ficar de braços cruzados!
Misato a olhou nos olhos, e nessa observação, Evaline conseguiu captar... Algo entre as duas, em realidade, entre todos eles, novamente ela não sabia o que era, mas algo havia acontecido com Shinji, e algo lhe dizia que Asuka e os demais estavam envolvidos, ou pelo menos sabiam a verdade, no entanto quando ela foi tirar sua satisfação. Asuka com todo o cuidado possível, começou a desfivelar as amordaças de seus braços e de sua cintura, o dorso de Shinji estacou para frente, como se fosse empalado por alguma coisa invisível, num ritmo vicioso de dor e agonia, com todo o cuidado possível e com um zelo que Evaline nunca pensou ter visto em sua vida...
Asuka fez um caminho até Shinji, o agarrou pelos lados e o abraçou com toda a força, ela havia se escorado na lateral da cama, o suficiente pra colocar o corpo colado de Shinji contra o seu, ela podia sentir os dedos de Shinji cravarem em suas costas e fazerem um caminho com as unhas, isso não lhe incomodou nem um pouco, isso lhe motivou a abraçá-lo mais forte ainda.
O que Evaline não sabia era a situação em que Asuka se encontrava, no momento em que ela viu Asuka pegá-lo em seus braços, algo doeu dentro dela, e ela não entendeu o que era, era um sentimento sufocante.
Para Asuka era diferente, ela não estava ali apenas para verificá-lo, ela estava ali porque seu orgulho maldito não lhe importava mais e ela queria poder se mostrar útil, queria protegê-lo. E era isso o que ela faria.
Ela se inclinou com o corpo de Shinji junto ao dela, os braços dele lhe apertando em volta, como se tenta-se a esmagar, ela não se incomodou, ela precisava ajudá-lo, o sonho dele parecia tão real... Ela não sabia o que era o que estava acontecendo, mas ela estava parando isso agora! Ela passou a mão por trás de seu pescoço e aproximou seu rosto do seu ouvido, com todo o cuidado para não abrir nenhum machucado dele, passou por todos eles, com o cuidado máximo que ela ainda tinha, sobre o olhar esperançoso de Misato e os demais.
— '' Eu estou farta de te fazer mal Shinji... — Asuka pensou amargamente enquanto se encaixou com Shinji, deitado ao lado dele. — '' Pelo menos, uma vez na minha vida, eu quero ser aquela que te dá paz! — ela terminou de refletir o que tinha que fazer.
— Eu sei Shinji... — Asuka começou a sussurrar nos ouvidos dele, com a voz mais mansa que ela podia, e com todo o cuidado, passando os braços ao redor dele, para mostrar algo físico. — Os pesadelos são horríveis... Eu sei... Mas eles vão sumir agora... Eu vou cuidar de tudo...
A expressão mais escandalosa pousou nas expressões estrangeiras de Evaline, a sombra do próprio cabelo cobriu os olhos da garota, e naquela face escura e escondida, podia se ver um brilho, um brilho que ninguém viu.
Asuka começou a sussurrar coisas doces nos ouvidos de Shinji, ela queria de alguma forma tirá-lo de tudo o que era ruim, ela queria poder compensar tudo o que havia feito, por uma vez na sua maldita vida, ela não iria fugir! Não mais!
— Tudo vai acabar bem Shinji... Tudo vai ficar bem, esqueça os demônios que te perseguem, eu matarei todos eles. — ela sussurrou nos seus ouvidos, o puxando cada vez mais perto, alisando seu rosto, numa demonstração de preocupação e arrependimento que Akagi não acreditou enquanto observava os olhos da garota. — Eu vou te proteger, vou cuidar de tudo...
Os murmúrios de Shinji começaram a diminuir, e Asuka podia sentir o aperto dos braços de Shinji diminuir em sua volta, ele estava começando a se acalmar. Até que Shinji simplesmente adormeceu, a respiração acelerada foi controlada por Asuka, enquanto ela ainda sussurrava palavras boas para o coração de Shinji, era tempo de mudar, e Asuka faria isso. Até que tudo se acalmou, e nenhum monstro mais podia tê-lo nos sonhos.
Asuka afastou um pouco sua cabeça do pescoço de Shinji, e deitou em seu peito, ela precisava sentir isso... Ela precisava fazer algo por ela mesma agora.
Naquele dia, em que levaram ele as preces pro hospital, ela não conseguiu mais ouvir sua respiração, ela odiou aquela lembrança, a lembrança de uma dor que ela mesma causou. Ela deitou sua cabeça sobre o peito dele
Uma lágrima de alegria escorreu sobre o rosto culpado e amargurado de Asuka, uma pequena felicidade que ela havia feito escorreu entre ela mais uma vez.
— '' Eu quase o perdi... — Asuka se martirizava na cabeça. — '' Quase o matei por meu orgulho e meu ódio, eu quase perdi a única pessoa que sempre ficou comigo... Eu o deixei desse jeito... — ela começou a se concentrar nas batidas do coração dele, se assustando com o tempo que levava para ouvir o coração bater, o seu já estava acelerado.
As batidas do coração dele lhe serviam como uma canção de ninar e ela se permitiu dormir, agora que Shinji podia descansar, ela olhou para cima orgulhosa dela mesma. Shinji parecia uma criança, uma expressão tranquila e serena.
Ela fez isso, e se precisa-se, faria de novo, quantas vezes fossem necessárias. Ela tomaria toda a dor que ela causou e cuidaria de tudo, dessa vez, ela não iria fugir.
Todos os demais deixaram os dois dormirem juntos, os que sabiam o que haviam acontecido, resolveram deixar a garota com ele, caso ele precisa-se se acalmar, ela cuidaria de tudo agora, pelo menos foi o Misato sentiu, vendo todo o carinho e cuidado que Asuka transbordava no olhar quando encarava o rapaz deitado.
O que ela não pegou, foi o olhar que Evaline jogou para Asuka, um olhar que ela conhecia bem, era um olhar que Asuka já teve um dia.
Um olhar de ódio.
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